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Este podcast é da responsabilidade da PLMJ. Bem-vindo ao podcast da PLMJ. Damos voz ao que interessa, ao que faz mover o país para lá da espuma dos dias. Os negócios, a comunidade, o empreendedorismo, a sustentabilidade, a arte. Partilhamos saber que é feito de experiência e que serve a todos. Move-nos a coragem para imaginar o amanhã e a vontade de criá-lo hoje. Juntos, a comunidade, os clientes, a PLMJ, a Fundação PLMJ, geramos impacto. Fique desse lado. "Zonas de Transição: Obras da Coleção da Fundação PLMJ" é a mais abrangente exposição dos últimos 15 anos da Fundação PLMJ e está aberta ao público no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional até ao dia 7 de janeiro. São cerca de 150 obras de uma coleção de mais de 1.400 peças, com uma seleção de artistas de gerações diferentes, de diversos países e de núcleos da coleção que incluem pintura, desenho, livro de artista, escultura, instalação, fotografia e vídeo. Uma exposição que reflete uma visão ampla da coleção e de quatro décadas de produção artística do universo da comunidade dos países de língua portuguesa. Tem a curadoria do João Silvério, nosso convidado de hoje no PLMJ Podcast. Olá, João, bem-vindo. Explica-nos um pouco o contexto e também o conceito desta exposição.

Muito bem. Muito obrigado pelo convite. Primeiro, vamos ao conceito da exposição, à ideia de zonas de transição. Essa ideia partiu do meu conhecimento da coleção, da forma como eu olho pra coleção desde a minha colaboração desde 2015, mas também do que é a coleção desde 2020. De como a coleção se expandiu para os países de língua portuguesa a partir de 2005 e da diversidade de técnicas que a coleção inclui, que já foram elencadas: fotografia, instalação, vídeo, livro de artista, desenho e outros. E também do número de obras por artista, porque a coleção sempre deu atenção aos artistas nos primeiros cinco, 10 anos, eu costumo dizer mais vulgarmente, em início de carreira. O que significa que temos, em grande parte dos casos, núcleos mais pequenos de obras, mas historicamente conseguimos ter uma visão do que é que tem sido o crescimento ou o desenvolvimento da prática artística, que vem de alguns autodidatas que existem, mas outros que vêm da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, da Universidade do Porto, da ESAD, o caso do Carlos Bunga e outros, e de outras escolas, inclusive do Arco. Ou seja, deste ponto de vista, a coleção e a exposição permitem ter uma visão de panorama sobre o que é a produção artística de uma série de gerações de artistas portugueses e dos países que são países independentes, portanto, a coleção é internacional, unida pela língua portuguesa, dos últimos 30, 40 anos. Esta ideia de transição passa por uma ideia de espaços intersticiais na arquitetura, que são espaços de ligação, como espaços que estão entre locais, como por exemplo, passar da sala para outra sala, subir uma escada e ter um patamar. Ou seja, essas zonas de passagem, enquanto ideia, são zonas que parecem não terem importância, mas que nos dão acesso de um nível para outro, de uma mídia para outra, de um contexto para outro, de uma situação política que muitas obras de arte expressam na coleção, e não só dos países que não são Portugal. Portanto, permite ter uma visão do que é a passagem e muitas vezes um intervalo, porque interessa-me pessoalmente nestas narrativas, aquilo que de repente para o discurso e começa um novo discurso. O espaço da Cordoaria é um espaço com uma grande complexidade, são cerca de seis salas, são 1.400 metros quadrados de exposição, são de facto 156 obras, 17 vídeos em duas black boxes, num total de 106 artistas. É interessante pensar que quando se começa a desenhar a exposição para um destes contextos, temos que ter em atenção, dentro de limites também da liberdade da curadoria, e essa liberdade eu tive a toda, do ponto de vista institucional, mas também da articulação com o trabalho, e aí que fizemos, já não é só o curador, é a equipa que fez com os artistas, de ter soluções que permitam também criar algumas surpresas, sem ser ilustrativas, pro visitante, e ter sequências de obras, como acontece, por exemplo, na terceira sala do piso de baixo, em que temos uma narrativa muito mais ligada. Nesse aspecto, as zonas de transição eu acho que correspondem a um género de umbrella ou de chapéu, que resolve, e eu aqui uso mesmo o termo resolve, uma série de momentos da arte contemporânea portuguesa, geracionalmente com obras, inclusive, que são obras do início da carreira de alguns artistas. Muitas delas não eram mostradas há 15 anos, há 20 anos, independentemente das obras que restauramos para esta exposição. Também a colaboração com os artistas, o caso, por exemplo, do Daniel Blau Fuchs, do Pedro Valter Cardoso, da Luísa Cunha, da Fernanda Fragateiro. Essa colaboração foi essencial e há algumas obras que necessitaram de restauro, porque há um envelhecimento, e há outras, como no caso da obra da Fernanda Fragateiro, que têm que levar um banho e um polimento, independentemente de estarem em bom ou mau estado, são prerrogativas que a coleção, ao longo dos anos, desde sempre tem atendido e que numa exposição com esta envergadura e com esta escala, propiciou que se desenvolvesse também esse tipo de trabalho, até interno pra equipe que trata da coleção e o acervo.

João, e qual é a importância das coleções, sejam elas privadas ou públicas, para a vida dos artistas e toda uma envolvente? Porque já referiste na introdução, por exemplo, a própria exposição foi também feita muito em colaboração com alguma proximidade dos artistas.

Do meu ponto de vista, há diferentes tipos de importância. A primeira importância é uma importância histórica, que tem a ver com uma lógica de patrimônio, que esse patrimônio é o trabalho dos artistas que nos são muito próximos. Temos alguns artistas, infelizmente, já falecidos, mas temos muitos artistas vivos, muitos artistas que estão no ativo. É o patrimônio ativo do presente que estamos a preservar e a dar uma perspectiva histórica, segundo a perspectiva desta coleção, as aquisições que foram feitas e o próprio modelo que a instituição, enquanto coleção privada, e eu acrescentaria aqui o fato de ser uma coleção de empresa, que faz com que as obras desta coleção convivam com a empresa, que é a entidade instituidora da Fundação PLMJ, portanto, a sociedade de advogados, que nos seus escritórios ou nas suas zonas públicas, não é só nos escritórios, e não é apenas decoração, é também, eu diria, um cartão de visita para mostrar o que é produção artística nas áreas e nas geografias onde a PLMJ Advogados e a fundação, de forma correspondente, têm uma atenção sobre o que é a arte que se faz nos dias de hoje, que é a arte que nos é contemporânea. A arte contemporânea é a arte que nos é contemporânea. Houve sempre uma arte contemporânea do tempo em que as instituições existiram. Por outro lado, é importante contribuir para uma dinamização do mercado de arte, principalmente através das galerias que representam os artistas, mas de uma forma muito interessante e que é importante com artistas que não têm galeria. Nem todos os artistas vêm a ter galeria, ou num momento têm, no outro podem não ter. Mas há artistas que se mantêm, uns muitas vezes por vontade, outros porque o mundo não será injusto nesse aspecto, mas nem sempre todos correspondem a uma lógica de mercado. E a Fundação PLMJ tem muitos artistas na coleção, inclusive de várias gerações, com obras que foram adquiridas, de uma forma justa, creio, diretamente aos artistas. Não privilegiou as galerias, mas também os artistas que têm galeria, nunca foram feitas aquisições diretamente. Portanto, há aqui uma boa prática, se é que se pode dizer assim, de trabalhar com o meio, e o meio tem diversos agentes e diversos atores. Inclusive, já houve outra curadoria na coleção, outras perspectivas inclusive da administração. Esta é presente e tem a liberdade que eu tive para fazer uma construção. A exposição, de fim de contas, se por um lado é um dispositivo para ver, é muito interessante nas visitas guiadas com pessoas de escritório, sejam advogados ou outros, que têm obras nos gabinetes e de repente na exposição a obra parece que é outra, porque a exposição é um dispositivo de dar a ver. Mas, por outro lado, também é uma construção ficcional. Outro curador faria outra exposição, outros curadores, até em coletivo, fariam outra. Esta, num certo aspecto, tem alguma complexidade pela extensão no espaço e pela fragmentação do espaço, e por essas zonas de transição em que temos, por exemplo, na passagem do primeiro para o segundo piso. E será interessante quando as pessoas forem ver a exposição, ver uma obra de uma escultura de parede de pequena dimensão, que está precisamente nesse espaço de transição, que tem uma escadaria, tem uma escada, depois tem um patamar, depois tem a escada para chegar ao piso de cima. E no centro está uma obra que eu acho muito identificativa da coleção, que é uma obra do artista Castor, que é um mapa de África, Madagáscar, inclusive, que é uma escultura de parede desenhada e construída com pequenos elementos que são restos de armas de mão, de pistolas, o que também mostra muito o contexto de um determinado momento do que é a África nessa transição também, entre o que o "ancien régime", se é que se pode dizer assim, e a independência e todas as questões que a construção da democracia e da liberdade traz para qualquer, como vemos hoje em dia, felizmente por um lado, infelizmente pelo outro, que a construção da liberdade é sempre uma coisa muito difícil.

Já que falaste dessa questão do núcleo de artistas da África, de outros países também de língua portuguesa, do Brasil. É também importante promover esse diálogo entre os artistas portugueses e de língua portuguesa de outros países. E depois também te queria perguntar, uma vez que também referiste que há alguns desafios, até relacionados com o próprio espaço da exposição, qual foi o maior desafio, se é que não foi exatamente este diálogo entre os diferentes artistas e as obras?

Essa primeira questão é muito interessante e é importante pelo seguinte: quando nós realizamos, nós, eu e o Leitão, o documentário de 20 anos, uma artista brasileira que tem importância na coleção, entre outros, a Rosana Ricalde, fala precisamente de uma exposição em São Tomé e Príncipe que realizamos. A vantagem e o que foi interessante dialogar com outros artistas de outras geografias, numa outra geografia, que não é a exposição em Lisboa, não é a exposição no Rio de Janeiro, não é a exposição no centro. Esta questão dos centros e periferias é uma questão que está, felizmente, nos últimos anos muito presente, e é a própria artista que diz isso. É muito produtivo, até do ponto de vista da cultura, ter artistas que vêm de diferentes locais, mas também vêm do Porto, vêm de Lisboa, vêm de Maputo, vêm de Montemore, que vêm da Beira, que vêm de São Paulo. Há um outro modelo do mundo que se consegue presentificar, ou seja, que se consegue apresentar e que pode dialogar e interpelar isso muitas vezes uns aos outros. Isso é essencialmente importante e isso existe no universo da arte contemporânea. Aqui, nesta linha, como um catálogo, nós temos um catálogo que é um catálogo exemplar, feito pelo Miguel Amado, que tem um título que eu costumo citar bastantes vezes, "O Idioma Comum". E esse idioma comum é bivalente, porque é o idioma comum da arte e é o da língua portuguesa. Não é a língua portuguesa que esgota a produção artística, porque muitos destes artistas transitam. A Rosana Ricalde ou o Filipe Barbosa, por exemplo, vivem em Portugal. Têm uma casa no Rio das Ostras, que eu acho sempre maravilhoso dizer que eles têm uma casa no Rio das Ostras, no Brasil. Mas, por exemplo, o Mauro Pinto, que esteve na nossa inauguração, transita entre Paris, Moçambique, Burkina Faso, que são as geografias que nós temos. Ou seja, há todo um mundo global, de fato, na produção artística que nós apresentamos, na escolha que temos e nas obras que adquirimos, mas que expressa muito esse cruzamento e esse lado que, por um lado, é transitório, por outro lado, é em trânsito de gente que se move no mundo e que vai trazendo diferentes referências nas suas obras e, nesse ponto de vista, enriquecem muito a coleção. Isto é da coleção em Portugal, o panorama artístico nacional e internacional, porque a coleção é internacional.

E sobre os desafios, o que é que destacarias como possível?

Os desafios tiveram três pontos que para mim foram realmente muito desafiantes. Foi fazer uma escolha que fosse representativa do que é o meu olhar, porque eu sou o curador, sobre a coleção da arte contemporânea neste momento. O espaço é sempre um desafio. Não há bons nem maus espaços. Este espaço tem diversas características peculiares. O primeiro piso mais fechado, com arcadas, amplo. O piso de cima, muito mais aberto, com muitas janelas, com a montagem, que eu já falei várias vezes, de montar obras de arte ora entre janelas, ora entre portas, e depois fazer um diálogo com o espaço, que é muito amplo. E depois um terceiro desafio, que foi proporcionar um discurso para o visitante. Também pensei nisso, mas que não fosse óbvio nem literal. Aliás, saiu um artigo no jornal onde fala precisamente que a montagem, por um lado, pode ser nem sempre inteligível ou por vezes confusa, mas realmente panorâmica, o que é quase um paradoxo, porque se é panorâmica, vemos tudo em panorama, não vemos nada em detalhe. E quando nos aproximamos, o panorama desaparece e temos uma vista. Vamos ter uma exposição precisamente a pensar nessa problemática entre a vista e o panorama. Faz lembrar uma exposição do João Queirós, um pintor e homem da filosofia. O modo menor silver, ou seja, do grande panorama, depois, de repente, ter atenção àquela pequena folha ou àquela pequena erva. E isso é uma coisa que só a pintura, por exemplo, consegue fazer e a fotografia não faz. Temos um diálogo interessante entre pintura e fotografia na exposição, articulado com os artistas. Temos alguma escultura que eu gostaria de salientar. Para uma coleção de empresa, parece que tudo são obras que se põem em pequenos cantos, recantos, corredores, salas e vestíbulos, e não é assim. Temos escultura de grande dimensão, temos instalação de grande dimensão. E eu gostaria de focar a obra da Maria José Cavaco, que infelizmente já não está entre nós. Uma obra que adquirimos em 2017, que tem uma montagem muito específica, que é quase uma exposição dentro da exposição. Essa obra foi num determinado momento, quando eu comecei a pensar a exposição em aberto, sem nenhuma escolha, foi a primeira obra escolhida, de fato, que eu gostaria de mostrar na forma que ela própria desenhou no Arquipélago, com o João Mourão, curador e diretor do Arquipélago, e que nos acompanhou na inauguração, que me deixou satisfeito, nos deixou satisfeitos. E ter essa possibilidade de ter ali um testemunho do que é a prática artística de dar a ver a própria obra que a artista fez. Esse é talvez um dos desafios com outras obras que estão expostas, é um desafio que mais me desafiou. Isto é uma tautologia, mas é perante uma certa dificuldade, muitas vezes, que eu tenho, sou eu que estou a falar na primeira pessoa, de ler a obra do artista em diferentes contextos. E nesse aspecto, houve muitos artistas com quem trabalhei que foram, inclusive, um bom momento de discussão sobre essas questões e coisas que aprendi a fazer esta exposição, como aprendi ao longo de 30 anos que faço exposições com tantas outras. E que eu vejo sempre que faço uma exposição, esta talvez uma das de maior envergadura do meu trabalho de 30 anos. Talvez só tenha sido um outro momento superior com a coleção António Cachola, comemoração dos 10 anos, quando fiz 17 exposições para comemorar esses 10 anos. É precisamente diferente, que era em diversas áreas, locais do Alentejo e de Espanha. Aqui é concentrado num torreão que aparentemente parece pequeno e que tem propiciado, pelo menos para mim, com muito prazer, espero com utilidade para quem visita, visitas guiadas de quase uma hora e meia. E isso é muito estimulante.

De resto, é um espaço maravilhoso e que aproveito até para sublinhar, porque esteve encerrado ao público para obras de conservação e que a nossa exposição é a primeira desde que abriu ao público e vale a pena visitar também pelo espaço. E fazia também uma pergunta, porque há pouco falaste sobre a importância do diálogo entre os diferentes artistas de diferentes países. Há também, é bastante singular nesta coleção, o diálogo entre artistas mais, não lhe queria chamar antigos, mas com mais anos de atividade e artistas que entraram muito recentemente ou até muito novos.

No desenho da exposição, foi importante, independentemente dos meios. Isso acontece em qualquer instituição. Independentemente dos meios que as coleções dispõem, sejam os meios logísticos, sejam financeiros, apresentar o que são também novas aquisições, o que significa que a coleção está viva e continua a crescer. A coleção não tem uma hierarquia cronológica. Não há uma primeira obra. Há uma primeira obra na entrada da exposição, que é importante que ali esteja, mas não há uma cronologia, ou seja, da mais antiga para a mais recente. As obras conversam por empatia, muitas vezes por intervalo, como há pouco estava a falar. E temos artistas que se costuma dizer consagrados ou de carreira confirmada, como, por exemplo, o caso da Ângela Ferreira, Manuel Botelho, Fátima Mendonça, Julião Sarmento, José Pedro Croft, Fernanda Fragateiro. E depois temos obras, por exemplo, do Miguel António Domingues, da Maria Oliveira, da Maria Durão. São artistas que têm uma produção, alguns relativamente recente, de quatro a cinco anos, saídos da faculdade. A Maria Durão será um pouco menos, que nos interessou bastante. A escala das obras, inclusive, são obras de muito pequena dimensão, maravilhosas. Isto sendo, exprimo eu mesma outra, que está em par com uma parede onde está uma pintura de grande escala e muito significativa da Fátima Mendonça e uma pintura muito importante do Manuel Botelho. As obras convivem nessa parede autonomamente, isso é importante, e constituem um painel. Aquela parede quase que se podia retirar da exposição e levar para outro local. Há inclusive algumas salas que poderiam fazer isso. Eu pensei, tentei com mais clareza, tentar fazer talvez algumas exposições dentro da exposição. Não só a obra da Maria José Cavaco, como eu falei, como por exemplo, a sala central no primeiro piso, onde está uma obra que marca essa sala, que é a escultura do Miguel Ângelo Rocha, mas também, por exemplo, na última sala, onde há várias obras emblemáticas da coleção, onde está, por exemplo, o Senhor Central, uma escultura de chão de uma figura humana do Noé Sedas, mas está também uma outra obra do Horácio Furtuoso, que inclusive inclui outros meios. E nestas obras que eu acabei de falar, entre Maria José Cavaco, Noé Sedas, por exemplo, Fernanda Fragateiro, com as espátulas de trabalhar na construção civil, mas polidas, que estão num canto, ou por exemplo, a obra do Horácio Furtuoso, a arquitetura ou a construção, o corpo e a palavra, como acontece também na obra do Mauro Cerqueira, como acontece na obra da Fátima Mendonça, na obra da Maria Durão, uma muito pequena palavra que diz "fragmentos" e quase podia fazer a síntese, porque tudo o que é transitório é fragmentário, da exposição. Portanto, do meu ponto de vista, embora eu hoje já olhe para a exposição de outra maneira, já a visitei muitas vezes, já fiz muitas visitas guiadas, acho que é a minha perspectiva sobre a arte contemporânea, neste momento, a partir do acervo colecionado, não de outro.

João, eu ia perguntar o que é que dirias a quem ainda não visitou, mas eu sinceramente acho que já convenceste.

Posso dizer duas coisas muito simples.

Ainda vamos ter algumas visitas guiadas até ao final da exposição. A exposição, como dissemos, encerra a 7 de janeiro. Queria também sublinhar, porque ainda não foi dito, e é importante, que esta exposição resultou de uma iniciativa conjunta com a EGA, que é as Galerias Municipais de Lisboa, que nos convidaram a ocupar este espaço nobre da cidade, e que no fundo também reforça a missão da Fundação PLMJ e da PLMJ enquanto entidade instituidora de divulgar a arte contemporânea em português, num compromisso também com a comunidade.

É uma das muitas colaborações que se fizeram ao longo dos anos. Depois do que já falámos sobre a exposição, falta ver a exposição para quem ainda não foi. E há duas questões que me parece que podem fazer as pessoas deslocarem-se. Primeiro, aquela zona da cidade onde está uma zona de património importante, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, toda a zona ajardinada perto do rio, que é interessante. E depois temos o novo museu, o MACCB, que é importantíssimo neste momento, a Fundação EDP e o Mat e a Central Tejo, o Museu dos Coches. E esta exposição, que traz ainda duas coisas dentro de uma coisa, que é obras de artistas que têm sido muito menos vistas e uma montagem que permite para diferentes públicos, uma aproximação à prática contemporânea, mas também a geografias que nos dizem muito, inclusive, tendo o Padrão dos Descobrimentos próximo, uma ligação com o Atlântico na vertente africana e do Brasil, numa arte que nos é contemporânea, mas que tem muitas questões que são de raiz histórica e que nos diz muito.

Obrigada, João. Já sabem, até ao dia 7 de janeiro. Podem visitar a exposição, de segunda a domingo, entre as 10:00 e as 19:00. É gratuita. Estão ainda agendadas algumas visitas guiadas até ao encerramento. Podem acompanhar-nos nas redes sociais, no Instagram, também no nosso site. E obrigada.

Este podcast é da responsabilidade da PLMJ.