Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Bom dia, Miguel Pinheiro.

Bom dia.

Vamos lá ao bom desta terça-feira.

Vamos a isto. O bom de hoje é Rui Rio, e é o bom porque o PSD instaurou um processo disciplinar aos três deputados eleitos pela Madeira que se abstiveram na votação, na generalidade do orçamento, em troca do cofinanciamento por parte do Governo na construção do novo hospital do Funchal. Os deputados defendem-se com o argumento de que acima do PSD está e sempre estará a Madeira. E isto dito assim parece tudo muito bem, mas a verdade é que esse argumento vale para todos. Outro deputado poderia dizer com igual legitimidade que acima do PSD está e sempre estará focinho de cão, que como se sabe, é uma terra em Aljustrel. Outro deputado poderia dizer que acima do PSD está e sempre estará mal lavado, que como se sabe, é uma terra em Odemira. E outro ainda, finalmente, poderia dizer que acima do PSD está e sempre estará amor, que como se sabe, é uma terra em Leiria, onde aliás já fizemos um código postal aqui nas manhãs da Rádio Observador. Rui Rio pode ir ouvir para perceber o que o esperaria. O orçamento não pode ser uma espécie de Euromilhões político usado para conseguir votos para o orçamento em várias regiões do país. Eu voto no amor, sempre. Com ou sem dinheiro, amor sempre. Exatamente. É isso. Estamos juntos, Paulo. Estás aqui.

Estás a bater no peito, não é, Miguel?

Estás a bater no peito, exatamente. Estou a bater no peito. Quem quiser pode ver a versão vídeo desta rubrica e ver-me a bater no peito enquanto olho languidamente para o Paulo Ferreira.

E vamos ao mau.

O mau de hoje é António Costa, que vai ter de responder a 100 perguntas do juiz Carlos Alexandre no caso Tancos. E convém primeiro esclarecer que esta não é mais uma cruzada dos juízes contra os políticos. Nós só temos um magistrado a fazer estas perguntas ao primeiro-ministro porque outro político, o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes, apontou António Costa como sua testemunha. Mas há aqui um ponto que me incomoda. É que eu estive a ler as 100 perguntas que foram reveladas pelo Observador e a verdade é que eu não conheço a resposta a muitas delas. O assalto a Tancos foi um dos casos mais graves da última legislatura e a verdade é que nós ainda não conhecemos todos os pormenores do que aconteceu. A classe política portuguesa devia ter esclarecido cada detalhe por sua livre iniciativa. Na altura devia ter feito isso e não fez. Esse trabalho, que era essencial para manter o bom nome da nossa democracia, acaba agora a ser feito por um juiz, mas realmente a classe política só se pode queixar de si própria. Acaba a ser feito por uns juízes e de uma forma que ele não queria, porque ele pretendia um inquérito presencial, que é muito mais eficaz. Isso ainda vamos ver, porque a verdade é que continua aberta a possibilidade de, caso se mantenham dúvidas, o primeiro-ministro ser chamado presencialmente a tribunal.

Miguel, e a terminar, quem é o vilão desta terça-feira? Vamos para.

O vilão desta terça é André Ventura, que apresentou ontem uma proposta de alteração do orçamento para que haja uma redução dos salários dos políticos em 12,5%. O argumento do líder do Chega é o de que esse seria, e vou citar, "um gesto de solidariedade muito concreto para com os mais pobres, para com aqueles que morrem em listas de espera no Serviço Nacional de Saúde, para com os sem-abrigo e para com os idosos que têm dificuldades econômicas". Isto é interessante porque há 20 dias André Ventura anunciou este corte no salário dos políticos, mas nessa altura disse que ele seria de 5% a 7,5%. E agora, 20 dias depois, passou para 12,5%. E essa realmente é uma boa questão. Por que parar nos 12,5%? Por que não 22,5% ou 55,5% ou 75,5%? Aliás, mesmo um corte de 85,5% seria seguramente pouco se o critério de comparação são as pessoas que infelizmente têm mais dificuldades na nossa sociedade. Além disso, há um outro problema com esta medida de André Ventura. É um clássico, já se sabe, mas agora vamos repetir, que é para isto ficar tudo claro. É que a proposta é avançada em nome do povo, como sempre faz André Ventura, mas a verdade é que só beneficia quem não é do povo. Se os salários dos deputados forem baixos, se forem muito baixos, só teremos no Parlamento políticos com fortuna pessoal e políticos que vêm de outras profissões muito bem pagas. André Ventura argumenta que esta medida castiga as elites, insinua que isto castiga as elites, mas o que ele está a fazer é garantir que cada vez mais só as elites é que se sentam no Parlamento. Isto é populismo na sua máxima expressão, de facto. Está nos livros, como dizia o outro.

Vamos então ao resumo da edição de hoje. O bom desta terça-feira é Rui Rio. No papel de mau temos António Costa e o vilão desta terça-feira é André Ventura. Miguel Pinheiro nas manhãs de 360 com o Bom, o Mau e o Vilão. Amanhã há nova edição na Rádio Observador e claro, sempre em podcast.

Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.