Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora o Domínio da Guerra da Rádio Observador, sempre com o major-general José Namora. Bom dia, bem-vindo!
Olá, bom dia a todos.
Também nos pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais. E começamos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, que numa longa entrevista à cadeia norte-americana NBC, veio reconfirmar a posição russa sobre a Ucrânia e a questão das garantias de segurança. A Federação Russa quer ter um veto sobre estas mesmas garantias, a forma como serão aplicadas, mas não é tudo. General, posto isto, como é que se vão garantir condições de segurança à Ucrânia, que parece que estamos sempre a voltar à casa de partida.
É a casa de partida. Muito bem. Foi uma extensa entrevista dada por Lavrov à NBC. Esta entrevista foi feita para o Ocidente, sobretudo para o público norte-americano. E de alguma maneira, eu li naquela entrevista uma intenção clara de desmontar aquilo que são os argumentos de Donald Trump e, portanto, de diminuir a capacidade de sucesso de Donald Trump, de ter uma influência decisiva neste processo. Isto é, a Federação Russa pretende, de alguma maneira, diminuir a capacidade de Donald Trump de influenciar o desfecho desta guerra e ficar a depender apenas de si. Eu acho que a Federação Russa começa a ficar também cansada de Donald Trump e prefere ver um Donald Trump menos ativo nesta questão. Para já conseguiu mais 15 dias de férias.
Ia dando nisso já.
Conseguiu mais 15 dias de férias. Aliás, a entrevista começa com um recado mal disfarçado a Trump, porque começa com uma afirmação que se aplica diretamente àquilo que aconteceu na reunião da Casa Branca depois da reunião do Alasca, que foi dizer o seguinte: "As afirmações russas feitas em público são as mesmas que as autoridades russas procuram transmitir durante os encontros privados". Que é como quem diz: Trump não pode vir sugerir que a Federação Russa fez concessões negociais.
Quando não as referiu em público, não é?
Quando não as referiu em público. Isto é uma mensagem muito clara de Lavrov sobre aquilo que se andou a discutir e que se continua a discutir ainda durante esta semana, na sequência da Cimeira de Washington, que são as garantias de segurança para a Ucrânia. Também o disse de forma clara para quem quis ouvir: a presença de tropas estrangeiras na Ucrânia é completamente inaceitável para a Rússia. Portanto, de alguma maneira, com esta entrevista, desfez as tentativas de Trump de intermediar o conflito, e também pôs um ponto, uma tónica muito forte naquilo que são as condições que a Federação Russa quer ver satisfeitas naquilo a que chamamos agora de condições de segurança. Bom, por que é importante discutir as condições de segurança? Porque contrariamente àquilo que Lavrov diz nesta entrevista, Zelensky até se tem mostrado disponível para discutir questões de natureza territorial. Mas Zelensky tem um ponto, uma condição que lhe parece fundamental, que é: se eu vou discutir questões de natureza territorial, eu tenho que ter garantia que qualquer cedência que eu faça neste capítulo vai merecer um escudo forte por parte da comunidade internacional, do Ocidente, de que eu, se eventualmente ceder alguma espécie de território, vou ter que estar protegido, de que é a última vez que eu vou fazer. Eu não vou ter que repetir daqui a seis meses outra vez, mais uma cedência para poder garantir a paz. Portanto, é aqui que entram as condições de segurança, porque se tivéssemos garantido à Ucrânia condições para ela ser administradora de todo o território ucraniano naquela zona, as condições de segurança não eram precisas. Isto é, as condições de segurança era o próprio exército ucraniano. Mas porque Zelensky encara, eventualmente, a possibilidade de ter que ceder algum tipo de território, então, nesse caso, ele precisa de garantias.
Precisa de uma moeda de troca.
Precisa de uma moeda de troca, de garantias para que isto será a última vez que acontece e que não vai ter que repetir esta cena daqui a alguns dias. Bom, entretanto, reuniram-se esta semana os chefes militares da NATO para estudar a forma. Isto agora, garantias de segurança é uma coisa que é difícil de articular e até de conceber. E algumas fontes europeias até anunciaram que no final desta reunião, que não vai caber a Lavrov impor as condições de segurança. Bom, vamos ver se é assim ou não, porque não é isto que a Rússia pensa. O que a Rússia pensa é recuperar a famosa tentativa de acordo de Istambul de 2022 Em que dizia que a Rússia seria um dos Estados que iria garantir a segurança da Ucrânia e que os Estados que garantiriam a segurança da Ucrânia teriam que chegar a consenso entre si para poder assegurar essas garantias. Ou seja, a Federação Russa, no acordo de Istambul, garantiria para si o direito de veto sobre qualquer intervenção ali, porque ela própria fazia parte do mecanismo das garantias de segurança. Portanto, estamos a ver a potencialidade, a forma como isto foi articulado em Istambul, as possibilidades que isto levantaria para a Federação Russa. Cada vez que nós sentíssemos, nós Ocidente, que era preciso intervir para ajudar a Ucrânia, haveria o veto da Federação Russa, porque ela também fazia parte dos mecanismos de segurança.
Não faz sentido nenhum.
Isto não faz absolutamente sentido nenhum.
Só na cabeça de Putin.
A Federação Russa continua a insistir que aquilo era um acordo. Aquilo nunca foi acordo, porque os acordos têm que ser assinados e aquilo era de tal maneira escandaloso, que nunca foi assinado. Portanto, aquilo que se passou em Istambul é uma questão da história que a Federação Russa gostaria de certamente recuperar. Bom, e então agora estamos a trabalhar em que garantias de segurança? Nós estamos ainda na fase do estudo e da conceção disto. Estamos à procura de articular aqui coisas que se tornem viáveis e possíveis de realizar. E uma das ideias em estudo é a seguinte: cessam os combates na linha da frente e é criada uma zona desmilitarizada. Essa linha vai ter um conjunto de quilômetros para um lado e para o outro, sem a presença de forças militares da Federação Russa e da Ucrânia. Portanto, uma zona desmilitarizada neutra. Essa zona poderia ser patrulhada por tropas de manutenção de paz que fossem neutrais. Isto é, teria que ser encontrada agora aqui uma fórmula, até de financiamento internacional, porque ninguém vai de borla fazer uma coisa dessas. Alguém que estivesse disponível, que fosse aceito pelas duas partes. Já vemos a dificuldade, a complexidade disto, que fosse aceito por ambas as partes e que estivesse presente nesta zona desmilitarizada para verificar que não há forças militares a entrarem nesta zona. Portanto, primeira faixa, uma faixa desmilitarizada. Agora, vejamos do lado da Ucrânia, para o interior do território da Ucrânia, o que é que apareceria a seguir. A seguir, apareceria uma segunda linha onde estariam posicionadas as Forças Armadas da Ucrânia. Portanto, a Ucrânia atrás da linha desmilitarizada, teria o seu dispositivo militar pronto a intervir para o caso da primeira linha de neutralidade colapsar. O que é que isto permitiria? Permitiria distanciar as forças militares ucranianas das forças militares russas, porque fala-se que esta zona desmilitarizada poderia ter 40 km de largura, por causa dos alcances da artilharia. E portanto, para evitar aqui tentações, teria que ser uma zona relativamente larga. Depois apareceria então o dispositivo militar ucraniano nesta segunda linha. E depois uma terceira linha, já no interior da Ucrânia, onde estariam então posicionadas as forças europeias e ocidentais que constituíam a grande garantia de segurança. Portanto, isto permitia o quê? Permitia uma maior distância entre as forças ocidentais e as forças russas, porque entre as forças ocidentais e as forças russas, estariam as forças ucranianas, por um lado, e depois, mais perto das forças russas, a tal força neutral de manutenção de paz. Portanto, este é o ponto de partida para todas estas discussões. Simplesmente. Os europeus só estão disponíveis também para avançar, e os Estados Unidos dizem que os europeus têm que avançar com dezenas de milhares de homens para isto. Com dezenas de milhares de homens. Onde é que eles estão? Lá vem o serviço militar obrigatório outra vez. Eu aproveito sempre para puxar a brasa. Tem que vir o serviço militar obrigatório, não vai haver gente para tudo isto. E portanto, os europeus só estão disponíveis também para isto se contarem com o apoio norte-americano, num conjunto, aquilo que chamam os enablers, os capacitantes, as capacidades adicionais que fazem muita falta aos europeus para as operações de combate. Estamos a falar de apoio aéreo, intelligence, radares, vigilância de campo de batalha, logística, etc. Portanto, os europeus só estariam também disponíveis para ter forças dentro da Ucrânia se elas tivessem protegidas por uma garantia dos Estados Unidos. O que levanta logo aqui uma dúvida. A América de Trump está disponível para assinar um acordo que a obrigue a intervir contra a Federação Russa?
Quando sabe que a Rússia não está de acordo, claro.
Quando sabe que a Rússia não está de acordo. Portanto, há aqui muitos obstáculos a fazer, mas o maior obstáculo foi criado pelo próprio Ocidente, porque deu voz à Rússia numa coisa em que a Rússia não tem que ter voz. Isto é O Ocidente disse que só vai enviar forças se a Federação Russa assinar um cessar-fogo. Entretanto, a parte do cessar-fogo já morreu e a Federação Russa só quer assinar um tratado de paz que contemple também as garantias de segurança. Ou seja, nós estamos aqui numa espécie de pescadinha de rabo na boca em que não andamos pra frente, porque nós só avançamos se houver cessar-fogo, e a Rússia só assina o cessar-fogo se houver garantias de segurança que impeçam as garantias de segurança dadas pelo Ocidente. A não ser que apareça agora aqui uma voz disruptiva, que nós esperávamos que fosse Trump, mas já vimos que não será, que diga: "Nós avançamos com as forças mesmo sem a autorização da Federação Russa". Até isto acontecer, não vai haver garantias de segurança para ninguém, porque deixámo-nos enredar aqui num conjunto de condições que aparentemente são difíceis de estabelecer. É um assunto que vamos certamente ter que acompanhar daqui para a frente, a ver se este modelo tem aceitação, por um lado, pelos Estados Unidos, por outro lado, pelos líderes europeus nas suas capacidades e disponibilidades e, em terceiro lugar, se a Federação Russa concorda minimamente ou aceita minimamente o que está a ser proposto neste momento.
Olhemos agora pra o que se passa no terreno. A guerra entre Rússia e Ucrânia escalou para o domínio energético. Várias instalações ligadas à produção elétrica, ao gás natural e ao petróleo têm vindo a ser atacadas. E temos ainda o ataque russo aos escritórios da delegação da União Europeia e do Reino Unido em Kiev esta semana. General, que comentários lhe merece tudo o que está a passar?
Sim, vamos começar por este último. Nós não dominamos o processo de targeting, de escolha de alvos pela Federação Russa. Já ouvi comentários de que-
Que foi propositado
...que foi propositado e já ouvi comentários de que não, isto nunca foi, porque senão aquilo tinha sido destruído. Estes segundos comentários iludem-nos, isto é, dizem: aquilo não foi de propósito, porque as instalações, afinal, não estão tão destruídas como parecem. Isto não é bem assim. Eu, quando quero assustar alguém, mando um tiro pro ar. O tiro está feito. Passou perto, não acertou em cheio, mas deixou o aviso.
Isto é que foi na altura, não é?
Exatamente.
Durante a noite, pra não ter gente.
Pra não ter vítimas civis.
Que existiram, mas não foi aqui neste caso.
E portanto, o que significa que eu não posso descartar nenhuma das possibilidades. Não posso descartar o fato de ter sido um desleixo da Federação Russa, que não viu que na proximidade dos alvos que queria atingir, havia uma delegação da União Europeia. Não posso descartar esse cenário, como também não posso descartar o outro cenário de que foi um chamado tiro de aviso. Isto é, foi suficientemente próximo para causar alarme e suficiente destruição e portanto, com isso, foi um alvo de natureza político atingido com meios de natureza militar para deixar um recado de natureza política. E portanto, este é um assunto a que estaremos atentos a ver se isto se repete ou não, se este padrão se repete ou não. Mas vamos agora ver também a questão da guerra energética, porque a guerra energética assumiu agora uma dimensão que não é surpresa, era esperada, mas é uma escalada que tem andado muito depressa. Tem escalado muito depressa. As instalações energéticas, gás, eletricidade, petróleo, etc, não são alvos militares por natureza própria, mas podem ser justificados como alvos de natureza militar, porque basicamente aquela gasolina não vai só 99% para a população civil, ou aquela eletricidade, também há 1% que pode ir para unidades de natureza militar. Tem havido aqui dois padrões de ataque. A Federação Russa tem escolhido o padrão energético da energia elétrica. Isto é, é sobretudo sobre as instalações de produção e de distribuição elétrica que a Federação Russa tem conduzido os seus ataques. Por quê? Porque acha que isso tem efeito na parte industrial de produção de armamento da Ucrânia e porque aproximando-se o inverno, quer mais uma vez congelar os ucranianos durante o frio do inverno. Portanto, a parte elétrica é a parte preferida por parte da Rússia. A Ucrânia esteve durante muito tempo impedida de atacar os alvos na profundidade russa. Só muito recentemente ganhou capacidade militar para, através dos seus sistemas de drones e agora, eventualmente, de mísseis mais sofisticados, poder atacar as refinarias. Ora, esse ataque às refinarias tem tido uns resultados absolutamente demolidores pra Federação Russa. Em agosto, 23% da capacidade de refinação da Federação Russa foi comprometida. Isto é um número brutal.
Quase um quarto.
Um quarto. O que é que diz a Rússia? É porque está a faltar gasolina nas estações. Porque houve uma coincidência infeliz entre manutenções que estavam programadas e aquilo que a Rússia agora chama com muita piada, que são as manutenções não programadas.
É um excelente argumento.
É um excelente argumento. Há um conjunto de manutenções não programadas, que são o resultado dos ataques dos drones ucranianos. Portanto, há quilômetros de filas em várias regiões da Rússia Da Rússia. Há senhas de racionamento. Depois das horas de fila, já só há direito a 10 litros de gasolina por automóvel. E portanto, a Ucrânia encontrou aqui uma enorme fragilidade da Rússia, que vai continuar a aproveitar. Só que a escalada, entretanto, saltou também para questões de natureza internacional. É que a Ucrânia atacou o oleoduto Druzhba, que leva petróleo para a Hungria.
E a Eslováquia.
E a Eslováquia. E a Hungria diz que vai cortar a energia elétrica que passa da Europa para a Ucrânia. E por outro lado, a Federação Russa atracou as instalações de gás natural da SOCAR, que é uma companhia do Azerbaijão estabelecida em Odessa. E portanto, isto foi mais um recado da Federação Russa, agora sobre o Azerbaijão, que está a prosseguir uma linha de distanciamento em relação a Moscovo, que não é bem vista por parte de Moscovo. Portanto, a parte energética tem quer efeitos sobre a guerra em si e as capacidades militares, mas tem sobretudo efeitos de natureza política. O Kremlin acha que o castigo que é dado aos ucranianos pela falta de eletricidade terá consequências políticas sobre Zelensky, e Zelensky entende que a falta de gasolina disponível na Federação Russa acabará também por obrigar a Federação Russa a vir à mesa das negociações. E, portanto, a guerra energética é uma outra forma de fazer a guerra utilizando instrumentos de natureza militar, mas sobre alvos que nós pensávamos que não eram diretamente alvos de natureza militar.
Subitamente, um pouco caído do céu, Trump anunciou que pretende receber 600 mil estudantes chineses nas universidades norte-americanas. Ora, em maio, Marco Rubio deu a entender que iria rever o sistema de atribuição de vistos a estudantes chineses por questões de segurança e de espionagem. Houve aqui uma enorme cambalhota geral da numera que foi o mês.
É, o movimento MAGA ficou em choque depois deste anúncio de Trump. Por quê? Porque Marco Rubio tinha explicado muito bem que por trás dos cerca de 270 mil estudantes chineses que neste momento existem nas universidades, alguns deles pertenciam ao Partido Comunista da China e outros tinham missões de espionagem sobre aquilo que os grandes projetos de investigação que se desenvolviam nas universidades americanas e que podia ser extraído, exfiltrado e entregue à China para o seu desenvolvimento tecnológico. A lógica de Rubio foi a lógica da intelligence, da precaução e que, portanto, não podemos ter 270 mil estudantes chineses aqui, é preciso apertar o sistema de vistos. Bom, passaram dois meses e Trump diz: "Não, já não são 200, nós queremos é 600 mil estudantes chineses".
Quer agradar à China, é que se passa aqui.
Isto obriga-nos aqui a uma reflexão sobre isso. Bom, isto tem a ver com o seguinte: os Estados Unidos produzem, o sistema secundário dos Estados Unidos produz 2 milhões de finalistas do ensino secundário por ano. As universidades norte-americanas têm espaço para 2 milhões de estudantes universitários por ano. Ou seja, se todos os estudantes finalistas passassem à universidade, enchiam os lugares. Simplesmente há 30 e tal por cento dos estudantes do secundário que não vão para a universidade. Ou seja, as universidades ficam com 740 mil lugares vagos. Isto é o fim do negócio para as universidades. 740 mil lugares vagos.
De alguma forma tem que ocupar esses lugares.
Tem que ocupar esses lugares. É aqui que entram os 600 mil. É que é necessário continuar o negócio das universidades e para isso é preciso estudantes estrangeiros, porque os americanos não chegam para todos os lugares que estão disponíveis nas universidades americanas. Além disso, um processo negocial muito difícil que está a decorrer com a China do ponto de vista das tarifas, etc., comercial, exige boas vontades por parte de Trump. Trump já cedeu numa parte importante, que foi os chips de inteligência artificial. Foi uma cedência brutal à China. E agora isto parece mais um adoçante para Xi, dizendo: "Ah, não, afinal nós não vamos reduzir. Pelo contrário, nós queremos que haja 600 mil estudantes chineses já para o ano que vem".
O nosso ponto de mira de hoje foca-se em Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte, e na vontade expressa esta semana por Donald Trump de se encontrar com ele. Que desenvolvimento é este, general?
Pois, mais uma surpresa de Trump. Bom, na segunda-feira, Donald Trump esteve reunido com o novo presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak. E naturalmente que se falou sobre a questão da tensão entre as duas Coreias, se bem que o assunto principal da reunião não tenha sido esse. Era a questão das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos à Coreia do Sul. Estando sentado ali com o presidente da Coreia do Sul, nada de melhor ocorreu a Trump do que falar na Coreia do Norte. E então diz que: "Ah, eu dou-me muito bem com Kim Jong-un e até gostaria de me encontrar outra vez com ele ainda este ano". Ora, nada disto está preparado. Não se conhecem negociações nem nenhum processo negocial em curso. Por que Trump se quer encontrar com Kim Jong-un? É que é mais difícil encontrar agora Kim Jong-un do que no primeiro mandato. Em 2019, ele esteve com Kim Jong-un, mas nessa altura Kim Jong-un não tinha a proteção que tem da Rússia. Agora Kim Jong-un tornou-se uma peça fundamental na guerra da Ucrânia e no apoio à Federação Russa. Portanto, agora sente-se protegido. A capacidade de extrair concessões de Kim Jong-un é agora muito mais difícil. Então, por que este encontro? Isto é um segredo que fica aqui só entre nós.
A terminar, sim.
A terminar. Havia antigamente as cadernetas de cromos dos jogadores de futebol.
Ainda há.
Não sei se ainda há. Nós colecionávamos, vinham umas coisas e íamos colando os cromos na caderneta. Trump também tem uma caderneta, que é a caderneta dos grandes ditadores mundiais. Ele quer uma fotografia com todos os ditadores mundiais. Portanto, isto não é política externa dos Estados Unidos, isto é a caderneta de cromos de Donald Trump.
Assim terminamos.
E assim terminamos o "Deixa o Teu Mim" de hoje.
Bom fim de semana, general.
Bom fim de semana para todos.
É sempre um gosto, obrigada.
Obrigado.