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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Miguel, o teu bom deixou-nos um aviso.
Foi. Álvaro Santos Pereira deu uma entrevista ao Observador e o governador do Banco de Portugal disse duas ou três coisas que deviam ser evidentes para toda a gente. Ele disse que com cerca de 2% de crescimento estamos longe de ser um milagre económico. Disse que estamos a crescer de forma apenas moderada. Disse que nós precisamos de crescer mais ou então vai ser preciso 70 anos para conseguirmos duplicar os nossos rendimentos. Disse que se não crescermos mais, os nossos filhos e os nossos netos, porventura, não vão ficar cá. Disse que para crescermos nós precisamos de reformas e para ter reformas precisamos de ter vontade política para as fazer. E disse também que essa vontade política só surge se houver um consenso entre os principais partidos. Caso contrário, há sempre alguém a bloquear as mudanças. As divergências entre os partidos são absolutamente fundamentais para nós termos uma democracia saudável, como é evidente. Nós temos mesmo de ter partidos a pensarem de forma diferente, a trazerem pontos de vista diferentes para a discussão, como é óbvio, mas, de vez em quando, talvez nós devêssemos ouvir com atenção quem não precisa do nosso voto para nada. Álvaro Santos Pereira não precisa do nosso voto para nada.
Por enquanto.
Certo, mas a verdade é que neste momento não está a pedir votos a ninguém. Não vai ter daqui a um ano, ou dois ou três, para se manter no cargo, de pedir o voto de ninguém. E por isso eu se calhar faria um esforço para o ouvir.
Então e já espero que o Bruno comente.
Eu vou guardar-me para seguir o vencedor.
Ouve, Bruno.
Ele está a guardar-se. Miguel, quem é o teu mau?
O mau é a Ministra da Saúde. Ana Paula Martins falou ontem sobre o trabalho do juiz Carlos Alexandre, que como se sabe, está há pouco tempo à frente da Comissão de Combate à Fraude no SNS. Eu, de facto, também andava curioso para saber o que é que anda a ser feito nesta comissão. Mas então, segundo a ministra, o juiz apresenta relatórios muito frequentemente, mas o trabalho dele tem de ser feito em silêncio. Isto tem de ser em silêncio. Isto tem de ser feito em silêncio, porque isto trata de matérias que envolvem a Polícia Judiciária e o Ministério Público. Pronto. Portanto, em silêncio. E eu acho graça, porque quando o governo anunciou a criação desta comissão de combate à fraude no SNS, foi dado como exemplo, vi em várias notícias de jornais, um dos exemplos a seguir era a NHS Counter Fraud Authority, ou seja, a Autoridade Contra a Fraude no Serviço Nacional de Saúde britânico. E vocês sabem que mais? Então não é que a comissão britânica tem um site? As pessoas podem ir ao site, publica regularmente informações sobre os seus relatórios, eles até republicam notícias de detenções, por exemplo, que foram feitas na sequência de ações de fiscalização desta entidade. Enfim, tudo é feito com abertura, com transparência, até porque há um ponto muito relevante e que está na base do funcionamento desta entidade britânica. E o ponto é o de que se nós publicitarmos que quem comete fraudes é apanhado e vai para a cadeia, se calhar as pessoas pensam três vezes antes de meterem dinheiro ao bolso. Mas enfim, nós aqui em Portugal sempre gostámos de um bom segredo, por isso pronto, não digam nada, deixem lá o juiz a trabalhar.
Miguel, tínhamos de dar um cunho pessoal a esta iniciativa. Não é só copiar dos outros países e depois não fazermos qualquer coisa de nosso.
Tens razão.
Isto é nosso.
É verdade.
Isto não é uma imitação dos ingleses.
É verdade, é uma coisa à portuguesa, é uma coisa bem tuga. É para ninguém saber o que é que se está a fazer.
O teu vilão deu uma entrevista.
Sim, a presidente da Câmara de Almada, pelos vistos, havia mais coisas a dizer. E então Inês de Medeiros deu uma entrevista ao Público e saiu-se com duas novidades. Duas. Então, vamos lá. Primeiro, arranjou mais uma desculpa, que é espetacular, para a falta de água e depois arranjou mais um culpado. Então a desculpa, vamos aqui por partes. A desculpa é esta, eu vou citar. Atenção, eu estou a citar. Não fui eu quem disse isto, só para ficar claro. Então cá vai: "Até o facto de as pessoas estarem acordadas até mais tarde por causa do Mundial de Futebol pode ser um dos fatores", disse-nos Inês Medeiros. Portanto, as pessoas ficaram de madrugada a ver jogos de futebol, por isso fartaram-se de beber água, porque como toda a gente sabe, é aquilo que as pessoas mais bebem.
E é que bebem muita água.
É o que mais bebem quando as pessoas estão a ver futebol. O que é que se lembram de beber? É água, como se sabe. Toda a gente sabe isto. Água e tremoços. Toda a gente sabe. E além disso, também fartaram-se de tomar banhos Porque uma pessoa está a ver os jogadores a suarem, os jogadores a correrem de um lado para o outro e sente logo vontade de ir tomar dois ou três banhos ao longo da partida.
Ó Miguel, estás a esquecer-te das descargas de autocolismo estás a ter em consideração esse fator.
Não, eu acho que há uma outra coisa e ninguém falou disto, e de facto não pode ser coincidência. É que este é o primeiro mundial em que há pausas para hidratação.
Pois é.
As pausas para hidratação aquilo é para os jogadores, mas as pessoas acharam que não, acharam que a FIFA estava a mandar quem está a ver o jogo beber água.
Em Almada.
Em Almada. Duas pausas para hidratação, as pessoas foram agarrar-se à água e deram cabo disto tudo. As pessoas tiveram a ver futebol. Isto é a explicação, a desculpa. E depois os culpados. Os culpados pelas torneiras secas em Almada foram, obviamente, segundo Inês de Medeiros, como não podia deixar de ser, os ricos. Foram os ricos. A frase da presidente da Câmara é esta: "O problema da água situa-se nas freguesias mais ricas de Almada e não nas mais pobres". Temos a clássica luta de classes em Almada. Os ricos andaram a ver jogos de futebol, andaram a beber água que nem uns malucos durante a pausa para hidratação. Chegou ao fim do jogo, ainda foram tomar um banho e depois queixam-se.
É sabido que os ricos se hidratam melhor.
Claro.
Estão sempre mais bem hidratados.
É, para ter uma pele impecável. Está explicado, é isto. Não sei do que é que precisam mais. Está feito.
Tchin-tchin. Não com água.
Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é Álvaro Santos Pereira, o mau é a ministra da Saúde e o vilão de hoje é a presidente da Câmara de Almada. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs "360" e sempre em podcast.