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E para isso já temos o nosso atirador de serviço, o diretor do "Observador", Miguel Pinheiro. Bem-vindo, boa terça-feira.
Bom dia.
Começamos com o bom de hoje.
O bom de hoje é o presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia. Paulo Rodrigues comentou o caso Marega e denunciou que a violência no futebol é permanentemente desvalorizada. Ele falou de adeptos que são detidos por causa de insultos e que depois veem os seus casos a serem minimizados em tribunal. E falou sobre os membros dos vários governos e os deputados que nunca se esforçaram por resolver estes problemas e que, em vez disso, aceitam convites de presidentes de clubes para irem ver jogos aos estádios. E de facto, em Portugal, nós temos deputados a serem comentadores de futebol nas televisões, temos magistrados a exercerem cargos em clubes. O futebol cá está em todo lado e acima de tudo, está em lugares onde não devia estar.
Muito bem, avançamos para o mau de hoje, Miguel.
O mau de hoje é Augusto Santos Silva, que por estes dias está a ter que lidar com os caprichos do governo venezuelano. Nicolás Maduro acusou a TAP de permitir o transporte de explosivos por parte da família de Juan Guaidó e proibiu agora a companhia aérea de voar para o país nos próximos 90 dias. E quem anunciou esta medida punitiva foi o Ministro dos Transportes venezuelano, Hipólita Abreu, que costuma fazer tweets contra, e eu vou citar, atenção: "Os atos de sabotagem dos grupos fascistas que tentam paralisar o Metropolitano de Caracas", ou também costuma fazer tweets a denunciar, e eu vou citar agora outra vez: "O ódio que a grande burguesia sente contra o povo venezuelano." Antes disto, o Ministro dos Negócios Estrangeiros português já tinha tido que lidar com o irritante Manuel Vicente e ainda com as mudanças de posição no regime angolano, que fizeram com que Isabel dos Santos passasse de privilegiada a perseguida. Nós temos que nos lembrar que a nossa política externa sempre foi, neste governo e noutros, a de acarinhar as ditaduras dos países com comunidades portuguesas e essa política só podia acabar assim, ou seja, só podia acabar mal.
Mas olha que é preciso um grande estômago também para ser Ministro dos Negócios Estrangeiros e lidar com estas coisas todas, não é?
Depende. Se tu tomares a posição do Ministro dos Negócios Estrangeiros como o de alguém que só tem que andar a apagar fogos, sim. Se o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros tiver posições um pouco mais fortes, como já aconteceu, por exemplo, com governos em Espanha, se calhar não é assim uma coisa tão traumática. Eu só me admiro como é que um ministro que gosta tanto de bater na direita andou durante tantos anos a não bater em regimes que mereciam.
Mas neste caso da Venezuela, ninguém me tira esta ideia: eles não nos perdoam termos boicotado o Natal deles ao não vender o pernil de porco. Acho que vem daí.
Há o pernil e há este pequeno problema de Portugal, obviamente, se ter juntado aos 50 outros países que reconheceram Juan Guaidó como presidente legítimo da Venezuela. Mas isto não é novidade nenhuma. O regime venezuelano sempre foi isto. A mim, o que me incomodou ao longo destes anos foi ouvir sucessivamente os governos portugueses a tentarem fazer de conta que o regime venezuelano não era isto.
Miguel, fechamos com o vilão desta terça-feira.
O vilão desta terça é Mário Centeno, que ontem foi obrigado a desmentir Marques Mendes, imagine-se, o comentador da SIC tinha dito há duas semanas que o ministro das Finanças já se tinha despedido informalmente dos seus colegas do Eurogrupo e agora Mário Centeno, que foi ontem precisamente a uma reunião no Eurogrupo, teve que dizer esta frase: "Isso não faz sentido nenhum. Eu estou de pleno poder como presidente do Eurogrupo. É nisso que estou focado." Atenção, não é nisso que Mário Centeno está focado. Mário Centeno não está nada focado no Eurogrupo, nem sequer está focado no Ministério das Finanças. Mário Centeno está focado no seu futuro, anda há vários meses a enviar mensagens equívocas sobre aquilo que fará a seguir e anda há vários meses a preparar a sua saída para o Banco de Portugal. E o que se quer de um ministro das Finanças é estabilidade, não é este suspense de quinta categoria.
Muito bem, está feito o bom, o mau e o vilão de hoje com Miguel Pinheiro, diretor do Observador. Miguel, boa terça-feira para ti.
Até já.
Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM, 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.