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"Operação Stop", estamos na Rádio Observador, estamos no programa em que falamos do mundo automóvel, do setor automóvel e sempre com o nosso especialista, Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo.
Olá, Miguel, muito obrigado.
Hoje vamos falar do Big Brother que já começou. Nós já tínhamos falado disso, do Big Brother que estaria para começar e já começou e todos nós somos concorrentes. A União Europeia avançou com a implementação do Big Brother automóvel a partir de 7 de julho, portanto, já desde o fim de semana passado. Não é uma novidade, já tínhamos falado disso aqui na Rádio Observador, mas vamos falar desta medida que pretende colocar um ponto final ao diz que disse no que toca aos acidentes de automóveis. Estamos a falar de caixas negras. Vamos lá falar de como é que isto funciona a partir de agora.
Eu sei que isso tudo é importante, mas não há nada mais importante do que uma realidade, que é o facto da Rádio Observador ter sido reconhecida, finalmente, com uma coisa que nós já sabíamos que ia acontecer, com audiências fantásticas, acima de muitos concorrentes, muito próximo de outros concorrentes, o que prova que a Rádio Observador está a fazer um bom caminho rumo a bons resultados e estão todos de parabéns.
Sim, numa altura em que celebramos cinco anos também de existência.
Exatamente, ainda por cima no quinto aniversário, que é uma data particularmente feliz e de celebrar. De maneira que deixa-me juntar-me aos nossos leitores a dar os parabéns, etc.
Muito bem. Vamos então a este Big Brother europeu nos automóveis.
Eu não me esqueci. Sabes que isto é uma coisa que nós já falámos aqui na Rádio Observador e pretende basicamente facilitar a atribuição de culpa num acidente. E sabes que com a atribuição de culpa mais fácil, mais direta e mais rápida, acabamos por contribuir para a redução dos acidentes. Parece um bocado pateta, mas no fundo é o que acontece. Ou seja, quando o crime é mais fácil de atribuir a uma entidade ou uma pessoa que o comete, de alguma forma desincentiva que seja cometido. E a União Europeia basicamente tornou obrigatório, a partir de 7 de julho, não foi há tantos dias, hoje é dia 12, de maneira que domingo, quando este programa for ao ar, é dia 14, estamos a falar apenas de uma semana, tornou-se obrigatório que todos os veículos novos vendidos na União Europeia estejam equipados com uma série de novos dispositivos. Entre esses, talvez o mais importante seja o speed limit obrigatório, o limitador de velocidade, que coloca um ponto final numa série de discussões perfeitamente idiotas, mas que atrasam a atribuição de culpa numa série de acidentes. E isso é de saudar.
Sim, mas olhando para tudo isto, qual é o objetivo deste novo tipo de Big Brother? É colocar um ponto final nessas dúvidas, reforçar também a segurança? Do que é que estamos a falar?
Não, reforçar a segurança é porta-bandeira. Imagina que nós os dois, lagarto com lagarto, sem qualquer lesão ao Sporting, claro, embatíamos um no outro. E depois começávamos naquela troca de galhardetes em que eu dizia: "Miguel, desculpa, eu sei que te bati, mas eu vinha só a 30 km/h". E tu dizias: "Qual 30 km/h? Tu vinhas para aí a 150". E eu dizia: "Não, eu vinha a 30". E isto é uma confusão. Está claro que depois vêm os especialistas da segurança rodoviária e da polícia determinar qual era a velocidade do meu veículo, qual era a velocidade do teu veículo, qual era a direção do teu veículo, qual era a direção do meu veículo. Isto é um romance que pode tardar meses. Com este sistema, que regista tudo o que se passa a bordo, além da velocidade a que os veículos se deslocam, acaba-se a discussão. Eu ia efetivamente a 150 numa zona que era 60 km/h, logo eu ia em excesso de velocidade e eu embati no teu veículo e acabou-se a conversa. E isto torna tudo muito mais fácil. Mais, a partir do momento em que os condutores se apercebam que esta é a realidade, ou seja, que não há truques, nem cartas escondidas na manga, nem motivos de discussão, nem nada do gênero, nem sequer vão argumentar que não iam a 150. Ou seja, acaba por ser clarinho como a água, como se costuma dizer.
Sim.
E isso é uma vantagem e vai efetivamente acelerar a decisão e a conclusão de muitos acidentes, acelerar a atribuição de culpa em muitos acidentes e evitar arrastar situações durante meses e meses, que é uma coisa perfeitamente lamentável.
A atribuição de culpa e também de inocência, neste caso, claro.
Exatamente, és tu que tens razão, Miguel. É que efetivamente há condutores, ouvindo antes, ou são prevaricadores, mas há muitos também que não cometeram ato nenhum, que são acusados disso ou daquilo, e que este sistema vai permitir não só Culpabilizar muitos, como desculpabilizar muitos outros.
Mas vamos lá aos utilizadores, aos condutores. O que muda para os condutores?
O que muda é que tudo está registado. Logo, deixa de ser motivo de discussão tu não teres travado, por exemplo, tu ires em excesso de velocidade. No fundo, perante um acidente em que nós os dois nos envolvemos, nós os dois, obviamente, nunca teríamos discussão, íamos tomar um café, íamos almoçar. É sempre um prazer. Por acaso nunca almoçámos, mas temos que ficar para um dia desses.
Sim. Combinado.
Está combinado. Mas, efetivamente, nem sempre é fácil e nota que há muita gente a circular sem seguro automóvel.
É verdade.
Há muita gente a circular sem carta de condução, logo não podem ter seguro automóvel. E isso provoca ou gera, se quiseres, uma série de situações, dúbias a que todos se agarram para defender os seus interesses. Efetivamente, com esta nova legislação, que obriga a estes sistemas serem funcionais e que possam ser acessíveis há uns tempos, tudo isto desaparece. E nota que estes sistemas que agora são obrigatórios a serem implementados, já estão disponibilizados há muitos anos, mas só agora é que são obrigatórios e logo só agora podem ser acessíveis para despertar culpabilização em qualquer tipo de acidentes.
E podemos ter aqui alguma vantagem real na redução de mortos, de feridos graves nos acidentes rodoviários?
Miguel, lembras-te quando eras miúdo, quando os nossos pais nos diziam que fizeste asneira?
Sim.
E nós dizíamos: "Não fiz não". Está claro que se os nossos pais soubessem, ou tivessem prova, ou nos controlassem milímetro a milímetro, nós nem sequer tentávamos argumentar dessa forma. E, na prática, este Big Brother automóvel, que tu falaste logo no início, vai permitir isso mesmo, ou seja, vai passar a ser idiota ou sem sentido cada condutor argumentar que não ia em excesso de velocidade ou que não ia naquela direção, ou que não virou de repente para a esquerda ou para a direita, mas sim assumir a sua culpa, uma vez que sabe que do outro lado vai ser fácil provar que isso mesmo aconteceu. Logo, as vantagens são óbvias e, pelo menos, a União Europeia acredita que com esta nova tecnologia vão desaparecer uma série de contestações em tribunal, muitas vezes em tribunal, aquilo que é sempre lamentável, deste tipo de argumentos.
Isto acontece para carros novos vendidos a partir de 7 de julho. É isso que temos aqui.
É, exatamente. Chegou a pensar que haveria uma medida que obrigaria a um retrofit para carros antigos, mas era demasiado complicado. Isto obriga uma série de sensores, como é óbvio, é como obrigar um computador a registar tudo. Estás a ver aqueles criminosos em que a polícia chega lá e de repente consegue perceber todos os sites que ele citou, todos os programas que ele acedeu. Isto obriga uma série de sistemas, de software, que registe tudo e, obviamente, isso pressupõe que existam uma série de sistemas disponíveis no veículo novo, um veículo que registe isso tudo. E isso só é possível num carro novo. Mas sabes que os carros novos hoje em dia vão ser carros usados aqui a cinco anos.
Claro.
De maneira que tudo isso vai mudar. E eu acho que este sistema, e esta conversa pode parecer completamente idiota, mas este sistema vai nos tornar, a todos nós, melhores cidadãos daqui a cinco anos.
Mas vai esta tecnologia permitir salvar vidas? Podemos chegar a esse ponto?
Vai, porque todos nós, se soubéssemos que nos estavam a ver, que nos estavam a gravar, que todas as asneiras que fazemos ficavam registadas, todos nós nos portaríamos melhor. E todos nós, condutores, nos portaríamos melhor. E nota que este sistema de controle de velocidade não é a única novidade que foi implementada agora. Há outras, há muitas outras, curiosamente, muitos outros sistemas de ajuda à condução que vão ser implementadas, vão ser tornadas obrigatórias e, no conjunto delas todas, vamos tornar-nos a todos melhores condutores, uma vez que vai ser mais fácil atribuir culpas daqui para frente, coisa que até aqui não acontecia. Nós sabemos histórias, víamos um fulano vir a 200 à hora e ele jurava que ia a 50. Até aqui era muito complicado provar que não ia. De modo que, por contas feitas, é bom.
Muito bem. Portanto, o Big Brother automóvel a ajudar também na segurança rodoviária. É mais uma edição da "Operação Stop", Alfredo. Estamos de regresso na próxima semana. Um abraço.
Abraço.