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Está no ar mais um episódio do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom é o Estado.

É o Estado. O Estado ontem teve uma vitória na interminável saga da Fundação Berardo. O Supremo Tribunal Administrativo deu razão ao Estado, que decidiu acabar com a fundação depois de a Inspeção-Geral das Finanças ter concluído, e vou citar, que as atividades desenvolvidas pela fundação demonstram que o fim real não coincide com o fim previsto no ato de instituição. E o Supremo agora também disse o seguinte: a atuação da fundação é reveladora de uma subversão do conceito de fundação. Mais, há uma confusão entre o que deveria ser o interesse da Fundação Berardo e o do seu fundador. E realmente, há muito tempo, nos anos de José Sócrates, muito obrigado por mais isto, o Estado cometeu o terrível erro de andar de mão dada com Joe Berardo. Temos andado todos a pagar por isso nestes anos, sendo que, atenção, o caso teve esta decisão do Supremo Tribunal Administrativo, mas obviamente ainda é possível recorrer para o Tribunal Constitucional. Calma, que isto também não é agora o Supremo Tribunal tomar uma decisão e está feito. Não, agora ainda dá para recorrer para o Constitucional.

É preciso salvaguardar os interesses e os direitos dos cidadãos, Miguel. Não pode ser assim uma decisão do pé para a mão, não.

Nós temos o Supremo Tribunal, temos o Tribunal Constitucional, e eu, mas isso é uma opinião muito pessoal, acho que devia haver o Supremo Tribunal do Tribunal Constitucional.

E temos tempo.

Acho que devia haver ainda mais uma instância e depois talvez o Tribunal Constitucional do Supremo Tribunal Constitucional. Assim, pronto, que é para termos a certeza de que está mesmo tudo bem, que não há uma vírgula fora do sítio. Acho que ainda falta criar estas duas instâncias. Ainda vamos a tempo.

Não sei qual é a pressa.

Pois.

Quem é o teu mau, Miguel?

Olha, o meu mau é a visão do mundo dos ativistas anti-Israel. Todos conhecem as flotilhas para Gaza e paralelamente a esses barcos, a mesma organização envia expedições por terra que dizem pretender também chegar a Gaza. Trata-se da Global Sumud Land. E um desses grupos, onde se inclui uma portuguesa, estava a tentar por estes dias passar a fronteira entre a Líbia e o Egito, quando foram todos presos. Por razões de segurança, aparentemente só podem passar ali cidadãos líbios e egípcios, até porque parte daquela região está dominada por milícias que não reconhecem o governo central líbio. E agora o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros está a acompanhar a portuguesa, enquanto parece que irá ser expulsa do país. Esperemos que corra tudo bem. Tudo muito perigoso e espero que tudo se resolva. O governo lembrou ontem que há muito tempo que desaconselha qualquer viagem para a Líbia. Mas há mais. Já em junho de 2025, outra expedição terrestre, também desta organização, foi alvo de violência e foi deportada do Egito quando tentava entrar em Gaza pela fronteira terrestre. E pelo menos esta visão do mundo, os ativistas anti-Israel e esta organização em especial, comete o erro de achar que todos os países do mundo se comportam como as democracias de onde vêm. Não se comportam e nem sequer estou a falar sobre aquele ministro israelita radical. Se, por exemplo, perguntassem aos egípcios o que eles pensam do Hamas e dos poderes fáticos em Gaza, eu acho que teriam uma grande surpresa. Teriam uma grande surpresa se percebessem o que o Egito pensa daquilo tudo. E aliás, por alguma razão, o Egito tem a fronteira terrestre fechada.

E há outra coisa, Miguel, é que este turismo ativista depois obriga o Ministério dos Negócios Estrangeiros a comportar-se como uma agência de viagens e a estar constantemente a intervir depois de desaconselhar as viagens, que estar constantemente a intervir para proteger turistas.

É que aquilo é perigoso. É preciso ter noção de que é mesmo perigoso, mas enfim.

E o que é que se passa com o teu vilão?

Olha, boa pergunta.

Então.

Grande pergunta. Ainda bem que fazes essa pergunta, porque eu não sei. O vilão é o Luís Neves e ele está cada vez mais embrolhado nesta polémica sobre o SIRESP. Como se sabe, o secretário-geral adjunto do MAI demitiu-se em protesto pela nomeação do Major-General Viegas Nunes para a presidência do SIRESP. Tornou públicas várias denúncias concretas que envolvem, por exemplo, ajustes diretos com empresas de pessoas próximas de responsáveis do SIRESP. E em resposta, o MAI disse inicialmente duas coisas: que tudo já tinha sido investigado e que o secretário-adjunto do MAI até já se demitira uma vez, um mês antes de ser conhecida a nomeação de Viegas Nunes e que, portanto, tudo isto era muito esquisito. Ontem, o Observador publicou duas informações novas, eu penso que também saíram noutros sítios. Por um lado, revelou-se que o primeiro pedido de demissão, há um mês, já tinha estado relacionado com o SIRESP. Portanto, esta argumentação de que agora o secretário-geral adjunto inventou isto do SIRESP para se demitir. Bem, o SIRESP já tinha estado na base do primeiro pedido de demissão. E, por outro lado, numa resposta ao Observador, o MAI adjunto do Luís Neves afirmou o seguinteVou citá-la: "Há corporativismo porque estamos a combater os interesses instalados, os interesses das grandes operadoras de telecomunicações que estão há anos a receber milhões do SIRESP." Eu queria dizer que eu não sei quem é que tem razão nesta história do major general Viegas Nunes, do secretário-geral adjunto. Não sei quem é que tem razão. O que eu sei é que a cada hora que passa torna-se mais urgente o Ministro da Administração Interna dar uma conferência de imprensa a explicar tudo ao detalhe. Atenção, não é umas declarações à entrada de um quartel de bombeiros. Eu acho que hoje o ministro vai a um quartel de bombeiros ou algo assim. Não é isso, não é uma coisa de passagem. É uma conferência de imprensa a sério a explicar tudo ao detalhe. Isto não basta referências vagas a dizer que já foi tudo investigado. É preciso explicar detalhadamente, uma a uma, por que o ministro entende que as denúncias não fazem sentido. E já agora, convinha que nos explicasse também quem é que no Estado está a defender os interesses instalados e os milhões que saem do SIRESP para as grandes operadoras de telecomunicações. Então há milhões a saírem do Estado, pelos vistos indevidamente, defendidos por interesses instalados? É isso que está a acontecer? Então que milhões são esses? Que interesses são esses exatamente e quem é que os defende? Eu acho que o Luís Neves tem de explicar tudo tintim por tintim.

Não sei se temos tempo para isso. É porque o SIRESP volta não volta está nas notícias e é quase sempre por más razões.

Pois, mas o problema é que se o ministro começa a tropeçar na primeira dificuldade, quer dizer, se nós ainda nem sequer chegámos aos fogos e já estamos nisto. Não era Luís Neves que vinha pôr ordem de uma vez por todas no Ministério da Administração Interna? Não há fogos, não há inundações, não há furacões, não há tempestades e já está embrulhado num pântano destes? Não pode ser. Ele que esclareça isto de uma vez por todas. Mais uma vez, não é à entrada de um edifício, é decentemente.

Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é o Estado, o mau é a visão do mundo dos ativistas anti-Israel e o vilão de hoje é Luís Neves, o Ministro da Administração Interna. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.