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Está no ar mais um episódio do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia. Bom dia. Bom dia, Miguel. O teu bom é António José Seguro. Sim, finalmente o candidato socialista acertou na mensagem, no discurso e na narrativa. Ele, em primeiro lugar, está a fazer o apelo ao voto útil, tentando esvaziar totalmente os votos nos candidatos que ficam à sua esquerda. Depois, está a chamar a atenção para o risco de termos um presidente inexperiente numa altura perigosa a nível internacional, tentando impedir os socialistas de votarem em Gouveia e Melo. Além disso, usou ontem como uma espécie de slogan a frase: "Comigo em Belém, os interesses ficam à porta", continuando a dar oxigênio às dúvidas sobre a vida profissional de Marques Mendes e alertando para o perigo de uma concentração de poderes no PSD. António José Seguro só precisa de manter disciplina e repetir estas ideias durante o resto da campanha. Se ele não se deixar distrair e se mantiver a mensagem coerente, tem hipótese de passar à segunda volta. Parece que até já acertou naquele tom de comício, aquela voz inflamada. Até isso é verdade, é um tom de comício. Achas que já não parece que acabou de acordar, é isso? Exatamente. Aquele tom mais morno ajuda, de facto. Não, morno não ajuda. Não, ajuda é o tom de comício. Certo. Nos comícios, já agora. Pois, cada coisa no seu lugar. Sim. Não é para- Não é pra acordar assim ...ter um abatanado no café. Exato. Isso. Miguel, o teu mau recebeu péssimas notícias. Péssimas notícias. A tracking poll de ontem da TVI e da CNN pôs Marques Mendes em quinto lugar, com 15,4%, atrás de António José Seguro, atrás de Gouveia e Melo, atrás de André Ventura e atrás de João Cotrim de Figueiredo. Isto pra ele é, obviamente, uma catástrofe. Mostra que a forma amadora como lidou com as suspeitas sobre a sua vida profissional deixou os eleitores muito desconfiados. Agora ele tem um dilema: volta a falar sobre o assunto pra tentar emendar as asneiras que andou a fazer ou segue em frente pra ver se as pessoas se esquecem desta polêmica sobre a vida profissional? Quer dizer, vai fazer o quê? É difícil, porque voltar ao assunto é manter aquilo ali enlumbrando. Fazer de conta também não é incrível, porque a verdade é que as pessoas ficaram a pensar no assunto. E os adversários vão se lembrando de recordar o assunto, não é? Certo. Não é fácil. Não é fácil, mas é pra isso que ele tem experiência política. Ele, de facto, tem muita experiência política, acaba que a experiência política presta às coisas. Agora tem que decidir o que fazer. Marques Mendes passou os últimos dias a fazer um apelo ao voto útil pra seduzir os eleitores de Cotrim, mas se continuar assim, arrisca-se a que o jogo vire. E será Cotrim a fazer um apelo ao voto útil pra seduzir os eleitores de Marques Mendes? Será Cotrim a dizer: "Querem ter uma direita previsível, querem ter uma direita moderna, querem ter uma direita que não seja populista e extremista, votem em mim, porque Marques Mendes não chega lá. Portanto, vejam lá se querem chegar a uma segunda volta em que a única direita que está presente é a direita de André Ventura." A vida é assim, umas vezes estamos em cima, outras vezes estamos embaixo, Paulo. É verdade, e está a pedir muitas pipocas daqui até o dia 18. Vai ser uma campanha. As pessoas têm todas que meter isto na cabeça: cada voto vai ser importante. Aqui há duas coisas diferentes em relação a outras eleições, nomeadamente às legislativas. Uma é que não há círculos eleitorais, enquanto nas legislativas há votos por exemplo, em todos os distritos. Na Guarda, há votos que a partir de dada altura já não contam por causa da forma como os votos são convertidos em mandatos. Aqui contam todos e lá fora também. Aqui não há desperdício de votos, se quiser. Lá fora também. Os imigrantes, certo. Não há um limite pro poder de influência dos imigrantes nestas eleições também. E portanto, acho que as pessoas devem se lembrar do que aconteceu em Lisboa. Em Lisboa, o último vereador, naquela célebre concorrência entre o Chega e o PCP, o último vereador foi escolhido, se não me engano, por três votos. Aquilo andou ali, era oito votos, era 15 votos, acho que no fim foi três votos. Não quero estar a mentir, mas aqui vai acontecer a mesma coisa. Cada votinho vai contar e por isso vai ser interessante. Só falta o vilão. Quem é, Miguel? Desculpa, Maria João, não te queria acordar. Tu fizeste assim esta pausa. Bem. Então, quem é o vilão, perguntas tu? Pergunto, sim. Muito bem. Estou aqui a dizer graçolas, mas o vilão é a Ministra da Saúde por uma coisa muito séria. Ana Paula Martins esteve a visitar um hospital e em declarações aos jornalistas transmitiu duas informações inquietantes. A primeira informação inquietante foi a de que estamos a viver uma situação muito crítica nos tempos de espera nas urgências. Quem teve de ir a um hospital nestes dias ou quem tem seguido as notícias sobre este assunto já tinha percebido que estamos com tempos de espera absolutamente impensáveis. Mas está aqui a confirmação pela ministra de que não estávamos a ter um devaneio. Há mesmo uma situação crítica. A segunda informação inquietante é que essa situação muito crítica não vai melhorar nos próximos tempos. E a ministra explicou a razão e eu nem queria acreditar. A Ministra da Saúde explicou-nos que há muitos médicos a regressarem ao trabalho depois deste período de férias, tolerâncias de ponto, enfim, houve falta de médicos. Agora eles estão a voltar. Mas, segundo a ministra, por causa do mesmo motivo, fim do período de férias e das tolerâncias de ponto, também vamos ter mais doentes. Oh, diabo! Assim, de facto, é impossível, porque nós temos uma situação crítica quando os médicos vão de férias e temos uma situação crítica quando os médicos regressam de férias. Quer dizer, não há hipótese, não há maneira. Estejam de férias, não estejam de férias, estejam aqui, estejam na Terra, estejam lá fora, estejam onde estiveram, não vale a pena. Estamos sempre numa situação crítica e assim não é possível. O nosso sistema de saúde não tem solução. Isto leva uma enormíssima volta ou não vamos sair daqui. Isto sem pessoas e sem doentes é que era. Ó Paulo. Acho que é por aí. Paulo, por exemplo, isto que nós estamos aqui a fazer, sem vocês os dois, isto era uma maravilha , não é? Era uma maravilha! As pessoas só atrapalham. Vamos sem noção. É daquelas verdades que ninguém assume. As pessoas só atrapalham. E no entanto, aqui estou eu a sofrer com isto, a levar com isto todos os dias. Estás aguentando. Que remédio. Ó Paulo, o que eu hei de fazer? Nada.

Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é António José Seguro, o mau é Luís Marques Mendes e o vilão de hoje é a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs "360" e sempre em podcast.