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E começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia. Bom regresso.

Ótimo regresso.

Bom dia.

Como é que podia não ser um bom regresso?

Não sei como é que sobrevivemos cá sem ti e sem o Bom, Mau e Vilão.

É verdade, foram muitos dias.

Paulo, posso dizer que eu sobrevivi com uma enorme facilidade a tudo isto.

Ingratidão. Enfim.

Mas enfim, aqui estou.

Vamos lá, Miguel, quem é o teu bom de hoje?

Tem que haver um, não é?

É.

É assim que isto funciona, não é? Já não me lembro muito bem.

Depois temos o mau e o vilão.

Ok. São três. Daqui a três estou livre, não é? Ok. O bom é Francisco Assis, porque ontem, depois da audição em Bruxelas à nova comissária europeia, Maria Luísa Albuquerque, ainda não está totalmente fechado, mas será a nossa nova comissária. Mas depois da audição, que acontece sempre no Parlamento Europeu, o eurodeputado, que foi o número dois da lista do PS, afirmou não ter dúvida nenhuma em dizer que os socialistas devem votar a favor da indicação da candidata portuguesa. Isto não é surpresa, porque Francisco Assis sempre disse isto, mas é de assinalar o equilíbrio e a sensatez de Francisco Assis, em contraste especialmente com Marta Temido, porque logo que foi conhecido o nome de Maria Luísa Albuquerque, a número um do PS em Bruxelas, afirmou que essa nomeação tinha riscos graves para o interesse de Portugal e para o interesse dos europeus e chegou a insinuar, e eu vou citá-la, que talvez a presidente da Comissão Europeia não tenha sido bem informada sobre o que estava em causa. Portanto, havia aqui algo de tenebroso por trás de Maria Luísa Albuquerque e Ursula von der Leyen não tinha sido informada disso. Ora, muito bem. E então, Marta Temido tinha todas estas preocupações e o que é que Marta Temido fez ontem durante a audição a Maria Luísa Albuquerque? Ora, o que ela fez? Ela não fez nada, porque não esteve lá. Segundo parece, Marta Temido sentiu uma necessidade muito urgente de participar numa conferência qualquer noutro lado. Eu não sei exatamente que conferência terá sido, mas há a indicação de que esteve numa conferência. E por causa disso, felizmente, ficou Francisco Assis a falar pelo PS, ou seja, ficou o adulto na sala. Ficamos a ganhar.

Pois, mas por outro lado, segundo a própria Marta Temido, estavam em causa então os riscos graves para o interesse de Portugal e para o interesse dos europeus. Já sabemos que não podemos contar com ela para prevenir esses riscos.

Estará lá na primeira linha, Paulo, na linha da frente, escudo e lança em punho para nos defender.

Com a sua capa.

É.

Miguel, o teu mau é um partido que ontem foi ao Palácio de Belém.

É, foram todos. O Chega ontem decidiu levar cerca de 40 deputados ao Palácio de Belém pra apresentar um protesto contra o Presidente da República na sequência da morte de Odair Moniz, Marcelo Rebelo de Sousa, e vou citar André Ventura, não ter priorizado, não ter destacado e não ter sublinhado a atuação policial, nem a instituição policial, o seu prestígio e a sua autoridade. Pelo contrário, diz André Ventura. E a prova do Chega contra Marcelo é esta, que André Ventura critica o presidente por ter conversado com familiares do homem que morreu baleado por um agente da PSP. E isto terá sido, segundo ele, um sinal político errado de proteção. Santo Deus, o Presidente da República falar com os familiares de alguém que morreu. Onde é que este país já chegou? Há aqui vários problemas. O primeiro é que o grupo parlamentar do Chega achou que ia fazer um número cênico com 40 deputados a invadirem o Palácio de Belém. Era isso que estava na cabeça de André Ventura. Mas a verdade é que, em vez disso, o grupo parlamentar do Chega comportou-se assim como uma turma da escola numa visita de estudo. Ficaram a parecer um grupo de garotos no Palácio de Belém, em vez de parecerem um grupo de deputados. Eu quando andava na escola, lembro-me, eu não sou daqui, eu sou do Porto, e nós viemos numa camioneta, de autocarro do Porto para fazer uma visita de estudo ao Palácio de Belém, foi mais ou menos assim. Depois, os deputados do Chega passaram pela vergonha de Marcelo os despachar em 10 minutos. Aliás, reparem, ele recebeu-os em 10 minutos e André Ventura passou 15 minutos cá fora a fazer declarações. Portanto, o líder do Chega falou mais tempo com os jornalistas do que com o presidente e não percebeu que isso era uma pequena vergonha. E depois, no fim, André Ventura esqueceu-se de dizer, e só pode ter sido esquecimento, que no mesmíssimo dia em que falou com a família de Odair Moniz, o presidente da República esteve na esquadra da PSP e esteve também no quartel dos bombeiros da Amadora e, portanto, não mandou sinal nenhum de proteção de ninguém contra a polícia.

Olha, espero que a viagem, pelo menos no autocarro, tenha sido agradável.

Sim.

Senhor condutor, tire o pé do acelerador. Se bater, não faz mal.

Há quem diga que é sempre a parte mais interessante das visitas de estudo, a viagem de autocarro.

Miguel, o teu vilão é o PS. O que se passou?

Grande pergunta. Pois é. O que se está a passar aqui? Eu estava convencido de que não, mas pelos vistos, a guerra pela sucessão de António Costa continua. A desculpa usada desta vez para justificar a turbulência foram as declarações do presidente da Câmara de Loures sobre o eventual despejo de beneficiários da habitação social que participem em desacatos. Pedro Nuno Santos tentou proteger Ricardo Leão e evitar que a polémica se prolongasse e prejudicasse o partido, mas não o deixaram fazer isso. E aconteceram duas coisas. A primeira foi o regresso de António Costa, que pelos vistos está com pouco que fazer em Bruxelas. Ele ainda não assumiu o cargo, mas eu pensei que se estivesse a preparar para isso. Mas não. O ex-líder do PS assinou um artigo no Público onde aparecia como o único capaz de defender a honra do PS, sendo a mensagem subliminar a de que Pedro Nuno Santos não o sabe fazer. E a segunda coisa interessante que aconteceu foi que enquanto Pedro Nuno Santos tentava desvalorizar a polémica, a número dois dele, Alexandra Leitão, demitia-se em protesto de um órgão do partido presidido por Ricardo Leão. Ou seja, enquanto o líder dizia uma coisa, a número dois fazia outra e, como se costuma dizer quando se fala sobre política, corria numa pista própria. E eu só fiquei com uma dúvida, que é esta: será que Pedro Nuno Santos manda mesmo no PS?

Há quem diga que o cargo mais difícil de todos é ser líder da oposição.

Há quem diga. Eu deixo a dúvida no ar.

Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é Francisco Assis, o mau é o Chega e o vilão é o PS. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro.