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Com Tiago Pereira, editor de cultura do Observador, às terças-feiras diz-nos o que temos que fazer durante estes fins de semana de confinamento. É mais ou menos isto, não é, Tiago?
Sim, mas com alguma democracia.
Alguma.
Alguma. Vamos devagar.
Olha, tenho aqui uma coisa que diz "Trial Four". Isto é o nome de uma série?
Este é o nome de uma série, mas é o nome original. Em português, a série chama-se "O Quarto Julgamento". É uma série de oito episódios, que estreou há pouco tempo na Netflix, e que é mais uma daquelas produções que vem construindo este fenômeno de séries documentais sobre crimes reais, crimes que não ficaram resolvidos, crimes que ficaram mal resolvidos, julgamentos duvidosos, por aí fora.
Que é um tema que deve pesar 50% no catálogo das plataformas, talvez, não?
Sim, mas que tem sempre muito sucesso.
Muito claro.
Esta série, se não me engano, estava no top cinco da Netflix em Portugal. Tendo em conta que não nos diz nada em termos geográficos. Portanto, não é em português, não é em Portugal, não tem ninguém português. Eu imagino que no mercado geral da Netflix, isto tenha o mesmo impacto ou maior noutros países.
Depois tem que haver uma grande indústria do crime para sustentar tudo isto. Alimentando estas-
A conclusão é que a indústria do crime, do mau crime, ou da má justiça, já existe há muito tempo, mas só agora é que está a ser explorada, porque há aqui matéria prima.
Não acredito que é isso.
Até porque, Tiago, só para te esclarecer, este caso remonta a 1993. É o caso de Sean Ellis, um jovem que foi detido, foi preso, foi apresentado a julgamento pela morte de um polícia, isto nos Estados Unidos, em Boston. Preso durante 22 anos, sempre afirmou a sua inocência, foi a tribunal três vezes, até que teve a derradeira oportunidade, ao quarto julgamento, aqui está a relação com o título, de provar aquilo que sempre disse, que é a sua inocência. Obviamente, não vou desvendar o fim desta série, mas a ideia é acompanhar toda a demanda de Sean Ellis em busca daquilo que ele disse sempre ser a sua liberdade.
Netflix, não é?
Exatamente, na Netflix, num julgamento que é o decisivo neste processo.
Vamos agora olhar esta coisa que está aqui à minha frente e que diz: "Small Axe Trailer". Não é o nome, porque isto é o trailer. É Small Axe.
É Small Axe. Small Axe, ou seja, machado pequeno.
Pensei que era uma história da infância do vocalista dos Guns N' Roses. O Axe.
Ou da letra X.
Seria Small Axel.
Axel, pois é, faltava aqui um L.
Vamos ao que interessa. Cinco episódios que são, na verdade, cinco filmes, praticamente longas-metragens, dirigidas por Steve McQueen, o realizador inglês, e que procuram contar a história da herança britânica, dos migrantes vindos das Caraíbas, daquilo que era o antigo Império Britânico, Jamaicas e etc, para aquilo a que se chamava a metrópole. Como acontecia em praticamente todos os países colonialistas. Podemos comparar isto de forma muito simplista a uma espécie de descendente do Black Lives Matter, dos Estados Unidos para a Inglaterra. Mas a ideia não será tanto de bater com o punho na mesa, não será tanto de contestação, mas é de despertar consciências para a importância do legado e da herança de todas essas pessoas que vieram dessas zonas do mundo, que influência que têm na Inglaterra atual e a forma como, na maior parte das vezes, essa influência é descurada, é maltratada, é negligenciada.
Tiago, estamos aqui a ficar sem tempo, mas queria dar-te ainda um minuto para depois de Small Axe, nos falares de "Herdeiros de Saramago". O que é isto?
Um minuto chega, até porque isto é muito simples. "Herdeiros de Saramago" é uma série que estreou ontem na RTP. Passaram os dois primeiros episódios. É uma série de 11 episódios que acompanha um pouco da vida de todos aqueles que já venceram o Prêmio Saramago, que é um dos prêmios literários mais importantes da língua portuguesa. Curiosamente, na RTP Play, se quiserem ver, já estão todos os 11 episódios. Vale muito a pena, porque é um lado pessoal destes autores. É um lado que normalmente não vemos, nem nas obras que escrevem, nem tanto nas entrevistas que dão. É uma coisa que vai mesmo ao dia a dia e à vida pessoal de cada um dos autores.
Mas é com todos os vencedores do prêmio, Tiago?
Os 11 vencedores do prêmio até hoje.
Muito interessante. Muito bom.
Vale bem a pena.
Fica aí essa sugestão, "Herdeiros de Saramago" já disponível em RTP Play. E está a passar também, o quê? Um por semana na RTP?
Ontem passaram dois na RTP1. Não estou certo que passem dois por semana, mas é bem possível.
Senão vão à RTP Play e veem tudo. Não é?
Por exemplo.
No próximo fim de semana.
Tira um dia.
Por exemplo.
Tira um dia.
Mas volto a dizer que isto é tudo muito democrático.
Ora nem mais. Tiago Pereira, editor de cultura do Observador, às terças-feiras no "O Lado Bom da Vida", traz-nos sugestões de séries e aqui ficaram mais algumas. Se não escutou desde o início, pode encontrar o "O Lado Bom da Vida" nas plataformas de podcast e no nosso site. O Tiago Pereira encontra-se sempre por aqui quando a gente o chama. Tiago, um abraço.
É mais ou menos isso. Grande abraço.
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