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Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", um caramelo açucarado da telefonia portuguesa dedicada às coisas da cultura popular. Esta semana temos alguns imprevistos no plantel. Acontece às melhores equipas. Não sei se já repararam, a Maria Ramos e Silva e o Bruno Vieira Amaral estão ausentes, não porque queiram, mas porque a vida tem dessas coisas. Conosco temos outra pessoa com três nomes, curiosamente, Joana Stickiny Vilela. Olá, Joana. Obrigado por estares conosco mais uma vez. Tu que vales por muitos. Fica já aqui o meu reconhecimento. E claro está, o nosso grande amigo em todas as ocasiões, também ele com três nomes. Pedro, eu sou o único nesta pequena empreitada que só tem dois nomes. Pedro Boucher Mendes.

Acho que essa afirmação não está errada.

Saudando a Joana e constatando que ela tem um nome monogramável. Ela devia ter uma mala, uma mala de carteiras, alguma coisa assim.

Se calhar tem.

É um nome altamente monogramável. JSV, não é?

JSV.

Por acaso não estava à espera dessa.

Nunca tinha pensado nisso. Mas nunca se sabe.

Mas é para isso que existem os

As tuas iniciais são monogramáveis. As minhas são de escritório de advogados.

Muito bem.

As tuas não são nada.

As minhas não são nada. Esta semana vamos dar por ordem na casa. Esta semana vamos viajar no tempo, a propósito dos 50 anos do 25 de Abril, vamos à procura da vida pop antes de 1974 na Boa Dica. Vamos esperar que o Pedro Boucher Mendes, que está à distância, pare de sair dos lençóis, ele está neste momento. Este é o primeiro de dois programas dedicados ao tema, ao aniversário redondo da revolução que nos deu a democracia. E neste vamos falar do pré 25 de Abril. Todas as semanas falamos de cultura popular, não sei se já tinham reparado. Mas o que vamos tentar saber aqui é que cultura popular, que tipo de cultura pop existia naquela época. Joana Stickiny Vilela, vamos começar por ti, tu que és grande especialista das coisas da memória e da cultura popular, e da cultura popular de outras décadas. Para quem não sabe, escreveste os livros LX 60, 70, 80, sabe Deus o que virá a seguir. Vamos deixar isto assim.

Ainda faltou o joga, que são os jogos, é para jogar com a nossa história.

LX joga. Cá estou eu a fazer pessimamente o meu trabalho de jornalista. Existia uma vida pop antes do 25 de Abril? Ponto de interrogação.

Pop como em popular? Sim, claro.

Exatamente.

Claro. Temos também de perceber, estamos a falar de quê? De Portugal? De Lisboa?

Não, eu gostava de falar de Portugal. Eu temo é que inevitavelmente vamos falar praticamente de Lisboa e não necessariamente porque queremos.

E não de Unhais da Serra.

Exatamente.

Sim, existia. Até porque existia o povo.

Exatamente.

E o popular vem daí. Existia, mas antes do 25 de Abril tínhamos, como se assinala nesta data, o fim de um regime autoritário e não democrático, em que existia uma coisa chamada censura. Censura e muitas vezes penas de prisão e cargas da polícia política.

Tudo o que estava associado.

Havia uma grande repressão. Toda a cultura, não era só a política, a cultura e mesmo a cultura popular, isto diferenciando de uma cultura erudita, se quisermos, tinha essa sombra. O que fazia com que, por um lado, houvesse coisas que eram censuradas depois de sair. Na censura havia censura prévia para os jornais e revistas, e uma censura que se fazia depois das coisas saírem para os livros, os discos, as peças de teatro.

Ou seja, essas coisas podiam ser retiradas das lojas ou de cena.

Sim, e às vezes até demorava, em relação aos livros, por exemplo, às vezes demorava anos. Em relação aos discos, eu tenho ideia que havia muitos discos, havia muita música em inglês, não sei se os censores tinham mais problemas com isso, mas talvez a censura não fosse tão apertada, mas acho que era apertada na mesma. Mas de qualquer forma, isto fazia com que além dessa censura oficial, houvesse também uma censura pessoal dos próprios autores.

Exato.

As pessoas estavam sempre a pensar: "Será que eu posso dizer isto?" Ou "como é que eu vou dizer isto de uma forma".

Evitavam à partida, muitas vezes.

Ou tentavam dizer de outra maneira. Nós não sabemos o que seria a cultura popular portuguesa se tivesse outro contexto, nessas décadas, mas isto é assim em todos os países. De qualquer forma, o 25 de Abril acontece em 1974 e se pensarmos no início da década de 70 e na década de 60, a década de 60, sobretudo, é uma década de muitas revoluções culturais no mundo todo. Aliás, a cultura popular como nós a conhecemos hoje, começa a surgir no final dos anos 50 e explode nos anos 60. O que chega cá são ecos. Até havia um conjunto que era os Ekos, com K.

Exatamente.

Um conjunto que era como se chamava às bandas na altura. E o que nos chegava eram esses ecos, e muito trazidos por pessoas que tinham mais dinheiro, porque eram pessoas que podiam ir ao estrangeiro.

Exato.

E a maior parte homens, porque para as mulheres também havia outro papel, sobretudo se fossem casadas, precisavam da autorização do marido para sair do país. Enfim, podemos depois falar sobre isso, mas havia Também essa diferença entre gêneros era muito marcada. Mas podemos dar alguns exemplos. Se quisermos falar do cançonetismo, numa forma mais popular, mas depois temos também o rock português, o iê-iê. Eu tenho ideia que o primeiro hit é do Zeca do Rock, que era o "Sansão foi enganado", se não me engano, e que sai em 1959. E depois nos anos 60, surge uma série de conjuntos, há concursos de iê-iê, tens, por exemplo, na moda, as minissaias. Está tudo associado. Surgem os Porfírios, começam a vender minissaias, as mulheres não podiam usar minissaias, quem usasse eram mulheres que eram muito mal vistas.

Deus nos livre.

E que ouviam muitos, nem te chamo de piropos, mas andar na rua seria complicado. E depois, por exemplo, nos livros também. Nós tendemos, hoje em dia, a pensar em cultura popular e pensar em pop rock, pensar em séries, em filmes e por aí fora. Mas a Amália Rodrigues fazia parte da cultura popular. O teatro de revista era cultura popular. E também havia outro tipo de teatro. Por exemplo, um exemplo muito interessante e que diz muito sobre o que era a censura em Portugal, é a guerra de 1900 e não sei quanto. É aquele monólogo do Raul Solnado, que ele faz a história da minha ida à guerra.

Sim, que vai à guerra e a guerra está fechada.

Está fechada. Ele chegou muito cedo e depois quando toca à porta da guerra, eles dizem: "Não, não é essa esta, não é essa guerra, deixa mais um bocadinho." Aquilo é uma crítica à guerra, mas que a censura não liga, não percebe.

É a guerra de 1908.

1908. Muito obrigada, Tiago. Sempre uma enciclopédia.

Eu não.

E ele faz aquilo em 1961, no Teatro Maria Vitória. A censura acha que não tem problema nenhum. E aquilo depois é editado, é um sucesso monumental. Aquilo é editado em disco.

Uma espasminha em cassete.

E é editado inicialmente em disco, até deve ser um dos pequenos, e vende. Portanto, isto é cultura popular, e muitas outras coisas. É a altura em que surge o primeiro supermercado, o primeiro centro comercial, e tudo isso chega agora, chega em doses mais reduzidas e sempre com essa sombra da censura. E podemos falar sempre de pequenos passos e pequenos inícios em todas as áreas. O cinema, o cinema novo, muito influenciado pela nouvelle vague francesa. "Os Verdes Anos" são uma crítica também. Mas sempre feito desta forma mais sinuosa e elitista, porque são pessoas que precisam, para conseguirem fazer estas coisas. Aliás, se pensarmos o número de alfabetização no país nessa altura, é estrondoso o número de analfabetos.

Claro.

Portanto, era uma pequeníssima elite que tinha acesso a esta cultura popular, que hoje, pelo contrário, uma das suas características é ser acessível a qualquer pessoa.

Exatamente. Pedro Bacharim Mendes, antes do programa, falávamos sobre esta questão da cultura pop antes de abril de 74, e uma das coisas que referiste logo, apesar de não ires ao cinema naquela altura, ainda, era o cinema. Mas por alguma razão, sabes mais sobre o cinema antes de 74 do que nós, é um tema que te fascina. Explica-nos.

O comportamento cultural das pessoas em Portugal, ou seja, vamos dizer que é sinônimo de tempo livre.

Sim.

Coisas que as pessoas faziam quando não tinham que trabalhar.

Exato.

É um tempo ainda sem telenovelas, antes do 25 de abril. A telenovela aparece em 1977 e é a partir daí que as pessoas começam a comprar televisor.

Pois é, o fato de não haver telenovelas não é um detalhe.

Não é, de todo, um detalhe, porque significa que a televisão, enquanto conversa coletiva, conversação coletiva da sociedade, não existia ainda da mesma maneira. Portanto, as pessoas, suponho eu, não chegavam ao escritório no dia a seguir e comentavam o que tinham visto na véspera. Quer dizer, salvo exceções, salvo a tal elite que tinha televisor em casa. As pessoas iam ao café também para ver televisão. Ou às sociedades recreativas, ou não sei o quê. Portanto, a vida pop era uma vida popular, ou vida de entretenimento, era uma vida muito mais fora de casa do que é hoje, porque as pessoas não tinham a maquinaria eletrônica e a tecnologia em casa para podermos passar o dia em casa a ver séries. Havia fenômenos que hoje não reconheceríamos. Por exemplo, esta coisa de ir ao cinema. Os cinemas eram enormes. Eu ainda fui ao Cinema São Jorge, ao Cinema Monumental, nas versões clássicas. E de fato, o Monumental, onde vi, creio que o "Indiana Jones", era mesmo muito grande. Hoje o cinema nem sequer existe.

Exato.

Mas era, de fato, muitíssimo grande, incomparável com qualquer coisa que possamos ter agora na cidade de Lisboa. As pessoas ouviam o "Quando o Telefone Toca" na rádio. E pediam discos. As pessoas ouviam os Parodiantes de Lisboa, que era uma trupe de comédia que havia ali à hora de almoço, creio eu.

E que depois continuou, depois do 25 de abril.

Sim, mas depois morreu, porque de fato fazia parte do passado.

Exato.

As pessoas com mais dinheiro e mais expediente e mais interesse iam a casas de fado, a dancings, era assim que se chamava uma espécie de restaurantes onde se dançava.

Se chamava dancings?

iam muito ao teatro de revista, que é uma das grandes instituições de cultura popular, eu não diria made in Portugal, mas quase, ou muito portuguesa e muito lisboeta, e ainda perdura. Iam a festas, a paradas, a bailes e, sobretudo, creio eu, e aí a Joana pode ajudar, porque ela de facto fez aqueles livros que são ótimos e altamente recomendáveis. Havia uma ideia diferente de passeio. As pessoas passeavam. Aliás, o programa Passeios Alegres do Jubi Ziro, que era de 82, a ideia do nome é precisamente o passeio no sentido Passeio dos Tristes. Ele fez o Passeio dos Alegres, porque supostamente o programa dele era mais animado. É esta a filosofia do nome, é este o segredo do nome. Portanto, a ideia de passeio, as pessoas vestiam-se ao domingo, portanto vestiam-se de uma forma diferente, vestiam-se melhor.

Exato.

E iam passear. Imagino eu que o homem da família visse pouco a família. Mas que ao domingo se passeasse no seu automóvel, se tivesse, claro, ou então iam passear no parque e aqueles clichês de pôr barquinhos de papel naqueles lagos dos parques. Essas coisas aconteciam e comprar bolacha americana. Nós vemos muito esse tipo de nostalgia e recordações em páginas do Facebook, por exemplo. Era de imaginar que esse fosse o lazer e fosse, no fundo, a vida pop que as pessoas tinham. Nós, em Portugal, ainda não tínhamos nem os meios, nem o dinheiro, nem a cultura, nem a dinâmica para viver aquilo que a Joana falou, que no fundo resultou na invenção da juventude nos anos 50, nos Estados Unidos, a Segunda Guerra. Os Estados Unidos venceram a guerra e havia um programa para que os veteranos militares, para que os soldados ingressassem na universidade, julgo que até era gratuitamente. Portanto, montes de jovens soldados que vieram da Europa para os Estados Unidos, regressaram, foram para a universidade nessa altura, e nasce assim uma espécie de juventude, que é a juventude tal qual a conhecemos hoje, a juventude em que as mulheres ou as miúdas compram batons e compram discos e ouvem Elvis Presley. Portugal não tinha esse tipo de riqueza, no sentido aqui de dinheiro, para poder ter uma juventude tão abrangente e portanto seria um exclusivo das cidades. Imagino eu que em Portalegre ou nas Algarves.

E dentro das cidades também de certos grupos.

Sim, evidentemente. É mais Avenidas Novas do que outra coisa qualquer. Portanto, imagine que no interior ou no Alentejo, ou na Beira Alta, ou no Douro interior, ou em Trás-os-Montes, fossem mais festas populares. E bailaricos, aquilo que nós dizemos um pouco, às vezes com alguma ironia, e fosse essa a pop dessas pessoas. Só dizer uma coisa, que o filme Verdes Anos foi um fracasso militar quando estreou.

Eu penso que foram quase todos fracassos de bilheteira, talvez até ao Cerco, com a Maria Cabral, do Cunha Telles.

Já agora, eu entro aqui nessa parte do cinema, porque esta era a parte em que o Bruno Vieira Amaral ia dizer coisas inteligentíssimas e que eu não vou conseguir reproduzir, mas posso dizer-vos que na semana do 25 de abril de 74 estavam em cartaz filmes como American Graffiti, Malteses, Burgueses e Às Vezes, de Artur Semedo, que é um ótimo título. O Jesus Cristo Superstar, Cantinflas às Ordens de Vosselência, escrevia-se Vosselência, só como palavra. O Ritual de Ingmar Bergman, o segundo filme da saga Dirty Harry, A Golpada, com o Paul Newman e o Robert Redford, e Eusébio, o Pantera Negra.

O cinema era muito barato. Eu ainda me lembro de ir ao cinema no princípio dos anos 80. Eu vi muitos filmes do Trinitá, que era um nome que já existia também antes de 74, e do Louis de Funès, um cómico francês, e do Urbi, aqueles filmes, não sei se vocês conhecem.

Do Carrossa.

Carrossa, exatamente.

E o Trinitá é um cowboy, para quem não está a acompanhar.

É esta a tua formação.

Mas era muito barato ir ao cinema. Era mesmo muito barato ir ao cinema, por comparação, obviamente. Era qualquer coisa a que se ia. Ir ao futebol também era muito barato, os miúdos não pagavam, bastava entrarem com um adulto que não pagavam, não havia cá lugares marcados e game boxes. Ia-se a esse tipo de espetáculos públicos com bastante facilidade.

Muito bem. Vamos só aqui, antes do intervalo, começar a lançar as sugestões da semana. Antes de mais, a sugestão do Bruno Vieira Amaral era What Jennifer Did, que é um documentário sobre o alegado plano maquiavélico de uma adolescente para matar os próprios pais. Eu achei que isto era tão sumarento que não quis deixar de fora.

Quem nunca pensou nisso?

Pode ser visto na Netflix. E eu acho muita piada, porque estou a falar deste tema como se tivesse uma fila para comprar pipocas e há uma adolescente que queira matar os pais. Joana Sikinnic Vilela, vamos ouvir-te. Ainda temos tempo, não muito, mas temos. Tu tens duas sugestões esta semana.

Tenho duas sugestões, sim. Uma série também, não sei se a sugestão do Bruno era um filme ou uma série.

É um documentário, é um filme.

É um documentário. Tenho uma série que está na HBO. Que é o "True Detective". Eu tinha visto a primeira temporada já há muitos anos. Depois disseram-me que a segunda era muito má e eu desisti da série, mas gostei muito da primeira. E quando vi esta temporada, que é a quarta. Quarta, sim?

Acho que sim. Ficaste muito contente?

Não fiquei. Pensei: "Não vou ver isto." E fui passando ao lado, sempre. Até que alguém me disse que valia a pena ver. Eu tenho uma espécie de regra que é: há tantas coisas para ver, que a não ser que uma série seja absolutamente genial, eu não passo da primeira temporada.

Ou então do primeiro episódio.

Ou do primeiro episódio.

Se eu vejo o primeiro episódio, se aquilo não...

Não insisto. Mas uma série que consegues ver até o fim da primeira temporada, raramente vou ver a segunda, a não ser que seja uma coisa de que eu goste mesmo muito. E pensei: "Não vou ver isto." Falaram bem, fui ver e gostei muito, não só porque tem aquele lado de te agarrar ao ecrã. Eu adormeço muito a ver televisão e ficar acordada até o fim e querer ver mais um episódio, que é uma coisa que já não me acontecia há muito tempo. Há duas protagonistas, mas a principal é a Jodie Foster. Eu tenho uma questão com a Jodie Foster, que é: a sensação que eu tenho é que ela está a fazer dela própria. E aqui não senti isso. Senti que ela deu mesmo corpo a uma personagem com alguns dos seus tiques, mas uma personagem interessante. E depois, o que me cativou mais na série foi o cenário. Aquilo passa-se numa vila que não existe, mas que é muito inspirada em vilas reais, em especial uma, no norte do Alasca. E é uma vila onde durante cerca de um mês por ano não há luz do dia. Portanto, eles vivem de noite, sempre. E mesmo isso é uma metáfora para toda a história.

E é um detalhe muito confuso, mas bem sacado.

Sim. Imagina a confusão: são 11:00 da manhã, é de noite, são 16:00 da tarde, é de noite. Mas isso dá um ambiente à série também sempre muito sombrio, e acaba por ser muito metafórico tudo aquilo, porque é aquela gente a tentar sobreviver e ultrapassar a noite da sua própria vida. E depois tem um tema muito atual, e eu lembro de falar contigo sobre esta série e tu dizeres: "Aquilo tem demasiado sobrenatural pra mim."

Sim, eu chamei bruxaria.

Sim, mas não querendo spoiler, chegando ao fim percebe-se que aquilo não tem tanto sobrenatural assim. Aquilo tem uma visão diferente sobre as coisas, que é a versão dos povos indígenas, portanto, naturais daquela zona, e a nossa visão de brancos muito ligados às coisas mensuráveis e que muitas vezes são um bocado barreiras. E portanto, existe esse lado de nos abrir a novos olhares sobre as coisas. Portanto, aquilo acaba por ter mais natural, se quisermos.

Deixa-me só interromper-te. Vamos guardar a tua segunda sugestão para a segunda parte.

Falei demais.

Nada disso, nunca, jamais. Vamos ter só que fazer uma pequena pausa. Final da primeira parte do "PopUp", voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "PopUp" esta semana com Joana Sicínio Villela e Pedro Bucharinho Mendes. Um grande xicoração para a Maria Ramos Silva e o Bruno Vieira Amaral, que não podem estar conosco esta semana. Antes de avançarmos, temos sugestões para completar. Joana, tu falaste na primeira parte do "True Detective", da quarta temporada e do quão estás a gostar, mas tens outra sugestão: música.

Música, sim. Gostei, vi até o fim, não desisti enquanto não vi até o fim. Música. O último álbum do Benjamim.

O último, não, o mais recente, esperemos nós.

Sim, o mais recente, o último que ele lançou agora recentemente. E que esperamos que seja apenas mais uma etapa de uma série, que se chama "Berlengas". E aí sim, tenho ouvido várias vezes.

Até porque é um álbum que se presta a isso, pra ouvir várias vezes.

Sim, é um álbum raro, porque além de ser um álbum muito longo, e é um álbum conceptual, como se costuma dizer, tu sentes mesmo que estás a fazer uma viagem. E eu gostei muito de duas coisas. Uma é: sinto que é um artista que não está sempre a apostar na mesma fórmula. Ele está a tentar explorar outros caminhos. E depois, o ambiente fez-me lembrar duas coisas que parecem contraditórias, mas que acabam por ser complementares. De início, eu começo a ouvir, acho que são dois instrumentais que eu gosto muito, e lembro-me do Cousteau. Tenho-me lembrado muito do Cousteau, não sei por quê. Também vi na televisão. Lembro-me do Cousteau e daquelas aventuras e daquilo que nós sentíamos quando estávamos às vezes a começar a ver qualquer coisa do outro lado do mundo ou do fundo do mar, que era inacessível, uma grande aventura, e uma espécie de olhar do passado para o futuro. E depois o inverso, porque depois aquilo faz-me lembrar também um bocadinho os Kraftwerk com as eletrônicas. E aí um bocado um olhar de um futuro, talvez até um pouco distópico, olhar com alguma nostalgia para o passado. Portanto, é um bocado uma mistura que faz sentido. Mas destes dois sentimentos ou sensações, de um pouco de uma nostalgia, de um passado em que se quer ir mais para o futuro, mas num futuro em que se olha para trás, faz-me lembrar também o Moebius um bocadinho. Quando estava a ouvir, lembrava-me destas coisas. E depois tem aquelas coisas do Benjamim, que fazem com que seja reconhecível. Portanto, é um disco que eu recomendo e que vou continuar a ouvir.

Muito bem, e de ouvir as "Berlengas" do Benjamim. Pedro Bucharinho Mendes, tu também tens duas sugestões esta semana. E vamos em frente, não temos Bruno. Tens um livro e tens uma série também, é isso?

Pelo certo a Joana estava a ouvir o álbum do Benjamim enquanto via o "True Detective".

Olha, não calhava nada mal.

Ao mesmo tempo não pode ser.

Exato.

E chegaste até ao fim da série?

Cheguei. Gostei muito.

Chegaste até ao fim.

Gostei muito. Aliás, acho que é importante, é daquelas séries em que o último episódio é muito importante.

Eu ia dizer uma coisa, mas depois é demasiado.

Tu não gostaste.

Não, eu ia dizer uma coisa que não vou dizer, que é: "Mulheres, vá-se lá percebê-las." É de longe a pior temporada do "True Detective".

Perigoso, isto. Muito perigoso.

Mas eu não disse.

Avança.

Um livro que saiu por agora, chamado "Democracia", de um dos grandes escritores portugueses chamado Alexandre Andrade, nasceu em 1971. Ele, pelo menos que eu me aperceba, não dá grandes entrevistas, não aparece muito naqueles festivais de escritores, não é muito presente nos mídia, mas tem uma obra já bastante longa, prolífica. E este livro, além da qualidade intrínseca que tem, tem uma temática que eu acho notável e é uma ótima ideia. É um livro que começa nos tempos a seguir ao 25 de Abril e são amigos, conhecidos, que estão numa casa e estão a contar uns aos outros a sua história, ou a sua versão da história. E depois o livro, eu ainda não acabei, vai prosseguindo dentro do tempo português, portanto, caminha para o futuro a partir de abril de 74 ou a partir do verão quente. Ou seja, permite-nos revisitar a época e acompanhar os personagens a viverem num país diferente, necessariamente. Agora um país da democracia e com outro tipo de conflitos e desafios. Portanto, de Alexandre Andrade, da Relógio de Água, "Democracia". E depois, uma série que eu recomendo à Joana, uma série eu creio que é norueguesa, estreou estes dias na Netflix, chama-se "Uma Noite de Verão" ou "Midsummer Night", no original. Acho que vão perceber depressa qual é. E é uma série precisamente naturalista, é uma série passada no dia do solstício.

Estás a ver, é o inverso daquilo que eu sugeri.

Pois é. Por isso eu estou a recomendar à Joana, que eu quero que ela receba muita vitamina D.

Obrigada.

É uma série curta, julgo que cinco ou seis episódios. Os episódios têm cerca de meia hora. É uma família que se reúne e, obviamente, todos os personagens têm segredos, ao contrário de nós, que não temos segredos para ninguém. É muito naturalista. É um bocado telenovela, mas aqui no bom sentido, ou seja, são pessoas como nós, e nós queremos saber mais sobre elas, mais sobre os personagens. A série até merecia, se calhar, ter mais episódios. E é, sobretudo, uma daquelas séries que nós fizemos play por alguma razão qualquer, e achamos que não vamos ver. Eu suponho que acontece com todos nós. "Olha, vou pôr isto, mas já sei que não vou ver." E esta é uma série que nós pomos e depois não conseguimos parar de ver, porque queremos, de facto, saber o que é que acontece àqueles personagens, uns com os outros e nas suas próprias vidas. Portanto, recomendo "Midsummer Night", acho que é "Uma Noite de Verão", uma coisa assim, que estreou agora na Netflix, uma série norueguesa. Vale a pena.

Muito bem, esta semana estamos a falar da cultura pop antes do 25 de abril de 1974, a propósito dos 50 anos da revolução. Joana Siccaini Villela, eu tinha uma série de coisas para te perguntar, isto poderia demorar horas, mas eu vou saltar para falarmos sobre livros, porque é uma matéria da qual tu sabes bastantes coisas, nomeadamente sobre livros proibidos. Neste exato pré-revolução, será que a ideia mais forte em volta da literatura tinha a ver com os livros que eram cancelados? Dirias que era aquilo que mais marcava a edição livreira?

Não sei se sei responder a essa pergunta. Há uma mudança que podemos dizer que é apenas de nome, mas os serviços de censura começaram a atuar em 1934, se não me engano, e a direção dos serviços de censura durou até 72. Depois, com o Marcelo Caetano, eles resolveram mudar o nome.

Uma operação de charme.

Sim. Dizia-se que a ditadura ia abrandar, e passaram a chamar-lhe um exame prévio. Eu não sei se essa ideia dos livros proibidos seria o que dominava a literatura. Quer dizer, vamos lá ver, estamos a falar sempre, para começar, de uma minoria que lê. De facto, a censura deixava passar poucas coisas. É muito impressionante. Estavas a dizer isso que eu estava mais antes, porque eu estive a preparar uma exposição.

Lá está, como bom jornalista, ia agora complementar a informação, que está na livraria Book Coles, em Lisboa, não é?

Sim, exatamente. Sobre os livros proibidos até ao 25 de abril e depois com complemento de livros, tu usaste o termo cancelados, que não era um termo da época, mas livros cancelados e, sobretudo, banidos.

Mas que tinha a ver com essa ideia.

Mas, sobretudo, banidos hoje em dia. Não passava pelo crivo da censura não só aqueles temas que nós achamos mais óbvios da política, como comunismo, socialismo, o pensamento anticolonialista, mas tudo o que fosse feminismo, homossexualidade, a que eles chamavam homossexualismo, coisas como hipnose. A hipnose não passava.

Era perigosíssima.

Eles diziam: "Devemos proibir este livro como medida profilática."

Muito bem.

Era um bocado inusitado, às vezes. Ficção científica, havia muitos policiais, havia uma coleção que era a RiFiFi, que era uma coleção popular, livros de bolso escritos às vezes em duas noites pelo Rossado Pinto, que tinha não sei quantos pseudónimos, tal como os autores de livros policiais, isto é a área do Pedro, têm muitas vezes muitos pseudónimos. Então esta coleção tinha muitos livros traduzidos, mas também tinha muitos livros escritos Na sua sede, que era na Amadora.

Exato. Bela terra.

Na Venda Nova.

Ainda melhor terra.

Melhor ainda. E que seria uma chancela escondida da Bertrand, ou seja, que aquilo era uma maneira de eles venderem livros e fazerem dinheiro. Mas os livros do Rossado Pinto, que assinava Ross Pin e ainda tinha outros nomes, são todos censurados, porque eles dizem que aquilo é uma ordinarice pegada. E, um parêntesis, é aqui que o Dinis Machado se estreia como autor de policiais, com o pseudônimo Dennis McShade. Essa questão da censura. Há bocado falámos das elites em termos, se calhar, financeiros, mas também intelectuais, e estes livros interessavam a uma elite intelectual. Nós quando vemos a história do 25 de Abril, tendemos a pensar que o país era todo assim, como é narrado por aquelas pessoas que andavam na universidade, que faziam parte dos movimentos de luta estudantil, ou que estavam exiladas em França, ou na Suécia, ou onde fosse. Mas havia todo o resto do país e que ouvia, sobretudo, rádio. O Pedro falou do Monumental, o cineteatro, o teatro no Monumental, o Monumental pertencia ao Vasco Morgado. Era uma peça fundamental da cultura popular da cidade, com uma estrela muito particular, que era a Laura Alves, que era casada com o Vasco Morgado, foi casada, ela depois separou-se. O Vasco Morgado era um homem com um olho muito guloso, e ela tem uma história trágica e era uma grande atriz da época. E além disso, o Pedro também falou dos cafés. Perto do Monumental havia um café que era o Monte Carlo, onde se reuniam muitas pessoas, e os cafés eram muito importantes na cultura popular do pré 25 de Abril. Mas o que eu te posso dizer mais? Não sei se seria o que as pessoas tinham em mente. Depois também havia aquele pormenor das livrarias que vendiam livros proibidos e as pessoas sabiam disso. Por exemplo, em Campo de Ourique, em Lisboa, há uma livraria. Estou um bocadinho troca.

Não, mas está tudo bem.

A livraria Ler. Eu tenho dificuldades com os L.

Temos todos, a dada altura da nossa vida.

Eles neste momento só têm o primeiro andar a funcionar, a vender livros, mas embaixo daquilo, tinha um segundo piso, uma cave, que tem um fundo falso. E o livreiro, que era o senhor Luís Alves, hoje em dia está lá o filho, que também se chama Luís Alves, escondia os livros.

Ainda estamos a falar do mesmo sítio, no Jardim da Parada?

Exatamente. Escondia os livros nesse sítio e quando aparecia a PIDE, dava dois ou três e tinha os outros todos guardados lá atrás, aquilo tem uma porta de correr.

E ficava resolvido o assunto.

E ficava resolvido o assunto. Outras histórias curiosas da censura, a Coimbra Editora, que tinha entre os seus fundadores Salazar, era a editora do Miguel Torga, que terá sido das pessoas mais censuradas durante o Estado Novo, e guardava os livros do Miguel Torga, escondia-os. Eu penso que o presidente do conselho não sabia disso.

Se é presidente.

Mas sobretudo, o que fica disto e da censura, e estás a falar da cultura popular, é que fora esta elite que tinha acesso aos livros proibidos, esta elite que podia viajar e que estava mais atenta, isto era como se a censura tentasse escrever a história de um país, a história popular, e o que resta é um país muito triste, muito tristônio, onde as pessoas têm medo de falar, onde o que passa pelas malhas, é um clichê, as malhas da censura, mas o que passa são coisas pouco interessantes ou que não apresentam perigo nenhum. E a cultura popular é o oposto, é poder dizer-se o que se quer, o que as pessoas sentem, é a revolta, é a revolução, é o contestar. Mesmo uma banda rock está a contestar quando aquilo é tudo muito morno, de alguma maneira, mesmo que seja contestar uma coisa muito quotidiana, mas tem de dizer qualquer coisa, tem de ter liberdade. E sem liberdade é muito difícil fazer uma cultura que diga aquilo que são as tendências, aquilo que corre pela cabeça e pelos corações das pessoas.

Muito bem, doutora, isto agora merecia um aplauso e a mim.

Põe um som.

Exato. Tenho que comprar uma daquelas caixinhas com vários sons. Pedro Boucher de Mendes, há pouco falavas já um pouco de televisão, e há uma coisa muito famosa na televisão e não só, que era o Festival da Canção. Diz-se muito, muita gente que diz isto nem sequer estava lá na altura, mas que o Festival da Canção era muito importante antes da revolução, como depois nunca mais foi. A questão é se isto seria mesmo verdade ou é uma coisa que nós dizemos, uma espécie de mania.

A vida coletiva tinha poucos, como dizemos agora, highlights. Poucos pontos altos. Nós agora discutimos a Taylor Swift e essas coisas.

"Essas coisas."

E se calhar discutimos ir a Londres ver o Bruce Springsteen, algumas pessoas. Ou se calhar combinamos se vamos ao Calorama ou se vamos ao Rock in Rio. Para usar o exemplo da música. Naquela altura, a vida coletiva era um bocadinho diferente, porque havia um certo elitismo na Gulbenkian e no São Carlos, havia pessoas que iam à música clássica, mas eram obviamente poucas. E depois a vida social e coletiva era pontuada por acontecimentos ou eventos, como diríamos agora, creio que a palavra não se usava na altura. E o Festival da Canção, ali no final do inverno, princípio da primavera, era um dos pontos altos, porque havia mais, creio eu, isto é a minha interpretação, havia mais dinheiro metido na produção. Ou seja, não era uma coisa meia mixuruca. Não, era uma coisa com orquestra e com dimensão, que enche o olho o espetador da televisão ou de cinema. É muito vulnerável a encher o olho. Quando as coisas são grandes e grandiosas, nós tendemos a ficar mais impressionados. Quando somos mais novos e/ou quando somos menos cultos, menos letrados e menos experientes, ainda mais. E o fascínio do Festival da Canção tinha a ver com isso. E o festival era importante para os músicos e para a indústria, porque as pessoas, de facto, compravam os singles. Como se dizia na altura, os 45 rotações, os discos pequenos, para quem não está a ver, eram comprados e, portanto, se eu fosse uma editora ou se eu fosse um artista, eu queria ir ao Festival da Canção e ter sucesso para me tornar conhecido através da televisão, para vender singles, para ir ao Natal dos Hospitais desse ano e para ir aos 1001, ou se calhar não era 1001, se calhar eram só 502, espetáculos e concertos onde eu poderia promover a minha obra de forma a ser contratado para as festas de imigrantes, festas de santos e festas de romarias das aldeias, que foi onde muito artista português fez a vida até à televisão e até às redes sociais, etc., incluindo o próprio Herman José, por exemplo, que ia tocar a esses sítios. Só para acrescentar que o Rossado Pinto, de que a Joana falava, é o grande fundador e criador do Jornal do Incrível, que foi uma grande instituição da democracia portuguesa.

E também criou a Zacarela, que era a primeira heroína, era uma espécie de Barbarella. Fez isto depois do 25 de Abril.

E o Jornal da Sexologia, também.

Muito bem.

Era um homem com uma grande imaginação.

Antes de irmos embora, e apesar de haver muito mais aqui de que poderíamos falar, Joana, queria que falasse um pouco, não temos muitos minutos, temos bastante poucos, mas antes do 25 de Abril, já se saía à noite?

Saía, claro, mas de novo as elites.

Tal como a questão da moda.

Sim, sendo que na noite também havia, por exemplo, o Parque Mayer era um sítio onde se saía à noite, e era um bafiento. Tinhas sítios como a Cova do Galo ou o Ritz.

E o Bairro Alto também.

Sim, ainda mais.

O Bairro Alto diferente, mas sim. Muito falado.

Sim, e outro gênero de atividades.

"To see the elite".

Mas mais ligados à cultura popular, havia o Porão da Nau, onde ia muita gente da televisão, por exemplo. Depois, mais do rock'n'roll, o Caruncho, o Pop Club, onde é hoje a Primorosa de Alvalade, e que aparece, acho que é no Cerco, o Pop Club. E depois também não falámos, mas o jazz. O jazz tem um papel importante e já havia o Hot Club, e mesmo acho que em 72, o Cascais Jazz, que traz Miles Davis, Herbie Hancock. Claro que aquilo a PIDE depois também estava lá.

E que inaugurou o Dramático de Cascais.

Interrompe sempre. Havia sempre tentativas de fazer coisas, a PIDE depois aparecia e estava sempre lá. Havia o Relógio, que depois dá origem ao Stones.

Cascais Jazz de 71.

71, peço desculpa.

Fiquei aqui com a pulga atrás da orelha.

Foi o primeiro de todos. Estava a dizer, o Relógio ali na Lapa, que depois dá origem aos Stones, do Manecas Musslek, e isto tudo antes do 25 de Abril. Mas isto é para uma elite, uma super elite, a mesma elite que vai à Linha, ao Van Gogh, onde o Pedro Ruxarin menos é capaz de ter ido também. Isto porque no meu tempo já não existia.

Mas eu não sou assim tão velho.

No dele ainda existia.

Não disse velho, disse só experiente.

Não, mas ainda existia nos anos 90. Mas sim, saía-se. E havia um sítio no Estoril, que era a Ronda, onde atuava sempre, por exemplo, o Quinteto Académico. Ou seja, estes grupos de ié-ié, que eram muito da Linha, das Avenidas Novas e por aí fora, estavam nestes sítios. O Tilo Combo também atuava na Ronda, gravou lá um LP e por aí fora. A moda, sim, de início não havia o pronto a vestir.

O "prêt-à-porter".

O pronto a vestir. E então as pessoas iam à modista, à costureira, e as pessoas com mais dinheiro tinham em casa. E depois havia as grandes costureiras, a Candidinha e o Sérgio Sampaio, por aí fora. E depois surge uma grande revolução, duas grandes revoluções. Uma são os Porfilhos, na Baixa, que vendem as minissaias, e não só, e a Massanda, a Ana Salazar, aqui bem perto do Observador, em Alvalade.

E a Casa Africana.

E aí vais explicar tu coisas, porque eu não sei.

O Pedro vai explicar se conseguir explicar em 30 segundos.

Mas lá está, ela traz coisas de fora. Muito rapidamente, eu queria só referir dois livros que foram lançados esta semana e que eu recomendo, que têm justamente a ver com a vida em Portugal antes do 25 de Abril. Um chamado "Dita Dor", do António Jorge Gonçalves. São dois livros autobiográficos, e outro chama-se "Sempre", da Rita Taborda Duarte, ilustrado pela Madalena Matoso. E são dois livros que têm justamente a ver com este tema, como é que se vivia antes do 25 de Abril.

Muito bem, rapaziada, chegamos ao final de mais um "Pop Up", infelizmente. Cheira-me que isto hoje estava para durar. Voltamos na próxima semana com mais revolução. Até lá.