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Bom dia, Rita. Bom dia.

Bom dia, Rita e André. Tudo bem com vocês?

Tudo bem, e consigo?

Estou com a cabeça a dar um jeito ao pescoço.

Foi o entusiasmo, ele ouviu este indicativo. Aquele choque quente, não é?

Acho que não é bem quente, mas sim.

Às vezes a mim também dá isso. Esta semana, querem saber onde é que eu fui, não é? Claro, queremos. Convém, não é, Rita? Digo eu. Fui às Caldas da Rainha.

Então não me digas. Trouxeste alguma coisa de antanato?

Não, André, não há nenhum carvalho das Caldas pra ninguém.

Não era disso que eu estava a falar.

Mas há drones. Fui visitar a empresa Techaver, criada por um grupo de ex-alunos do Técnico há 20 anos, neste momento é campeã na Europa desta tecnologia e são quase totalmente autossuficientes. Desenvolvem e produzem o produto. Estamos a falar de drones. Mas o Pedro Pires, que é engenheiro eletrotécnico, já vai explicar, a empresa tem vários polos: Ponte Sor, Porto, Lisboa, Inglaterra, e eu fui ao das Caldas, onde estão os drones que vão pra Ucrânia, atenção, e também para o Canal da Mancha, em missões de vigilância e resgate. Portanto, são uma empresa de tecnologia avançada e eu sou esta boa ideia de como ir para o trabalho. Vamos lá ouvir.

Ainda um bocadinho e nós partilhamos carro. Nós temos o que nós chamamos o shuttle. Nós temos shuttles de Leiria pra cá, de Lisboa pra cá, de Rio Maior também aqui perto pra cá. Portanto, o pessoal junta-se todo nos carros.

Olha, sim, senhor. Não é bom? É muito bom. Mas em relação aos drones, que ainda há bocado falaste, certamente não estamos a falar aqui daqueles dronezinhos que compramos na Horta ou na Francia. Não, são drones que parecem aviões bebês, são tão bonitinhos.

Que fofinhos.

Mas calma, não são assim tão pequenos. Têm asas, propulsores. Há um que tem cerca de cinco metros de envergadura. Nossa, Rita! Exato. Com piloto automático. Eu imagino que uma pessoa até pense que esteja lá alguém, mas não. É comandado à distância, mas o melhor é ouvirmos o Pedro a falar deles. Ouvimos Pedro.

Em termos de produto, estamos a falar de três linhas de produto. Estamos a falar do AR3, AR4 e AR5.

Foi baseado no Star Wars, os nomes?

Não, penso que não, penso que não tem nada a ver.

André, tu que gostas de Star Wars. Parece o RD2.

Tens o R2D2, tens a TPO.

O C3PO. Não comecem que eu não quero saber. Eu nem gosto de Star Wars, só sei deste. Desculpa, André, não devia ter falado.

Vamos sempre assim.

O primeiro até vá que não vá, o segundo também, mas o terceiro, o quarto, o sexto. Mas adiante.

Sim, adiante.

Vamos ao que importa.

Que tipo de missões é que fazem estes drones?

Vamos ouvir então o Pedro falar sobre o Canal da Mancha.

Neste caso, por exemplo, da nossa missão do Canal da Mancha, estamos em contato direto com as autoridades e muitas das vezes são as autoridades a dizer e sugerir: "Vão ali pra aquela zona, porque é possível que haja ali qualquer coisa." E os nossos drones vão e com os nossos sensores, depois conseguimos detectar e identificar pessoas.

Esta tecnologia é o mais avançada. E estes drones conseguem também perceber padrões nos comportamentos, porque os dados são todos informatizados. Por exemplo, quando há tempestade ou o mar está agitado, não há travessias. E é muito baseado na vigilância. Porque isto não são máquinas de guerra, é só pra vigilância. Só que um pequeno aparte. E o Pedro explica. Neste caso é mais para vigilância, não é? Ou seja, não é pra ataque.

Neste caso é só para vigilância. O nosso mercado é só esse. Como?

Ainda bem para vocês.

Sim, claro.

Tem que ser bom. Não estou a criar uma máquina de guerra, isso é bom.

Exatamente. Levanta acesso a todas as questões éticas e que não é a nossa missão, é vigilância para conseguir salvar vidas e para, no fundo, sermos competitivos nesse aspecto.

O pânico da Rita já do tipo: "Onde é que eu estou metida? Vou compactuar com uma coisa."

Exato. Estes drones aguentam muito tempo no ar?

Então, têm uma autonomia de 20 horas, têm também o sistema híbrido. É muito bom, sim, chegam até a ter mais. Várias câmeras, também têm capacidade de visão noturna. E o Pedro também já tive acesso a essas imagens. Já viste tu essas imagens do Canal da Mancha?

Sim.

A sério?

Sim. São imagens confidenciais e que nós reservamos, mas estando na parte do desenvolvimento do produto, nós acabamos por ter acesso a isso, até para conseguirmos melhorar o produto em cima disso.

E deve ser assim, por acaso, deve ser uma sensação intensa, não é?

Muito intensa, sim. Haver imagens onde vemos tantas pessoas naqueles barcos e muitas vezes os barcos quase a afundar, porque aquilo está completamente crowded. Tem muito impacto.

Deve partir um bocadinho o coração.

Sim. Desculpa, fiquei com o crowded na cabeça.

Porque isto não é um festival, não é? "O festival está crowded." É isso. Não errou, mas enfim, vamos passar a frente. Bom, é também sempre bom haver empresas deste gabarito que promovam, sabem o quê? A descentralização do país. Já sempre na ordem do dia, estas discussões aqui, até politicamente.

E ainda não tinha acabado o curso quando vi uma proposta aqui pra Techaver e foi mais ou menos nessa altura que fiquei a conhecer. E pra mim foi juntar o útil ao agradável, que não só era uma empresa do ponto de vista tecnologia muito interessante, que é a área que eu gostava, como muito perto de casa.

Como é que é possível?

Sim.

Se calhar quando entraste no curso não estavas à espera dessa, de certeza. Pensavas que ia estar bem, vou ter de ir trabalhar.

Eu pensava: "Isto vai ser Lisboa, ou vai ser Aveiro, ou vai ser Porto", e aqui tão perto de casa, foi excelente.

Olha, e é bom. E são cerca de 500, vão contratar mais 200, por isso, se forem de engenharia, todas as áreas são bem-vindas, mas vamos agora falar de assuntos importantes. Festas. Como são? Porque eles são 500. Eu pergunto como é que são as festas? Pois, vamos lá ouvir. E vocês, sendo 500, como é que são as festas de Natal?

São muito fixes.

Fixe. Viram?

Esta pergunta apesar de curta revela muita coisa.

É uma vela muito intensa. E vamos continuar. Temos uma parte dois. Team building, não é?

Sim. Por exemplo, nós fomos todos de autocarro aqui de Caldas para Lisboa, portanto foi giro também nesse aspecto. Há muita gente depois a ficar lá.

Sempre. Foi uma festa de Natal, nunca mais voltou, acontece muito.

Não tenho sido ainda.

Ao novo foi comprar tabaco e nunca mais voltou. É bom. Muitos divórcios começam assim, com festas de Natal na empresa. Não mentiu. Bom Mas de regresso ao trabalho. Aquilo é um lugar muito grande, vi drones, as salas com máquinas e impressoras 3D e um rapaz com uma máscara gigante que eu fiquei na dúvida, será que ele precisa daquilo para viver ou para trabalhar? Mas era para trabalhar. Parece mesmo que está com asma.

Bolas, eu nunca vi uma máscara destas para asma.

Parece um bocadinho que tens asma em 1940, percebes?

Pois.

Olha, a Rita. Pois, sim, não parece. Eu vou já dar aqui o disclaimer, eu tenho asma e não ando com uma máscara destas. É só uma bombinha, Rita. Eu sei, não sei o que é que tinha na cabeça, isto é mais de radioatividade aquela máscara. Sim, a Rita pensou automaticamente nos tempos do Ian Paice. Que não existia nada. Bom, e gosto sempre também, e chamei elefante ao rapaz. Mas como é que era a máscara? Era como aquelas do "Mad Max", sim. Daquelas de Chernobyl. Nossa, meu Deus! Mas é que é assim, toda a gente à volta dele não tinha máscara. Será que sou eu que estou mal ou ele é que está bem? Bom, mas era porque ele estava a soldar. Faz sentido. Mas era engenheiro. É um soldador da paz. Bom, eu gosto sempre também de vos dar a ouvir os momentos em que me oferecem presentes, e atenção ao Filipe. Desculpem. Os momentos em que me oferecem presentes, e atenção, eu não preciso nada, não peço nada, mas ganhei. Olhem só, ganhei um lindo pirilampo mágico feito numa impressora 3D. E vamos ouvir este momento. Gostava muito que pudéssemos mostrar a quem nos ouve. Sim. Era o quê isso?

Isto era para introduzir ali num sistema de bomba.

Eu não sei porque perguntei, é mentira, não percebo. Mas tens ali um fantasma, não é?

Isto veio dos escritórios. Aliás

Eles fizeram em 3D.

Isto foi um colega que fez em casa. Isto brilha no escuro.

Que é um pirilampo mágico feito em 3D.

É verdade.

Brilha no escuro?

Quer levar? É oferta.

Não, achas?

A sério? Isso foi um colega que imprimiu em casa?

Obrigada, não te importas?

Nada.

Obrigada. A Rita parecia mesmo que estava a precisar de um pirilampo.

Brilha no escuro, então.

Sim. Tipo é, obrigada, estava mesmo a precisar. Sim.

Só faltam alguns olhinhos, mas olha, sabes que a ideia do pirilampo mágico é estares a contribuir para uma instituição de solidariedade.

Mas isso é tudo inveja. Vocês também querem. Deixa a história. Deixa o pirilampo em paz, André. É assim, André, considerem o pirilampo a vossa prenda para mim, que fiz anos e ninguém deu por nada aqui no Observador. É verdade. A Rita passou assim debaixo do radar. E vai daí, lembrei-me. Há grupos para darem os parabéns. E números de telefone vocês têm há três anos, pelo menos.

Verdade.

O que é que eu me lembrei? Eles são até mais do que nós, como é que fazem para dar conta de todas as datas de aniversário?

Certo.

Não sabes o que é o segredo. Mas mesmo assim, às vezes falha-nos um aniversário ou outro e as pessoas sentem-se mal com isso. E eu pensei em fazer tipo uma espécie de calendário. Isto é mentira, não pensei nada.

Nós temos algo parecido.

Nada como aprender com os senhores.

Exato. A nossa equipa de RH tem um calendário onde efetivamente eles verificam todos os dias quem faz anos e depois nós temos um grupo da equipa toda aqui de Caldas e assim todo o pessoal sabe a cada dia quem é que faz anos e a regra cá é quem faz anos tem que trazer bolos ou algum tipo de salgados para toda a gente.

Conheço esta, exatamente. Nós também fazemos isto. Sim? Rita, olha, nem te troço os bolinhos. Pois não, não trouxe. Mas pronto, estavas de férias. Não trouxe, mas se quiserem açúcar há ali muito pacote a pegar. Tiros ali ao pé de café. Descartam-me a bola, porque esta é só bolo, só querem bola, é só açúcar. Também podia ser salgados. Bem, e porque falamos de boas ideias e de como não esquecer o aniversário dos nossos queridos colegas.

Ora bem.

Nada como vê-los a fazer figuras para ganharem um laser do Star Wars. O André entraria nesta categoria. Sem dúvida. Isso é muito engraçado. Boa prenda. Vocês devem ser todos doidinhos por Star Wars. Nem todos.

Alguns. Eu pessoalmente não sou assim...

E gosta daquela bonecada?

Acho que há muita gente que é.

O laser é muito giro.

O laser é muito giro.

Fizemos um open mic, então quem se inscreveu tinha um... exatamente.

Open mic com comédia?

Com tudo.

Houve comédia, houve música, houve dança.

Houve alguém que surpreendeu pela negativa? Só dizer sim ou não.

Pela negativa não, mas pela positiva tivemos ali guitarras acústicas extraordinárias, temos grandes artistas.

E qual é o teu talento escondido?

Desenvolver o Aves, desenvolver o resto.

Isso não é bem um talento escondido, isso é um talento visível, até é por isso que aqui estás.

É o melhor que se arranja. De resto, fraquíssimo.

Fizeram concurso de talentos naquela empresa. Podíamos fazer isto aqui.

Em primeiro lugar, não é laser, é sabre de luz.

André! Mas eu acho que eles deram mesmo um laser.

Ah, ok.

Não vão arranjar.

Eles lá sabem.

Não era para brincar à espada. Trabalha-se com o que há. Exatamente. O que se tem. E agora uma sugestão de filme da Filipa Martins, que é a responsável da comunicação, que ao mesmo tempo lança aqui uma dúvida. E eu peço-vos que estejam muito atentos ao próximo áudio, porque tem um enigma. Aos ouvintes também. Vão lançar.

E a decisão, por exemplo, de não termos tecnologia ARM, é uma decisão estrutural. ARM É uma decisão estrutural e basilar do ponto de vista de princípios da empresa. Mas quando estamos a lidar com tecnologia tão far-fetched, temos sempre questões morais, éticas e dúvidas que são debatidas internamente. Portanto, eu acho que este último filme do Nolan, o "Oppenheimer" é um bom exemplo.

"Oppenheimer" é uma sugestão de filme. "Oppenheimer" é uma boa sugestão.

Vi a última parte do "Oppenheimer", gostei.

Esse é que é o enigma.

Tecnologia o quê?

Sabem o que é tecnologia ARMT?

ARMT? Não sei.

A mim pareceu "amt" com destaque.

Sabem uma coisa? Eu acho que ela percebeu que eu não sabia o que era, mas também não se quis maçar a explicar. Por isso, o ouvinte que me quiser responder esta questão, ganha qualquer coisa. Um poema, por exemplo, da minha autoria, a rimar com o seu nome.

Eu quero muito.

Mas atenção que aqui na rádio, o especialista em poesia é o nosso diretor Pedro Jorge Castro.

É verdade.

Por isso, não podemos também.

As mensagens de parabéns são sempre 10/10.

Que eu não tive, mas também não estou aqui a reclamar. Mas mandem e-mail. Não, agora já é tarde. Só para o "work". Mandem e-mail para rcamarneiro@oobservador.pt.

Repete mais uma vez para ficar.

rcamarneiro@oobservador.pt. O "e" é de Rita, o Camarneiro é de Camarneiro.

Faz sentido.

O Observador também é daqui.

É do Observador.

É daqui, exato. Se acharem que têm o melhor emprego do mundo, podem também usar este e-mail para sugerir.

Muito bem.

E quem sabe se eu não vos vou visitar?

Olha, muito bom.

Gosto da ideia.

Gostas? Já estamos muito fora.

A correr.

Primeiro vamos falar de inteligência artificial e soluções para o caso de ela se virar contra nós. E depois vamos embora. É rápido.

Um outro tópico é aquela questão da inteligência artificial, de perder o controle das coisas e tudo isso.

Então isso é real? Isso ainda é real?

Essa preocupação é real. Nós que dominamos a tecnologia percebemos que está longe de isso acontecer e, em último caso, é sempre o humano a agir sobre isso e conseguimos sempre ter algum tipo de- Felizmente, nós não temos robôs com essa capacidade.

Desculpem este tempo todo só para vos dar esta.

Ok, já foi longe demais.

É desligar o botão.

Pronto, é desligar o botão.

Eu não sei do que eu estava à espera, mas não era isto, de certo.

E foi o melhor emprego do mundo. Obrigada ao Pedro Pitts, engenheiro eletrotécnico, à Filipa, à Takever.

Muito obrigado.

Takever forever.

Takever forever. Vai lá com a tua tecnologia ARMT. Beijinhos, rindo.

Não esqueçam, rcamarneiro@oobservador.pt.

Vamos embora!

Beijinho.

Falta uma.