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E começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia. Sempre, Maria João. Bom dia. És o morto do trabalho. Sim, posso dizer que sim. Acho que fica melhor dito por ti, mas corresponde. Vamos ao bom, Miguel? O bom é o PAN, que ontem finalmente fez aquilo que precisava mesmo de ser feito. À noite, o partido anunciou que só manteria o apoio no Parlamento ao governo do PSD e do CDS se Miguel Albuquerque se demitisse e fosse apresentado um novo presidente do governo regional. E este foi o gatilho para o PS e o Chega anunciarem a apresentação de uma moção de censura. Se as coisas seguirem o seu curso e se ele não se antecipar, Miguel Albuquerque cairá por um voto democrático num Parlamento, e Luís Montenegro arrisca-se a ser o último responsável político a querer segurar Miguel Albuquerque.
Enfim, e o tempo não sobra. Não sobraram muitas horas para que haja aqui um golpe de Estado do PSD.
Luís Montenegro ficou ontem aqui um bocadinho em contrapé. Não sei muito bem como é que ele está a planear resolver isso, mas convinha que estivesse a pensar no assunto. Ou melhor, eu sei como é que resolvia, mas quem sou eu?
Pois, mas não és tu que tens que resolver.
Pois não, ó Paulo, e ainda bem. Já vem basta. Ó Paulo, eu sou um morto de trabalho, já tenho que resolver tanta coisa.
Três assuntos por dia aqui sempre que o país ficam resolvidos.
Todos os dias, Paulo. E saio daqui, tenho uma máquina de lavar que tenho para estender. E outra pra apanhar. Pois. O bom é o PAN. E quem é o mau? O mau é António Maló de Abreu. Não é que o nosso bom e velho amigo que decidiu trocar o PSD pelo Chega, não é que o nosso bom e velho amigo que disse que era mentira uma notícia absolutamente verdadeira, então não é que o nosso bom e velho amigo que fez parte do banho de ética de Rui Rio, então Maria João, Paulo, não é que o nosso bom e velho amigo, pelos vistos, vamos lá confirmar isto, pelos vistos, mudou a residência declarada ao Parlamento de Coimbra para Angola? São ali dois passos. E por causa disso, segundo a revista Sábado, em um ano e meio recebeu €75 mil em abonos. Como é que isto nos foi acontecer, meu Deus? Segundo a Sábado, neste período, este nosso bom e velho amigo terá vivido praticamente sempre em Portugal, entre Lisboa e Coimbra. Lá está Coimbra, meu Deus, um doutor de Coimbra. E ontem André Ventura garantiu que se houver o mínimo vestígio de abuso ou fraude, Maló de Abreu sairá das listas do Chega. Se André Ventura praticasse o que prega, o nosso bom e velho amigo nunca lá teria entrado, mas isso é um problema de André Ventura. Eu só espero que no final disto André Ventura não se apresente como o virtuoso que de repente vai pôr ordem na casa. Mas eu já vi tanta coisa.
Estás à espera de outra coisa que não isso?
Já vi tanta coisa, Paulo.
Eu só quero saber é quanto tempo é que isto vai demorar a ser esclarecido. Isto é, a transparência do Parlamento neste momento em relação a estes dados demora muito ou não a esclarecer o assunto?
Sim, como é que isto é feito?
Claro.
E se é assim tão fácil. E atenção, nestas coisas convém, e agora não estou a brincar, é o Maló de Abreu esclarecer.
Claro.
Porque deu tantas entrevistas, tantas coisas. Nós temos tido alguma dificuldade em que nos responda no Observador.
Está a ser difícil.
Não sei, pode ser ligações trocadas no telefone. Isto aqui, os telefones são uma chatice. Mas espero que fale e explique. Pode ser que isto seja tudo um equívoco. Espero que sim, a bem de todos nós.
Pois, mas já agora, mais do que as declarações dele, como já se viu, ficam a dever muito à verdade às vezes, era bom mesmo que houvesse documentos e que houvesse uma averiguação independente que não durasse 10 anos.
Claro que sim. Faço minhas as tuas palavras, como sempre. Miguel, e quem é o vilão? O vilão, obviamente, é José Sócrates. Ontem foi reposta alguma normalidade na Justiça, depois do juiz Ivo Rosa ter deitado para o lixo 172 dos 189 crimes da acusação da Operação Marquês. O Tribunal da Relação de Lisboa recuperou quase todos. No caso de José Sócrates, fica agora pronunciado por 22 crimes, incluindo três de corrupção passiva. E foi novamente muito instrutivo ler o que a Justiça tem a dizer sobre o homem que nos governou durante anos. Atenção, são três novas juízas, portanto, não é uma conspiração das mesmas duas ou três pessoas desde o início do processo. São três juízas que nunca tiveram nada a ver com este assunto. Três E que lembram que José Sócrates recebeu milhões em dinheiro vivo, que pedia usando expressões fofinhas como "fotocópias", "um papelito", "um envelopezinho" ou usando expressões como "estou à rasca aquela coisa" ou "preciso de alguma coisa". As juízas escrevem isto: "Ninguém gasta milhões que não lhe pertencem." É o que elas dizem. E segundo o Tribunal da Relação, há indícios fortíssimos de que a titularidade dos cerca de 34 milhões de euros depositados em contas bancárias na Suíça em nome de Carlos Santos Silva pertencem, na realidade, ao arguido José Sócrates. Naturalmente, mais uma vez, Sócrates terá todas as oportunidades para se defender e Deus sabe que só lhe falta apresentar recursos pelo fato de estar sol ou chuva. Mas uma coisa é certa: pelo menos ontem, o mundo deixou de estar de pernas pro ar.
Pois, e o estranho é que volta e revira, volta e fica tudo na mesma na Justiça. Dá ideia que isso é tão aleatório.
Não, repara, atenção, por alguma razão há tribunais de recurso. Primeira instância, segunda instância, é porque pode haver, só assim é que garantimos que o sistema, no final, a coisa se equilibra. Portanto, penso que isto se equilibrou e agora vamos ver. Entretanto, penso que o juiz foi promovido.
Está num dos três tribunais de recurso agora.
Está no mesmo tribunal onde estão estas três juízas.
Exatamente.
Portanto, da próxima vez pode ser ele a pronunciar. Sim, Paulo, já é tardíssimo. Vamos ao "Vence o Teorema".
Vamos pra dentro.
Vamos ao resumo primeiro. O bom desta sexta-feira é o PAN, o mau é António Maló de Abreu e o vilão é José Sócrates.