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"Operação Stop", bem-vindo à Rádio Observador e ao programa em que falamos de automóveis, do mundo auto. Eu sou o Miguel Cordeiro e comigo está o Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo.

Olá, Miguel. Obrigado.

Vamos falar de carros de madeira. Nunca pensei que chegasse este dia. Eu fiquei surpreendido quando percebi que o tema de hoje deste programa da "Operação Stop" está relacionado com os Flintstones, essas criaturas simpáticas, esses desenhos que tinham um dinossauro como animal doméstico e tinham também automóveis curiosos fabricados em madeira. Também andavam com os pés, segundo me lembro, mas não é propriamente disso que vamos falar. Estes têm rodas e motor, não precisam de andar com os pés. Mas quer explicar melhor por que vamos falar de automóveis de madeira?

Claro que sim. Isso é uma notícia que eu achei bastante palhaça e, tal como tu, achei surpreendente. Basicamente, porque eu acho que ninguém esperava que a madeira pudesse rivalizar nem com o mais maleável dos metais, tipo alumínio ou o que seja, muito menos com o aço, que é dos mais rijos. Mas como também cresci com os Flintstones, achei que era incrível, porque quase me lembrei daqueles camiões, as gruas na pedreira, como tu te lembras também, e aqueles automóveis pré-históricos, como tu disseste muito bem, em que não havia motor e não se tinha inventado. Era verdadeiramente pré-histórico tudo aquilo. E tudo aquilo era fabricado em madeira. Sucede que tudo isto pode voltar a ser realidade. Um dia destes corremos o risco de ver tu e quem nos ouve andar de um lado pro outro, todos alegres, num carro feito de madeira. Atenção, não madeira. Estamos a falar de uma superwood, que é denominada assim pelo fabricante, que é uma supermadeira que promete ser melhor do que o aço, e não é fácil de acreditar nisso.

Sim, vamos devagar. Eu proponho isso. A madeira, segundo sei, mesmo a mais dura, está longe de ter a resistência do aço. Não parece ligar uma coisa com outra ou até do alumínio. Já para não falar que arde com facilidade, não é? E não se deforma, por exemplo, durante um embate, algo que acontece com o aço. Portanto, como é que vai ser possível este aparente milagre que aqui é apresentado?

Exatamente. Foi exatamente esse pensamento que me ocorreu quando li sobre isto. E achei que isto está com uma série de dificuldades por ultrapassar e todas elas extremamente difíceis. Como tu mencionaste, por exemplo, no capítulo da segurança, o aço ao deformar-se absorve a energia do impacto, protegendo os ocupantes. Como é que eles iam fazer isso com a madeira? É estranhíssimo. Mas vamos aqui contextualizar isto. O cientista é causa, quem patenteou isto é um professor da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e é especialista em materiais inovadores. E não há dúvida que este é efetivamente um material inovador. Não a madeira por si, porque a madeira é dos materiais conhecidos e dominados há mais tempo pelo homem, mas com essas características nunca ninguém viu. E então ele constituiu uma empresa, que como te disse, já está no comércio. Está protegida por 140 patentes e anuncia, espetadores assentados, tu e os nossos ouvintes, anuncia ser seis vezes mais leve do que o aço e 10 vezes mais robusta. Já agora, estamos em meio de surpresas, é também resistente ao fogo, o que é algo que nunca ninguém viu numa peça de madeira. Basta olhar para as lareiras que temos em casa e as madeiras desfazem-se em fumo com bastante facilidade.

Isto é um material que parece tudo, menos madeira, só assim pela descrição. Consegues explicar a quem nos está a ouvir de onde é que sai esta supermadeira e como é que chegámos até aqui?

O processo é fácil de encontrar na internet, é bastante complicado, mas essencialmente, fazendo a "short version", passa por cozer a madeira em água e numa série de químicos. Portanto, supõe-se que numa autoclave, a grande pressão e temperatura, e depois pressionar a dita madeira, de modo a que ela colapse ao nível celular. Ou seja, a ideia é destruir compactando tudo o que é célula da madeira e aí incrementando a sua densidade, anulando a porosidade, todos aqueles espaços livres que existem entre as diferentes células, tudo isso desaparece. Simultaneamente, e o truque ou a segunda parte do truque está aqui: a celulose, que é a alma da madeira, acaba por ser trabalhada, também quimicamente e pressionada, para lhe conferir uma maior resistência e dureza, e é efetivamente a celulose que lhe permite ultrapassar a resistência do aço, o que é uma coisa incrível. Só vendo para crer, mas acho que esta está à espera.

Sim, mas que aplicações é que estão previstas para esta supermadeira?

De momento, e porque nos Estados Unidos, como tu sabes, os construtores civis utilizam muito estruturas metálicas, estruturas em aço, que é neste momento o material visado pela supermadeira. Estruturas em aço, quer dizer, prédios, todos os arranha-céus em Nova Iorque, aquelas coisas enormes com centenas de andares, têm uma estrutura metálica de suporte. E as vivendas, por exemplo, também utilizam o mesmo tipo de construção em alguns casos. A ideia é substituir esse aço pela super madeira. A verdade é que a super madeira não para de evoluir. Todos os automóveis, cujos automóveis são grandes utilizadores de aço, é certo que os mais desportivos, os Ferraris, os Lamborghinis usam muitos materiais compósitos, plástico e soluções mais leves, mas no fundo todos eles têm uma estrutura em aço ou então em fibra de carbono, os mais caros. Existindo no mercado uma solução que é mais leve, mais resistente e mais barata, não haverá construtor que não queira. Mas já agora eu noto que este é um processo extremamente novo, como te digo, tem quatro anos, e está registrado há poucos meses. Este material evolui tão rapidamente que neste momento os criadores já criaram uma empresa, a Invent Wood, wood inventada, eu diria que reinventada, talvez. Patentearam já uma solução que é madeira transparente, tem textura, mas vai-se lá saber porquê, é transparente. Como vês, as pesquisas não param.

Muito bem. Nós sabemos que no mundo de hoje em dia tudo gira em torno da eficiência energética, da energia, de quanta energia precisamos para produzir diferentes produtos. Para a super madeira, como é que isto funciona? Por exemplo, em comparação com o aço.

Olha, eu espero que estejas sentado. Continua sentado. Prepara-te para outra surpresa.

Também é melhor.

Efetivamente. Aí vai ela. É efetivamente verdade, que hoje em dia não só o ambiente é importante, como os custos associados à energia que estás a gastar. Ou seja, o produzir aço, todos nós sabemos que o aço é uma mistura de ferro e carbono, mas aquilo não vai lá com duas pancadinhas. Há um dispêndio de temperatura brutal, são fornos que trabalham 24 horas por dia e consomem uma brutalidade. Sucede que a super madeira, de acordo com a Invent Wood, consome menos 90% de energia e 90% de energia é bom em qualquer lado do mundo.

Muito bem, eu só vejo vantagens. Vamos perceber se há, de facto, essa aplicação prática e como é que os mercados e os construtores podem reagir a este produto, que entra no mercado uma super madeira. Afinal, os Flintstones podem não ser do passado, podem vir a ser do futuro.

Eu diria que o Fred tinha razão.

É verdade. O que eu posso prometer no futuro é que para a semana há mais "Operação Stop". Um abraço, Alfredo.

Tá combinado. Um abraço.