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Sejam muito bem-vindos a mais um "Pop-Up", o vosso guia iluminado neste labirinto que é a cultura popular. Como sempre, com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Bucher Mendes, informadíssimos sobre o que se passa neste universo e conhecedores também daquilo que aconteceu antes de chegarmos aqui. E é sobre isso que vamos falar esta semana, neste programa que é especialmente dedicado a 1985. Para os mais distraídos, fica a informação: 1985 foi há 40 anos. E neste início de 2025, vamos regressar a este que foi um dos anos que definiu a pop como a conhecemos hoje, para percebermos o que envelheceu bem, o que envelheceu mal, eventualmente o que não envelheceu de todo. Maria Ramos Silva, você que não envelhece, vamos começar por ti. Vamos começar por um clássico, pelo menos para a nossa geração. Eu quero saber o que você acha disto: MacGyver. A série estreou-se em 1985. Eu não tenho ideia de, em Portugal, em que ano é que estreou. O Bruno está aqui a fazer sinais, eu não estou a perceber o que é que ele está a dizer.
Em Portugal estreou em 1989 ou 90.
Pronto, mas é um original de 1985. Eu queria obviamente deixar esta ressalva, porque eu lembro-me de ver isto e não foi em 1985. É um bocadinho mais tarde.
Acho que ocupou o lugar do Justiceiro, do Knight Rider, do domingo.
Ao final da tarde de domingo, que era às 19:00, se não me engano.
Até Cavaco Silva via MacGyver.
A sério?
Ele uma vez confessou publicamente que era fã.
Será que ele também tinha um canivete suíço?
Eu acho que boa parte do país ia ver o MacGyver.
Eu via. Eu via e levava os bolsos carregados de coisas para a escola no dia a seguir.
A sério?
Para fazer truques?
Para fazer bombas e para salvar o mundo.
Desculpa, Maria, eles nunca deram a receita certa para fazer bombas precisamente por causa disso.
Para não se fazer bombas.
Daí que ele resolvia tudo com aqueles papelinhos da pastilha elástica, porque era impossível.
Ou seja, aquelas misturas de química, não sei o quê. Precisava de detergente, às vezes.
Aquilo tinha rótulos.
Pronto, mas nunca era exato para as pessoas em casa não mimetizarem.
Bem-visto.
E chegaram a fazer artigos, eu penso, eu calculo que eles também tivessem uma espécie de consultor técnico para estas coisas mais especializadas.
Esperamos nós.
Mas há não muitos anos, eu recordo-me de ler artigos em que iam falar mesmo com um físico, um químico, e perguntavam se aquilo tinha algum cabimento. Eles diziam: "Não, a maior parte das coisas são bastante sensatas e é quase tudo aplicável. Portanto, não pensem que são coisas assim mesmo esbratadas".
Estreou a 24 de setembro de 1989.
Em Portugal?
Em Portugal.
Muito bem.
Eu lembrar-me-ia mais dessa fase, seguramente. Depois, uns anos mais tarde, eu achava o Richard Dean Anderson, que é o protagonista, um Sting com um canivete suíço.
Vamos melhor explicar o que era o MacGyver.
Podemos explicar para quem não conhece.
Sim, aquilo basicamente era uma série. Teve imensas temporadas, não teve?
Umas sete, para aí.
Sim, era assim uma coisa. Ele era uma espécie de agente secreto, trabalhava para uma agência.
Ninguém sabia muito bem para quem.
Aqueles MacGuffins.
Sim, era tudo marca branca. No fundo, era sempre tudo meio marca branca.
E tinha um chefe que era o ator Daniel Carnby, que estava a perder a visão, estava a ficar cego, e ele estava mesmo a ficar cego na vida real. E havia aquele, o Jack Dalton.
Era o aviador?
Era o amigo. E havia o grande inimigo, que era o Murdoch.
O Murdoch. Era o nêmesis.
Era um simpaticão que usava mullet, o bigode.
Exatamente.
Naquela altura.
Canadiano.
Exatamente. Richard Dean Anderson.
E de vez em quando via-se assim em apuros.
Ele era um fixer.
Ele resolvia.
E depois ele arranjava forma, recorrendo aos objetos, aos produtos e aos artigos mais corriqueiros, de sair, sei lá, estava preso não sei onde, o carro não andava, havia ovos. Eu lembro-me que havia uma coisa que se puxavam ovos.
Não usava armas, eu acho que a ideia era safar da situação.
Mas sabes o que é mais engraçado? Que usava o seu famoso canivete suíço. Canivete suíço esse que foi, como deduzem, inventado por um país normalmente neutro, mas que tinha um exército e que inventou o canivete para o seu exército, que se tornou muito popular com o MacGyver e que julgo que se vendia muito nas free shops dos aeroportos, e que depois morreu no pós-11 de Setembro, quando deixou de ser possível viajar com umas faquinhas no bolso. Aquilo de repente não era só o palito e aquelas coisas mais defensivas.
E a pergunta: envelheceu mal ou envelheceu bem?
Eu não voltei a ver o MacGyver, ao contrário de alguns conteúdos. Acredito que nós olhemos sempre com aquela simpatia de "foi divertido".
Tem um lado emocional, uma afetividade.
Sim, mas se calhar, lá está, fintando aqui um pouco as virtudes técnicas e estéticas daquilo. Se calhar, se nos focarmos nesse lado mais pedagógico, complementolúdico, talvez não choque ver. Não sei se algum de vocês fez esse exercício de voltar a ver nos últimos anos.
Eu vi alguns na RTP Memória, creio, uns pedaços, e senti que envelheceu bastante mal. Não sei.
Teve uma sequela com um jovem, há relativamente pouco tempo.
Sim, há pouco tempo. Se calhar até O Justiceiro envelheceu pior.
Talvez.
Eu vi alguns episódios também na RTP Memória há uns anos e acho que envelheceu pior, mas vê-se uma grande diferença para os conteúdos televisivos, séries que eram feitas nos anos 80, tinham uma lógica totalmente diferente do que é feito agora. Mesmo séries que são comparáveis, não estou a falar dos grandes, já clássicos modernos "Os Sopranos", mas aquelas séries de investigação naval e essas coisas do gênero. Ou no Havaí. Que são mais parecidos, a lógica dos episódios é mais semelhante. Mesmo aí há uma grande diferença. Deixa-me só dizer que no "MacGyver" também é das primeiras vezes que aparece, se revelou a Terry Hatcher.
É verdade.
De "Quando te Encontro na Moradia".
Uma das poucas séries dos anos 80 que envelheceu bem foi o "Hill Street Blues", a balada deles.
Já que estás aqui, Pedro, a bola a seguir é para ti, porque também é televisão, o tema são séries. "Modelo e Detetive" é de 1985.
Sim, envelheceu muito mal.
É só isso que tens a dizer, portanto, sobre a "Modelo e Detetive"?
A série derivou para uma espécie de coisa meia doida, meia cómica. Não sei se se lembra. Meia cómica não, meia absurda.
Sim.
Porque os atores não se davam bem, aliás, davam-se bastante mal, e depois o Bruce Willis já estava a fazer filmes e coisas do gênero, e não tinha tempo para gravar, então as últimas temporadas são meias doidas. Mas eu sempre achei, e ainda acho, uma série bastante overrated, sobrevalorizada. Faz parte da memória afetiva, mas sempre a achei bastante sobrevalorizada. Deixa-me só dizer que a pegada do "MacGyver", apesar de não ser intrínseca à série, a série tem uma característica engraçada, tal como "Star Trek", que é o nome do meio do protagonista, que é o James T. Kirk. T é de Tibério, Tiberius. E o MacGyver chama-se Angus, o primeiro nome dele.
É?
No fundo, tem nome de bife. Isso é um trivia que podem usar.
O Angus MacGyver.
Exatamente. Mas deixa-me só dizer que a pegada ainda hoje é visível em alguns países. Eu investiguei isto por causa do livro dos anos 80. Em alguns países, a palavra MacGyver serve para improviso. E o nome daquela fita.
Como se tivesse a dizer: "Estás a fazer uma MacGyverice".
Exatamente. Aquela fita tipo fita-cola americana, aquela preta, chama-se MacGyver em alguns países nórdicos.
Ele fez uma fralda com isso, acho eu, pra criança.
Muito bom. Bruno Vera Amaral, também TV, agora aqui do lado, mas TV portuguesa.
TV portuguesa. Eu quis olhar para aquilo que estávamos a ver na altura, e que éramos quase obrigados a ver, porque só havia dois canais. E fui ver qual era a novela, porque na altura já vivíamos sob a ditadura, e agradável ditadura das telenovelas.
A ditadura consentida.
É verdade, e desejada até. E a sucessora era a novela. Já não me lembrava desta novela.
A sucessora? Nem eu.
A sucessora, que é uma novela com o Rubens de Falco. Aí, Pedro.
Grande nome.
Um ator extraordinário, com umas feições verdadeiramente extraordinárias. Eu não me lembrava dessa telenovela, mas lembrava-me uma das primeiras que me lembro mais ou menos bem. Foi a novela que veio a seguir, que é o "Louco Amor", com o Lauro Corona, creio que tinha o Mauro Mendonça. E eu lembro-me muito bem de um dos episódios da telenovela.
Não morreu de sida o Lauro Corona? Acho que sim.
Morreu em 1989. Que na altura ele era uma das grandes estrelas.
Era um galãzito.
Era, o Lauro Corona era um supergalã, era dos rostos da Globo, era dos que recebia mais cartas. E também foi um sucesso em Portugal, o "Louco Amor". E no início do ano estava a passar o "Chuva na Areia". Provavelmente estreou ainda em 1984. Mas é em 1985-
É que faz carreira.
Faz carreira e tem aquele episódio talvez mais marcante da história das telenovelas portuguesas, que é o episódio do canício. O ator era o Nuno Melo?
Era o Nuno Melo, sim.
Nuno Melo, que fazia de canício.
A novela escrita pelo Stál Monteio.
Pelo Stál Monteiro. Isso é outra questão. A primeira telenovela escrita pelo Francisco Nicholson.
Sim. E pelo Nicóla Villa Faia.
O Villa Faia. Mas aqui era uma ideia original do Stál Monteiro, que era um dramaturgo dos da altura, dos dramaturgos contemporâneos, talvez fosse o nome mais conhecido, e que entrou aqui pela teledramaturgia. Já não me recordo se foi um sucesso ao nível-
Foi um flop.
Mas para a geração, para quem ainda se lembra dessa novela, foi uma novela marcante, sobretudo pela história do canício, que era uma história um pouco ali nos limites do que se poderia mostrar em televisão.
Sim.
Sim, porque as pessoas estavam habituadas à Villa Faia e às origens, que foi a segunda, e este rompe um pouco com o naturalismo da novela, aqueles ambientes urbanos e de vermos a casa das pessoas. Era uma novela carregada dramaticamente, com grande investimento da RTP. Eu acho que fizeram em uma cidade cenográfica, em Troia ou num sítio qualquer, não me lembro bem, mas foi um verdadeiro flop. Eu odiei enquanto miúdo.
Pois, eu tenho a impressão, pelo menos a recordação que tenho, é que as pessoas não gostavam muito dessa novela, mas depois toda a gente falava do célebre acidente do canício.
Não foi um acidente. Foi um ato voluntário, acho.
Acho que sim. Mas quer dizer, ter uma cena de castração numa novela era uma coisa de Nelson Rodrigues.
É complexo.
Não era propriamente habitual. Mas sim, havia muito interesse da minha parte em ver o que se estava a ver nesta altura na televisão portuguesa. Tinha aqui este pormenor. Os filmes. Passava muito cinema na televisão portuguesa. Agora existem os canais de filmes, de cinema, mas antes não havia. E a nossa formação cinematográfica era muito feita da quantidade de filmes que passavam. E também encontrei aqui, não só a "Fúria do Herói", o Rambo a passar numa quarta-feira à noite, mas, por exemplo, às terças-feiras havia séries e uma das séries que me lembro de passar nesta altura, e confirmei, é "O Homem Invisível", inspirado no livro do H. G. Wells. Estava a passar nesta altura, era uma produção britânica. E houve outra série que também encontrei aqui, já não me lembrava, provavelmente tu lembras, que é "O Corpo Humano".
Parece-me. Eu lembro-me muito disso.
Muitos episódios. "O Corpo Humano" era algo didático, passava às terças-feiras à noite e depois recordei-me, porque aquilo começava com cenas do quotidiano, era uma imagem de uma família do quotidiano, e depois entrava na explicação sobre questões de saúde, o corpo humano. E também marcou esse período, porque aquilo durou mais de seis meses. É para mostrar também como era diferente a televisão, o amor em Portugal.
Em 1985.
Em 1985, que é o ano em que Portugal adere à CEE. Deixa-me só dizer que é o ano do "Monstro da Lagoa Negra". Foi projetado na RTP e houve uma enorme campanha para toda a gente comprar óculos 3D.
Os óculos 3D.
Houve mesmo uma campanha brutal. Acho que foram vendidos mais de um milhão de óculos, par de óculos, que é uma expressão curiosa. E é o ano em que Carlos Miguel, o Fininho, é substituído no "2 3". Deixa de ser o humorista. As pessoas acham que ele foi sempre ele, mas não, foi substituído pelo Elton John.
Maria Ramos Silva, também ainda na televisão portuguesa. Este é o ano da estreia de "Duarte e Companhia".
Sim, nós já falámos aqui várias vezes. O que acho mais curioso, pegando aqui nestas memórias do Bruno, em parte também são as minhas, é, de facto, por um lado, essa ditadura da pouca escolha. E por outro, o baixíssimo orçamento que eu acredito que estivesse por trás de produções como estas. Eu recordo-me que uma das personagens, também muito famosa pelo seu mullet, porque isto na altura vingava, era o Rocha, que era um carpinteiro, que eles acho que foram buscar à RTP. Ele não era ator, foi arranjado para meter ali às três pancadas e de repente transforma-se numa das personagens mais icónicas. E depois também acho que, de alguma forma, apanha ali uma boleia, que depois se junta, antes talvez o Zé Gato, depois os Homens da Segurança, também do Tozé Martinho e do Nico Aubrainer.
O mesmo criador do Zé Gato.
Exatamente.
É da tua terra, Maria.
É, já falámos sobre isso. Mas apanha ali uma certa onda que, por um lado, daquelas duplas trapalhonas, porque aquilo é um bocadinho comédia de desastres.
Sim.
Eles são uns tipos um pouco desleixados, mas também ao mesmo tempo dá a ideia de que de repente há crime em Portugal para resolver, mas que ao mesmo tempo se resolve com umas senhoras a darem umas bem galadas, umas malas na cabeça.
Atenção que é uma série feminista à valer.
A Joaninha.
A Joaninha e a mulher do Duarte. São tudo mulheres.
Arrumavam qualquer um.
Cuidado com isso. A sogra do Duarte.
E o carro do Duarte Companhia, que toda a gente julga que é o dois cavalos, e é, mas começou por ser um Mini branco. É só ficar a informação.
Toma! Sempre a estragar os nossos-
Depois era o Carnado.
Exato. Pedro Mexia Mendes, ainda temos aqui um bocadinho antes do intervalo. Muito pop foi também a abertura do Centro Comercial Amoreiras.
Sim, o Centro Comercial Amoreiras.
Em Lisboa, já agora.
Para mim é um dos acontecimentos principais da década de 80 em Portugal, com todas as implicações que teve. Para se ter uma ideia, foi como se tivesse aberto um free shop no meio de Portugal. As pessoas que conheciam free shops. É uma obra, pessoalmente eu gosto imenso do empreendimento, mas não tem nada a ver com nada a que estivéssemos habituados na cidade de Lisboa, nem hoje. A abertura do Amoreiras foi abraçada, foi aliás caracterizada com algum ceticismo pela imprensa, pelos jornalistas de texto. Catedral do consumo, aquelas coisas. As pessoas começaram por ir passear, mas depois já nesse Natal, o primeiro Natal das Amoreiras, que é o Natal de 85, já Cavaco Silva era primeiro-ministro, descem três Pais Natais de helicóptero. E as pessoas começam a perceber, em Lisboa, começa-se a perceber que aquilo, de facto, é como as coisas que havia lá fora.
Exato.
E, portanto, de alguma forma, o Centro Comercial Amoreiras é a primeira pedra do edifício da chamada modernidade portuguesa. Se acharmos que ser um país como os outros de lá de fora é um exemplo de modernidade, que eu pessoalmente acho, mas há quem não ache. E é a primeira materialização de um espírito capitalista que chega a Portugal a seguir à revolução e ao Verão Quente e a todos os anos difíceis do início dos anos 80. 1985 também é o ano em que abre o Platô, que se junta ao que já existentes Frágil e Bananas, mas o Platô também é a primeira pedra de uma noite diferente, que depois terá o seu auge no início da década de 90, com o chamado Liquid Gold. E que é uma música dos Nirvana, também no "Unplugged".
Não estava à espera.
Isso já foi depois.
Não estava nada à espera desta.
Só para baralhar um bocadinho.
Mas o teu contributo é sempre importantíssimo, Bruno.
Mas as Amoreiras não passaram de moda, deixa-me dizer.
Continuam. E continua a sobreviver um dos primeiros restaurantes que ainda lá está, que é o Garden Burger, que fez parte da minha infância e continua até hoje a ser absolutamente obrigatório.
Mas houve uma altura de reinvenção.
Ouve-se com o Colombo.
Exatamente.
Em 97. E agora é um bocadinho diferente do que era, mas as pessoas iam passear às Amoreiras, havia excursões, pessoas que vinham do Algarve, do Alentejo e do norte de Coimbra, que vinham de autocarro, em vez de irem à Torre Belém, vinham às Amoreiras.
À catedral do consumo.
Sim, exatamente.
Final da primeira parte do "Pop Up". Voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "Pop Up" com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Buchinho Mendes. Esta semana estamos a fazer contas aos 40 anos que nos separam de 1985. Mas antes de continuarmos, vamos lançar as sugestões da semana. Maria Ramos Silva, temos vários livros agora. Sim, senhor. Tu queres falar de Thomas Bernhard?
Sim, eu trago também música. Mas já falo disso. É uma coisa muito rápida. Este é o "De roubar árvores: uma irritação". Olha, dava para aquele outro programa do Pedro, mas este é de 84 e deu muitas irritações, sobretudo para quem leu, porque houve um compositor que na altura se identificou com uma das personagens descritas pelo Thomas Bernhard. E aquilo foi uma grande chatice, porque depois queria processá-lo, e depois ele retirou os livros, e depois não sei o quê, e depois não queria que eles fossem publicados. Enfim, pronto. Ele está cá com a edição da Documenta nesta reedição, portanto aproveitem que vale a pena. E depois, por fim, "Heavy Metal", que é um álbum do Cameron Winter, não tem nada a ver com heavy metal, é ótimo, as "choninhas" para estes janeiros de frio.
Olha, é um "choninhas" que andou aí despercebido, não é?
Mas é ótimo. De certa forma, parece uma versão atualizada do Rufus Wainwright.
Achas porreiro que nós usemos a palavra "choninhas" como qualquer descrição, como se fosse normal?
Será com CH ou com X?
É uma dúvida.
Com X é mais "choninha".
É mais forte. Acho que com X tens que fazer esse jeito.
É mais "choninha".
Pedro Buchinho Mendes, também livros. Queres falar de Jamília Pereira de Almeida?
Sim, o livro saiu aqui na borda do Natal. "Livre da doença", da Jamília Pereira de Almeida, que é uma das escritoras portuguesas mais fortes, que mais está a dar que falar, e justamente, creio eu.
E bem, como diria o Bruno Vieira Amaral.
Escritoras e escritores, não é apenas por ser uma mulher. Este livro é francamente interessante, porque é um livro fragmentário que mistura várias coisas. O pai da Jamília morreu durante o Covid e falava sempre à família de um livro que ele, pai, estava a escrever. E depois quando estavam a arrumar os papéis do pai, perceberam que ele nunca sequer o começou. É uma espécie de espectro ou fantasma que a Jamília traz aqui para este seu livro.
Desse livro.
Exatamente. E que liga com uma personagem que faz parte da infância dela, uma espécie de pessoa que não era parente, mas que tinha uma relação quase de parentesco, chamada Fidel, e ainda com uma própria doença que a Jamília teve. E o livro tem algumas produções de fotografias, algumas da infância e da família. E é francamente interessante porque à medida que vamos lendo, vamos entrando para a toca do coelho. É assim que vocês jovens dizem, não é?
Sim, nós jovens.
Mas é uma toca de coelho, além de ser francamente interessante e desafiante, também é confortável, porque também nos revemos em algumas, não vou dizer confissões, mas algumas constatações sobre o que são as pessoas e sobre o que nós somos. Eu acho que é um ótimo livro, que recomendo vivamente, "Livre da doença".
É sempre bom ver que Pedro Buchinho Mendes tem emoções e sentimentos. Bruno Vieira Amaral, já tu zero emoções. Temos aqui uma minissérie da Netflix que se chama "The Breakthrough: Cheira-me a Crime".
Pelo contrário. Só que a emoção desta vez é o conforto.
Ok.
Isto é, eu não sei se existe o conceito, mas eu vou chamar.
Vamos inventá-lo.
"Cozy viewing".
Muito bem.
Que é uma série nórdica.
É um cobertorzinho de televisão.
É, que é sueco, é sobre um crime. É uma série de ficção.
É crime, claro.
Mas sobre um crime real que aconteceu no início dos anos 2000, na Suécia, e que só foi resolvido uma década e meia depois, graças ao recurso a uma técnica genealógica, de análise genealógica.
Coisas lá deles.
Deles, coisas que essa malta inventa. E é aquilo que se espera de uma série nórdica.
Ok.
É contida, não tem muito espalhafato.
Tudo arrumado.
Tudo bem. A sensação mesmo é que estás a ver aquilo e sentes: "Que bom era viver neste mundo".
Gente civilizada.
"Que agradável, isto é porreiro". Mesmo que de vez em quando apareça um psicopata que mata duas pessoas. Porreiríssimo. Se eu quisesse viver num sítio, partilhar o mesmo país de um psicopata, seria naquele lugar, mas naquele lugar da série. Então é "The Breakthrough". São quatro episódios. Não cansa, não vão ficar: "Isto nunca mais anda aqui em ganhar". Não, quatro episódios, está despachado, arrumado, até à próxima, adeus, foi um prazer conhecer-vos. "The Breakthrough" está na Netflix. Recomendo.
Muito bem, esta semana estamos a fazer contas aos tais.
Viste em que língua?
Vi.
Em inglês?
Não, é em sueco. Tenho de ouvir os suecos a falar sueco.
Exato. Estamos a recordar 1985, o nosso exercício nostálgico da semana. O que é que envelheceu mal, o que é que envelheceu bem? Bruno Vieira Amaral, esta ficou da primeira parte, vamos a isto.
Bora lá.
Esta canção ganhou o Festival da Canção em 1985.
Adelaide Ferreira.
Adelaide Ferreira. Vamos lá ver uma coisa. Eu tinha sete anos e foi a primeira vez que eu quis esganar o júri, as pessoas que votavam
Ficaste a passar isso pela Adelaide Ferreira, acredite.
Dizia-se esganar.
Esgunar. Matar aquela gente toda, por quê? Porque este é o ano. É o ano em que ganha a Adelaide Ferreira, que eu devo dizer, a esta distância, com uma belíssima balada da autoria do Tó Zé Brito. Sem dúvida, muito bom, mas na altura eu, como miúdo, fiquei indignadíssimo.
Estou a sentir a indignação no ar.
Vamos lá ver. Este é o ano do "Meia de Conversa", do Nuno e Henrique, dos seus irmãos Feist, que era o preferido da pequenada. Para além disso, havia a música que sobrevive desse festival, que é o "Humbadá" do Jorge Fernando.
Jorge Fernando.
Curiosamente, nem ficaram em segundo. Em segundo ficou uma canção que eu ainda não fui ouvir, mas de uma senhora chamada Eduarda, que ficou em segundo lugar. Em terceiro ficou o Nuno e Henrique e em quarto ficou o Jorge Fernando com o "Humbadá", que era aquela canção que todos queríamos ver, todos não, menos os pequenos, queríamos ver no Festival da Eurovisão. A Adelaide Ferreira, não sei se o Pedro lembra-se que é desses tempos, mas a Adelaide Ferreira era conhecida por cantar-
"Baby Suicida"
..."Baby Suicida". De repente, aparece aqui. Isto é o equivalente ao caniço castrar-se. Em palco, completamente arranjada.
Sim.
Ela falava de qualquer coisa numa canção que era de vomitar, não é, Pedro?
Qual? O "Baby Suicida"?
Não é?
Sim.
"Eu quero vomitar". E depois aparece a dizer: "Penso em ti, eu sei, a chuva cai" e essas coisas. E foi uma transformação também da Adelaide Ferreira, com muita laca. E eu na altura detestei, era miúdo, detestei aquilo. Achei que tínhamos sido roubados.
E como é que é possível?
Eu, o Nuno Henrique e o Jorge Fernando.
Exato. Maria Ramos Silva: "Em 1985 nasce Cristiano Ronaldo", que curiosamente este ano completa 40 anos.
5 de fevereiro. Espero que estejam a preparar uma grande feature aqui no "Observador".
5 de fevereiro.
Uma edição especial.
Envelheceu mal ou envelheceu bem?
Lá está, eu acho que o Cristiano Ronaldo é um daqueles casos em que não envelheceu, portanto, essa questão nós não podemos-
É outra hipótese.
Nós estamos em negação.
A Maria percebe como é que se fazem estas coisas.
Não, para já, é um daqueles casos em que nós estamos aqui feitos.
Não vá o Ronaldo comprar a Rádio Observador.
Não, imagina.
Cristiano, se estás a ouvir-nos.
Eu tenho praticamente a idade do Cristiano Ronaldo e tenho a certeza que tive uma sorte imensa, porque imagina, eu vinha com um ídolo na cabeça, que vocês suspeitam qual seja, mas não tive a sorte de o ver jogar no seu período áureo. Mas depois tive a sorte, por exemplo, em 2004, na altura do Europeu em Portugal, consegui ver praticamente ao vivo todos os jogos e, portanto, vi o Ronaldo naquela fase absolutamente estelar, que depois foi sempre a crescer. E essa de facto ninguém me tira, e eu acho que é daquelas que nós levamos por pensar que tivemos a oportunidade de conviver com um tipo e com uma história assim, porque, sobretudo, é isso que me fascina. O Ronaldo, até pelas suas origens e por aquela história quase mitológica que a mãe já contou sobre o seu quase não nascimento. Parece que, para as pessoas que gostam ou não ligam tanto à ideia de destino, parece que tinha mesmo que vir fazer isto. Parece uma espécie de ungido que, de repente, tinha qualquer coisa para contar e para fazer. E passados estes anos todos, nós se calhar vamos estar a falar para o ano, fazer um programa sobre 86 e o Ronaldo continuar a jogar. Não sei, não faço ideia. Se calhar tudo isto continua muito atual.
É certamente, e digo isto sem qualquer ironia, um dos maiores portugueses de sempre, não tenho nenhuma dúvida. Enfim, se acharmos que ter feito, ser capaz de feitos globais.
Pensava que ias dizer: "Se achamos que uma madeirense é portuguesa".
Não, se achamos que ser capaz de fazer feitos que têm um impacto global é o indicador. Parece-me ser um indicador.
É, ele gosta da gama.
Sim, o Ronaldo de facto nasceu em 85, mas o Rui Namorinho também.
Ora, cá está. Muito bem.
Os portugueses têm muitos grandes jogadores.
Estás de cambalhotas.
Obviamente, o detalhe madeirense era uma piada. Vamos lá defender aqui o honra.
Uma piada tua.
Minha. Pedro Boucherie Mendes: "Esta canção envelheceu mal ou envelheceu bem?" Vamos ouvir. O que é que se passa?
Por falar em "Dunas", lembrei-me que-
Diz lá o que é que vais contar.
Não, lembrei-me que no Festival da Canção de 1985 concorreram os jovens Delfins.
É verdade.
Com a "Casa na Praia", que ficou em último. Lembrei-me por causa do "Dunas".
Acho que envelheceu bem.
Sim.
É uma canção.
Os homens não se querem bonitos.
Isto era um maxi single, acho eu, e depois é que era um álbum.
Certo.
É uma canção ou cantiga. Dizia-se mais cantiga.
Eu gosto muito da palavra cantiga.
É uma canção que nós achamos sempre que faz parte de um tempo, mas que não é desse.
Não. Exato.
"Ah, é dos anos 90". Não, não é dos anos 90.
Eu acho que faz parte do meu, de um determinado tempo e que não é 85.
Exatamente. Ou seja, a música está muito perto, por exemplo, do "Sê um GNR" e do "Portugal no CE", que são duas músicas pré-Rui Reininho. Está muito perto temporalmente. Eu acho uma das grandes músicas da pop portuguesa de sempre. Não sei se é a primeira, mas eu gosto muito do álbum que é a seguir, que é de 86, o "Psicopática".
86 ou 87?
86, acho eu. Mas sim, vê aí. Tem o "Ao Soldado Desconfiado"? É assim que se chama?
Não é? É "Desconfiado"?
Sim, acho que é. Que é a minha música favorita do GNR.
É uma grande canção. É de 86, tens razão. Era de 86 que estavas a dizer?
É, ele disse 86, Bruno.
Esta música eu acho que tem uma força, uma carga simbólica que poderia ter
A grande música portuguesa é a Casinha dos Chutos e Pontapés. É aquela música que toda a gente sabe. Mas eu acho que esta música tem uma poesia e tem uma musicalidade que toca muito mais emoções. É uma música emocionante e que eu acho que vai continuar a ser emocionante. Acho que talvez as próximas gerações também a vão escutar, talvez não interpretada nesta versão do Rui Reininho, talvez interpretada por outras pessoas, como a Beyoncé que venha a vir a Portugal.
Por exemplo.
Mas é um grande feito de uma das minhas bandas favoritas de sempre, o GNR.
Curiosamente, é uma canção que poderia ter outras versões, claramente. Só que as letras do Rui Reininho são muito dificilmente apropriáveis por outros cantores.
Verdade. Reta final do programa.
Deixa-me só dizer uma coisa.
Diz.
Vai ser polémico o que eu vou dizer, mas fica para comida para pensamento, food for thought. Que é: o Rui Reininho muda tanto as letras nos concertos, nos espetáculos, que já é irritante que ele não cante o original, para mim, pelo menos. Ou seja, ele brinca tanto com as palavras e tanto com as versões.
E aquilo que tu queres ouvir depois não acontece, às vezes.
Que eu não sei se alguma vez ao vivo ouvi a versão que quero ouvir.
Não foi polémico.
Não foi.
As duas mãos.
Mas se for polémico, foi ideia do Tiago. O Tiago é que me pediu pra dizer isso.
Exato.
Vamos lá.
Vou apelar agora à vossa capacidade de síntese nos próximos tópicos. Bruno, o que é que há de pop ou de cultura popular no acidente de comboio de Alcafache, que foi uma tragédia?
Foi a maior tragédia ferroviária em Portugal. Até hoje não se sabe bem ao certo o número de pessoas que perderam a vida. De início dizia-se entre 50, falou-se também em 300, estará a meio disso. Mas foi uma tragédia de um Portugal que se começava a modernizar. É o Portugal das Amoreiras, mas é também o Portugal deste acidente terrível no dia 11 de setembro.
Feriado municipal da Amadora.
E marcou o imaginário daquela geração pela dimensão da tragédia, por todas as imagens que vimos. Também foi muito televisionado, as imagens das composições a arder.
Foi erro romano. Foi erro humano.
Sim, eu agora percebi que era o Rui Romano.
Eu também ouvi Rui Romano.
Não, foi erro humano.
Sim. E o Ramalho Eanes esteve lá, o presidente da República na altura, estava há pouco tempo de deixar de ser presidente da República, mas esteve lá e foi muito marcante para o nosso imaginário coletivo. Eu estou a lembrar-me de um livro em que o acidente tem um papel relevante, que é o Postal de Detroit, do João Ricardo Pedro. Mas parece que não aparecem muito mais, quer obras de ficção, quer até documentários. Eu não sei se há algum bom documentário sobre esta tragédia, e eu acho que isso é também um exemplo da falta de reflexão histórica, da história recente.
Eu falo bastante disso no meu livro. E há uma outra tragédia de 85, desculpa, que eu acho que merece ser recordada, que é a explosão na Escola Secundária do Cartaxo.
Exato.
Uma explosão no mau, uma explosão de gás em que morreram pessoas. E a professora não morreu logo, mas teve uma história dramática. Enfim, merece ser recordado.
Muito bem. Três canções pra acabar. E vocês vão me dizer se envelheceram mal ou se envelheceram bem. Maria Ramos Silva, esta é a primeira e é pra ti. Também ouvi indie, muita alternativa. Just Like Honey, do primeiro álbum dos Jesus and Mary Chain. Psycho Candy, exatamente.
Tu escolheste isso quase em sintonia comigo, não é? De repente eu não sabia e tu tinhas escolhido aquilo que eu estava a pensar.
É sempre assim.
É shoegazing.
É você.
Repara, eu quando isto saiu estava a ouvir aquela música dos sapinhos do Paul McCartney. Não estava a ouvir isso, meus amigos. We All Stand Together. Não estava a ouvir nada do shoegaze, queria lá eu saber do shoegaze. Tudo aquilo que era pós-punk, de alguma forma, até chegarmos depois, em 87 aparece Nirvana, aparece Alice in Chains.
Sim, começa a outra curva.
Não em 87.
Não, eu estou a dizer. Até chegares lá, há aqui uma fornada.
Os Smiths, muito.
Eu sou mais de final de anos 70. Quando os Joy Division saem ali o Closer em 80, que depois há ali um derrapante que não me interessa tanto, mas depois apanho, continuo com os Smiths, com os Talking Heads e também não estou mal acompanhada.
Muito bem. Deixem-me só ver aqui a minha cábula. Já sei qual é. Esta agora é para o Pedro Boucher Mendes.
Este é o grande álbum do meados dos anos 80.
Grande guitarrão.
É o Brothers in Arms, dos Dire Straits. Devo dizer que eu odiava Dire Straits e tudo o que tivesse a ver com o Mark Knopfler.
Mas isso mudou?
Sim, e acho que este disco e estas músicas resistiram francamente bem ao tempo, o que é muito estranho. E eu, como sabes, sei tudo.
É verdade.
Não consigo explicar porque é que essas músicas resistiram tão bem.
A Maria também tem um lado fã de Mark Knopfler.
Eu sou fanzaça. Eu acho que na altura em que estava a ouvir o pós-punk, também não estava muito interessada no Mark Knopfler.
Exato.
Mas depois também arrumei ligeiramente o pós-punk e fui ouvir.
Este álbum é francamente bom.
É maravilhoso.
É bom.
Só fez isso.
Não, é bom, mas havia essa coisa, porque o Mark Knopfler tinha aquele ar de poucos estrela.
Podes dizer fuleiro.
Fuleiro era, mas não era. Não parecia uma estrela de rock.
Muito bem.
Não era velho, não era como nós.
Exato. Vamos ouvir a última cantiga. Bruno Vera Amaral.
Isto é que é bom. Carca, Post Punk.
Nós falamos disto há pouco tempo.
Também é muito top oito, 85.
Vamos repor a ordem. Então, 85 em Portugal, o que é? O que está a bombar no coração de todos os portugueses neste ano é "Still Loving You", que é de 84, mas que está há oito semanas no top.
É uma altura só de pinga-amor. Eu também falei disso ao Tiago.
O "Choro Lombéro", do Jim Diamond. E eu descobri aqui que a canção que esteve mais tempo no número um no top português foi o "You're My Heart, You're My Soul" dos Modern Talking. 13 semanas.
Tinha essa cassete.
Tivemos o "Tarzan Boy" dos Baltimora, que só deve ter chegado ao número um cá em Portugal. E esta acho que é das grandes más canções, de grandes sucessos, que é o "Nikita", do Elton John, de 1981, com aquele inesquecível videoclipe.
O Teledisco.
Essa miúda era gira.
Era, sim, senhora. E era inglesa.
Não chegava aos olhos da miúda. A miúda tinha um casacão de guarda russa.
Sim, ela estava ali no muro.
Na neve.
Era. Olha, deixa-me só dizer aqui uma coisa rapidamente pra acabar. 85 é o ano do golo do Carlos Manuel, do pontapé de Estugarda, que nos levou ao mundial, onde já não íamos desde 1966.
E correu bem.
O mundial correu bem, quer dizer, enquanto viveiro de histórias, sim. Desportivamente, não correu nada bem. Nos cinemas estavam os filmes como "Gelado de Limão". Lembram-se do "Gelado de Limão"?
Claro, houve vários.
E o "Gente Gira", que era "Os Apanhados".
Sim, "Miserável".
Exato.
E também é o ano do "Running Up That Hill" da Kate Bush.
Pois é.
Olha, cá está. Que teve agora.
Vou dizer em Portugal Kate Bush. A Kate Bush agora com os "Running Up That Hill".
Muito bem, com esta informação fundamental, senhores, aqui mais um PopUp. Voltamos na próxima semana. Até lá.