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A partir de hoje e nos próximos meses, é aqui que vamos desconstruir a moda, vamos desmistificar algumas ideias que temos sobre este tema e o impacto que tem no nosso dia a dia. E hoje falamos da pressão social para nos vestirmos de uma determinada forma, porque isto acontece. E será que andamos a evoluir com a moda ou é ela que vai evoluindo conosco? A Vera Deus é consultora de moda do Freeport Lisboa Fashion Outlet e do Vila do Conde Porto Fashion Outlet. Vera, bem-vinda ao Observador.

Muito obrigada.

Vera, a moda, de facto, tem uma idade? Ou seja, há roupas que são completamente proibidas em determinada altura da nossa vida ou a sociedade é que nos vai impondo estes limites?

Nós, em Portugal, apesar de tudo, ainda temos uma sociedade muito conservadora. Basta sairmos um bocadinho daqui e ir para o país ao lado e eu acho que as mulheres já arriscam um bocadinho mais. Nós vivemos um bocadinho em tribos e eu sinto que das clientes que tenho há anos, as mulheres dizem sempre: "Já não tenho idade para isto" ou "já não tenho idade para aquilo". Eu acho que não há idades para usar determinadas coisas. O que acontece, infelizmente, é que a partir de uma determinada idade o corpo muda, a estrutura do corpo muda e aí, se calhar, há corpos para determinadas coisas.

Portanto, há coisas que não nos ficam tão bem a uma determinada idade.

Que não nos ficam tão bem. Porque o corpo muda, não porque é socialmente errado usar uma saia mais curta ou usar umas sapatilhas, por exemplo, a partir dos 45 ou dos 50 anos.

Mas falávamos disso, essa pressão social para certas peças, a saia, sobretudo, falamos muitas vezes sobre isso, ou umas calças com algum brilho, por exemplo, que a partir de certa idade, se calhar, há pessoas que vão já rejeitando esse tipo de roupa.

Eu acho que o que eu incentivo, no fundo, as mulheres a fazerem é vestirem de acordo com o gosto que têm. E se gosta de brilhos, deve usar brilhos. Se gosta de usar saias curtas e tem pernas para usar saias curtas, deve usar saias mais curtas. Mesmo a questão do cabelo, por exemplo. As senhoras com mais idade acham que não podem usar o cabelo comprido e decidem cortar o cabelo. E aí, sim, depois ficamos com um look muito mais envelhecido. E depois temos também a questão das tais tribos que falava há bocado, porque eu acho que a oferta de peças de roupa e de acessórios é tão grande hoje em dia que se é uma cliente que não tem uma personalidade muito marcada, fica completamente perdida e aí é muito mais fácil inserir-se em determinados códigos urbanos e usar peças mais parecidas com as amigas, às vezes, ou se tem um ambiente de trabalho mais executivo, então vamos puxar um pouco para o formal.

Mas mesmo assim, já estamos mais conscientes de que a roupa traduz não uma idade, que importa apenas no BI, mas um estilo que é necessário construir a partir dessas peças, que também podem ser muito diferentes consoante aquilo que vamos escolhendo no dia a dia e dos contextos que nos vamos inserindo. Há peças de roupa e também de acessórios que eu acho que são completamente intemporais, que são os jeans, por exemplo, e é muito difícil ver uma senhora mais velha com uns jeans e eu acho que uns jeans, por exemplo, uns 501 é uma peça essencial.

É uma peça essencial. Depois temos os tênis de algumas marcas, por exemplo, os Reebok clássicos, brancos ou pretos, ou, por exemplo, as Adidas, as Stan Smith, que ficam bem em todas as idades e até com calças muito clássicas.

E são muitíssimo confortáveis também.

E são superconfortáveis e as mulheres procuram cada vez mais o conforto.

Portanto, conclusão, não existe uma forma correta de nos vestirmos consoante a idade que temos.

Não.

O importante é traduzir o nosso estilo.

E a nossa personalidade, acima de tudo.

E aquilo que queremos também transmitir. Falamos dos essenciais, portanto, uns jeans, uns tênis, mais alguma peça?

Uns jeans, uns tênis, decotes, por favor, porque as senhoras com uma determinada idade acham que também têm que ser mais conservadoras e não usar tantos decotes. E eu sou apologista dos decotes, controladinhos, mas há determinados tipos de corpos que funcionam muito melhor com decotes maiores, em que mostram o colo e que ajuda também a alongar a silhueta, porque alonga o pescoço. Depois temos, em termos de saias, podemos falar um bocadinho sobre isso, que eu acho que nós mulheres caímos no desuso das saias, portanto, é muito mais confortável andar de calças e eu acho que a saia é uma peça tão feminina que é de incentivar que usem.

E fica bem em vários contextos profissionais e não só.

E não só. Temos que ter o cuidado, isso eu faço com as minhas clientes, de vamos ver, temos olhos para usar saias mais curtas, vamos usar saias mais curtas. Não temos olhos para usar saias mais curtas, vamos usar saias mais compridas. Mas mais uma vez, é o corpo que define isso e não propriamente a idade.

E às vezes em conjugação também com tênis, Vera, isto faz sentido?

Sim, totalmente.

Está na moda.

Tênis, botas, aquelas army boots, por exemplo, que ainda há pouco tempo, num dos centros, estava numa loja e uma senhora estava a dizer: "Já não tenho idade para usar isso". E eu: "Tem totalmente idade para usar isso" e pode coordenar, por exemplo, com um vestido com mais brilho, coordenar o vestido com brilho com umas botas tropa, por exemplo. Eu tenho a sorte, e posso falar aqui um bocadinho pessoalmente, de ter uma mãe com 72 anos que se veste mais ou menos como eu e que usa army boots e que usa sapatilhas com calças mais largas e com casacos compridos.

Lá está, a idade só importa mesmo no cartão de cidadão.

Só mesmo.

Vera, obrigada. Esta é apenas uma amostra daquilo que vamos conversar no dia 13 de novembro. Vamos falar sobre este assunto de moda e preconceito no auditório do Observador em Alvalade. A Vera vai lá estar.

Vou.

Mas não só, vão juntar-se a nós também a atriz Helena Isabel, a influencer e apresentadora Inês Gutierrez, a maquiadora Inês Mocho e, claro, a consultora de moda, como já dissemos, Vera Deus, do Freeport Lisboa Fashion Outlet e do Vila do Conde Porto Fashion Outlet. Contamos consigo no dia 13 de novembro, a partir das 18h30, no auditório do Observador. Todas as informações estão em observador.pt. Por aqui desconstruímos a moda com a Vera Deus, a consultora de moda do Freeport Lisboa Fashion Outlet e do Vila do Conde Porto Fashion Outlet. Vera, obrigada.

Obrigada.