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O Miguel Pinheiro já está conosco para uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom anunciou uma data.

Finalmente, o Ministério da Saúde, pelos vistos, já tem uma data pra começarmos a ter urgências concentradas que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Eu não sei se já viram este luxo! Meu Deus, e agora? É o paraíso. O diretor executivo do SNS disse ontem que a concentração das urgências de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Loures deverá acontecer já a 16 de março. Está quase. E ele garantiu: "Não vamos ter encerramentos rotativos ou alternados, vamos assegurar que esta urgência funcione sempre." Portanto, em 2026 conseguimos, finalmente, ter urgências que estão abertas. Não só estamos em 2026, como este governo já vem desde 2024, mas enfim. Prometeu, lá andaram dois aninhos a ver em que as coisas paravam. Ora então, será que dá? Será que não dá? Passaram-se dois anos. Muito bem, vamos ter finalmente a funcionar em Lisboa uma coisa que já funciona no norte do país há muito tempo, mas como sabemos, nós somos um país enorme. Somos nós, China, União Soviética, países enormes.

Muitos fusos horários.

Claro, exato. E nem sempre o que funciona numa região vai funcionar noutra, porque são línguas diferentes, tradições religiosas e culturais diferentes, é tudo muito diferente. Portanto, vamos lá ver se isto funciona. Vamos lá ver.

Vamos ver.

E vamos ver também se acontece mesmo, porque eu, até estar feito, desconfio sempre.

Faltam 10 dias.

Ó Paulo, 10 dias dá para tanta coisa. Mas sim, vamos ter fé.

O teu mau vai-se embora.

Por estes dias, o ainda presidente da República tem andado a despir-se do cargo, porque o novo presidente toma posse já na segunda-feira, e houve dois momentos que ficaram marcados por símbolos que o próprio Marcelo Rebelo de Sousa escolheu e que mostram a vacuidade desta presidência. Primeiro, o retrato oficial. Atenção, não está aqui em causa gostar ou não gostar esteticamente do retrato. Eu até gosto, gosto imenso. O que está em causa é o simbolismo. E o simbolismo é este: Marcelo foi um presidente sempre mais preocupado com a forma do que com a substância. Foi um presidente sempre mais preocupado com o que diziam dele do que com aquilo que era preciso fazer pelo país. Foi um presidente que sempre pensou mais nos jornais do dia seguinte do que nos livros de história e por isso é muito simbólico que o retrato oficial de Marcelo tenha sido feito precisamente com recortes de jornais. Ele realmente nunca foi mais do que isso. E o segundo momento simbólico aconteceu ontem, quando Marcelo se foi despedir do governo. E então, o que ele decidiu fazer? Decidiu tirar uma selfie, tirar uma "Marselfie", como se costuma dizer. Pôs os ministros e os secretários de Estado todos atrás dele, pegou num telemóvel e fez aquele gesto que define o seu mandato. E lá atrás vê-se que os governantes gostaram quase todos do momento, como se fosse um grupo excursionista a visitar a Rua da Joia para comprar caramelos. Eu sei como é, porque eu já fiz parte desses grupos excursionistas e realmente nós comportávamo-nos assim quando estávamos a tirar uma foto. E achei graça porque o único ministro que se manteve sério, composto, braços cruzados, foi Luís Neves. Deve ser por ter acabado de chegar, eu imagino. Acabou de chegar e de repente olha à volta: "Espera aí, isto é assim? Mas como assim? Nós da PJ não fazíamos bem estas coisas. É suposto eu fazer isto? Vai, vai daqui um abraço de solidariedade." De qualquer forma, a despedida de Marcelo tinha de ser igual ao seu mandato. Foi tudo levezinho, muito levezinho. Coitados de nós, também não se podia exigir mais.

É verdade. Tudo isso permite aquilo não dar nada, de fato.

Não dá nada. Dá poucochinho, como diria o grande amigo de Marcelo Rebelo de Sousa, dá poucochinho.

Então Miguel, e quem é o teu vilão?

Olha, é o PS, que além das viúvas do socratismo, tem as viúvas da geringonça, depois de José Luís Carneiro ter estado no Parlamento a tentar fazer um equilíbrio impossível, em que condenou de igual forma os Estados Unidos e o Irã. Ontem veio Marta Temido mostrar o que a ala esquerda do PS realmente pensa sobre o conflito no Médio Oriente. A eurodeputada e ex-ministra da Saúde afirmou que é inaceitável que a ação militar dos Estados Unidos não tenha merecido uma condenação direta por parte da União Europeia. E sobre a base das Lajes, disse isto, vou citar: "As declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros são absolutamente ridículas. É o que se chama tentar tapar o sol com a peneira com algo que não engana ninguém. Mais vale dizer assim: temos medo. Isso toda gente compreende." Isto disse Marta Temido. E depois acrescentou: "Quais valores e princípios? Já abdicaram deles claramente há tanto tempo." E ouvindo isto, confirmamos que há um PS que só se sabe indignar contra os Estados Unidos, que só se lembra do direito internacional quando estão em causa os Estados Unidos e que só não tem medo dos Estados Unidos. E se José Luís Carneiro não se conseguir impor a este PS, suspeito que vai acabar mal.

Não se percebe o que o PS pensa sobre isto. Há pessoas a pensar muitas coisas diferentes.

É. O ponto aqui, e até pode haver num partido pessoas a pensar de forma diferente, com certeza, claro, como é óbvio, e isso é saudável. A questão é se o líder consegue impor ao partido a sua linha política. Esse é que é o ponto. E do que eu estou a ver, José Luís Carneiro não consegue impor a sua linha política ao Partido Socialista sem precisar fazer todas estas concessões.

Vamos ao resumo. O bom desta sexta-feira é o Ministério da Saúde, o mau é Marcelo Rebelo de Sousa e o vilão de hoje é o PS. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a minutos também fica disponível em podcast.