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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão", sempre com o Miguel Pinheiro. Miguel, bom dia.
Bom dia.
Miguel, o teu bom avisou-nos.
Avisou, não podemos dizer que não nos avisou. O Tribunal de Contas avisou-nos, de facto, que há tempos o tribunal concedeu o visto para as obras do novo Hospital de Lisboa Oriental, mas, vou citar o tribunal: "Fez isso com uma firme, incisiva e solene advertência." E essa advertência era a de que a construção do novo hospital deveria incluir o chamado isolamento sísmico de base, que é aquilo que permitiria ao hospital continuar a funcionar normalmente em caso de sismo. E agora o Observador descobriu que esse isolamento vai existir. Atenção, vai existir isolamento sísmico de base no novo hospital. O único ponto aqui é que o hospital tem três edifícios. A nanina não, pedra, papel ou tesoura, só um é que vai ter. Só um dos três edifícios é que vai ter este isolamento. Sendo que atenção, que este hospital não vai ser coisa pouca, porque vai substituir sete hospitais da zona central da cidade. Portanto, neste momento há sete hospitais espalhados por ali. Vai ser tudo concentrado só num. E os especialistas explicam que, obviamente, vou citá-los: "O hospital tem de estar a funcionar em pleno, em caso de catástrofe, todo ele, todos os edifícios terem as suas funções." Eu estou a falar assim devagarinho pra ver se o Governo percebe. O hospital tem de estar todo operacional, senão não consegue responder à emergência. Estão a perceber, senhores do Governo? E os especialistas até dão o exemplo da Turquia em 2023, em que havia hospitais com este isolamento que ficaram a funcionar e até serviram pra uma série de coisas de apoio à população, e depois havia hospitais sem este isolamento, que já não puderam ser usados pra tudo isso. Enfim, o Tribunal de Contas fez o que tinha de fazer, o Governo fez aquilo que quis fazer e para o futuro, eu acho que as responsabilidades são muito claras. Mais do que isto? Não sei. O Tribunal de Contas falou, artigos em jornais, mais do que isto não dá. Agora o Governo fará. Colocamos sempre nas mãos do acaso, não é? Pois há de ser o que nosso Senhor quiser. E depois, se um dia, Deus nos livre disso, acontecer alguma desgraça, dir-se-á: "Enfim, não havia nada a fazer. Se houve um sismo, o que vocês querem? Nos sismos acontecem coisas destas." Com certeza, pois claro.
Miguel, quem é o teu mau?
Olha, Maria João lá estou outra vez a tossir. Sério isto aqui. Há pessoas que têm mania das doenças, são hipocondríacas.
Tu não.
Não, eu não sou, mas outras têm a doença provocada por estas coisas. Enfim, o mau é a ex-Secretária de Estado da Gestão da Saúde, de propósito, Cristina Vasto Mé, que foi ao Parlamento aqui há dias dizer que não recebeu qualquer comunicação formal sobre pré-avisos da greve no INEM e que por isso não sabia de nada. Estamos a falar daquela greve do INEM aqui há uns tempos, que teve consequências, houve resultados catastróficos de tudo aquilo. E agora está a haver audições no Parlamento pra tentar perceber quem é que sabia o quê. Portanto, a ex-Secretária de Estado da Saúde não sabia nada. Pré-aviso de greve, não vi nada, não sei de nada. Nem sequer estava cá. Acho que estava no estrangeiro. E ontem o ex-chefe de gabinete da ex-Secretária de Estado foi ouvido pelos deputados e disse algumas coisas de bom senso. Primeiro, Gustavo Carvalho revelou que Cristina Vasto Mé não é infoexcluída, até porque utiliza redes sociais e por isso conseguiria seguramente ler os e-mails que chegaram e em que constava o pré-aviso de greve. E depois, questionado sobre se é plausível que um pré-aviso de greve do INEM entrasse na Secretaria de Estado e não chegasse à responsável, a Cristina Vasto Mé, Gustavo Carvalho afirmou, eu vou citá-lo: "Essa hipótese é de uma gravidade tal que espero que não seja plausível." Eu também espero que não seja plausível, também acho que não é plausível e por achar e esperar tudo isso, acho que Cristina Vasto Mé ainda tem muitas coisas pra explicar. Penso que irá voltar ao Parlamento. Pois, falhas de comunicação dessas num gabinete, enfim, não se explicam, de facto. Isto dos e-mails. Claro. É muita coisa.
Miguel, só fica a faltar o teu vilão, que é a associação que representa os restaurantes.
Pois, a AHRESP respondeu ao governador do Banco de Portugal. Na véspera, falámos disso aqui também. Álvaro Santos Pereira tinha mostrado com números oficiais que não há crise nenhuma na restauração e que por isso não há motivo pro setor andar a pedir apoios ao governo. Atenção, coisa diferente é: este restaurante tem dificuldades, aquele restaurante tem dificuldades, um determinado restaurante está a ter problemas com o aumento de custos. Enfim, ninguém está a menorizar os problemas de pessoas concretas em situações concretas. Aqui o ponto é se o setorglobalmente está com um problema excepcional ou não. E os números oficiais mostram que não há crise no setor. E agora a AHRESP veio dizer basicamente o seguinte: que os grandes números não conseguem mostrar a realidade dos restaurantes. Há uma realidade que escapa totalmente. Os números dizem uma coisa e a realidade é outra. Ora, se nós não podemos olhar para os números oficiais pra fazer uma análise séria do estado do setor da restauração, então temos todos de confiar na palavra dos senhores da AHRESP. E como eles dizem que apesar dos números, há uma crise, então nós temos de acreditar que há uma crise, temos de desconfiar dos números e, além disso, temos de passar um cheque pra ajudar a resolver a crise que os números dizem que não existe. Portanto, esqueçam os números, passem pra cá o dinheirinho e assim realmente é fácil. Mas eu até fiquei com uma dúvida: que outras atividades econômicas em Portugal é que escapam aos números oficiais, já agora? Porque um dos argumentos da AHRESP é o de que estamos a falar de empresas muito pequenas no que diz respeito a restaurantes, empresas muito familiares. Enfim, isso creio que se poderá dizer sobre muitas lojas abertas ao público. Então que outras atividades escapam a estes números e que outras atividades é que também podem agora vir pedir um dinheiro extra pra ajudar? Eu diria que temos que estudar isso, mas como tudo isto escapa aos números, como nós temos uma economia paralela subterrânea que escapa aos números, não sei como é que vamos resolver isto. Olha, talvez o Paulo, que percebe destas coisas.
Eu acho que isso é um caminho sem fim.
Tu dirias que a atividade dos comentadores em programas de rádio da manhã
Está em crise.
Também precisa de apoio do Estado, não é, Paulo?
Em absoluta crise.
Passa pra cá o cheque.
Pois.
Apesar dos indicadores, está em absoluta crise.
Então vá, Paulo, encontramos ali em São Bento, tá bem? Daqui a uma hora.
Podemos começar nos cabeleireiros e acabar nas sapatarias e vai tudo.
Ora nem mais.
Miguel, quarta-feira é dia de realpolitik. Do que vais falar com o Sérgio Sousa Pinto?
Olha, vamos falar um pouquinho sobre esta polêmica à volta da transparência ou falta dela no financiamento dos partidos. Temos que falar também sobre a reforma laboral. Vamos falar antes de se dar o encontro entre António José Seguro e os parceiros sociais, mas isto está quase a chegar lá. E também temos que falar de Irão. Não há maneira de fugir. Ontem o Donald Trump voltou-
Ia prolongar o cessar-fogo, não é?
Sim, quando tinha dito que não prolongava. Enfim, temos que tentar perceber pra onde é que isto vai.
Realpolitik pra ouvir como sempre, depois do jornal do meio-dia. Quanto ao bom, o mau e o vilão desta quarta-feira, o bom é o Tribunal de Contas, o mau é a ex-secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vastomed, e o vilão é a associação que representa os restaurantes, a AHRESP. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a pouco fica disponível em podcast.