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Começa agora mais um episódio do Bom, Mau e o Vilão da Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro. Bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o teu bom de hoje, Miguel?
O bom é Luís Montenegro, porque o primeiro-ministro participou de um evento para assinalar os 80 anos do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, e aproveitou para falar olhos nos olhos, para usar as palavras dele, com a administração da Vinci. Luís Montenegro lembrou-lhes que a empresa que gere aeroportos tem em Portugal a sua operação mais rentável do mundo e, por isso, tem de fazer mais e mais depressa nos vários aeroportos portugueses. Eu vou citá-lo: "Para quem oferece à vossa companhia a possibilidade de ter esse resultado, não podem esperar que nós não tenhamos, com lealdade, a exigência para que o investimento corresponda a essa rentabilidade". Acho que aqui o ponto é o de que numa economia de mercado saudável, a política não manda nas empresas, mas as empresas que têm concessões públicas não podem pensar só no lucro. Tem de haver aqui, como se costuma dizer, um quid pro quo.
Sobretudo quando há investimentos que são necessários e estão contratualizados. E, portanto, só têm mesmo é que os fazer.
Certo. Estou certo, Paulo, de que a mão mais ou menos invisível do mercado fará com que isso aconteça.
É que há pouco mercado.
Pois, por isso é que eu digo mais ou menos invisível.
Miguel, o teu mau anda a adiar.
É, parece que não há grande pressa no Parlamento. Ontem o PS pediu um novo adiamento das eleições para os chamados órgãos externos do Parlamento. O que é isto? São os órgãos como a Provedoria de Justiça, Conselho de Estado, o Tribunal Constitucional, que têm alguns membros nomeados pelo Parlamento. O problema é que estas nomeações precisam de uma maioria de dois terços, o que quer dizer que nesta legislatura precisam de um acordo entre o PSD, o Chega e o PS. Mesmo nos tempos em que só era preciso um acordo entre o PSD e o PS, isto às vezes dava para o torto. Agora é preciso dos três e temos um sarilho. Andamos nisto há muito tempo, com adiamentos atrás de adiamentos. Parece que o problema agora reside apenas no Tribunal Constitucional. Haverá acordo, sobretudo, falta o Tribunal Constitucional. Há três lugares em aberto e a dúvida é se vai um para cada partido ou se vão dois para o PSD e um para o Chega ou o PS. As negociações já tiveram avanços e recuos, eu acho que os partidos já andaram para um lado e para o outro nisto. E está tudo muito bem, faz parte, desde que esses avanços e recuos aconteçam dentro dos prazos previstos para as negociações, em vez de se andarem a arrastar durante tanto tempo que o Parlamento, os partidos e os tais órgãos externos, a dada altura perdem toda a credibilidade.
Se eles acham que isto vai demorar tempo, comecem muito antes.
Ora demais.
É o que qualquer pessoa por dentro faria.
Certo, nós na nossa vida, se achamos que vai haver um problema. Sei lá, vou demorar mais tempo a preencher os meus impostos. Começo mais cedo.
É, não podemos dizer à Autoridade Tributária: "Desculpem lá, mas isto está difícil aqui, entendem bem."
É, isto agora eu tenho que falar aqui com três pessoas, a minha mulher e o meu filho, sabem como é, agora com três é mais difícil, por isso agora esperem aí um bocadinho. Não dá.
Miguel, o teu vilão fez uma cena.
Fez uma grande cena. Eu até tenho pena que eles já tenham atribuído os Oscars, porque isto aqui estava ao nível. Porque a CGTP ontem decidiu fazer um número, como estava marcada mais uma reunião entre o governo, as entidades patronais e a UGT para tratar do pacote laboral, e como a CGTP não foi convocada, então decidiu fazer barulho. E quando eu digo fazer barulho, não é metáfora, porque a central sindical montou um palco à frente do Ministério do Trabalho, um palco com alto-falantes, e enquanto o seu secretário-geral falava, vários manifestantes vaiavam o governo. A CGTP disse que queria participar das negociações, mas quem quer participar seriamente em negociações, não sei como é convosco, mas não me parece que leve atrás de si um palco ou que leve atrás de si um alto-falante, ou que leve atrás de si manifestantes. Obviamente, a CGTP não queria entrar em negociação nenhuma. Aliás, por isso é que não tinha sido convocada. A dada altura, o governo percebeu o óbvio, percebeu que a CGTP jamais aceitaria qualquer mudança nas leis laborais. Aliás, não era preciso perceber, porque a CGTP disse isso. Foi muito clara, não queria. Queria rasgar tudo aquilo. Se quer rasgar, não há nada para negociar. Há um último detalhe, é que a CGTP inventou agora que o facto de não ter sido convocada para as reuniões finais é inconstitucional. Realmente, a nossa Constituição dá para tudo! Então, é inconstitucional. E quem é que andou o dia todo ontem a papaguear este argumento da CGTP? Pois com certeza, o líder do PCP e o líder do Bloco de Esquerda. E com a CGTP nós realmente nunca sabemos onde é que acaba o sindicalismo e onde começa a política partidária.
E onde se prolonga para o protesto em vez da reunião.
Não, mas ó Paulo, quem é que nunca foi para uma reunião com palco, alto-falantes, manifestantes.
Cem pessoas atrás.
Quem nunca? Com certeza, é o normal, é aquilo que toda a gente faz, como é óbvio. Tu não viste lá o palco que foi montado pelas entidades patronais. Também tinham lá um palco, assim com os microfones. É mais divertido.
Era um festival.
É um festival de primavera. Antes dos festivais de verão, temos o festival laboral. Acho que é uma boa medida.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é Luís Montenegro, o mau é o Parlamento e o vilão de hoje é a CGTP. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.