Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Nova dose semanal de sugestões com Maria Ramos Silva, o Bruno Vieira Amaral e o Pedro Bucher Mendes. Maria Ramos Silva, vamos começar por ti. Tens muita coisa para sugerir. Vamos embora.
Pois tenho. Vou ser muito chata essa semana.
O primeiro é um filme.
É um filme, sim. Aliás, trago dois filmes, mas vou começar pelo mais recente. Chama-se "Monsieur Aznavour", é realizado por Méhdi Idir.
Méhi.
Eu confesso que fui para este visionamento com algum pé atrás, porque esta coisa dos biopics, ainda por cima quando estás a falar de figuras muito conhecidas, muito emblemáticas, neste caso ainda por cima da canção. Mas foi uma agradável surpresa. Acho que a história, deixando sempre, naturalmente, alguma coisa de fora, traça ali um retrato muito impactante daquilo que foram as origens do Charles Aznavour, que era um filho de refugiados de origem arménia. E é curioso também, falarmos deste contexto hoje, como é que o filho de refugiados que passou por tudo e mais alguma coisa. Ele chegou a ter que operar o nariz porque era feio, tinha voz de cana rachada, era pobre, era baixo, chamavam-no de anão. Quer dizer, as coisas mais impensáveis que nós podíamos imaginar hoje, absolutamente canceláveis, e que se transforma numa absoluta bandeira, um ícone da cultura francesa, completamente rendida, em última instância, ao Aznavour. E é muito engraçado porque consegue acompanhar esses primeiros passos, mas depois também a sua estreia na música. Ali depois há uma dose também de casualidade, que é importante na vida, e de ousadia. E que a certa altura o seu parceiro musical não arrisca e isso faz toda a diferença entre um terminar os seus dias como pianista de hotel, sem despudor nenhum, e o outro a pisar os palcos mais importantes do mundo. Acho que essa nota também é muito curiosa. Portanto, "Monsieur Aznavour", para ver no cinema. Depois, trago um livro, "Os Políticos São Todos Iguais?", do jornalista Gustavo Sampaio. É muito engraçado, eu ainda não terminei de ler, mas quando comecei a ler isto, é muito à volta da questão do populismo. Há um estêncil muito curioso em Lisboa que é: "Não cites Fernando Pessoa em vão". Nós podíamos aplicar isto, sei lá, não cites Saramago em vão. Neste caso, não cites o populismo em vão, porque de facto, de repente, muitos de nós andamos com o populismo na boca e acabamos por perceber aqui um bocadinho as fronteiras e o que é que isto é na verdade, estas nuances, onde é que as coisas começam e acabam. E ele apanha este caldo cultural, digamos assim, para perceber se, de facto, estes políticos são todos iguais, que neste título não tem ponto de interrogação. É obviamente uma provocação. Mas para concluir que não são, e que nós às vezes caímos no erro de achar que são, fruto também muito de um contexto relativamente recente, que ele recorda e que enquadra, e que vai desde os primeiros passos do Chega em Portugal. Mas não só, há aqui uma série de outros dados muito interessantes que de alguma forma eu acho que vão daqui por uns tempos fazer-nos olhar para trás por estes últimos 10 anos de uma forma muito curiosa. Isto é uma edição, deixa-me só dizer, de manuscrito.
Muito bem, e ainda tens Michael Curtiz da Cinemateca.
Sim, mais cinema. Para quem estiver em Lisboa, este passa hoje à noite às 21h30, salvo erro. O Michael Curtiz, que é um senhor mais conhecido por nos ter dado clássicos como o "Casablanca", mas também realizou filmes de propaganda numa altura em que era normal, isto não aconteceu só com ele, com outros realizadores de Hollywood. E este título em particular, o "Mission to Moscow", que é de 43, é um dos títulos mais conhecidos dessa fase, é uma encomenda do Roosevelt. Ele é baseado num livro e basicamente apanha ali a boleia de uma fase da Segunda Guerra, em que os Estados Unidos e a União Soviética têm ali uma relação de algum entendimento, amizade indireta e, portanto, o filme até chega a ser acusado de ser extremamente pró-soviético. E é uma bela fita também para rever com o Walter Huston, o pai do John Huston, avô da Anjelica e por aí fora.
Muito bem. Só uma dica aqui do meu lado, o disco "Romeu das Furnas", do açoriano Romeu Bairros, cantor e compositor, que teve a Bé Fachada como produtora do disco. Ele acaba por revelar-se o parceiro perfeito para tudo isto, que está um conjunto de canções muito de tradição açoriana, mas também indie pop para quem gosta do género, com muito carisma, letras que davam belíssimas T-shirts, fica aqui a ideia. Ouçam o disco e, já agora aproveitem, um bocadinho de publicidade, leiam a entrevista que publicámos há dias em observador.pt, que vale a pena. Pedro Bucher Mendes, tu tens três exposições para sugerir ao povo. Loucura.
Sim, as pessoas em Portugal são mais ou menos obcecadas com a chuva, detestam chuva. Salvo se fores agricultor. Três exposições.
Ou se tiveres um campo de golfe.
Três exposições na cidade de Lisboa. A primeira ali no Restelo, no CCB, enfim, Belém, no CCB. "31 Women: An Exhibition by Peggy Guggenheim". Peggy Guggenheim é aquela senhora cujo pai morreu no Titanic.
E está apresentada.
Não, era uma colecionadora boémia. A coleção dela está em Veneza agora, The Peggy Guggenheim Collection, não sei como é que se chama. É uma das atrações da cidade de Veneza, já lá estive e recomendo. Enfim, não Veneza, mas recomendo esta. E é curioso, porque são 31 mulheres escolhidas pela Peggy Guggenheim, enfim, se fosse viva, claro, incluindo a nossa Vieira da Silva, mas também a Frida Kahlo, por exemplo. Eu acho que vale bem a pena. O CCB, aquele museu novo de arte contemporânea.
MAC CCB.
MAC CCB está bastante bem engendrado, gosto bastante e é um sítio extremamente agradável, para usar uma expressão contemporânea.
Toma!
No MUDE, que também é um edifício magnífico na Rua Augusta, próximo daquele arco, abriu por estes dias "Portugal Pop". Eu creio que foi na semana passada. A moda portuguesa, os últimos 50 anos da moda portuguesa. Eu acho que é engraçado para nós que somos mais velhos, levamos com a cassete da moda portuguesa: "A moda portuguesa, todos os anos a Moda Lisboa, o Portugal Fashion", essas coisas. E é interessante ver, porque esta exposição tem também fatos do António de variações e tem criações da Joana Vasconcelos. No fundo, tecido, fabric, vestimentas de criadores portugueses, estilistas, entre os quais muitos daqueles que nós ouvimos falar ao longo dos anos e que achamos que íamos ter uma moda portuguesa e depois se calhar nunca chegamos a ter, porque depois dizíamos, pelo menos nós dizíamos no café: "Onde é que isto se compra nas lojas?" Essa conversa é uma conversa antiga, não sei se ainda decorre, mas são cerca de 140 coordenados, como eles dizem no press release, portanto, são fatos, não sei, ou conjuntos de roupa. Conto lá ir. Gosto muito do MUDE, sobretudo do último andar, acho que tem uma ótima vista sobre Lisboa e sentimos lá o lado europeu da cidade, coisa que os americanos não têm.
Porque não são europeus.
Vai saber.
Porque é uma nação mais recente, óbvio.
Exatamente. Finalmente, na Bookholes, também abriu a semana passada, ou inaugurou a semana passada, uma exposição que eu acho que é uma ótima ideia, uma autobibliografia de Herberto Hélder, por ocasião do décimo aniversário da morte do poeta. Este é um poeta francamente bom, uma figura um pouco misteriosa. Isto é um acervo de primeiras edições e edições raras do poeta, além de outras coisas. Portanto, pessoalmente eu gosto muito de ver livros antigos e conto lá ir. Primeiras edições, cartas do Herberto Hélder. Curiosamente, é um acervo reunido por um colecionador que remains anonymous, que prefere manter anônimo. Eu acho imensa graça a essas coisas.
Isso ainda torna isto mais interessante.
E interrogo-me: por que esta pessoa, homem ou mulher, não sei, se quer manter anônima? Qual é o problema de ter um acervo?
Aliás, em princípio, seria o contrário.
Pois, não sei. Ainda bem que ali estou este acervo, que inclui também correspondência do autor com a Sophia de Mello Breyner ou com o Eduardo Lourenço. À Bookholes, ali na Duque de Palmela.
Exatamente.
Perto do Marquês de Pombal, está aberta de segunda a sábado, sábado só de manhã, passem lá. Aproveitem para comprar o meu livro. Não, perdão. Aproveitem para comprar um livro, queria eu dizer.
Ou o do Bruno Vera Amaral. Atenção. Maria, nós ficamos de fora.
E é isto.
Muito bem. Bruno, um documentário e um livro, mas com um pouco mais de história. Vamos embora. Começamos por Boston.
Sim, por um documentário sobre os Boston Celtics, que são uma instituição.
Quero muito ver isto, vale a pena?
Vale a pena.
Não é que eu perceba alguma coisa de basquete.
Mas pois, isso é que eu estava a ler. Algumas apresentações da série em diversos órgãos de comunicação e aquelas que se limitavam quase a reproduzir o que imagino que fosse o press release da HBO, da Max, peço desculpa, diziam para os fãs de basquetebol. Ora, acho que é um erro estar a vender este documentário para os fãs de basquetebol. Claro que as primeiras pessoas a reparar serão os fãs de basquetebol.
Óbvio.
Mas o documentário é tão bem feito e traz tanta informação, não só sobre a equipa de basquete e toda a sua história e as figuras relevantes, mas também sobre a cidade e um pouco também sobre a sociedade dos Estados Unidos, que vai muito para lá daquilo que acontece e dos títulos.
Larry Bird.
Do Larry Bird, do Bill Russell, do Red Auerbach, que é uma das personagens daquela série sobre os Lakers, porque os Celtics foram sempre os grandes rivais. Portanto, eu acho que vale muito a pena. E na semana passada falávamos da questão do tema e da qualidade técnica. Eu não sou um grande fã nem da NBA, nem de basquete, mas adorei, por exemplo, o Last Dance, que é um documentário extraordinário. E este eu acho que, aliás, partilham uns produtores, dois produtores, pelo menos, desta série já foram produtores da série do Last Dance, e aí não tens de gostar de basquete e nem interessar-te por basquete, nem saber muito.
Tens que gostar de uma boa história.
Não, porque é uma boa história que vai muito para além da questão, isto não é a transmissão de um jogo de basquete, atenção. Portanto, eu acho que vale muito a pena. Os episódios estão a sair um por semana e creio que estão disponíveis neste momento quatro e recomendo bastante.
Atenção que ainda queres falar de Camilo Castelo Branco.
Muito rapidamente. Há uma semana e pouco assinalaram-se os 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco. Muitas pessoas aproveitaram o momento para lamentar que em Portugal ainda se continue a pensar aos pares e sempre que se fala do Camilo, fala-se do Eça. Quem me dera que houvesse mais rivalidades dessas para promover. É ótimo nós podermos comparar estes dois gigantes e termos a nossa preferência e até gostarmos dos dois ou gostarmos de algumas coisas de um e de outras coisas de outro. Quem me dera que fosse assim, quase em tudo que fizéssemos, que conseguíssemos fazer, de tudo, um Benfica-Sporting, um dérbi. Era ótimo, por exemplo, Marco Paulo, Roberto Leal, como foi, José Cid, Madonna. E tudo isso são formas de promover a cultura. É pena não termos mais duplas que possamos pôr de um lado e do outro com os respectivos adeptos, como podemos fazer com o Camilo Castelo Branco e com Eça de Queiroz, que, goste-se ou não, são de facto as duas figuras cimeiras da literatura portuguesa do século XIX, eu quase diria, do século XIX em diante. Vou recomendar um livro. Gosto muito d'A Queda de um Anjo. Fiquei um bocadinho traumatizado na escola com O Amor de Perdição, portanto vou recomendar O Retrato de Ricardina, que é mais uma tragédia com amores proibidos, amores quase impossíveis.
Como se quer.
E tem uma coisa, deixe-me só recomendar isto, tem um dos melhores maus da história da literatura portuguesa, que é o Abade de Espinho, e tem um dos melhores bons, que é uma personagem, que é o Norberto Calvo, que são personagens desenhadas de uma maneira fantástica por Camilo Castelo Branco.
Muito bem, sugestões entregues. Siga-nos na sua plataforma de podcast favorita para não perder nenhum episódio. Voltamos na quinta-feira para mais um "PopUp". Até lá.