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Este é um dos podcasts mais ouvidos em Portugal. Está no top 30 do ranking oficial da Marktest. E começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão". Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom de hoje recebeu uma ótima notícia.
E que já lhe fazia falta, porque o bom é o Ministério Público e nós nos últimos meses, aquilo que nos habituamos a ouvir foi que tinha caído mais um crime atribuído a Ricardo Salgado. À medida que o tempo passa, um crime atrás do outro vai prescrevendo antes que o antigo dono disto tudo possa ser julgado. Mas ontem aconteceu exatamente o contrário. Ontem ficamos a saber que Ricardo Salgado vai responder por dois novos crimes de fraude fiscal, um deles em coautoria com o primo Manuel Fernando Espírito Santo Silva. A Procuradoria-Geral da República informou-nos que o Tribunal Central de Instrução Criminal confirmou integralmente a acusação do Ministério Público. Estão em causa 5,5 milhões de euros que o ex-presidente do BES e o primo não declararam depois de terem recebido o dinheiro através do chamado saco azul do Grupo Espírito Santo. É fácil ser rico, não é? A pessoa recebe o dinheiro, não paga impostos, assim, de facto, consegue-se chegar lá. Enfim, vá lá que pelo menos de vez em quando, nós não caímos no mais do mesmo. Pelo menos agora a notícia é de que há uns crimes novos.
Há novos, vamos ver se estes não prescrevem lá mais pra frente. Desculpa lá o pessimismo.
Paulo, a sério? Estava a correr tão bem.
Pronto, está bem.
Olha, não sei se tem a ver com primos, mas o teu mau acha que está a ser perseguido.
Pois acha. Acha sim, senhora. O mau é o governo e o Observador explica hoje o que vai na cabeça do núcleo mais próximo do primeiro-ministro. E o que lá vai é o seguinte: Luís Montenegro convenceu-se de que está a ser vítima de interesses imobiliários instalados no país, que querem impedir desesperadamente qualquer medida, como a Lei dos Solos, que venha a baixar os preços na habitação. E por isso, para fragilizarem o governo, esses interesses imobiliários instalados no país estarão por trás da série de casos e casinhos, ou casas e casinhas, como lhes chamou com graça Pedro Nuno Santos, que têm afetado o governo. E o governo também acha que, além dos interesses imobiliários instalados no país, o facto de ter querido retirar sete milhões de euros anuais em publicidade à RTP, fez com que os jornalistas do canal fossem atrás dos ministros. Luís Montenegro até disse isto no Parlamento, este pedaço do discurso é lembrado pelo Miguel Santos Carrapatozo no artigo: "Há muitos anos que sou alvo de ataques estranhos." Eu recomendaria que o governo respirasse fundo, porque a história recente mostra-nos que as teorias da cabala nunca fizeram bem a ninguém. Por isso, respirar fundo, ir dar um passeio lá fora, a um parque qualquer, andar cinco minutos e depois voltar ao trabalho. Eu acho que era uma boa medida.
Pois, focarem-se naquilo que têm a fazer, nas explicações que têm a dar sobre estas coisas e seguir em frente, porque de facto, se começam a ver sombras e a ouvir ruídos à noite em casa, a coisa não vai correr bem, não é?
É, eu diria que sim. Até porque nestes casos, o governo cometeu tantos erros escusados que bastava tirar esses erros e se calhar a coisa não tinha corrido tão mal.
Miguel, e quem é o teu vilão?
São dois, Maria João. Dois, porque eu não quero que te falte nada. Ok?
Obrigada.
Portanto, são António José Seguro e Mariana Leitão. Os dois tiveram numa iniciativa de sedes jovem como candidatos à Presidência da República, logo veremos se Seguro avança ou não, e cometeram ambos um erro enorme ao referirem-se a Gouveia e Melo como se fosse uma espécie de ameaça à democracia. Ao falar sobre o artigo do almirante no Expresso, Seguro disse que a ideia de dissolver o Parlamento quando o governo falhar as suas promessas de forma grave, é um verdadeiro atropelo à Constituição. E Mariana Leitão afirmou que o sistema democrático é composto por partidos políticos, caso contrário, vivíamos numa anarquia ou numa autocracia, sistema que diz dispensar vivamente e que insinua desta maneira serem do gosto do almirante. Vamos lá ver, como dizia um ex-primeiro-ministro. Se querem vencer Gouveia e Melo, os restantes candidatos presidenciais têm de arranjar argumentos convincentes. Se o plano é tratarem-no como um ditador, então eu suspeito que vão ter uma surpresa desagradável, porque vai correr mal. Agora, eles lá sabem.
É verdade, isto não pode ir pelos mínimos, não é?
Paulo, se este tipo de retórica não resultou com personagens como o Donald Trump, vai resultar com Gouveia e Melo, é isso?
Claro. Não faz sentido nenhum.
Nada.
Vamos então ao resumo. O bom desta terça-feira é o Ministério Público, o mau de hoje é o governo e o vilão são António José Seguro e Mariana Leitão. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360, sempre em podcast.