O primeiro-ministro quer “estabilizar o mercado dos combustíveis o mais depressa possível”, mas rejeita “vender a ilusão” de que a ajuda do Governo pode eliminar uma subida dos preços provocada pela instabilidade do contexto internacional.

A fim de salvaguardar o equilíbrio das contas públicas e de evitar políticas económicas restritivas, Luís Montenegro pergunta se “serão mais 5 ou 10 cêntimos de desconto [no imposto sobre os combustíveis] suscetíveis de provocar uma alteração completa da vida” dos portugueses. O líder do PSD falou aos jornalistas em Esposende este sábado, onde detalhou as medidas recentemente adotadas pelo Governo para mitigar os efeitos da subida generalizada de preços, e que, no fim deste ano, devem “ascender a 2.300 milhões de euros” em despesa pública.

O primeiro-ministro diz que os descontos no ISP (imposto petrolífero) vão atingir os 25 cêntimos por litro, a partir da próxima segunda-feira, correspondendo ao reforço dos apoios dados por via fiscal em resposta a um novo aumento dos preços que elevará os combustíveis para valores recorde.

Questionado sobre os cidadãos que abastecem os seus veículos em Espanha a fim de beneficiarem de faturas mais acessíveis, o primeiro-ministro destacou a inevitabilidade de Portugal se “confrontar com as regras da concorrência”, mas deixou mensagens ao seu homólogo no país vizinho.

Combustíveis espanhóis ampliam vantagem fiscal face a Portugal com a crise nos preços

“A situação financeira de Portugal [do ponto de vista] global é mais favorável” do que a de Espanha, retorquiu Montenegro, que prefere não oferecer “uma grande ajuda” aos bolsos dos portugueses neste momento de dificuldade, se isso permitir evitar “o que o país conheceu lá atrás como políticas de austeridade”. “Eu não vou ser o pai da austeridade”, confirmou.

“Se nós desequilibrarmos as contas, se nós formos demasiado voluntaristas e facilitistas, o dinheiro vai ficar mais caro. E se o dinheiro ficar mais caro, é preciso pagá-lo, é preciso pagar o preço do dinheiro também.”

“Pergunto aos cidadãos do lado de lá da fronteira o que acham sobre a fiscalidade sobre os rendimentos do trabalho e das empresas, a perspetiva de terem de pagar a dívida e o défice que estão a acumular”, no futuro, continuou o primeiro-ministro — que rejeita embarcar em polémicas com “o lado de lá”. “No lado de lá faz-se o equilíbrio que se considera mais adequado, do lado de cá faz-se este”, concluiu Luís Montenegro.

O governante esquivou-se a perguntas sobre as críticas do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ao seu executivo, realçando a atratividade de um país no qual efetuou uma série de reformas, incidindo no campo das novas tecnologias, na retenção de talento jovem ou na valorização do trabalho. “[Portugal é] um país onde vale a pena acreditar“, afirmou Montenegro, destacando o interesse de várias câmaras de comércio estrangeiras em investir em Portugal.

Passos exige a Montenegro que esteja “à altura da tradição do PSD” e rejeita “aventuras” de criar novo partido