Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Manhã de domingo, está na hora de viajarmos com o nosso Manel Serrão. Bom dia, bem-vindo por pratos nunca antes navegados, uma parceria do "TJornal" com a Rádio Observador. E hoje vamos até onde, Manel? Paredes.
Hoje vamos até Louredo, Paredes. Atenção, não confundir com a parede aqui do Sul, da Linha Maginal. É Paredes, Porto profundo.
Cozinha da Terra é a nossa paragem, certo?
Certíssimo.
Vamos lá, então.
É que Cozinha da Terra, as pessoas dizem assim: "Mas há muitas terras, há muitas cozinhas." Atenção, volto a repetir, Cozinha da Terra é em Louredo, Paredes. Eu sei que Louredo rima com medo, mas não há que ter medo, que é muito fácil de lá chegar a partir da saída da A4 para Paredes. Até eu, que não uso GPS, vou lá dar num instante. O único medo a ter é depois de lá ir, não gostarmos de mais nenhum arroz de pato.
E dizem que podemos considerar que esta Cozinha da Terra integra o nosso conceito de Patrimônio Cultural da Humanidade. É mesmo assim?
Claro que estamos aqui a exagerar um bocadinho, também temos direito a exagerar de vez em quando. Eu acho que a gastronomia de cada país, e a de Portugal em especial, de muitas terras portuguesas, há muito que devia ser, no mínimo, patrimônio cultural da portugalidade, nosso.
Sim, nosso. E também dizem muitos que esta Cozinha da Terra se podia chamar Cozinha da Minha Casa. Por que será?
Exato. Têm razão, porque quando lá vamos, sentimo-nos em casa, porque aquilo é mesmo a casa da Teresa Rọão, que é a dona, é lá que ela vive. E ainda por cima, o que acontece? Nós entramos no portão da casa, aquela é uma casa de uns lavradores abastados do século XVII, é uma casa toda em pedra, tradicional, e nós entramos pela cozinha, portanto, estamos mesmo como se fôssemos entrar em casa. Não há cerimônia nenhuma, não parece um restaurante, parece uma casa. Portanto, sentimo-nos em casa e a verdade é que estamos mesmo em casa da própria dona.
Mas, Manel, a dona deste restaurante passou dos trapos para os tachos. Fez um bom negócio.
Eu conheci a Teresa de outros carnavais, como costuma dizer. Mas atenção, que esses nossos carnavais de que falo não tinham máscaras. Era o mundo dos têxteis. A Teresa foi dos trapos para os tachos. Acho que para ela o negócio não foi mau, mas para nós que lá vamos comer, é que o negócio foi mesmo muito bom.
Foi mesmo uma grande ideia. E vamos então aos destaques daquilo que é esta cozinha por onde entramos. Os pastéis de massa tenra e a bola de carne são os aperitivos que vou propor, mas a entrada pela cozinha é que acaba por nos abrir precisamente o apetite.
Exatamente. Eu acho que isso é mais uma coisa que nos faz sentir em casa, como eu dizia há pouco. Os cheiros que nos invadem as narinas quando entramos pela cozinha, quase que nos dispensam o menu, quase que podemos escolher é cheirar e pedir: "Está-me a cheirar a isto, quero isto." A verdade, cheira bem, cheira a cozinha. Nem sempre cheirar bem é cheirar a Lisboa, peço desculpa. Mas é muito diferente este cheiro a cozinha do que quando dizemos que cheira a comida. Normalmente, quando dizemos que cheira a comida, queremos dizer que cheira mal, mas neste caso, o cheiro a cozinha é um cheiro muito bom. Os pastéis com massa tenra são recheados com carne vitela picada, vão a refogar e a alourar num azeite bom, também da casa. E sem deixar cair a bola no chão, a bola, proponho que avancem logo para ela, mesmo invulgar. É uma bola invulgar enrolada numa base de massa simples, muito fina e estaladiça, recheada com fumeiros e queijo. É uma delícia e o pior é, se nos exagerarmos nas entradas, como é que continuamos a comer a seguir.
Eu quando comia carne era doida por pastéis de massa tenra. Portanto, quando o Manel agora falou pastel de massa tenra, mas não, não há volta a dar.
Não, Catarina, eu tenho uma sugestão que é: manda vir na mesma o pastel de massa tenra. Come só a massa tenra e deixa a carne para mim, que eu estou ao lado e como.
Não dá. Às vezes o meu filho diz isso quando são pratos dele: "Mãe, mas come só, tira a carne." Mas depois tem o sabor, não consegue.
Olha, mas eu tenho aqui uma sugestão para ti, Catarina. E acho que o Manel nos vai ajudar aqui a detalhar esta sugestão que temos aqui para ti, que é a boa lasca de bacalhau alto. Para quem escolher, há sempre também arroz de pato da aldeia. Temos aqui o bacalhau e o arroz de pato.
Eu não estava aqui para ler todo o cardápio, porque te escolhi dois. Um a pensar na Catarina.
Homem, é tão querido.
Essa boa lasca de bacalhau de posta alta, que é escaldado e servido dentro do pão em cama de legumes e é cozinhado no forno à mesa. Mas como dizem que o peixe não puxa carroça e bacalhau, não sendo peixe, é um parente dele, convém atacar de seguida o arroz de pato da aldeia, que é feito na hora no forno de lenha. Este arroz de pato é uma coisa sublime, divina. Eu acho que nunca comi arroz de pato tão bom em mais lado nenhum.
Portanto, nós já temos aqui as entradas, a bola, o pastel de massa tenra, depois arroz de pato, o bacalhau. E agora para acompanhar e para quem exagerar na comida ou se distrair com o vinho, pode lá ficar a dormir a sesta ou até ao dia seguinte. Campo mais campo, não há.
Exatamente, mas eu, como há pessoas que são de grande sustento, ainda e também em homenagem à Catarina, tenho aqui uma sobremesa hoje.
Pronto, eu já sabia.
E eu acho que podemos, depois de conversar, que eu acho que é obrigatório a meio fazer uma pausa e conversar com a Teresa, que é uma boa conversadora e que nos explica tudo. E depois dessa conversa e dessa pausa, estaremos em condições de deitar mão à massa. À massa de bolo conventual feito com nozes moídas ou a dar uma estalada no cavaco. Calma, que é o cavaco fatiado, doce regional de Paredes, não confundir com outros cavacos.
E depois dá mesmo para ir para o campo dormir uma sestinha, ou não?
Dá, porque a Teresa tinha lá o escritório têxtil, de agente têxtil, e depois quando deixou, fez também uma espécie de turismo de habitação. Portanto, quem exagerar, quem achar que está precisado de uma sesta ou de ficar lá a dormir, também pode lá ficar a dormir. Portanto, é um dois em um. Come, dorme, descansa e no dia seguinte até pode comer outra vez e seguir viagem.
Eu nunca percebi essa história de dormir de barriga cheia, eu não consigo.
Eu também não, mas há quem consiga. Eu já estou por tudo. Eu também não consigo. E eu acho que o importante é ter a barriga cheia, depois o dormir tem tempo.
Comer e dormir, há lá coisa melhor.
Sim, pronto, ok, tudo bem.
Vamos às contas? Vamos à parte chata sempre, que é pagar. Quanto é que isto nos fica?
Não, mas lá não é muito grave. Este Cozinha da Terra entra na linha de que com uma nota de 100 podemos comer os três, fazer uma sesta, lá ficar a dormir já não será o caso, mas fazer uma sesta e ter lá um bom almoço é perfeitamente possível com uma nota de 100 para os três, sem problema nenhum.
Esse valor com a entrada, o pratinho, um vinho.
Tudo a que temos direito.
Um sumo de mesa, cafezinho e está feito.
Uma bolinha de queijo.
E um bom vinho, sem exagerar na escolha do vinho. Mas sim, perfeitamente.
E garfo para hoje?
Eu diria um garfo dourado, porque é muito diferente de todos os restaurantes que já falámos até hoje. É um garfo dourado regional. Eu diria assim, se tivéssemos uma subcategoria, qualquer dia temos que fazer isso, é o garfo dourado Michelin, garfo dourado urbano e o garfo dourado regional. Eu diria que este é um garfo dourado regional e bom.
Muito bem. Qualquer dia temos que fazer aqui também, à semelhança do que o Júlio faz nas manhãs "360", que vai fazendo umas galas para marcar alguns momentos do ano, eu acho que nós temos que começar aqui a criar condições para fazermos a nossa gala e distribuirmos os garfos dourados aos restaurantes.
Olha, bela ideia, Diogo.
Eu acho que é uma boa ideia, mas claro, connosco uma gala tem que meter banquete, não é só conversa.
Óbvio, Manuel, claro que sim, mas gosto da ideia.
Está aqui já lançado e portanto temos que tratar disso.
A gala dos garfos.
Olha, bela ideia, está feito. Vamos embora. Mãos à obra, vamos a isto.
Está arrumado.
Pronto, já fizemos a nossa visita até Paredes. Manuel, estamos conversadíssimos por hoje.
Estamos conversadíssimos. Até para a semana.
Próximo domingo cá estaremos por pratos nunca antes navegados. Uma parceria do "Jornal" com a Rádio Observador.