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Olá, bom dia.

Viva.

Viva! Dormiram bem?

Muito bem.

Sabe tão bem acordar ao domingo cedinho.

Não é?

A Catarina até agradece para não aturar os 10 filhos que tem por aí.

Não são 10, calma.

Acordam logo ansiosos de manhã, comer cereais, entre outras coisas.

Acordam muito cedo, isso é verdade.

São 10 ou 15, não é?

É por aí. Não é nada. As pessoas devem pensar: "Minha nossa!" Não, são quatro.

Mas os miúdos acordam mesmo muito cedo. Mas vamos ao que interessa, o que nos trazes hoje, Rita?

Olha, meu caro Diogo, para a FDD é muito simples. Eu gosto de viver, gosto muito e cada vez mais, mas desafiaram-me a experimentar no melhor emprego do mundo, ser piloto num autódromo.

Minha nossa, até estou parva.

Antes num autódromo do que na estrada.

Se gostei? Olha, Catarina, gostei da viagem até lá. Fomos no carro do observador, é o carro mais pequenino onde eu andei na vida. Quando finalmente posso ir para o centro de Lisboa, que eu odeio, e estacionar, fui para o autódromo, no Estoril, onde se estaciona em todo lado. Tens 1 km só de estacionamento, porque fica ali no meio do nada. E olhem, desta vez fui acompanhada da sonoplasta do observador, Beatriz Martelo Garcia. Temos de dizer os três nomes. Estou com a Beatriz Martelo Garcia. Olá, Beatriz, diz olá.

Olá.

Ela adora carros e-

Fórmula 1.

Fórmula 1, tá bem. Diz que um dos sonhos dela é andar no autódromo, por isso vou eu andar. Não, eu vou tentar também, Beatriz, eu acho que dá perfeitamente. Também o que é que eles têm para fazer? Andar à volta, andar à volta, andar à volta, para onde é que eles vão?

Mas tens que ser tu a conduzir, Rita.

Sou eu. Não.

E conseguiste realizar o sonho da Beatriz.

Sim, ela também andou no autódromo, mas não teve medo nenhum. Só para vocês terem uma ideia, ela quando vê um carro, reage como se fosse um familiar que não vê há muito tempo. Ela reage a carros como eu reagi quando vi o Alfredo Lavrador, que nos ajudou em todo este processo de correr na pista. Vamos a ver.

Não, estava ali um carro bonito, antigo.

Tu reages assim com carros bonitos?

Sim. Então eu na emissão em Aveiro. Durante a emissão de Aveiro. Eu avistei aquilo que me pareceu ser um Ferrari. Eu comecei a gritar: "Está ali um Ferrari!" A malta toda parou o que estava a fazer, olharam todos para mim.

Beatriz, isso é bem desinteressante essa história.

Ya.

É um carro, porque viste um carro lindo.

Eu sei, mas é só porque toda a gente goza comigo.

Pois, eu percebo. E mereces.

Cada vez que passa um carro, diz: "Olha, Bia, está ali um Ferrari." E na verdade, era um Porsche. O carro que eu estava a ver. Não era um Ferrari.

E era lindo?

Era lindo.

E tiraste uma foto?

E era Aveiro.

E tiraste uma foto?

Não. Estava a trabalhar.

Ela tira fotos. Alfredo! Estão a ver? Vê o Alfredo fica contente. Ela mostra-nos fotos de carros. Não tem interesse nenhum.

Meu Deus. Mas afinal gostaste ou não?

Diogo, de andar num autódromo a 200 km/h numa katrana. Vão à noite ver o que é. É uma espécie de carrinho super-rápido. Não quero ser condescendente, mas com carros posso ser.

Podes. Acho que eles não se vão ofender.

Só para vocês terem uma ideia. Tem um tubo de escape, que na véspera, o senhor Rui, um mecânico, avisou-me que nunca podia entrar ou sair do carro de lado, que é como se entra normalmente. Tem que ser por cima, porque o escape aquece uns 30 graus e ficas lá com a perna. Disse ele: "Cuidado, ficas lá com a perna." Dá um jeitão. Num autódromo cheio de pessoas que gostam de acelerar no lugar do morto, Diogo. Sabes que eu não podia conduzir, porque aquilo é genuinamente perigoso. Sim, tive muito medo. Eu vou casar, Diogo. Eu estava cheia de medo, mas arranjei uma fórmula. Vamos a ver. Saíste ontem, Beatriz?

Não, não saí.

Nem eu. Mas tive um jantar em casa de uma amiga. Bebi... Ok, sim, diz.

Não, estou a apanhar aqui uma frequência muito estranha, mas eu acho que consigo.

Se calhar é, se calhar são os espíritos a dizer: "Não vão." É o primeiro sinal. "Não vão." São os espíritos todos, é a minha mãe, os meus avós, toda a gente que está morrendo na minha família a dizer: "Amores, Rita, poupa-te, filha, que estás grávida ainda por cima." Não estou, mas vou dizer ao piloto que estou grávida só para ver se ele não anda rápido e no fim digo-lhe que não. E se eu disser que estou grávida e ele dizer: "Então não pode andar." E eu responsabilizo-me. Não, responsabilizo-me não, responsabilizas tu, Bernardo Belo, por levar o meu filho até o final desta gravidez fictícia. Gravidez fictícia.

Tu disseste-lhe mesmo.

Disse mesmo, e ele ficou branco. Quem me conduziu foi então o Bernardo Belo, ele é piloto profissional e de facto conduz muito bem, mas rápido. Ele reparou que estava muito nervosa e tentou acalmar-me. Eu sou muito boa a estacionar. Para mim, a competição devia ser só estacionar.

Estás com medo do quê?

De morrer.

Estás nervosa?

Não estou grávida, estava a brincar. Mas devia ter-lhe dito só no fim para teres cuidado.

Por quê? Tens ataques de pânico?

Sou ansiosa, sim, mas não tenho ataques de pânico nestas coisas. Imagina, montanha-russa não tenho, adoro aquaparques.

Mas andas de carro na estrada.

Ando, e consigo andar rápido e sou boa. Sou muito boa a conduzir mesmo. A pessoa que eu conheço que conduz melhor.

Andar neste tipo de pista é muito mais seguro do que andar na estrada. Então não te preocupes, tu vais com cinto, vais com capacete. Eu sei guiar o carro. Já fiz muitas vezes isto. Então relaxa.

Era só isso que eu queria ouvir. Pronto, era isso. Ele também disse enquanto estivesse sentada, eu estava com as pernas cruzadas e disse: "Descruza as pernas, que é como a dentista." No dentista também é assim, temos de cruzar as pernas.

A sério? Por quê?

Para relaxar. Uma pessoa de perna fechada não relaxa tão bem, pelos vistos. Olhem, só meter o capacete foi aflitivo. O Alfredo Lavrador esteve sempre ao meu lado para me apaziguar a alma. As pessoas têm um pânico que não conseguem respirar aqui dentro.

Não, não tem nada. Só quando começares a andar é que vais ver.

Mas nem sequer ouvi o que ele estava a dizer.

Estava assim tanto calor?

O Diogo estava com nervos. Primeiro foi a boca seca, depois o calor. Tanto o Alfredo Lavrador como o piloto Bernardo Belo foram impecáveis. Também conheci o Renato da CRM, que é da empresa responsável por estes catrames. Querem conhecê-lo também um bocadinho? Sim, vamos lá. Claro.

Tinha um senhor meu amigo que trabalhava na Autosport e íamos a falar pelo Twitter abaixo. Então ele fez uma reportagem acerca disso. A gente ia a falar como estamos aqui, descontraídamente, fomos a falar disto. Segunda-feira ou terça liga-me o meu patrão: "Renato, tens que comprar a Autosport." "Então?" "Vai lá uma reportagem tua." "A sério?"

Eu pensava que era uma história, então me estava a falar de outro jornal. Sim, diga lá.

Eu trabalho nas máquinas.

Como é que se chama?

Mecânico. Renato. Aquilo que vocês viram lá na ponta fui eu que montei todo.

Catram? Estou a dizer bem, catram?

Catram. Sim.

Vocês são da CRM?

Exato.

Que é o Centro Rural da Murta.

Não diga isso ao patrão.

Diga quais as iniciais são.

É Raposo Magalhães. A competição Raposo Magalhães. É o nome do homem, o nome do patrão. O nome do homem.

Renato é mecânico, monta estes carros e deu-me muita motivação, vale aí isso. Deu-me muita motivação. Querem ouvir? Eu quero ouvir. Está bem. Pois. Por quê?

Não, a gente o que anda, às vezes, não sei se conheces as corridas, ao parque fechado ou assim, e vamos buscar do parque fechado para as "box", é o único trajeto.

E não tens vontade de andar?

Por acaso, não.

Como é que é possível? Vocês estão a tentar gozar comigo.

Eu tive oportunidades de andar ao lado e não-

Porque não gostas.

Não gosto.

Muito bom. Tu não estás a gozar comigo, Renato? É que eu não quero também. Eu também não gosto.

Não tenho essa coisa de adrenalina.

A sério? Mas, Renato, não ouviste a hora a dizer isso? Foste super motivada.

Nunca.

Ele é que não tem. Pronto. Mas o Renato deu a volta. O que ele faz é conduzir da oficina para o autódromo, mas não anda lá. Diz que o coração não aguenta. Não gosta de andar neles. Não gosta. Querem ouvir mais? Olhem, só mais. Mostra. E não gostas de andar de carro?

Rápido, não.

Pronto. O Renato que monta aquilo, em vez de me andar a tranquilizar-me, não, diz que não anda, não gosta, não quer. Estavas à espera de ouvir: "Isto vai ser maravilhoso, vais adorar, vais querer mais." Estava a pensar que ele me ia dar motivação.

Mas podemos então finalmente ouvir-te durante a corrida?

Sim, vamos. Andei duas vezes. Esta foi a primeira. Vai, está bom. Está fixe. Olha, assim está fixe, assim dá para ver. Dá para falar. É a terceira volta que estamos agora.

Parece que estamos a ser aguiados.

Eu juro que eu senti. Vocês alinhavam andar nisto? Vocês não têm medo? Eu já andei, por acaso, no do Algarve, e adoro. Mas eu gosto muito de velocidades. Gosto mesmo muito. E tu, Diogo, também?

Nunca andei assim a alta velocidade. A velocidade mais rápida que andei foi para 220 km/h num alfa pendular.

Mas estás à vontade. Mas é uma experiência muito gira. Não, é. Sabem que na viagem ainda desabafei com a Beatriz, estava com tanto medo de morrer, isto é verdade, pensei que devia ter congelado os meus óvulos. Um ou outro, sei lá, fazer o PIN, mas ela: "Não, lá não." Mas não fui a tempo e correu tudo bem. No fim das primeiras voltas, da primeira vez que andei, a Beatriz apanhou-me. Como é que foi? Cuidado com o escape. Não sei como é que foi. Olha, Beatriz, eu ainda não consigo dizer já. Isto é como quando acabam os jogos e entrevistam logo os jogadores. Parem com isso. Eles ainda estão cheios de adrenalina. Eu estou cheia de adrenalina, eu não quero falar. Eu já gritei, já rezei, até de Capitães de Abril falei. Não sei porquê. Tiveste medo? Claro, tive medo, Beatriz. Houve uma ultrapassagem muito perigosa. E eu meio pensei: "Será que estou com o cinto bem posto?" Estava-me a sentir solta, mas é porque já me tinha saído um dos pingarelhos. Quem estava a rir de lá atrás era o Rui, o mecânico. Aquele que disse: "Não, cuidado com o tubo de escape, ficas lá com a perna." Olha, mas eu ouvi dizer que tiveste de andar mais uma vez. Sim, correu tudo bem, até me aperceber que teria de andar mais uma vez, porque o barulho do autódromo e o vento era tanto que afetou o som. E fiquei aziada. Eu a pensar que já me tinha visto livre disto. Mas não, ainda volto para mais uma volta.

A primeira foi para tu te divertires, agora é pra falares, então vamos devagar. Quem é que tem de andar agora? Não estão quase carros a andar, pode sim, boa.

Olhem, diga-me uma coisa. Eu não posso pôr isto fora? Estou a morrer aqui. Estou a morrer.

Estavas mesmo malumorada.

Estava tão mal disposta. Porque tinha de repetir. O Bernardo, antes de andarmos, disse-me: "Respira, vais ver a paisagem, aproveita a Serra de Sintra." Mas eu não sei quanto a vocês, mas eu gosto de apreciar as paisagens paradita, quando estou muito sentada, a beber um café, não é a 200 km/h. Nós andámos três voltas. Eu bem parecia que já tinha passado por aquela curva, porque são todas iguais e bem desinteressante o percurso para a Serra de Sintra, não vi nada. Eu só rezei.

E como é que correu a segunda corrida?

Vamos ouvir. Ai, carvalho. Foi o que eu disse mil vezes e mais, falei de toda a genitália que existe à face da Terra. Eu pensei mesmo: "Eu vou morrer." Continuei a gritar, correu bem, mas fizeram-nos uma ultrapassagem perigosa, porque imaginem, aquilo está dividido por horas e níveis. Não pode haver um carro a andar a 300 e outro a 200, porque se há um acidente e ele vai a 300 e eu a 200, é como se batesse a 100 à hora. Agora, se bateres a 200 e o outro estiver a 210, é como se batesses a 10 à hora, percebem? Isto tem a ver com inércia, não sei, física. Depois vem o Carlos Filhais para falar disso. Houve bandeira vermelha para um piloto e o Bernardo foi cascar nele e tudo. Olha, fizeram-nos uma ultrapassagem muito perigosa e o senhor levantou a bandeira vermelha.

Pronto.

Não se pode mergulhar nem os pés.

Exato. Já vai sair ou ainda vão andar?

Vou sair, estou nisto há uma hora.

Pronto, então é bom sinal.

Já quase tirei o curso. Rui, já andei mais nisto do que tu.

Mas houve alguma penalização para aquele piloto?

Não sei, mas eu continuei a falar disso, fiz caixinha a toda a gente. E depois comecei a cheirar a fumo ou qualquer coisa queimada, mas eu acho que nós passámos um bocadinho de perigo. Não estou a gozar. Porque houve mesmo uma ultrapassagem. Passou-nos assim, zoom. E eu vi que o Bernardo ficou: "Oh diabo, tu queres ver?" Bandeira vermelha logo para o outro. Até aposto que é daqueles que vão para a zona industrial fazer corridas. Até aposto. Sabem o estilo. Era e era.

Mas com isto tudo, pergunta para queijinho: voltavas a andar nos Caterhams?

Com toda a franqueza, Catarina?

Diz lá.

Não.

A sério?

Eu não vos sei explicar bem, mas logo na primeira curva, parece que não vamos conseguir fazer, vamos contra toda a gente. Estava cheia de adrenalina. Acho até que me subiram os níveis de testosterona. Na viagem de volta até contei: "Há aí uma história onde fui violenta no trânsito, querem ouvir?" Sabes que um dia vi um rapaz a atirar uma garrafa de plástico pelo vidro e eu fui atrás dele, saí na saída atrás dele, que eu nem sequer queria sair naquela, e disse-lhe assim: "Seu porco!" E ele ficou assim: "O quê?" "Deitaste uma garrafa para o chão, seu porco!" E fui andando. E eram dois rapazes novos, que assim que veem que é uma rapariga que olha, porque primeiro é assim: "Ei, ei", e eles: "Carago, olha uma rapariga a falar conosco e somos tão burgeses." Burgueses pela atitude, não está a avaliar fisicamente, eram pessoas normais. O que eu quero dizer? Eram rapazes. Só tenho olhos para Pedro. E disse-lhes porcos e eles ficaram... Pois. Demorei-me tempo a contar esta história, também estava com adrenalina, com testosterona, mas também continuo a ser a Rita.

Não, mas é uma boa história. Podemos só acabar com o som em que pareces uma cantora de ópera?

Claro que sim. Deixa cá ver, está aqui. Ai carvalho!

Adoro. Vai devagar. Não, eu disse à carvalho.

Foi? Eu ouvi vai devagar.

Que eu substituo com o plos.

Para poder passar na rádio.

Exatamente.

Para passar na rádio. Eu agora normalmente já só digo carvalho. Tanto quando alguém se chama Carvalho, eu: "Ai, fizeste-me mais negra." Bom, queria agradecer ao Bernardo Belo, o piloto que me conduziu e muito bem, à empresa CRM, responsável pelos Caterhams. Faz-me lembrar o meu nick, o Caterham, ou Pedro Brinhosa 15. Já agora, fiz o Pedro Brinhosa 15, o Instagram. Lembram-se? Não, ok, está bem. É o meu perfil falso do Instagram. Diz-me. É verdade!

Cheguei mesmo a fazer.

Nós falámos.

Sim, lembro.

Quando tivemos o detetive de criar um perfil falso.

Sim, agora já tenho.

O nome. Eu era a Sheila.

Exato.

Já não me lembro qual era o meu nome.

Era Diogo. Diz, o que é que ias dizer, Diogo?

Eu ia só dizer que estes Caterhams podem ser uma boa opção para te levarem à igreja no teu dia de casamento.

Olha, não. Queria então agradecer. Obrigada por nos terem aturado, mais a mim, que sou mais barulhenta e nervosa que a Beatriz, e deixar uma mensagem do Alfredo Lavrador e dos pilotos: são precisas mais mulheres na pilotagem, porque há muito poucas. Aquilo parece uma autêntica festa.

Rita, vá lá, é domingo de manhã. Calma.

Tens razão. Estou ainda com adrenalina, não sei.

Tu não ficaste com o gosto dos carros depois de veres o filme do Tom Cruise? O Dias de Instar.

Não, não fiquei. Achas que isto é o som de alguém que está a desfrutar? E foi o melhor emprego do mundo.

Obrigada, Rita.

Para a semana há mais.

Até para a semana.