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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. 10h23. Muito obrigada por estar com a Rádio Observador nas manhãs 360. Recebemos agora, de novo, a jornalista de desporto Mariana Fernandes. Mariana, começamos com uma história que chega de Tavira, aqui em Portugal.
Sim, é uma história que acaba por não ser muito agradável, nem muito simpática. É sobre Fátima Habib, que tem 13 anos, nasceu no Paquistão, mas vive com a família em Tavira desde muito nova. É muçulmana e por isso usa o hijab, um dos tipos das habituais burcas que costumamos ver. Como a maioria dos jovens desta idade, pratica desporto e joga basquetebol no Clube de Basquetebol de Tavira. A história aqui é que este fim de semana, quando se preparava para começar a jogar, foi impedida pelos árbitros de entrar em campo por estar a usar uma camisola de manga comprida por debaixo do equipamento da equipa.
E os árbitros não aceitaram o fato da camisola se dever à religião da Fátima?
Não. A reportagem do Jornal de Notícias, que conta hoje a história, diz que a Fátima ainda sugeriu, aliás, arregaçar as mangas, mas a sugestão não foi aceite. A equipa de arbitragem disse que a camisola de manga comprida era uma violação dos regulamentos e que a religião não era justificação suficiente. A verdade é que os regulamentos oficiais da FIBA, a Federação Internacional de Basquetebol, dizem expressamente, desde há dois anos, que os jogadores muçulmanos, mulheres ou homens, estão autorizados a cobrir a cabeça e outras partes do corpo, desde que o hijab, no caso das mulheres, não tape outras partes da cara, como os olhos, o nariz e os lábios, sendo que não era isto que se verificava. A Fátima não tinha de jogar.
E já houve reação do clube?
Sim, o treinador do Clube de Basquetebol de Tavira, que falou então com o Jornal de Notícias, disse que um dos elementos da equipa de arbitragem até já tinha permitido que Fátima jogasse noutros jogos, estava completamente a par da situação, e que a proibição se deveu a um observador que estava na mesa dos oficiais. Dizem que estão a preparar uma manifestação coletiva no próximo jogo para expressar apoio a esta jovem e também, obviamente, para rejeitar esta decisão.
E nos Estados Unidos, a Liga de Futebol Americano tomou uma atitude que pode vir a causar problemas com a administração de Trump.
Sim, para contextualizar, em causa está o caso de Colin Kaepernick, que é aquele jogador que em 2016 decidiu começar a ajoelhar-se durante o hino nacional norte-americano em protesto contra a violência policial e racial no país, criou um movimento, o gesto, o ajoelhar, foi repetido por outros jogadores de outras modalidades durante muito tempo. Desde aí, desde 2016, que o Colin Kaepernick não voltou a jogar, nem sequer pelos 49ers, que era a equipa da altura, nem por qualquer outra. Agora, três anos depois de estar completamente afastado do desporto, a NFL, a Liga de Futebol Americano, decidiu organizar um treino aberto para Kaepernick com as 32 equipas da Liga de Futebol Americano, para que eles possam avaliar a forma física e, se quiserem, contratá-lo.
Mas onde é que isto envolve a administração Trump?
Porque a decisão tomada pela NFL em afastar Colin Kaepernick, em impedi-lo de jogar durante estes três anos, foi tida como uma ação política da liga. Isto porque o futebol americano está a ser, nos últimos anos, muito associado a Donald Trump. É aquela liga ou aquela modalidade que não tem dado problemas à administração Trump, ao contrário, por exemplo, da NBA, onde a grande maioria dos jogadores, a grande maioria das equipas, tem publicamente criticado Donald Trump e toda a administração. Ao trazê-lo de volta, o mais provável e o que poderá acontecer é que Colin Kaepernick, no primeiro jogo, se volte logo a ajoelhar para fazer um statement, uma tomada de posição, para dizer: "Voltei, mas nada mudou." E tudo isto, obviamente, vai dar ainda muito o que falar.
E também nos Estados Unidos, mas no basquetebol, surge uma história sobre aquilo que é considerado o melhor de sempre.
Sim, que estamos a falar de Michael Jordan, como é óbvio.
O EL.
Exatamente. A história foi contada numa entrevista por Jeremy Roenick, que é o jogador de hóquei, que é um dos melhores amigos de Michael Jordan, e o que ele diz é que esta história prova que Michael Jordan era mesmo o melhor de sempre, até quando não estava em total posse das suas faculdades. Isto porque diz que um dia, uma sexta-feira, em que Michael Jordan tinha jogo pelos Chicago Bulls contra os Cleveland Cavaliers, convidou a ele, ao Jeremy Roenick, para irem jogar bilhar, jantar, beber uns copos, e quando eram 21h, 22h, faltava pouco tempo para o jogo, este amigo de Michael Jordan disse: "Então, se calhar, vamos embora, porque já vais direto daqui para o estádio, para jogar." E ele disse: "Não, vamos jogar mais um jogo, vamos beber mais uns copos." O que este amigo de Michael Jordan diz é que beberam mais de 10 cervejas, jantaram de forma abundante e neste jogo contra os Cavs, ganharam por mais de 24 pontos e Michael Jordan marcou mais de 40 pontos.
Fantástico!
Incrível!
Se fosse no campeonato português, estava feito.
Sim, com esta mistura também.
Mariana Fernandes e as outras histórias do desporto, encontro marcado amanhã, um pouco antes das 10h30. 10h27. Daqui a pouco atualizamos toda a informação nas manhãs 360. Para já, Ana of the North para ouvir com "Dream Girl". Bom dia, boa quarta-feira.
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