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"Happy birthday Mr. President"

Miguel Pinheiro. Parabéns, Miguel Pinheiro.

Muito obrigado. Não é todos os dias que se faz 30 anos. A qualidade da gravação não faz jus à tua qualidade, como é evidente, mas a intenção é que conta. Estamos aqui todos vestidos justos e cintilantes.

Roland-Joelas, exatamente, só para te brindar.

Eu incluo.

A ideia foi do Paulo.

Paulo, tão cedo não vou poder apagar essa imagem de tu estares com o vestido colante no estúdio à minha espera.

Setim puro.

Agora 8h19.

Isto é porque ele depois vai pra assembleia.

Houvesse câmeras aqui hoje.

8h19, vamos então ao bom, o mau e o vilão desta quarta-feira. E vamos ao bom, Miguel.

Hoje é só o bons. Hoje decidi que era tudo bom. Não, é mentira. O bom de hoje é Mário Centeno, que está a mostrar uma paciência infinita com Jerónimo de Sousa. O líder do PCP aderiu ontem com estrondo à tese da cabala, depois da Inspeção Geral das Finanças ter encontrado despesas ilegais de 1,6 milhões de euros na gestão comunista da Câmara de Almada. Jerónimo de Sousa disse que isto é tudo uma terrível conspiração política pra atacar os comunistas. E a coisa explica-se assim: Ana Catarina Mendes é secretária-geral do PS e o seu irmão, António Mendonça Mendes, é secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Portanto, na cabeça de Jerónimo de Sousa, a irmã telefonou ao irmão, o irmão telefonou aos subordinados e os subordinados mandaram fazer uma auditoria à Câmara de Almada com o objetivo específico, direto, de dizer mal do PCP. Ora, perante esta acusação de um terrível conluio, Mário Centeno fez um comunicado que basicamente se resume assim, é curto: "Quem manda na Inspeção Geral de Finanças sou eu e eu não tenho nenhuma irmã no PS." Mas eu acho que Mário Centeno poderia também ter respondido com um provérbio, que é a forma de comunicação política preferida de Jerónimo de Sousa, e se calhar era mais fácil assim comunicar com o líder do PC, e o provérbio podia ser este: "Deus me dê paciência e um paninho pra embrulhar."

E vamos ao mau de hoje. Acho que sim. Vamos ao mau.

O mau de hoje é Marta Temido, que continua a fazer de conta que não percebe quais são os verdadeiros problemas do Serviço Nacional de Saúde. Ontem duas notícias mostraram até que ponto são complicadas as coisas, por exemplo, no Hospital Garcia de Orta. Nós tivemos, por um lado, os chefes de equipas de urgência a escreverem à Ordem dos Médicos a pedir ajuda, porque dizem não ter condições pra garantir a segurança dos tratamentos. E, por outro lado, tivemos os especialistas de medicina interna do hospital a comunicarem à administração que se recusam a fazer mais horas extraordinárias. Não é porque não queiram trabalhar, atenção, não é porque queiram fazer uma greve qualquer, é porque o atual regime está a pôr em causa, cá está novamente, a segurança dos doentes. No meio disto tudo, a ministra da Saúde insiste em tratar as dificuldades no Hospital Garcia de Orta como se fossem um mal-entendido burocrático, um mal-entendido que se ultrapassa com a contratação de um ou dois médicos ou de três médicos. Não é. E convinha que a ministra da Saúde começasse a falar a sério sobre este problema. A sério sobre esse problema e a sério com o Mário Centeno, o senhor da paciência infinita.

Sim, mas sabes que o senhor da paciência infinita é muito fácil dizer: "A culpa é daquele senhor que não dá dinheiro". Neste momento, o problema no Garcia de Orta, por exemplo, não se resolve assim. O Garcia de Orta já abriu vagas pra médicos e ninguém quis concorrer, porque há ali um problema sistêmico que tem que ser tratado de outra maneira.

Tem a ver com organização ou desorganização dos serviços.

Exatamente.

E vamos ao vilão.

O vilão de hoje são os políticos que andaram toda a campanha eleitoral, que acabou há pouquíssimo tempo, é muito fácil as pessoas lembrarem-se do que foi dito, mas passaram toda a campanha a apresentar a ADSE como se fosse um milagre político, uma espécie de milagre dos pães, que poderia ser distribuído a todos os que o quisessem, sem problemas, sem ses, sem mas, era só dar. Na altura, já toda a gente que se quisesse informar, sabia, mas agora temos um relatório do Tribunal de Contas, que foi divulgado esta madrugada, a explicar tintim por tintim que a sustentabilidade da ADSE está em perigo e que pode entrar em déficit já no próximo ano. O problema da ADSE é o mesmo de todos os seguros de saúde, precisa ter pessoas novas e saudáveis a pagar as despesas das pessoas mais velhas e doentes. É tão simples quanto isto, ou, melhor dizendo, é tão complicado quanto isto. Sempre que um responsável político apresentar uma medida, qualquer medida ou qualquer regime, como se fosse um maravilhoso passe de mágica ou uma bênção dos céus, os eleitores devem desconfiar. A ADSE não é um milagre e se os responsáveis políticos não tiverem cuidado e não tomarem medidas difíceis, pode tornar-se num enorme problema que toda a gente vai ter que pagar.

E vamos ao resumo desta quarta-feira, desta edição. O bom de hoje é Mário Centeno, o papel de mau está a Marta Temido e o vilão são os políticos que andaram toda a campanha eleitoral a apresentar a ADSE como se fosse um milagre político. E agora, Miguel, vamos ficar uns dias sem as tuas escolhas.

Eu acho que agora que fiz 30 anos, mereço estar um bocadinho longe de vocês. Eu sei que ninguém vai acreditar, mas eu vou estar fora uns dias em trabalho. Juro. Não sei se ainda está aí o José Manuel Fernandes, mas ele pode testemunhar. Está aí?

Posso testemunhar.

Sim, é como os políticos que andaram toda a campanha eleitoral a apresentar a ADSE. Está confirmado, o José Manuel Fernandes não mente, jamais ocultar coisas, portanto está aí confirmado, é mesmo verdade, mas vão ter que sobreviver aqui uns dias sem mim. Eu sei que vai ser difícil.

Vamos ter que aguentar.

Penosamente, sem ti.

É verdade. Paulo, a sério, por favor, eu estou aqui com a câmara, não chora. Para, por favor.

Miguel Pinheiro com o Bom, o Mau e o Vilão, sempre disponível em podcast. Até já, Miguel.

Até já.

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