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Está no ar o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com o Miguel Pinheiro. Bom dia, Miguel.
Bom dia.
Bom dia, boa semana. Quem é o bom nesta segunda-feira?
O bom desta segunda são as mudanças que estão a ser preparadas para alterar a lei que regula o setor dos táxis. A concorrência traz muitas coisas a uma economia e uma delas é ficarmos a saber de que forma é que o poder político nos enche de taxas, taxinhas, regulações, proibições e de mais não sei quantas coisas. Neste caso dos táxis, perante a concorrência de empresas como a Uber e a Bolt, o Parlamento vai agora deixar de impedir os taxistas de trabalharem num concelho vizinho sem cobrarem mais aos clientes. O Parlamento vai agora deixar de impedir os taxistas de transportarem quatro pessoas em carros com maior lotação sem cobrarem um preço mais alto e o Parlamento vai agora deixar de impedir os taxistas de criarem preços fixos para certas deslocações. Eu só fico sem perceber por que carga d'água o Parlamento obrigava os taxistas a cobrarem mais para trabalharem num concelho vizinho, por que carga d'água o Parlamento obrigava os taxistas a cobrarem mais para transportarem quatro pessoas em carros com maior lotação, por que tinham que cobrar um valor mais alto, e também fico sem saber por que carga d'água o Parlamento obrigava os taxistas a terem preços variáveis em todas as deslocações. Mas lá está, não há nada como a concorrência para o Estado sair da frente. Pode ser que agora incomodem menos.
Pois, e os taxistas que tanto gostavam desses regulamentos, porque cada um assim tinha o seu concelhozinho para trabalhar, agora são vítimas deles.
Claro, estava o lugarzinho garantido, não era preciso nem esforço, nem muitas coisas. Pronto, agora tudo é mais saudável, parece-me a mim. E paguemos menos, já agora. Se for possível pagar menos, o pessoal agradece.
Vamos ao mau? Até me assustei há bocadinho.
Desculpa, Maria João, mas há coisas que têm que ser ditas.
Há coisas que te tiram...
E tu não penses que me vais silenciar, como é teu apanágio. A mim não me calas.
Ela tem um botãozinho ali...
Nunca te calarei, Miguel Pinheiro. Quem é o mau de hoje?
Eu que quero tirar o mau, não é? Está bem. Então o mau é Ana Catarina Mendes. A ministra dos Assuntos Parlamentares deu uma entrevista ontem e decidiu responder ao artigo de Cavaco Silva no Observador. A frase mais reveladora de Ana Catarina Mendes foi esta: "O professor Cavaco Silva não diz o que quer para o país, limita-se a dizer que está tudo mal." Ora então, Aníbal Cavaco Silva foi primeiro-ministro durante 10 anos. Foi presidente da República durante outros 10 anos. Disputou cinco eleições e teve a maioria absoluta dos votos em quatro. Portanto, se ao fim deste tempo todo e ao fim destas vitórias todas, o PS ainda não percebeu o que Cavaco Silva quer para o país, eu peço imensa desculpa a Ana Catarina Mendes, mas então o problema é do PS e é de Ana Catarina Mendes, e não é de Cavaco Silva. Eles é que ou andam distraídos ou realmente não conseguem compreender. E isso se calhar também explica os resultados de Cavaco Silva ao longo destes anos todos.
O que é impressionante é o impacto que qualquer declaração pública de Cavaco Silva tem. É impressionante.
É, mobiliza o governo todo.
Tudo.
Então em quem é o vilão?
O vilão é António Costa, que este fim de semana decidiu dar uma lição às empresas. Segundo o primeiro-ministro, as empresas têm de aumentar em 20% os salários médios e, vou citá-lo: "Têm de compreender que se querem ser competitivas a vender, têm de começar a ser competitivas no momento da contratação." E é sempre fascinante ver um primeiro-ministro a dar lições às empresas. Quem o ouvir pode pensar que as empresas só não pagam mais 20% aos trabalhadores porque não querem e porque pegam nesses 20% e os usam para comprar charutos e Ferraris. Jerónimo de Sousa ainda tentou perguntar por que se as coisas são assim tão simples, esse aumento de 20% nos salários não começa pela função pública. O governo gosta tanto de usar a função pública como exemplo, por que não o faz desta vez? E Marcelo Rebelo de Sousa também ainda tentou explicar ao primeiro-ministro que os salários só aumentam se for possível criar mais riqueza. Mas eu acho que esses esforços não valem de muito, porque António Costa acha que a economia funciona com truques de magia, portanto não há muito a fazer.
Portanto, o bom desta segunda-feira são as mudanças que estão a ser preparadas para alterar a lei que regula o setor dos táxis. O mau é Ana Catarina Mendes e o vilão de hoje é António Costa. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast.