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Começa agora a nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Bom dia, Miguel.
Bom dia.
Olá, Miguel. O teu bom é João Cotrim Figueiredo.
Sim, ontem finalmente conseguiu vencer um debate, estava difícil. E conseguiu vencer o debate porque levava uma estratégia muito clara: era a de tornar evidente que António José Seguro devita umas palavras atrás das outras sem, na realidade, dizer nada. São só uns sons que são emitidos sem depois aquilo ter significado. Isto foi particularmente evidente na saúde quando, a dada altura, citando Seguro, ele diz: "Temos de organizar melhor o SNS. Muito obrigado." Foi mais ou menos assim. E depois, mais à frente, quando Seguro tentou fazer uma proposta para as pequenas e médias empresas, Cotrim disse-lhe com impaciência: "A economia não funciona assim." E António José Seguro respondeu-lhe: "Então explique-me lá." E eu acho que ele estava a tentar ser irónico, mas a verdade é que foi mesmo preciso explicar-lhe. E, portanto, a ideia que ficou foi de que Seguro estava mesmo a pedir: "Explique-me. Explique-me lá, que eu não percebo isso." A única coisa que correu mal a Cotrim foi aquele momento em que Seguro lhe lembrou que ele tinha dito que promulgaria a Lei da Nacionalidade, que agora foi declarada inconstitucional, e aqueles segundos de silêncio em que Cotrim parecia estar a pensar: "Será que eu disse mesmo isto?" Esses segundos provocaram muita vergonha alheia. Uma pessoa ver ali nos olhos de Cotrim: "Ó diabo, e agora, o que eu faço? Simulo que me estou a sentir mal, sigo em frente?" Enfim, mas depois Cotrim lá recuperou. É verdade, mas ir à Google é perigosíssimo, de facto. Paulo, a mim nunca me apanhou lá. Uma pessoa chega lá e diz coisas, depois não se lembra. Sim, começa a perder a cabeça.
É de trotes. O teu mau perdeu o debate ontem, Miguel.
Lá está, António José Seguro. Primeiras vacuidade. A dada altura, Seguro disse isto, vou citar: "Temos uma cultura de trincheira e quero promover uma cultura de compromisso para que as pessoas possam viver melhor." E isto, obviamente, não quer dizer nada. Lá está, são só umas palavras. E depois houve o momento em que Seguro ficou sem chão. Aconteceu quando ele usou mais uma vez o argumento dos ovos no mesmo cesto. Os portugueses não podem pôr os ovos todos no mesmo cesto. Isto é usado para apelar a que os eleitores escolham um presidente de uma área política diferente do atual governo. E Cotrim perguntou-lhe, de forma fatal: "Então e se durante o seu mandato for eleito um governo do PS, demite-se?" E Seguro também ficou ali em silêncio a ver se aquilo passava. Cotrim teve a bondade cristã de não insistir na pergunta. E depois, atenção, houve ainda a última frase dita por António José Seguro. Normalmente, os candidatos deixam para o fim uma grande frase ou um grande argumento, porque é aquilo que fica na cabeça dos eleitores quando o debate termina. As pessoas depois vão se deitar, ficam ali a rever o dia e ficam a rever o debate, e é aquela frase. Então, a frase, o grande argumento que Seguro levou para ficar na cabeça das pessoas foi este, vou citá-lo: "Eu espero, como presidente da República, poder, através do grupo de Arraiolos, junto dos outros presidentes que não têm funções executivas da União Europeia, dar um contributo no sentido de que a Europa dê um impulso, tenha lideranças políticas capazes de compreender os tempos atuais." Ora, cá está, o regresso do grupo de Arraiolos. O temível grupo de Arraiolos. O temível grupo de Arraiolos, criado por Jorge Sampaio para juntar, atenção, numa mesma sala, os presidentes da República da União Europeia sem poderes executivos. Atenção, não se metam com eles. Jorge Pinto, do LIVRE, tinha ameaçado usar o grupo de Arraiolos para travar Elon Musk, e agora Seguro promete utilizar os superpoderes do temível grupo de Arraiolos para salvar a União Europeia. E uma pessoa ouve isto e pensa: "Santo Deus, é isto que António José Seguro tem para dar ao país e ao mundo?" É isto. Quando Putin souber que nós temos o grupo de Arraiolos.
Tétreum.
Qual Tribunal Penal Internacional. Ele nunca mais põe os pés fora do clube. A sério, santo Deus. Maria João está incapaz de perguntar. E quem é o teu vilão, Miguel? Então o meu vilão. Bem perguntado. O meu vilão não tem nada a ver com o grupo de Arraiolos. É a ministra da Administração Interna, porque Maria Lucía Amaral esteve ontem no Parlamento a responder pelos problemas na aplicação do novo sistema de controle de fronteiras para cidadãos extracomunitários. Há um novo sistema. E então o que se fez com o novo sistema? Acabou-se com os carimbos manuais nos passaportes, portanto, estava lá uma pessoa com um carimbo ali a pôr em cima dos passaportes. Isso. Funcionou?
Bem, incrível mesmo. Aconteceu logo.
Parecia mesmo um carimbo no passaporte.
Era azul, não era?
Vou trabalhar para os podcasts. Estavam ali a pôr uns carimbos manuais nos passaportes, e isso foi substituído, já não há mais carimbos manuais nos passaportes, foi substituído por registros eletrônicos centralizados. Ora, na teoria, isto devia obviamente ter tornado tudo Além de mais seguro, mais rápido. Não está ali uma pessoa a pôr carimbos. Ali no grupo da Raiola a pôr carimbos não estava. As pessoas simplesmente passam e aquilo fica resolvido. Agora, isto era na teoria, mas na prática a teoria é outra, como já dizia alguém, e por isso nós chegarmos a ter filas de espera de seis horas. Seis horas! Seis horas não sei se dá para chegar ao Brasil, mas dá para chegar muito longe num avião. Dá quase para chegar a Nova Iorque, são sete horas. Pronto, Paulo, tu, claro, como estás sempre na ponte aérea Lisboa-Nova Iorque. Então, seis horas. A ministra admitiu que isto correu muito mal, reconheceu que faltam vários agentes da PSP, assumiu que é preciso fazer um pedido de desculpas. Pronto, menos mal. Mas a verdade é que as desculpas são muito bonitas, mas os dias passam e isto não se resolve. Pelo contrário, pelos vistos agrava-se. No mundo inteiro há controles de entradas em aeroportos há décadas, mas nós, pelos vistos, ainda não conseguimos aprender como é que isso se faz. Vamos agora tentar perceber. Meu Deus, como é que será que se controla a entrada, assim de repente, de umas centenas de pessoas num país? É chamar o grupo da Raiola para resolver o assunto. Eu acho que era direto, Paulo. Chamávamos um presidente da República sem poderes executivos, púnhamo-lo ali durante umas semanas e ele resolvia isto.
Miguel, hoje é quarta-feira, mas não há "Realpolitik", regressa para a semana, mas mais cedo, não é?
Precisamente. Hoje não temos, podem estar tranquilos. Para a semana começamos a entrar em períodos de festas, de Natal, e portanto queremos dar-vos todas as oportunidades de ouvirem calmamente o podcast e por isso vai estar disponível na terça-feira.
Terça-feira ao meio-dia?
Terça-feira, não. Não vai estar disponível terça-feira ao meio-dia, vai estar disponível pouco depois de meio-dia e depois na quarta-feira ao meio-dia vão poder ouvir no FM, na rádio. Enfim, espero que tenham tomado nota, que isto foi um bocadinho complexo. De qualquer forma.
Portanto, em podcast a partir de terça e no FM na rádio, na quarta-feira.
Muito bem. Eu não diria melhor. E não disse, mas é exatamente isso.
Quanto ao bom, mau e vilão desta quarta-feira, o bom é João Cotrim Figueiredo, o mau António José Seguro e o vilão é a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, são as escolhas do Miguel Pinheiro, num episódio que daqui a minutos fica disponível lá em podcast.