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No bom, o mau e o vilão. Bom dia, Miguel.
Bom dia.
Vamos ao bom desta terça-feira.
O bom desta terça é Rui Moreira. O presidente da Câmara do Porto ficou ontem isolado entre Rosa Mota e a Super Bock. Vários vereadores da oposição afastaram-se dele, Rosa Mota afastou-se dele e até Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de se afastar dele, tomando, aliás, parte num conflito que não diz respeito, nem deve dizer respeito ao presidente da República. O que está aqui em causa não é escolher entre Rosa Mota e a Super Bock. Eu fiquei acordado em 1988, já tenho idade pra isso, vejam lá, durante toda a noite, era muito novo, para ver Rosa Mota ganhar a maratona que lhe deu a medalha de ouro, e eu sei que o Paulo Ferreira ficou acordado várias noites a olhar pra Super Bock.
A olhar, pensas tu.
Pronto. Não é preciso fazeres essa escolha, Paulo, podes ficar tranquilo.
Dois em um.
Mas a escolha que está aqui em causa é outra: é entre um Palácio de Cristal, e eu sou do Porto e por isso ainda lhe chamo Palácio de Cristal, mas é entre um Palácio de Cristal com chuva a entrar pelas janelas e completamente abandonado, ou um Palácio de Cristal onde acontecem coisas e onde os portuenses vão. Eu ainda me lembro da última vez que fui ao Palácio de Cristal ver qualquer coisa, mas já foi há muito tempo e, portanto, já é uma memória um bocadinho distante. E a Rosa Mota devia estar indignada por ter o seu nome associado a um edifício que estava completamente degradado, em vez de estar preocupada em saber se ele se vai chamar Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota ou Pavilhão Rosa Mota Super Bock Arena. Isso não vale nada.
Até porque para muitos continuará a ser sempre o Palácio de Cristal, não é?
Sim. Para as pessoas do Porto será sempre Palácio de Cristal.
Que também é marca de cerveja.
Que também é marca de cerveja. E atenção, isso nem é nada contra a Rosa Mota.
Mas olhando pro naming é bem diferente. Olhando praquele letreiro, fica bem diferente ter Super Bock em cima ou ter Rosa Mota em cima.
Fica bem diferente, claro. Agora, como vocês explicaram há bocadinho, em todo o mundo isto é normal. A mim o que me espanta é que isto seja tratado como uma coisa de extraterrestres em Portugal permanentemente. Há anos e anos que o naming funciona dessa maneira. E entre ter uma marca de cervejas a pagar a recuperação de um edifício como o Palácio de Cristal, com a concessão de no naming se acrescentar o nome da marca comercial, ou ter que usar esse dinheiro, em vez de usar pra outros fins da autarquia, ter que usar pra isso, eu prefiro mil vezes isto. Pra mim, o dinheiro não é sujo, as marcas não são sujas. Aliás, também, já agora, se quisermos entrar por aí, a Super Bock é uma marca completamente associada à cidade do Porto e ao norte. Portanto, mesmo aqueles puristas, e eu não sou um desses puristas, que podem achar isto tudo uma coisa terrível, até têm ali uma marca que está completamente ligada à cidade e à região. Portanto, não percebo, de todo, a polêmica.
Miguel, vamos então ao mau.
O mau de hoje é o PCP, que claramente não sabe como reagir quando alguma das suas autarquias é investigada. Agora foi a Câmara de Almada, onde segundo uma auditoria da Inspeção Geral das Finanças, houve despesas ilegais de 1,6 milhões de euros durante a gestão comunista, e o PCP teve duas reações insólitas. Por um lado, defendeu que, por exemplo, o recurso permanente a ajustes diretos e de formas particulares pra atribuir contratos é uma decisão de pura gestão política e, por outro, ficou estranhamente contente com um ponto. O PCP deitou foguetes num comunicado por não haver indícios da prática de qualquer ato de corrupção. Corrupção? Mas ninguém está a falar em corrupção, o que está em causa é outra coisa. Quer dizer, o PCP está a defender-se de uma acusação que não é feita e claramente não sabe lidar com qualquer coisa que tenha a ver com justiça, auditorias, não consegue mesmo lidar com isso.
E vamos ao vilão.
O vilão de hoje, claro, é evidente, não podia deixar de ser, é José Sócrates, que ontem foi ouvido pelo juiz de instrução da Operação Marquês. Sócrates está muito empenhado na sua própria defesa, o que é absolutamente normal, afinal, estão em causa, convém lembrar, crimes pesados e crimes graves, mas talvez esteja a exagerar um bocadinho, como aliás é seu hábito. Primeiro, José Sócrates, já sabemos, defendeu que quem realmente entregou a Portugal Telecom ao Grupo Espírito Santo foi o seu sucessor, Pedro Passos Coelho. Portanto, afinal, tudo aconteceu depois e Passos Coelho, obviamente, já devia estar a ser conduzido aos calabouços de Évora. Não se percebe porque ainda não foi pra lá. E a seguir, José Sócrates tentou mostrar vários documentos sobre os investimentos da PT. Ele ia preparado, esteve a recolher papéis. Só que houve um bocado de problema. O juiz Ivo Rosa teve que explicar que esse suposto crime de que ele se estava a defender não era atribuído a ele, é atribuído a Ricardo Salgado. E realmente, nós chegamos ao fim deste primeiro dia da instrução da Operação Marquês, que vai continuar hoje, e percebemos uma coisa que já sabíamos, é que realmente José Sócrates só sabe viver no exagero.
Vamos então ao resumo desta edição. O bom de hoje é Rui Moreira, no papel de mau temos o PCP e o vilão de hoje é José Sócrates. Miguel Pinheiro com o Bom, Mau e o Vilão, de segunda a sexta, depois das 20h15 e sempre disponível em podcast. E hoje a... Rádio Observador. Ouça este e outros conteúdos em observador.pt/rádio e subscreva os nossos podcasts.