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Começa agora mais um Por Pratos Nunca Dantes Navegados, na Rádio Observador, com o nosso Manuel Serrão, em parceria com o TeJornal. Bem-vindo, Manuel.
Bem-vindo, Manuel.
Olá, cá estamos, tudo bem. O mês de fevereiro, este ano, especialmente comprido.
É verdade.
Pois é.
Temos aqui o dia 29. Quem faz anos a 29 este ano pode celebrar.
Exatamente. Tem a vantagem, vai poupando sempre três anos em cada quatro.
Sim, é verdade. E a família também poupa.
Claro, exatamente.
Bem bom, nesse aspecto é bom. Olha, Manuel, hoje não saímos de Lisboa e vamos a um bairro que não é uma zona que eu frequento muito. Quem é que consegue adivinhar que zona é?
Tu não frequentas muito.
E eu também não.
Pois, e o Manuel também.
Pronto.
Então se o Manuel não, eu vou dizer que é a zona de Benfica.
Muito bem, bem adivinhado. Pois é, é Benfica. Mas atenção, que em Benfica também há muito mais que o Estádio da Luz. Que pode ser muito bom para ver jogos de futebol, mas se quisermos falar de uma catedral da gastronomia, não é propriamente do estádio ou dos seus bares que vamos falar. Aliás, no futebol, o que se elogia até são os jogadores que comem a relva. E aqui neste podcast, gostávamos mais de ver outros pratos com sabores e cores bem mais variados.
Se for para comer relva, eu passo.
Os vegetarianos que se agarrem. Vegetarianos não comem só relva.
É isso que eu ia dizer. Não é relva.
Então, Emanuel, sendo em Benfica, fica em Lisboa. Mas tanto quanto sabemos, as raízes do Galito, que é assim como se chama este restaurante, vieram aqui um bocadinho mais longe. Com Galito, isto tem a ver alguma coisa com galo, com cabidela, é algum dos pratos especiais deste restaurante?
Pois. Eu, sendo em Benfica, gosto muito que haja por lá muito galo sempre. Tem havido mais sorte que galo. Mas começando pelas origens, na verdade, elas não são alfacinhas, mas alentejanas. Tudo começou com a dona Gertrudes, mãe do Henrique, já reformado, e que nos dias de hoje já aparece pouco no Galito, e avó do Daniel, esse sim, que é o novo homem de leme deste restaurante. Todos integram a família Galito, que é quem está na origem do nome do restaurante. Embora, também no menu constem as saborosas empadas de galinha, que normalmente já estão na mesa quando nós chegamos, e são muito boas.
Isso é ótimo.
E no seu tempo, também há uma cabidela de galinha do campo.
Isso é que eu já não conheço.
Mas, na verdade, não é por causa destas galinhas que o restaurante se chama Galito, como já expliquei.
Certo. Então e agora que já sabemos de onde é que são as raízes alentejanas, podemos falar aqui de uma comida dessa inspiração, alentejana, no meio de Benfica, com muitas e variadas entradas. Temos aqui um restaurante alentejano no centro de Lisboa ou nem por isso?
Exatamente, tal e qual. Uma referência da gastronomia alentejana em Lisboa. Não é a única, mas também é uma das mais emblemáticas. Podemos dizer mesmo que é uma das catedrais da cozinha alentejana em Benfica. Não tem a dimensão da chamada Catedral da Luz, já falámos aqui, mas até hoje está num espaço maior e bem mais arejado do que aquele onde o Galito assentou arraiais em Lisboa. Mas falando das entradas, há a inevitável sopa de cação, para quem gostar, não é muito a minha praia.
Também não é muito.
Também não sou fã.
Eu viro-me mais para a salada de coelho, que é magnífica e também já provei.
Entre um e outro, eu sou a esquisita aqui no sítio.
Eu e a Isa.
Já percebi que sim. Mas a salada de coelho gosto muito, aqui vamos nos fechar. Ou então, se quisermos uma sopa, a sopa de tomate com garoupa e ovo escalfado, mas aqui já é uma espécie de entrada a pés juntos. Para lesionar para o jogo seguinte, ou seja, para o prato, porque já é uma coisa bem mais consistente do que propriamente uma entradazinha.
Pois, claro que sim.
Falando das entradas, também há que dizer que eu não conheço nenhum restaurante alentejano que não me prime pelas entradas. E este Galito é um desses casos.
Claro que sim. Emanuel, já falámos aqui das entradas, mas o que é que podemos descobrir mais neste Galito? O que é que se pode comer mais? O que é que é bom aqui?
Há muitas coisas, muitas e variadas as especialidades deste Galito. Pezinhos de coentrada, arroz de pombo bravo, açorda alentejana com bacalhau e ovo escalfado, mas também várias zonas de especialidades de porco e borrego, zonas dos bichos, claro. Acompanhadas, isto já recomendo eu, por um magnífico arroz de coentros. Quando lá estive a última vez, aliás, muito bem acompanhado pelo casal masculino aqui do Três Toques, o Júlio e o Paulo.
Ora bem.
Que bom!
Os dois maravilhosos Paulo Oliveira. Provámos uma perdiz de escabeche e as costeletas de borrego. E ainda fiquei de olho numas migas de espargos bravos com lombo de porco alentejano frito, que é um dos clássicos do Galito, e também umas migas de hortelã com carne de alguidar.
É ainda cedo, mas uma pessoa fica já com água na boca.
Já perceberam que sou amigo das migas.
Já.
E fã de coentros. Aliás, ir a um restaurante alentejano e ignorar totalmente os coentros, por alguma mania especial, devia ser proibido.
Sim, devia ser proibido. Eu, por acaso, sou grande fã da comida alentejana. E sabes que a minha especialidade, e aqui a Filipa também, são as sobremesas. Vais nos sugerir o quê? Uma sericaia também, por exemplo?
Acham que depois disto tudo, ainda fui às sobremesas? Não fui capaz, mas a sericaia é sempre uma boa sugestão em qualquer restaurante alentejano.
Nós nunca nos podemos esquecer das sobremesas.
Claro, mas a sericaia, por acaso, de todas as sobremesas alentejanas que eu conheço, a sericaia é a minha favorita e por isso é que é a escolha sempre que eu recomendaria num restaurante destes, como é evidente.
Claro que sim. Emanuel, vamos aqui às continhas e ao nosso belo garfo. Vamos perguntar, aquela bela notinha verde dá para esta grupeta de três?
Dá para esta grupeta de três, desde que também não nos estiquemos muito, claro. Se começamos a comer às entradas, os que já são pratos, voltámos aos pratos e ainda insistimos nas sobremesas, isso já não garante.
Ainda por cima, para além das entradas, disseste que havia logo a entrada às empadas. Portanto, uma pessoa fica logo mais cheia.
Isso é o primeiro coberto, como se diz.
Não, mas como coberto isso já me enche.
Mas estou a pensar, com umas empadas, com umas entradas, com tudo aquilo que disseste e com a sobremesa-
Sim, mais a sericaia e um bom vinho a acompanhar, digamos que a nota de verde aí será escassa.
É, isso já estou a ficar cheio.
É verdade.
Mas pronto.
Tirando isso, e o garfinho?
Um garfo, eu acho que é um garfo dourado.
Muito bem.
Para a categoria alentejano no meio de Benfica. Que é uma categoria que anda muitos concorrentes.
Claro que sim. Pronto, está feito este Por Pratos Nunca Dantes Navegados.
Sinto que estou cheio depois deste episódio.
Agora tens de andar para desmoer. Acabou este prato.
Mas como é um restaurante alentejano, há que andar devagar.
Claro que sim.
Nada de correria, que até faz mal à digestão.
Pratos Nunca Dantes Navegados na Rádio Observador, em parceria com o TeJornal e com o nosso Manuel Serrão. Até para a semana.
Até à próxima e obrigado.