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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto.

Tudo pronto para a "Operação Stop". Junta-se a nós, como é habitual, o Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo, boa tarde.

Olá, Alfredo.

Olá aos dois.

Diretamente da Alemanha.

A ti, Ricardo, que eu já não te vejo ou falo contigo há tempos.

É verdade, mas olha, hoje cá estou. Tu estás na Alemanha?

Estou aqui naquela zona da Floresta Negra, que fica entre a Alemanha, França, Suíça.

E é mesmo negra, Alfredo?

Não, é verdinha como as nossas.

É verde, é natural.

Ou bem que passa à segunda mão, ou bem que não é negra coisa nenhuma.

Alfredo, hoje vais falar-nos de carros elétricos e de poluição. Diz-me como é que um automóvel elétrico, que surgiu para poupar o ambiente, pode, afinal, poluir mais do que um concorrente com motor a gasolina ou a gasóleo.

Pois é, Ana, parece um milagre, mas podes chegar tranquila, que não és a única a ter dúvidas a este respeito. Este é um tema atual, que muitas vezes aparece a circular, sobretudo nas redes sociais, a que depois alguns órgãos de informação ou blogs fazem eco. Contudo, a simples afirmação de que um carro elétrico polui mais do que outro a gasóleo, por exemplo, baseia-se primeiro numa confusão, por um lado, e depois num erro, por outro.

Porque realmente parece haver aí uma confusão. Que confusão é essa, Alfredo? De que erro é que estás a falar?

Olha, Ricardo, começamos pela confusão. Primeiro, tenta-se convencer as pessoas mais distraídas ou menos a par destes fenómenos da técnica e dos motores, que o CO₂, que é dióxido de carbono, é um poluente, o que, na prática, não é verdade. Isto apesar deste gás contribuir para as alterações climáticas, segundo muitos especialistas. Sucede que em determinados países, e é aqui que nasce o problema, como por exemplo a Polónia ou a Alemanha, grande parte da energia elétrica é produzida a partir de centrais de carvão, que queimam carvão. E esta é a forma mais poluente de gerar energia. Mas atenção, estamos a falar de eletricidade, que é utilizada para carregar carros, mas também para aquecer as casas, para cozinhar, para aspirar, para isso tudo. Se tu considerares os carros elétricos no ciclo completo, ou seja, desde que se produz a bateria, até que se carrega com energia, até que depois se gasta essa energia deslocando, nestas condições, e apenas nestes dois países, um diesel moderno pode eventualmente emitir menos CO₂ em ciclo completo do que um veículo elétrico.

Então não é verdade que um elétrico pode poluir mais do que um a diesel.

Tu és persistente, Ana. Não, felizmente, não é verdade. Primeiro porque já vimos que o CO₂ não é um poluente. Todos nós somos umas fábricas de CO₂, porque cada vez que exalamos, sai CO₂ com fartura, que por sua vez depois também é utilizado pelas plantas, uma vez que é uma fonte de alimento. É um facto que estamos a produzir hoje muito mais CO₂ do que sempre produzimos, o que é mau e é uma coisa que tem que ser revista. Mas os estudos que fazem esta comparação entre as emissões de CO₂ dos carros elétricos e dos motores diesel, baseiam-se em dados de 2015, 2016. E todos os países europeus, regularmente, neste período, têm feito enormes investimentos para passar a gerar eletricidade a partir de fontes renováveis e menos poluentes. Aliás, a União Europeia obriga que todos os países reduzam e parem em breve com a queima de carvão para produzir eletricidade. Portugal é um exemplo, uma vez que já se comprometeu a desligar, digamos assim, a Central do Peco, que é carvão, que está relativamente próxima de Lisboa.

E Alfredo, se nós conseguíssemos exportar a energia renovável que fazemos para o meio da Europa, seria outro. Mas isso é outro programa e outro problema que ainda está para resolver. Mas tu há pouco, quando eu te perguntava da confusão, falavas aí da confusão e de um erro. Ainda não me explicaste bem qual é o erro.

O erro existe. Portanto, com a confusão nós já resolvemos que se baseia em embaralhar os termos e tentar convencer as pessoas de que as emissões de CO₂ são emissões poluentes, que não são. O erro reside em não ter presente que a grande vantagem dos veículos elétricos é não poluírem enquanto circulam. Ou seja, vamos esquecer como é que a energia é produzida. Já em Portugal, mais de 50% ou 60% da energia produzida é de fontes renováveis, e esta percentagem tende a aumentar e não a diminuir. Mas quando um veículo com motor de combustão circula no centro de uma cidade, a verdade seja dita, em todo lado, sejam eles a gasóleo ou a gasolina, eles emitem cá para fora monóxido de carbono, dióxido de carbono, enxofres, hidrocarbonetos, partículas de fumo, enfim, tudo coisas pouco recomendáveis. Os carros elétricos, pelo seu lado, não emitem rigorosamente nada. Isto enquanto os seus motores transformam a energia elétrica em movimento. É esta ausência de poluição que é fundamental para as grandes cidades, onde a qualidade do ar muitas vezes atinge níveis muito pouco recomendáveis e onde abundam pessoas que sofrem de problemas de saúde do foro respiratório. É um facto que há quem conteste a relação entre o aumento das emissões de CO₂ e as alterações ambientais. Há cientistas que defendem. A maior parte defende que não, mas há uns que dizem que sim. Agora, ninguém no seu perfeito juízo pode colocar em causa que a origem da poluição que existe nas grandes cidades não dependa quase exclusivamente dos veículos com motor a combustão que nelas circulam.

Muito bem, fico esclarecida. Alfredo Lavrador, tu agora tens uma newsletter para preparar, não é assim?

Está à espera. Não, já está a avançar, mas será enviada, como sempre, por volta da meia-noite.

Estás a olhar para a paisagem da Floresta Negra para te inspirar para a prosa, Alfredo.

Estou a olhar para a floresta, a parte do negra ainda continua sem apareça.

O Alfredo Lavrador junta-se a nós sempre na "Operação Stop". Alfredo, obrigada, até para a semana.

Obrigado, Alfredo. Um abraço.

Beijinho, Ana. Abraço, Ricardo.

Obrigada.