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I'm from a different planet.

O filme chama-se "À Boleia pela Galáxia".

People of Earth, your planet is one of those scheduled for demolition.

É uma história de ficção científica sobre um humano que, depois de a Terra ter sido destruída, viaja pela galáxia na companhia de um alien.

We're on a spaceship, Arthur. From space.

Este filme é baseado num livro com o mesmo nome, Elon Musk leu-o quando tinha 12 anos.

Se há livros que podem inspirar uma vida, no caso de Elon Musk, pode bem ter sido "À Boleia pela Galáxia", a fonte de muitas das ideias, sonhos e conquistas daquele que é hoje o homem mais rico do mundo. Naquelas páginas encontrou, por exemplo, resposta para uma inquietação comum: qual o sentido da vida? Foi também naquelas páginas feitas de foguetões, de espaço, de um universo vasto e habitado por outros seres, que Elon Musk começou a desenvolver as ideias que anos mais tarde haveriam de ganhar a forma de negócio.

Three, two, one. Engines full power and lift off.

Passaram quase 20 anos entre a leitura de "À Boleia pela Galáxia" e o nascimento da SpaceX, a empresa de exploração espacial de Elon Musk, que ambiciona colonizar Marte. Há quem diga que é mais uma das excentricidades do empresário, um excesso de banda desenhada e de livros de ficção científica, mas há também quem reconheça em Elon Musk a capacidade de olhar mais além e mais cedo. Cátia Bruno, Cátia Rocha, Maria João Braz, Musk é um visionário?

É visionário porque está disposto a experimentar novas áreas nas empresas, a sonhar, a desafiar limites. Fez isso, por exemplo, com os carros elétricos e a exploração espacial.

Aos 20 e poucos anos, teve a coragem de convidar uma rapariga para sair. A mulher em questão não destaca o romantismo de Musk, mas antes a seguinte pergunta que ele lhe fez: "Já pensaste em carros elétricos?" Estávamos no final dos anos 90, quando os carros elétricos, como hoje são conhecidos, eram ainda uma miragem.

Mesmo na política, onde a realidade é mais terrena, digamos assim, Musk conseguiu que as suas ideias fora da caixa se tornassem mainstream. Há uns anos, uma colónia em Marte era ridicularizada pelos políticos. Hoje em dia é abraçada pelo Partido Republicano e por Donald Trump.

Neste episódio de o homem mais poderoso do mundo, a Cátia Bruno, a Cátia Rocha, a Maria João Braz e eu, Miguel Videira, exploramos o lado mais sonhador, mais inovador de Elon Musk. Vamos falar de Marte, seguramente, mas também de interface cérebro-computador, carros movidos a eletricidade e dos sonhos ainda por desvendar, de quem se prepara para ser visita assídua da Casa Branca. "O Homem Mais Poderoso do Mundo" é um podcast especial em cinco episódios sobre a vida e o poder de Elon Musk. Este é o episódio dois: Elon Musk, o visionário. Já percebemos que a ficção científica está muito presente na vida de Elon Musk desde tenra idade. É exemplo disso o livro "À Boleia pela Galáxia", que retrata um planeta Terra dizimado e inabitável. Cátia Rocha, como é que esta ideia de uma espécie humana ameaçada influencia Elon Musk, o que faz e o que se propõe fazer?

A ficção científica joga muito com a ideia de catástrofes e de ameaças aos humanos, como uma inteligência artificial que ultrapassa a mente humana ou de um meteorito ameaçador. Musk diz que é um otimista, mas teme um cenário em que a humanidade seja ameaçada por algum fator, por exemplo, por uma catástrofe natural ou por um mal que seja causado pelos humanos.

Quer, então, criar condições para que seja possível habitar outro planeta, caso alguma coisa corra mal no planeta Terra.

Sim, Musk acha que é essencial que a humanidade se torne uma espécie multiplanetária, quase como um plano B para a sobrevivência. Diz que é a razão segura de vida que o leva a trabalhar num plano para uma colónia em Marte. Claro que esta ideia de colónias humanas noutros planetas também é um dos grandes temas da ficção científica, que é uma coisa que fascina Musk desde pequeno.

Outra razão que acho interessante sobre Marte é que será a maior aventura de sempre. É muito entusiasmante e acho que precisamos de mais coisas na vida que sejam entusiasmantes e inspiradoras. Não pode ser só sobre resolver problemas horríveis. São precisas razões para nos levantarmos de manhã.

Cátia Rocha, Musk define algum prazo para colonizar Marte?

No X, para variar, Musk já mencionou o objetivo de ter uma cidade autossustentável em Marte dentro de 20 anos e pelas contas que fez, já para o ano quer tentar uma missão não tripulada a Marte.

Há uma empresa que serve de instrumento a este propósito, a SpaceX.

Foi criada em maio de 2002, com o dinheiro que Musk ganhou com a venda da PayPal e pela lógica de Musk, é quem nos vai levar até Marte. É uma das empresas a trabalhar na exploração espacial privada, que desenvolve um foguetão, motores e cápsulas de transporte. A grande diferença aqui da SpaceX é que aposta numa lógica de reutilização.

Dos foguetões, por exemplo.

Sim, ou seja, após um lançamento, voltam a usar as partes mais caras do foguetão. A reutilização e também o uso de materiais alternativos têm como principal objetivo reduzir os custos da exploração do espaço. Musk tem quase uma obsessão com atingir a maior eficiência de custos possível, dizem os funcionários. Por exemplo, o foguetão é programado para conseguir regressar após o lançamento e aterrar na vertical. Vai perdendo velocidade e vai lentamente ajustando os motores até ficar totalmente encaixado na torre de lançamento.

Quem ficou maravilhado com a tecnologia desenvolvida pela SpaceX foi Donald Trump, que descreve assim a aterragem de um foguetão da empresa de Musk.

Esta nave espacial desceu e vi aqueles motores em fogo. Parecia que ia embater. Só que depois vejo fogo a sair do lado esquerdo e a nave endireitar-se suavemente. Os suportes agarram a nave como quem agarra um bebê à noite. É por isso que eu te adoro, Elon. És incrível!

Apesar dos elogios que aqui ouvimos, a verdade, Cátia Rocha, é que os primeiros anos de vida da SpaceX não foram propriamente fáceis.

Foram atribulados com várias tentativas para conseguir, primeiro, um foguetão que fosse funcional e depois da reutilização. Por exemplo, em 2008, a SpaceX teve três testes falhados seguidos. Não conseguiu, por exemplo, que o foguetão entrasse sequer em órbita.

Foi um ano difícil para Elon Musk, 2008, com estes falhanços e a ameaça de falência. Momentos marcantes a que vamos voltar no próximo episódio, quando falarmos de Musk, o caótico, e de como conseguiu ultrapassar as dificuldades.

Com o passar dos anos, a SpaceX já conseguiu algumas conquistas. Já lançou um Tesla Roadster para o espaço, com um boneco a bordo, chamado Starman, que teve a música "Life on Mars" a ecoar durante o lançamento. E em 2020, levou dois astronautas à Estação Espacial Internacional em segurança, na visão de Musk, são já passos para a caminhada até Marte.

Adorava que fosse a SpaceX a levar a humanidade até Marte e espero assistir a isso enquanto ainda estou vivo.

Não é o único sonho do homem mais rico do mundo, nem o único projeto que contribui para que Elon Musk seja considerado um visionário. Já vamos conhecer outras empresas com atividade em áreas tão distintas quanto a inteligência artificial ou mobilidade elétrica e projetos que parecem saídos de um livro futurista de banda desenhada.

Tem o dedo em tantas tecnologias avançadas diferentes. Como disse, a SpaceX, a Tesla, agora tem a SolarCity e um painel solar para as pessoas terem em casa. Está honestamente a tentar salvar o mundo?

Bem, tento fazer coisas boas, sim. Salvar o mundo...

Mas está a tentar fazer coisas boas e é um multimilionário. Isso parece um pouco como o super-herói ou o supervilão. Qual dos dois é?

Eu tento fazer coisas úteis.

Escutámos aqui um excerto da entrevista de Stephen Colbert a Elon Musk. Maria João Brás, super-herói ou supervilão? Qual a capa que melhor assenta a Elon Musk?

Tanto o irmão Kimbal como Walter Isaacson, um dos biógrafos de quem já falámos no primeiro episódio, diz que Musk gosta de grandes desafios e quer efetivamente contribuir para o desenvolvimento da humanidade. Mas há quem considere os projetos em que se envolve fúteis e orientados para o lucro. Estes críticos acham que Musk devia usar os recursos a que tem acesso para projetos que combatam a fome, por exemplo, ou a falta de saneamento em países subdesenvolvidos.

Há uma motivação que parece clara para Musk fazer o que faz: a busca por saber.

Pelo menos na juventude e no início da idade adulta, Musk movia-se pela sede do conhecimento. Eu vou explicar. Em criança, era um leitor ávido, nunca foi a típica criança de ficar à espera das respostas, se assim podemos dizer. Fazia perguntas, interrogava-se e talvez por isso tenha confrontado com uma crise existencial muito novo. Tinha apenas 11, 12 anos.

Questionou-se sobre o sentido da vida?

Sim, foi encontrar respostas na ficção científica. Primeiro tentou o caminho dito clássico, ao ler Nietzsche, Heidegger e Schopenhauer. Leituras que admite que o deixaram ainda mais confuso, o que é natural para uma criança de 11, 12 anos. Só ficou satisfeito depois de ler "À Boleia pela Galáxia", de Douglas Adams. A resposta para a maior questão da vida para o universo e tudo é quarenta e dois. Acabamos de ouvir um trecho do filme "À Boleia pela Galáxia", uma adaptação do livro de Douglas Adams. Neste trecho, dois aliens perguntam a um supercomputador qual é a razão da vida. A resposta, como acabamos de ouvir, é surpreendente: 42.

E como é que esta resposta ajudou Elon Musk a encontrar um propósito de vida?

A questão não é a resposta, Miguel, é a pergunta. No filme e no livro, o supercomputador explica que só quando soubermos fazer a pergunta certa é que vamos entender a resposta, que neste caso é 42. Musk percebeu com esta passagem do livro que o ser humano tem limitações, não dispõe de todo o potencial cognitivo, por exemplo. Ou seja, depois de À Boleia pela Galáxia, Musk descobriu que o sentido da vida é desenvolver ao máximo o potencial do homem e da humanidade.

Maria João, ultrapassada a crise existencial, ficou então Elon Musk com mais tempo para se dedicar a esse propósito de vida, procurar conhecimento. Como é que Musk era na escola? Um aluno de excelência, percebeu-se desde logo que estava batalhado para grandes feitos?

Na verdade, longe de ser um aluno brilhante. Mesmo a matemática ou física não tinha notas excepcionais. Às vezes a professora até o repreendia porque parecia que estava sempre a sonhar acordado. Já em coisas que gostava, como programação, experiências com foguetões artesanais, de que falámos no primeiro episódio, ou livros de banda desenhada e ficção científica, facilmente ficava obcecado. Por exemplo, em criança sabia com exatidão a distância entre a Terra e a Lua. Por estranho que pareça, os amigos dizem que na escola ele já pensava sobre energia solar ou colonizar outros planetas.

E onde é que Musk ia buscar o conhecimento que não fazia parte dos currículos e livros escolares?

Em muitas coisas, foi mesmo autodidata. Aos 11 anos, Musk viu pela primeira vez um computador num centro comercial e acabou por pedir ao pai um. O computador vinha com um curso de 60 horas de programação. Fez o curso em três dias. Praticamente não dormiu.

Remonta a esta altura o primeiro projeto e negócio de Elon Musk.

Desenvolveu o primeiro jogo de computador aos 13 anos. Chamou-lhe Blastar. É um jogo em que o objetivo é destruir naves alienígenas que carregam bombas de hidrogênio. Este primeiro jogo acabou por ser vendido a uma revista de especialidade por $500.

Os anos seguintes coincidiram com o desenvolvimento da internet, numa altura em que ainda não eram conhecidas todas as potencialidades da tecnologia. Elon Musk, Maria João, apanhou o comboio e não hesitou em deixar de lado a formação académica.

Musk tirou duas licenciaturas, uma em Física e outra em Gestão de Empresas. Depois de estagiar em várias empresas, queria continuar os estudos e por isso conseguiu entrar numa das mais prestigiadas universidades norte-americanas, a Universidade de Stanford. Inscreveu-se no doutoramento em Ciência dos Materiais, mas percebeu que ao focar-se nos estudos ia perder a oportunidade de desenvolver o próprio negócio. Estamos a falar de uma altura em que a internet estava a emergir e havia muitos investidores dispostos a apostar em pessoas como Elon Musk.

E foi precisamente nesta altura que Musk e o irmão Kimbal criaram a primeira empresa.

Tiveram a ideia de desenvolver um site tipo páginas amarelas, que combinasse listas de empresas e mapas. Chamaram-lhe Zip2. A decisão de não continuar os estudos e focar-se nesta ideia veio a tornar-se certeira, porque poucos anos depois de iniciar este projeto, vendeu a empresa por 307 milhões de dólares. Aos 28 anos já era milionário, mas parar não estava nos planos de Elon Musk.

Eu podia comprar uma ilha nas Bahamas e torná-la no meu reino, mas estou muito mais interessado em criar uma nova empresa.

É a permanente sede de conhecimento que faz com que Elon Musk tenha entrado noutras áreas de negócio e de saberes com muito por explorar. E assim chegamos, Cátia Rocha, à Neuralink. Que empresa é esta?

É outra das ideias futuristas de Musk, que desde 2016 tem uma empresa dedicada ao desenvolvimento de implantes cerebrais.

A ideia da Neuralink é tentar unir de forma mais firme o mundo coletivo à superinteligência digital e também resolver muitas questões cerebrais e danos vertebrais e coisas do gênero. Mesmo que não tenha sucesso no objetivo principal, acho que vai ter em aliviar os danos cerebrais e de coluna.

Musk tem receio de uma superinteligência artificial que supere os humanos, mas ao mesmo tempo defende que se deve aproveitar as possibilidades dessa tecnologia. Por isso, acha que já somos ciborgues, porque vê os computadores como se fossem extensões do nosso corpo. Aqui, com a Neuralink, quer o nível seguinte, através da criação de uma interface entre o cérebro e o computador.

E como é que essa ligação é feita?

A empresa desenvolveu um chip que é do tamanho de uma moeda, que é colocado no cérebro durante uma cirurgia. Só que este chip tem muitos fios para criar ligações, que são mais finos do que um cabelo humano e pode ser ligado por Bluetooth a outros dispositivos. Passou por vários testes e análises, mas um dos testes que ficou conhecido é o de 2021, quando um macaco com o implante conseguiu jogar Pong apenas com o pensamento.

E esse chip já chegou aos humanos?

Sim, mas só num ensaio clínico. Já foi colocado em dois voluntários humanos e está funcional. Um deles é Noland Arbough, de 30 anos, e um segundo voluntário, que é conhecido apenas como Alex, que perdeu o controle dos membros devido a uma lesão vertebral.

Que resultados teve o ensaio?

Uma das várias críticas que é feita ao projeto é que não há informação suficiente. Aliás, muita informação chega só através do meio favorito do Elon Musk, que é o X. Há mais empresas também a tentar estes implantes, claro, mas poucas têm o destaque que a Neuralink tem, muito pela fama de Musk.

Cátia Bruno, é o desejo de desafios cada vez maiores que levam Elon Musk à política?

É pelo menos uma vontade de influenciar o mundo. E diria que começou com a questão da exploração espacial.

Quando começou a questionar a política da NASA.

Sim, porque a visão de Musk sobre a colonização espacial começou a ter também reflexos políticos, sobretudo dentro do Partido Republicano.

De que forma?

Em 2012, nas primárias do partido para as presidenciais, a ideia de colonizar a Lua foi abordada. O antigo presidente da Câmara dos Representantes, Newt Gingrich, prometeu fazê-lo se eleito presidente. Mitt Romney, que acabaria por ser o nomeado do partido nessa eleição, disse que a ideia era ridícula.

Passei 25 anos nas empresas. Se tivesse um executivo a vister comigo e a dizer-me que quer gastar umas centenas de milhares de milhões de dólares a construir uma colónia na Lua, dizia-lhe: "Estás despedido." A ideia de que a América empresarial quer ir à Lua e construir lá uma colónia, pode ser uma grande ideia, mas não é uma boa ideia.

Foi preciso Donald Trump chegar a presidente para a ideia deixar de ser vista pelos políticos como descabida.

É verdade. Em 2017, enquanto presidente, Trump assinou uma diretiva para que a NASA se focasse em voltar a ir à Lua. A partir daí, era essa a ideia, podia ser construída uma fundação para levar a cabo uma missão futura a Marte. Agora, nesta última campanha eleitoral, Trump colocou o foco em Marte e prometeu que os Estados Unidos iriam ao planeta até ao final do seu mandato, em 2028. Deixou claro que conta com a ajuda preciosa de um amigo.

Em termos militares, vamos alcançar. O meu plano é falar com o Elon. Elon, mete esses foguetões a mexer, porque queremos chegar a Marte antes do final do meu mandato. Queremos fazê-lo.

Cátia Bruno, para além da inovação espacial, da influência que procura exercer na política de exploração do espaço dos Estados Unidos, esta faceta visionária de Musk manifesta-se sob outras formas no campo da política?

Sem dúvida. E isso é mais visível nos últimos meses. Basta pensarmos que durante décadas, a tradição na política norte-americana sempre foi a de milionários fazerem donativos a campanhas e candidatos, mas não terem muita exposição. A exceção parecia ser George Soros, que tornava mais público esse financiamento a candidatos à esquerda, mas mesmo assim evitava aparecer em público. Com o apoio de Elon Musk a Donald Trump nesta campanha, essa tradição foi rasgada. O próprio Trump já apelidou Musk, num jantar no seu resort em Mar-a-Lago, como o Soros da direita. Mas Musk foi muito mais longe do que Soros

Madison Square Garden, senhoras e senhores, aplaudam o maior capitalista na história dos Estados Unidos da América, Elon Musk!

Para além do financiamento que deu à campanha de Trump, o empresário escancarou a porta da política. Fez centenas de tweets a defender o candidato republicano e apareceu mesmo em comícios com ele. Apelou ao voto de forma muito clara.

Isto é uma verdadeira batalha. É uma verdadeira batalha eleitoral. Por isso, precisamos garantir que os nossos amigos e família votem. Votem cedo. É muito importante.

E Trump ganhou, de facto.

Ganhou. E ganhou com uma margem acima da que lhe davam as sondagens e de imediato nomeou Elon Musk para um cargo na sua administração. Nunca antes na política americana tínhamos visto um milionário nesta posição.

Já começamos a ver algum reflexo desta faceta visionária de Elon Musk no campo da política?

Ainda não é claro que influência concreta o empresário vai ter em termos de governação, mas há sinais de que o mundo da política já se começou a adaptar a um Musk político. Basta vermos que há vários senadores democratas que já estão a mudar o discurso sobre Musk. Elizabeth Warren, a conhecida senadora da ala mais à esquerda do Partido Democrata, por exemplo. Ela disse que "se Elon Musk quer mudar a forma de contratar do governo e cortar milhares de milhões de dólares de desperdício no orçamento do Pentágono, contem comigo". Há dois meses ninguém previa que isto viesse a acontecer.

Se há entre os democratas quem dê o benefício da dúvida a Elon Musk, uma das razões será provavelmente o capital de credibilidade de que o empresário goza. Afinal, é o homem mais rico do mundo. A juntar a forma como as empresas de Musk contribuem para a imagem dos Estados Unidos nos quatro cantos do mundo.

Criamos a Tesla para fazer a diferença no mundo. O mundo precisa desesperadamente de transportes sustentáveis. Se nós não resolvermos este problema neste século, estamos tramados.

Cátia Rocha, se a empresa de Elon Musk que boa parte de nós conhece é a Tesla, uma referência na mobilidade elétrica.

E também o grande motor da fortuna de Elon Musk. Em 2003, quando Musk investe no que era então uma pequena empresa que queria fazer um carro elétrico, era uma ideia que parecia condenada ao falhanço. Só que a cabeça de Musk estava alguns passos à frente.

O que ele viu que outros não viram?

Viu além das barreiras de entrada no mercado, por exemplo, os custos muito altos para se desenvolver um carro deste género. E depois, que se calhar havia procura no mercado por carros elétricos desportivos. Foi um pouco além da ideia de que um elétrico tem de ser pequeno ou prático.

E tem um objetivo, Elon Musk quer acabar com a dependência dos combustíveis fósseis.

O biógrafo Walter Isaacson diz que Musk se orienta por grandes missões, que anda sempre à procura de um projeto novo para tentar salvar a humanidade. E na visão de Musk, era possível ter um carro elétrico mais limpo a nível de emissões.

Apesar do sucesso da empresa, com a contínua subida das ações cotadas em bolsa, a verdade é que o caminho da Tesla também se fez de obstáculos. É tema para o próximo episódio, quando falarmos de Musk, o caótico. E se houve ano em que a vida de Musk se tornou num caos, foi mesmo o ano de 2008, o ano da crise financeira. Teve de enfrentar o risco de falência da Tesla, mais o lançamento mal sucedido da SpaceX, dificuldades de financiamento e até um divórcio. O Natal desse ano esteve para ser um dos piores de sempre, mas acabou por trazer as soluções que vieram pôr um pouco de ordem à vida então caótica de Elon Musk. "O Homem Mais Poderoso do Mundo" é um podcast da Rádio Observador, da autoria das jornalistas Cátia Bruno, Cátia Rocha e Maria João Braz. A sonoplastia é do Bernardo Almeida. Eu sou o Miguel Vidana.