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10h20. "Outras Histórias do Desporto" com a Mariana Fernandes. Mariana, bem-vinda, muito bom dia.
Olá, bom dia.
Mariana, vamos começar com uma conversa que levou o futebol até à monarquia britânica, ou não tivesse também nascido o futebol em Inglaterra. Ou estou a dizer alguma mentira?
Não.
O futebol nasceu no Brasil ou em Inglaterra? É esta discussão.
Normalmente, acho que a lógica comum é que nasceu em Inglaterra. Acho que sim.
Também não sabia que havia uma polêmica em relação à paternidade do futebol.
Sim, mas, por exemplo, o Deus também dizem que é brasileiro. É uma adaptação. É uma adaptação, mas vamos lá a essa história que levou o futebol à monarquia.
Sim, é verdade. E quem fez tudo isso foi o Peter Crouch, o antigo internacional inglês, antigo avançado também do Liverpool e do Tottenham, que ficou também conhecido por ser muito alto e muito desengonçado. E o Peter Crouch tem um podcast sobre futebol, chama-se "That Peter Crouch Podcast" e costuma ter convidados muito ilustres que falam sobre futebol, sobre desporto, mas também sobre muito mais do que isso. O último foi nada mais, nada menos do que o Príncipe William, o segundo da linha de sucessão ao trono da monarquia britânica, e a conversa foi dividida em duas partes, até porque tudo começou a ser gravado antes da pandemia. Existe uma parte do podcast que até inclui um vídeo com uma visita do Peter Crouch ao Palácio de Kensington, onde reside William com a família, mas a verdade é que a larga maioria da conversa já foi gravada numa videoconferência no último mês e William fala sobre tudo aquilo de que já ouvimos falar, sobre a preocupação com a saúde mental dos jogadores, com as frequentes depressões dos atletas, mas alarga-se muito mais sobre outros temas e diz até que passou a gostar mais de futebol desde que foi pai.
Eu estive há pouco a ver alguns excertos desta entrevista, deste podcast. Mas por que ele explica que passou a gostar mais de futebol desde que foi pai?
Ele diz que desde que foi pai, por isso há sete anos, que sente a necessidade de libertar alguma tensão e de gritar um pouco. São estas as palavras que ele usou.
Para descomprimir.
Quem nunca?
Exatamente. Diz que sente necessidade de estar junto de outros homens da mesma idade, com o simples objetivo comum de ver um jogo de futebol, e que normalmente até é bastante intenso quando está a ver futebol, mas consegue travar-se antes de insultar o árbitro, e eu diria que é aqui que sente o peso da coroa na cabeça. Diz mesmo que o futebol se tornou muito mais importante e relevante para ele nos últimos anos e que para isso também contribuiu o fato de ter começado a agir como um verdadeiro adepto do Aston Villa. A verdade é que o Príncipe William sempre foi adepto do clube, mas nunca foi um adepto fervoroso, nem propriamente público, e isso mudou um bocadinho nos últimos anos. Ele até tem sido visto nas bancadas a ser bastante entusiasta e a apoiar o Aston Villa em diversos jogos. A lenda conta que a família real é quase toda do Arsenal, incluindo o Príncipe Harry, o irmão do William, mas o príncipe explica então ao Peter Crouch que é do Aston Villa desde criança, porque nunca quis ser de um dos clubes grandes e passar anos atrás de anos a sofrer quando os títulos não apareciam e quando as coisas corriam menos bem. E acaba também por recordar a altura em que jogava futebol com os amigos quando era adolescente e chegava até a usar os seguranças da família real para intimidar os adversários.
Como assim? O que ele fazia com os seguranças?
Bem, ele explica que era sempre o jogador que sofria mais faltas, como é óbvio, porque é muito mais engraçado fazer um carrinho a um príncipe do que fazer um carrinho a qualquer outra pessoa. E diz que um dia decidiu pedir ao segurança que o acompanhava, que apontasse um daqueles lasers vermelhos para apontar ao jogador adversário que estava a ser mais incisivo, e depois disse: "Estás a ver? Ele está a seguir-te. Mais uma falta estás feito". Era assim que ele ameaçava os adversários. É uma entrevista mesmo muito bem disposta do Príncipe William, onde ele diz também que nunca irá jogar FIFA ou Football Manager ou qualquer outro jogo do gênero, porque ficaria completamente viciado e nunca o voltaríamos a ver em qualquer varanda a assinar.
Muito bom.
E é principalmente a primeira entrevista em que alguém não parece baixo ao lado de Peter Crouch, porque a verdade é que o Crouch tem dois metros, mas o Príncipe William tem mais de 1,90 m e a diferença não é assim tão grande. E é mesmo uma entrevista que vale a pena, porque é uma conversa muito engraçada, muito bem disposta e eu acho que raramente se tinha visto o Príncipe William assim tão disposto a falar sobre coisas que normalmente não fala.
Eu nem sequer sabia que ele era adepto do Aston Villa. Foi uma boa novidade. Mariana, continuamos agora com uma modalidade que pretende quebrar estereótipos.
Sim, uma modalidade que quer explicar basicamente que quem pratica esportes de combate não é intelectualmente inferior e que quem pratica esportes de tabuleiro não é inapto para qualquer outro tipo de modalidades. Ora, isto chama-se tudo Chess Boxing e a ideia, como o nome indica, é aliar o xadrez ao boxe. Portanto, a dinâmica passa por uma espécie de assalto de xadrez durante quatro minutos e depois um assalto de boxe durante três minutos, e acaba por ganhar o elemento que conseguir primeiro ou chegar a um KO ou chegar ao xeque-mate.
Isso parece aqueles treinos de alta intensidade. Treina-se muito e depois para-se um pouquinho e volta-se a treinar muito. Mas como é que isto começou? De quem é que foi a ideia?
A ideia veio de um holandês, o Jeppe Rubingh, que já em 2003, portanto há algum tempo, quis aliar um desporto mais cerebral a um mais físico. Ele abriu um ginásio em Berlim, teve várias demonstrações em festivais de artes e acabou mesmo por conseguir implementar um mundial de Chess Boxing, que começou em 2013 e já conta com várias edições. O desporto tem mesmo uma federação internacional, foi criado na Europa, mas nesta altura é muito popular na Índia, ainda que os últimos campeões mundiais sejam todos de países do leste europeu. O El Mundo conta hoje a história de alguns atletas e todos dizem o mesmo, que é que a maior dificuldade é regressar ao tabuleiro depois dos assaltos de boxe, ver as peças a altas pulsações e ainda conseguir pensar Na jogada seguinte. Mas a verdade é que é uma modalidade que quebra estereótipos e que acaba por mostrar que os pugilistas podem não ser só pugilistas e que os jogadores de xadrez também não precisam de ser só jogadores de xadrez.
Qualquer dia é modalidade olímpica. Pode acontecer.
A partir do momento que já temos breakdance, eu acho que sim, podemos abrir as portas a outras modalidades.
Mariana, terminamos com um jogador inglês que estragou uma aposta.
Sim, esta história já é do fim de semana, mas acabou por ganhar um impulso extra depois de o Jesse Lingard, o protagonista do episódio, ter dado uma entrevista à Sky Sports. Imaginem que no início da temporada fazem uma aposta e apostam que um dos avançados do Manchester United não vai fazer qualquer golo, nem qualquer assistência, durante toda a Premier League. Foi isto que fez o Anthony Johnson, um adepto do Manchester United, que apostou pouco mais de £3 em como Lingard, o avançado inglês, não iria fazer nem um golo nem uma assistência durante toda a época. A verdade é que o Lingard chegou à última jornada sem qualquer golo e sem qualquer assistência, mas ao oitavo minuto de descontos do último jogo, marcou. Portanto, estragou também uma aposta que já tinha um retorno de quase £200 para este adepto do Manchester United. A história é deliciosa e fica também o convite para a entrevista do Jesse Lingard à Sky Sports, onde ele fala de forma aberta sobre as críticas todas que ouve, sobre as mensagens mais destrutivas que recebe e sobre como tudo isso também pode afetar a prestação de um jogador dentro de campo. Eu acho que também é necessário começar a refletir sobre isto, sobre como tudo aquilo que nós dizemos cá fora e que tantas vezes achamos que é só falar sobre o futebol, pode também afetar um bocadinho mais os jogadores.
Sem dúvida. Mariana Fernandes, com as outras histórias de desporto nesta manhã de quarta-feira. Amanhã, quinta, voltamos a marcar encontro contigo, Mariana. Mais ou menos a esta hora.
Verdade.
Exatamente. Beijinhos até amanhã. Daqui a pouco vamos ter síntese de notícias na Rádio Observador com a Carla Jorge de Carvalho, depois da síntese das 10h30. Nosso convidado hoje no Explicador, Francisco Bacelar, presidente da Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal. É uma conversa para conferir já daqui a pouco na Rádio.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto