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Olá, seja bem-vindo ao "Ingrediente Invisível", o podcast do Observador em parceria com a Nestlé Portugal. Eu sou a Maria João Simões. A pergunta já não é se a inteligência artificial vai fazer parte do nosso dia a dia, mas sim como a devemos usar para sermos mais criativos, mais estratégicos e eficientes, porque no final do dia a tecnologia é apenas uma ferramenta. O que faz a diferença continua a ser profundamente humano. Para percebermos como a IA está a impactar o mercado de trabalho, tenho comigo Gabi Chanas, é líder da equipe de especialistas de marketing digital da Nestlé. Olá, Gabi, bem-vinda. Muito obrigada por ter aceitado o convite.

Obrigada por me receber.

Obrigada. Gabi, há quem olhe pra inteligência artificial com algum receio no mercado de trabalho. Afinal, a IA vem substituir pessoas ou vem redefinir a forma como trabalhamos? E já agora, que competências é que passam a ser mais valorizadas?

A inteligência artificial não vem substituir as pessoas. Ela vem eliminar talvez algumas tarefas e ela vem transformar algumas profissões. Eu gosto de dizer que o receio das pessoas hoje não deve ser eu vou ser substituído pela inteligência artificial, mas talvez eu possa ser substituído por alguém que usa a inteligência artificial melhor do que eu. E a gente precisa pensar na inteligência artificial como um meio, não como um fim. Então, no momento de recrutamento, no momento de procurar um profissional pra nossa equipe, o que nós pensamos? A inteligência artificial gera um milhão de respostas e nós precisamos, como você falou, do fator humano, de alguém olhando pra essas respostas e analisando. Exatamente, analisando se elas fazem sentido e especialmente entendendo o que fazer com elas. Então nós vamos valorizar muito pessoas que tenham um bom pensamento crítico, que sejam curiosas, que sejam criativas e que tenham um bom poder de tomada de decisão, porque é preciso fazer alguma coisa com o input que foi gerado pela inteligência.

Pra quem nos ouve, sendo que está em zero conhecimento sobre este tema, como é que a IA pode ajudar no dia a dia de uma pessoa comum e por onde é que deve começar?

Não precisa fazer curso pra aprender IA. Você não precisa aprender IA pra começar a utilizá-la. Basta você escolher uma plataforma, e hoje as plataformas que nós temos mais conhecidas, ChatGPT, Gemini, Copilot, Claude. Escolhe uma delas e começa a conversar com a IA, porque a IA nada mais é um agente de conversa. Eu gosto de pensar na IA pra mim como um assistente pessoal que está disponível pra mim 24 horas por dia pra executar tarefas complexas de trabalho ou até pra coisas muito simples, como por exemplo: esqueci de ir ao mercado, não tenho nada no frigorífico, o que eu posso cozinhar com os ingredientes A, B ou C? Então a IA vai poder te proporcionar uma resposta pra todo tipo de problema que você tem. Eu sempre digo que é preciso tirar um pouco o medo de saber fazer a pergunta correta pra IA.

Os tais prompts, não é?

Os tais os prompts. Quando a IA começou a ficar muito massiva, as pessoas se preocupavam muito com o prompt, que é como fazer a pergunta perfeita. E claro, da mesma forma como nós estamos conversando, se a sua pergunta é clara, eu entendo o que você quer saber e eu respondo.

Se for muito complexo aí...

Se for complexo, não. Mas a IA hoje, se você fizer uma pergunta que é um pouco complexa, ela mesma vai te dizer: "Não entendi". E vai te fazer perguntas subsequentes pra entender exatamente o que você está precisando. Então é conversa, não tem curso, não tem treinamento, é justamente conversar e ir aprendendo.

E na Nestlé Portugal, como é que esta transformação digital se traduz na prática? Que ferramentas e projetos têm no terreno pra apoiar as equipes?

Hoje nós temos, dentro da Nestlé, uma série de diferentes mercados e diferentes ramos de trabalho, desde sales, atendimento do consumidor, marketing, que é o meu time, a gente tem uma série de ferramentas novas surgindo todo dia. Quando nós avaliamos que essa ferramenta, uma ferramenta específica, pode ser usada pra otimizar a vida das pessoas que trabalham com a gente, nós partimos pra um processo de qualificação, de treinamento, e também proporcionamos fóruns pra que as pessoas possam dizer: "Olha, eu descobri que pode fazer isso com a IA". E que é a melhor parte, você vai descobrindo com seus colegas. Então dentro da Nestlé, o que a gente busca? A gente busca formas de potencializar o talento das pessoas, não de substituí-las com inteligência artificial. Vamos focar onde a gente pode automatizar, talvez diminuir o tempo numa tarefa repetitiva e liberar as pessoas pra estarem mais livres pra criar, pra inovar e pra trazer mais boas experiências pra quem são os nossos consumidores.

Gabi Chanas, muito obrigada por esta conversa tão esclarecedora.

Eu que agradeço. Obrigada.

Foi um gosto. Quanto a si, que nos teve a ouvir, não tenha receio de explorar as novas ferramentas. A tecnologia avança rápido, sim, mas a curiosidade continua a ser sua. Eu sou a Maria João Simões, despeço-me até o próximo episódio de "O Ingrediente Invisível".