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Começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia. Bom dia. Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom de hoje? O bom de hoje é Luís Montenegro, que entrou na campanha presidencial com o discurso certo. Na semana passada, eu elogiei José Luís Carneiro por ter apelado ao voto útil em António José Seguro, e agora faço o mesmo com Montenegro, porque de facto nestas eleições há muitos candidatos, há um equilíbrio muito grande entre os que vão à frente e por isso cada voto vai ser decisivo. Nestas circunstâncias, um dos argumentos mais eficazes de campanha vai ser o do voto útil. E Luís Montenegro percebeu isso. Depois as pessoas podem concordar, discordar, podem querer muito votar num candidato que não tem hipótese de ir à segunda volta. Agora, o que é indesmentível é que este argumento é fortíssimo. Segundo o líder do PSD, há o perigo de termos apenas dois candidatos populistas na segunda volta, sendo que ele falou de um candidato populista do espaço civil, que será André Ventura, e de um candidato populista do espaço militar, que será Gouveia e Melo, e por isso ele afirmou: "Não podemos brincar, o assunto é muito sério." E sentindo-se ameaçado por este apelo, e temendo que os seus potenciais eleitores se deixem convencer pelo voto útil e se desloquem para Marques Mendes, Cotrim de Figueiredo sentiu a necessidade de reagir imediatamente. É normal, mas recorreu à chamada defesa Napoleão. Não é uma defesa que tenha sido usada por Napoleão. Eu digo que é a defesa Napoleão, porque ele comportou-se como aquelas pessoas, todos nós já nos cruzamos com alguma dessas pessoas na rua, aquelas pessoas que se julgam Napoleão. Cotrim disse que o espírito reformista de Sá Carneiro e a coragem de Passos Coelho estão hoje na candidatura dele. Calma, quer dizer, até pode haver eleitores do PP e do PSD que simpatizam com Cotrim e que admitem dar-lhe o voto, mas daí a julgarem que ele é um Sá Carneiro ou um Passos Coelho, apesar de tudo, vai uma grande distância, diria eu. Não custa tentar. Paulo, não. Para ver se pega. Certo, claro. Cotrim até pode ser, mas também nunca o provou. Não, eu tenho a certeza absoluta, Paulo, de que Cotrim pode ser um misto de Sá Carneiro e de Pedro Passos Coelho. Sem dúvida. Eu acho que claramente pode. Acho que sim. E de Napoleão. Um misto dos três. Acho que pode ser um misto dos três, é o que me parece. Enfim, vamos ter muita discussão à volta do voto útil nas próximas duas semanas, não há dúvida. Portanto, o bom é Luís Montenegro, o teu mau é Rui Rio. É, porque ele entrou novamente na campanha para defender Gouveia e Melo. Claro, ele é mandatário de Gouveia e Melo, está tudo certo. Mas segundo ele, o almirante é o único candidato que não tem amarras a interesses partidários, nem tem amarras a interesses individuais ou setoriais. Segundo ele, Gouveia e Melo é assim um anjo que desceu ontem do céu, puro, enrolado apenas na bandeira de Portugal, portanto com umas asinhas e depois com a bandeira de Portugal à volta. E isto é interessante porque Rui Rio, seguramente ele não desceu ontem dos céus. Rui Rio está há décadas na política, está há décadas nos partidos, envolveu-se em todas as guerras e guerrinhas do PSD. Pediu votos pelo partido. Teve apoios, aliás, muito questionáveis dentro do partido, mas enfim, isso agora não interessa para nada. Exerceu cargos pelo partido, apoiou presidentes da República e candidatos a presidente da República do partido. Na altura, isso não lhe provocava nenhum tipo de problema. E imagine-se, apesar de ser de um partido, Rui Rio chegou a admitir muito seriamente a hipótese de ele próprio se candidatar a presidente da República. Portanto, ele, que vem de um partido, só não avançou para presidente da República porque Marcelo o ultrapassou pela direita há 10 anos. E parece-me que Gouveia e Melo já devia ter percebido que há apoiantes que só lhe tiram votos, mas enfim, o almirante lá sabe. Há pessoas que veem a luz assim muito tarde, também é possível. Mas olha, Paulo Rui Rio viu a luz, pronto, isto sem partidos é que era porreiro. É. O problema é que quando se vê a luz em determinadas circunstâncias, depois aquilo pode cegar. Acho eu. O teu vilão fez uma acusação grave. Pois é, Jorge Pinto. O homem do grupo de Arraiolos, o homem da paz no mundo. Este fim de semana, ele disse que a Europa corre o risco de ficar entre aquilo que diz serem dois líderes autoritários, Vladimir Putin e Donald Trump. E depois acrescentou uma frase que me parece perigosa, porque ele afirmou que em Portugal e na Europa, quem está confortável com estes líderes autoritários e apoia as suas ações é traidor à pátria. Foi essa a expressão que ele usou. Jorge Pinto quer ser presidente da República, e quem quer ser presidente da República tem que ter muito cuidado com as palavras que usa. A traição à pátria é uma acusação política pesada e também é um crime previsto no Código Penal com 10 a 20 anos de cadeia. Nós já tivemos um partido português de esquerda, o PCTP/MRPP, que espalhou cartazes com a frase: "Morte aos traidores." Não me parece que o LIVRE queira ser o herdeiro da retórica do PCTP/MRPP. Eu bem sei que Jorge Pinto não apelou à morte aos traidores, mas quando começamos a falar em traidores à pátria, isto corre sempre mal. Jorge Pinto anda há semanas a garantir que representa um país com mais amor, e ainda ontem repetiu isso. E eu duvido que se construa um país com mais amor acusando adversários de serem traidores à pátria. Eu não sei, Jorge Pinto agora quer ir atrás dos traidores à pátria? É isso? Daqui até 18 de janeiro vai andar a procurar traidores à pátria em cada esquina? Enfim. E que o são porque ou gostam de Trump ou gostam de Putin. Sim, mas mesmo isso seria uma longa conversa, mas não sei. Mas olha, já agora, então que nos diga quem são os traidores à pátria, para nós nos protegermos, já agora. Vamos ao resumo: o bom desta segunda-feira é Luís Montenegro, o mau é Rui Rio e o vilão de hoje é Jorge Pinto.