A Coreia do Norte lançou hoje um míssil balístico de curto alcance em direção ao mar, horas depois de lançar outro e dois dias depois de ter ameaçado reforçar as capacidades de dissuasão nuclear, denunciou o exército sul-coreano.

Segundo Seul, o míssil percorreu cerca de 450 quilómetros em direção ao mar a leste da Coreia do Norte.

Horas depois, o exército da Coreia do Sul anunciou que a Coreia do Norte, que diz responder ao que classificou como “hostilidades dos Estados Unidos”, lançou outro projétil ao largo da sua costa oriental, mas não forneceu mais pormenores sobre o tipo de arma.

O exército sul-coreano disse ter reforçado o dispositivo de vigilância e estar a trocar informações sobre o lançamento com os Estados Unidos e o Japão.

O gabinete presidencial sul-coreano instou a Coreia do Norte a suspender imediatamente os lançamentos de mísseis balísticos, proibidos por resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e acrescentou que Seul realizou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para discutir a situação.

O Ministério da Defesa do Japão disse ter detetado um presumível míssil norte-coreano no início de hoje, mas que o míssil não caiu nas suas águas territoriais, sem especificar onde caiu.

Os lançamentos ocorreram enquanto a Coreia do Norte prossegue uma série de testes de armas, mesmo depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter reduzido no mês passado um exercício militar com a Coreia do Sul, numa aparente tentativa de relançar a diplomacia com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un.

A irmã de Kim e alta responsável do regime, Kim Yo Jong, desvalorizou a iniciativa de Trump, afirmando que encurtar o exercício não alteraria a sua “natureza provocatória e agressiva”.

Mais tarde, as forças armadas norte-coreanas lançaram cerca de 10 mísseis balísticos de curto alcance em direção ao mar, aparentemente concretizando uma ameaça anterior de responder ao exercício norte-americano e sul-coreano.

Na sexta-feira, a irmã de Kim criticou outro recente exercício marítimo multilateral liderado pelos Estados Unidos na região, classificando-o como um “movimento militar frenético” dos norte-americanos destinado a prolongar a sua hegemonia na região da Ásia-Pacífico.

O exercício “Pacific Vanguard” reuniu os Estados Unidos, a Coreia do Sul, o Japão, a Austrália, a Nova Zelândia e o Canadá.

Kim Yo Jong afirmou que os “ensaios regulares de guerra liderados pelos Estados Unidos” são a principal fonte do agravamento das tensões na Península da Coreia e na região.

“A nossa vontade de defender a nossa soberania será expressa em ações mais claras e nunca haverá qualquer mudança no rumo de intensificação da dissuasão da guerra nuclear”, afirmou.

No início deste mês, a Coreia do Norte realizou o que classificou como um exercício conjunto de fogo real envolvendo mísseis, artilharia e drones, um dia depois de os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão terem concluído o seu exercício militar trilateral de cinco dias, que a Coreia do Norte descreveu como uma provocação.

Quando Trump ordenou ao Pentágono para “reduzir substancialmente” o exercício anual Ulchi Freedom Shield com a Coreia do Sul, o Presidente norte-americano invocou o que classificou como uma boa relação com Kim, que tem descrito estes exercícios como ensaios de invasão.

No início deste ano, Kim afirmou que poderia regressar às negociações se os Estados Unidos abandonassem a sua “política hostil” contra o seu país e respeitassem aquilo que classifica como o estatuto da Coreia do Norte enquanto Estado nuclear.