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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Temos conosco a Rita Cipriano, jornalista de cultura, que hoje vem falar sobre algumas das novidades editoriais de 2020 na literatura portuguesa. Bom dia, Rita.
Olá, bom dia.
O que é que temos para esperar para este ano?
Um dos livros que será publicado neste primeiro semestre de 2020, e provavelmente um dos mais aguardados, é a segunda parte de "Eliette", de Dulce Maria Cardoso. Este é o primeiro romance que a escritora lançou desde o muito aclamado "O Retorno", que saiu já em 2011, há algum tempo, e cuja história gira, como sabem, em torno de uma família de retornados. A primeira parte de "Eliette" foi publicada em 2018, ou seja, sete anos depois de "O Retorno", e a segunda parte estava agendada para o ano passado, mas acabou por não ser publicada. Aliás, eu acho que era uma estimativa muito otimista. A editora Tinta da China, que publica Dulce Maria Cardoso, ainda não adiantou em que mês sairá esta segunda parte, mas garantiu que é este ano. "Eliette" é a história de uma mulher normal, cuja vida é também normal, e subitamente é perturbada pelo anúncio de uma grande tempestade.
E aqui deixa de ser normal.
Sim.
Eu sou daqueles que estão à espera de perceber a sequela.
Então somos dois.
Muito bem. E há outros autores portugueses com novos livros na agenda?
Sim, vários. A Tinta da China vai lançar o segundo livro de poesia de Matilde Campilho, chamado "Flecha". Matilde Campilho andava desaparecida desde 2014, quando lançou "Jóquer", um livro de poemas que mistura o português de Brasil com o português de Portugal e que foi um enorme sucesso de vendas na altura, o que é muito raro para um livro de poesia em Portugal.
Raro.
Ricardo Araújo Pereira também vai ter um novo livro, embora a Tinta da China ainda não tenha revelado sobre o quê. Portanto, temos que aguardar. E José Eduardo Agualusa também vai ter um novo livro, um novo romance, chama-se "No Princípio Era a Palavra" e fala sobre um grupo de poetas e contadores que reinventam o mundo, sem terem consciência disso, depois do planeta colapsar. O livro será publicado em abril pela Quetzal. Germano Almeida, Prémio Camões, e João Jaca, Prémio Saramago, também vão ter novos livros, que serão lançados comunitariamente pela Caminho. Mário de Carvalho também terá um novo livro de contos, "Epítome dos Pecados", que fala sobre os percalços, espantos e sobressaltos nas relações entre homens e mulheres.
É um tema muito caro.
Exatamente. Bruno Vieira Amaral também vai ter um novo livro, uma coleção de contos chamada "Meio Motel". E ainda no campeonato dos contos, vai sair uma coletânea da Cristina Bessa Luís com alguns inéditos.
Isso é importante, é uma grande novidade.
É verdade. E a obra da escritora que morreu no verão passado, como sabem, tem estado a ser reeditada pela Relógio d'Água e este é um dos novos volumes. Este ano assinala-se o centenário de Bernardo Santareno e a Apoima Editora vai aproveitar para lançar o primeiro volume da obra completa. Esta é apenas uma das várias iniciativas que vão ocorrer ao longo deste ano para celebrar um dos mais importantes dramaturgos portugueses do século XX. E o programa começa já este fim de semana com um colóquio que vai decorrer no sábado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Portanto, há muito mais do que livros para ler.
Exato. Há muita coisa para fazer.
E a agenda repleta, muito bem.
A jornalista Rita Cipriano lá de bom da vida. Amanhã é dia de estreias no cinema, falamos de filmes. Obrigada, Rita. Até amanhã.
Obrigado eu.