Na véspera dos já anunciados Estados Gerais do PS, marcados para 14 de novembro, o partido vai fazer um “aquecimento” com um politólogo, um filósofo e um sociólogo convidados para discutir o futuro da democracia e a importância da participação cívica. A conferência servirá de “arranque”, de acordo com o secretário nacional para a organização, ao movimento “Contamos Todos”, criado por José Luís Carneiro para produzir pensamento e ideias que se traduzam em propostas para um futuro programa eleitoral do PS.

O encontro reúne três académicos que se têm dedicado ao estudo da democracia e dos seus desafios. Tiago Fernandes é politólogo, professor catedrático de Ciência Política e Políticas Públicas no ISCTE, Daniel Innerarity é um filósofo político e ensaísta, catedrático de Filosofia Política e Social e Robert Fishman é sociólogo e politólogo, doutorado em Sociologia pela Universidade de Yale.

“São três personalidades com trabalho desenvolvido sobre movimentos sociais, participação cidadã e o seu contributo para a construção de políticas públicas. E em como isso permite contrariar o impacto dos partidos populistas“, afirma Luís Soares ao Observador. O dirigente socialista repete a máxima que tem usado para defender a abertura do partido à sociedade civil: “Sempre que a política se abre, a democracia ganha”.

No dia seguinte, na Estufa Fria, em Lisboa, o PS vai então dar arranque à “plataforma de participação política dos cidadãos independentes”, que José Luís Carneiro batizou de “Contamos Todos”. A iniciativa recupera a fórmula dos Estados Gerais, lançados por António Guterres em 1994 para preparar o programa que levaria às legislativas de 1995.

É a mesma estratégia que, nos últimos anos, tem sido recorrentemente usada pelo partido na preparação de programas eleitorais, como por exemplo a convenção Novo Rumo, de António José Seguro (que não chegou a concorrer às legislativas), ou o fórum Novas Fronteiras, de José Sócrates, e também a Agenda para a Década, de António Costa.

A fórmula não é nova. A incógnita está, por enquanto, nos nomes que o líder do PS conseguir mobilizar para o seu movimento. Nas experiências de Sócrates e Costa, a abertura à sociedade civil também deu a conhecer figuras que viriam a integrar os governos socialistas que se seguiram. Os protagonistas desta nova edição de Carneiro ainda não são conhecidos. Apenas se sabe que a conferência terá várias mesas de discussão, dedicadas a áreas diferentes, com 20 pessoas e um porta-voz que fará a síntese do que lá for discutido.