Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está na hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro. Começa agora a nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão". Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Miguel, o teu bom é o Chega. Por quê?

Porque o bombardeamento de instalações nucleares iranianas pelos Estados Unidos revelou mais uma vez esta inescapável tendência da esquerda portuguesa para o antiamericanismo. É mais forte do que eles. O LIVRE, o PCP, o Bloco de Esquerda e o PS, até o PS, apressaram-se em enviar perguntas ao governo sobre o eventual uso da base das Lajes nessa operação. Com mais ou menos radicalismo, os partidos da esquerda tratam este governo dos Estados Unidos como antes trataram outros. O problema não é deste, nem é por ser Trump. Tratam-no com uma aguda desconfiança e o Chega não se meteu nisso. André Ventura disse até a seguinte frase: "O que é importante é garantir que Portugal está alinhado com os seus aliados internacionais, com as potências ocidentais, e nós temos de saber muito bem de que lado estamos." Esta posição clara distingue o Chega cá dentro e lá fora, porque isto podia não ser assim. Há muitos partidos irmãos pertencentes às famílias da direita radical do Chega que fizeram escolhas de política externa que colocam em causa a ordem ocidental liberal. Muitos alinharam-se com o que os partidos de esquerda costumam fazer. Uns apoiam a Rússia na guerra com a Ucrânia, outros contestam as tradicionais alianças internacionais, outros ainda são contra toda e qualquer intervenção militar internacional, seja ela qual for. Até agora, o Chega manteve sempre o apoio àquela que tem sido a política externa do regime, e isso é um bom sinal, mais ainda quando agora o Chega é o principal partido da oposição.

E pelo menos aqueles não querem acabar com o regime então. Aparentemente.

É isso. Este é um dos pilares do regime, uma política externa alinhada com os nossos parceiros e as democracias liberais. E nisso, realmente, o Chega não quer mexer. Ótimo.

Então em quem é o teu mau de hoje?

É Mariana Leitão. Nós temos um longo artigo no Observador que conta como foi a carreira profissional da agora candidata a líder da Iniciativa Liberal. O artigo explica que essa carreira profissional se resume, basicamente, a um emprego. Teve apenas um emprego durante este tempo todo e esteve 13 anos numa empresa com cargos de destaque. A empresa chama-se Poassa e é uma empresa da Sonangol. A Sonangol foi desde sempre o grande suporte econômico do regime autoritário angolano, foi descrita como sendo uma empresa Estado e como um dos principais veículos de corrupção do poder em Angola. À frente da Sonangol estiveram Manuel Vicente, que chegaria depois a vice-presidente da República e que foi acusado de corrupção em Portugal. O processo depois, entretanto, foi para Luanda. E à frente da Sonangol esteve também Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos. O Observador explica também que o Ministério Público português tem um inquérito aberto a um negócio imobiliário da Poassa feito cá em Portugal. Mariana Leitão afirma que não teve qualquer responsabilidade nesse negócio. Ela tratava principalmente a questão dos bolseiros angolanos. Esta empresa tratava de auxílio a bolseiros angolanos. Mariana Leitão diz que não teve nada a ver com o negócio imobiliário e explica por quê e garante também que nunca reportou diretamente a Manuel Vicente ou a Isabel dos Santos. Mariana Leitão foi diretora na Poassa, chegou a estar durante um bom tempo no conselho de administração, depois voltou a ser diretora e depois saiu. Enfim, está certo. Mariana Leitão dá suas explicações, mas aqui um ponto é que ter trabalhado durante 13 anos numa empresa subsidiária da Sonangol não é um bom currículo para alguém que quer liderar um partido como a Iniciativa Liberal. Quer dizer, não volta a dar. Pode estar tudo muito certo, pode estar tudo muito bem. Treze anos numa empresa da Sonangol não é bom.

Às vezes, a questão é que não se escolhem os patrões, não é?

Acho que escolhem, Paulo.

Sim. Depende.

Acho que sim. Mariana Leitão seguramente poderia escolher patrões. Está em Portugal. Não está em Angola, está em Portugal. Poderia ter escolhido outros patrões.

Miguel, então quem-

Eu gosto de escolher os meus patrões.

Gostas?

Certo, a escolha não sendo só num sentido.

Sim, e aqui não parece que possa ter havido uma surpresa com os patrões que se escolheu.

A partir de certo ponto, não, claro.

Penso eu.

Estás com problemas de rede, Miguel.

Eu?

Às vezes falhas, sim.

Olha, antes disso-

Às vezes falhas. Imagina dizer isto assim, em direto na rádio nacional.

Podia ser bem pior

O que se passa com o teu vilão?

Diz?

O que se passa com o teu vilão?

Com o vilão?

Vou ter um ataque de riso.

Primeiro vou dizer qual é ele. Respira fundo. Vamos respirar fundo. Já está tudo bem?

Já está tudo bem.

Comigo também. O vilão é o SNS, porque foram conhecidos os resultados do último concurso para a de família e mais uma vez percebemos uma verdade dura: os médicos não querem trabalhar no SNS. Foram abertas 585 vagas e só se conseguiu preencher 231, o que quer dizer que 60% dos lugares ficaram vazios e a coisa está a piorar. Não sou só eu, é isto também, porque em 2022 o SNS conseguiu contratar 272 médicos, em 2023, 314, em 2024, 255 e agora 231. O pior caso é o da Unidade de Saúde do Estuário do Tejo. Não é coisa pouca, serve os concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira, portanto muita coisa. Havia espaço neste concurso para 37 novos médicos, não apareceu nenhum. Nem um para amostra, nada, zero. Ali, metade dos utentes não têm médico atribuído. Já vai em metade, 48%. E uma pessoa poderia pensar: "Temos de dar mais dinheiro ao SNS, é preciso pôr mais dinheiro ali." Mas quando nós temos um hospital público a pagar centenas de milhares de euros a um só médico por cirurgias fora de horas, como aconteceu na dermatologia do Santa Maria, nós percebemos que não é falta de dinheiro, é mesmo falta de competência.

Ou seja, é pior ainda, porque o dinheiro ainda se vai arranjando, não é?

É. É tão incompetente como a minha rede. Vamos chamar-lhe rede.

Isso. Vamos ao resumo. O bom desta quarta-feira é o Chega, o mau, Mariana Leitão, e o vilão de hoje é o SNS. São as escolhas do Miguel Pinheiro, num episódio que daqui a minutos também fica disponível em podcast.