Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Quente e Frio", a primeira edição desta semana, dia 20 de julho. Vamos saber como vai estar o tempo durante os próximos dias com a Filomena Martins. Olá, Filomena, bem-vinda.
Olá, João.
O que nos trazes de novidades para esta semana?
A primeira delas, para quem está de férias no Algarve, não é boa. Porque o Algarve passou em poucos dias de água quase tropical para mergulhos nórdicos.
Ui.
Depois de duas ondas de calor marinho, que fizeram a água atingir 23 a 25 °C em algumas zonas do Algarve, há praias agora do barlavento onde o mar está nos 17 a 18 °C. Não é muito agradável, mas a culpa é da nortada. Já falámos dela aqui, andava desaparecida e agora voltou. Esse vento de norte afasta da costa a água mais quente que está à superfície e faz subir a água fria das camadas profundas. É um fenômeno conhecido como afloramento costeiro e só há água mais quentinha no sotavento, ali junto a Monte Gordo, onde está entre os 20 e os 22 °C.
No Algarve há que ter atenção à água mais fria, mas em Monte Gordo continua tudo igual, pelo que sabemos. Em terra, temos calor ou vai continuar mais ou menos assim, nem quente, nem frio?
Não, acontece o contrário da água do bar. Em terra o calor vai continuar a aumentar. Esta terça-feira, Bragança e Viseu podem chegar aos 35 °C, Castelo Branco e Guarda aos 34 °C. No entanto, no litoral, o Atlântico continua a melhorar as temperaturas e o Porto deverá andar pelos 26 °C e Lisboa pelos 28 °C. Na quarta-feira é que chega o pico do calor da semana. Castelo Branco poderá atingir os 37 °C, Bragança, Guarda e Viseu os 36 °C, Évora e Beja nos 35 °C. E este calor poderá prolongar-se até quinta, sexta, porque sexta a atmosfera deverá mudar e bastante. Uma ondulação do jato polar, e nós já vamos falar o que é isto.
Pois, eu quero perceber o que é isto.
Deverá aproximar um vale depressionário, também falaremos disso, da Península Ibérica, e isso vai permitir a entrada de ar atlântico mais fresco e as temperaturas deverão descer, sobretudo no norte e no centro, e aumentar até a possibilidade de termos uns aguaceiros e umas trovoadas no próximo fim de semana, o que também para quem está de férias não é agradável. Mas atenção, porque alguns modelos atmosféricos já mostram um novo aumento das temperaturas na próxima semana.
Vamos falar deste palavrão, o jato polar, que estavas a referir há bocadinho. Como é que passamos em poucos dias de calor para uma descida das temperaturas? Estando nós no verão, por exemplo.
Este malandro tem muita culpa de muita coisa. O culpado, que vai estragar o fim de semana, já muita gente ouviu falar dele, mas nem toda a gente percebe bem o que faz. A resposta está mais ou menos a 10 km acima das nossas cabeças, é aí que circula o tal do jato polar, esse stream jet em inglês, e trata-se de uma corrente de ventos muito fortes que separa o ar frio das regiões polares, do Polo Norte, do ar mais quente, das latitudes mais médias. Em alguns pontos, estes ventos ultrapassam os 200 km/h e conseguem, por exemplo, que aviões consigam ligar Nova York a Londres com menos uma hora, ganhar uma hora nessa viagem. Basta que ele esteja mais forte. Só que este rio de vento, e é como uma espécie de rio, só que de vento, não corre em linha reta. Ele faz umas ondinhas. Essas ondulações são chamadas ondas de Rossby.
E que papel têm essas ondas, Filomena?
Essas ondas são preponderantes para a atmosfera e para o tempo que vai fazer. Quando essas ondas sobem para norte, fazem um ondulado. Naquele ondulado, deixam que uma língua de ar quente, que favorece o tempo estável e as temperaturas muito elevadas, suba da parte dos trópicos ou do norte de África. Quando as ondas mergulham para sul, permitem que entre o tal vale depressionário, com ar mais frio em altitude, que ajuda a baixar as temperaturas e aumentar a probabilidade de por ali entrarem depressões, chuva, trovoadas. É muito fácil de ver, sobretudo se a imagem vocês visualizarem, não tem muito por perceber. E se uma dessas depressões que entrar por ali se separar completamente do jato polar, nasce uma dana, a tal depressão isolada em altitude que toda a gente ficou a conhecer por causa de Valência.
É verdade. É isso que nos espera nos próximos dias, não é?
É precisamente uma destas ondulações que os modelos começam a mostrar para o final da semana, para o fim de semana. O jato polar deverá empurrar a dorsal quente, esta que estamos a viver agora, para leste, para a zona de Valência e Barcelona, e aproximar uma frente mais fria e com aguaceiros da Península Ibérica. Isso explica a queda das temperaturas e mais a leste, no Mediterrâneo, mais a sul ocidental, alguns modelos mostram uma curvatura muito acentuada do jato polar, o suficiente para favorecer também tempestades na Catalunha, no sul de França e no norte de Itália. Ainda é muito cedo, porque estas curvaturas mudam muito, e mudam muito também onde é que vão ocorrer, qual a intensidade, mas o sinal já está lá, e o jato polar continuará sempre a mandar. Se voltar, entretanto, a subir de latitude na próxima semana, a dorsal volta a regressar e volta a regressar o calor.
E vamos ter alterações. Vamos terminar com uma novidade, uma inovação que pode mudar a forma como os incêndios são acompanhados, não é?
É verdade, e foi estudada, foi experimentada nos incêndios portugueses. E são os novos satélites Meteosat, são satélites de terceira geração e conseguem observar a mesma zona da Europa de 10 em 10 minutos. Fazem aqui um visionamento de 10 em 10 minutos. Isso permite detetar focos de calor quase em tempo real e acompanhar a evolução de um incêndio praticamente à medida que acontece. O sistema não mostra apenas onde é que está a arder, também estima a energia libertada pelas chamas, que é um indicador da intensidade do fogo. Isso ajuda a perceber a direção e a velocidade que o incêndio se propaga. Como eu estava a dizer, foi desenvolvido e testado nos incêndios em Portugal. Isto, obviamente, não substitui os bombeiros, nem os meios aéreos, mas pode dar às autoridades uma visão muito mais rápida da evolução do fogo, precisamente em que cada minuto faz muita diferença.
Claro. Uma boa novidade para fecharmos esta edição de "Quente e Frio", sempre de segunda a sexta, com a Filomena Martins, depois do "Jornal das Quatro". Filomena, até amanhã.
Até amanhã.