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"Por Pratos Nunca Dantes Navegados" é uma parceria do Jornal T com a Rádio Observador. "Por Pratos Nunca Dantes Navegados", aqui vamos nós. Manuel Serrão, bem-vindo.
Muito obrigado, cá estamos.
Nós estamos sempre, eu e o Diogo, estamos sempre. E hoje, o que é que sai no menu? Hoje sai uma viagem até Viseu, não é verdade?
Exatamente. E no eu e no eu, indo nós a caminho de Viseu.
Bonita cidade. Gosto muito de Viseu.
Vamos até onde, Manuel?
Eu escolhi para hoje o Forno da Mimi e Rodízio Real. Costuma dizer-se, e eu digo de vocês dois, que há duplas que parecem triplas, mas neste caso do Forno da Mimi e do Rodízio Real, até devemos dizer que é uma dupla que já é mesmo uma tripla, por causa do novíssimo Amazónia, o mais recente restaurante do grupo Visabeira, que acaba de nascer ao lado, mas como ainda não naveguei pelos pratos, fica para uma próxima. O Amazónia.
Mas o Manuel já esteve aqui a mostrar as fotografias, que nós já estivemos a ver.
Não, estive lá este fim de semana nos Melhores Anos, do Oma, e fiquei com mais vontade de lá ir. Só se pode ir à quinta, sexta e sábado, mas isso fica para outra.
Fica para uma próxima.
Mas tem grande pinta.
Tem mesmo. Vamos então ao Forno da Mimi e Rodízio Real. Para quem não conhece, que dupla é esta, Manuel?
O Forno da Mimi foi onde tudo começou, mas ao contrário do que é mais normal na vida das pessoas, neste caso, não foi um casamento que acabou em divórcio, foi uma separação que acabou em casamento. Porque, na verdade, eles começaram cada um no seu canto oposto de Viseu e depois juntaram os trapinhos, que é como quem diz, as toalhas e os guardanapos, mas depois também o resto, os espaços, as cozinhas, e agora vivem juntos.
Maravilha, casamento perfeito.
E porque é que deles se diz que são o day after do day after?
Isto, para pessoas da vossa idade, não sei se é muito conhecido, mas havia a grande icónica discoteca de Viseu, da região Centro, chamava-se Day After.
Nunca fui, mas conheço. E tu, Diogo?
Eu fui.
Onde ficava o grande José Eremiteia.
Eu fui e teria uns quatro ou cinco anos. A minha mãe era uma desnaturada.
Eu agora juro que eu fiquei... É sério, que surpresa, que revelação ter sido esta, Diogo, mas de repente, pronto. Está bem, tudo bem.
Era uma discoteca famosíssima, que já foi depois também uma pista de karting, vejam lá, que era uma coisa gigante. E portanto, agora como estes restaurantes estão nesse espaço, podemos dizer que é o day after do day after.
Do day after. Muito bem.
Entretanto, cabrito grelhado, só há um e mais nenhum?
Eu sou um bocado suspeito, porque eu gosto muito de cabrito e gosto de experimentar cabrito. Onde há cabrito e eu não comi, normalmente provo. Mas cabrito no forno, cabrito assado, é o que há em todo lado deste Portugal. Já cabrito na brasa, se calhar há outros, mas eu só conheço nesta região de Viseu, Nelas, Mangualde. Recordo com saudade, não sei se conheceram o Velho e Martelo, em Silgueiros. Só que agora ele com o sucesso foi para umas novas instalações, perdeu a graça. O cabrito não está mau, mas perdeu alguma graça. E mesmo no Forno da Mimi, aviso já aqui, vou lançar um movimento para voltarem a ser obrigados a ter o cabrito na brasa todos os dias, porque nos atuais momentos só têm ao domingo. Ora, eu não posso só ao domingo ir comer cabrito na brasa, tenho que poder cabrito na brasa todos os dias. Portanto, vou lançar este movimento aqui já no Pratos Nunca Dantes Navegados.
Já vamos abrir uma petição, isto ainda vai à Assembleia da República.
Exatamente.
E também estamos em terra de migas, por isso há que saber como são as migas da Mimi.
As migas da Mimi são tão amigas como as outras. Eu gosto dos restaurantes em que nos deixam escolher os acompanhantes com quem queremos isto ou aquilo. Agora, à mania dos chefs acharem que eles é que sabem o que é harmónico, o que é que faz harmonia, tem que comer isto com isto. Eu gosto de restaurantes que é o caso deste. E as migas, aliás, são como as nossas amigas. Podem ser todas boas, mas há umas que são melhores que outras. É o caso destas migas do Forno da Mimi, são muito boas. Elas misturam sempre couves, feijão, broa, pão, mas o feijão vai mudando, a broa vai mudando, as couves também vão mudando e a maneira como se misturam, também. Eu gosto muito destas do Forno da Mimi, recomendo.
E aqui as migas para acompanhar o cabrito.
Seriam para acompanhar vários pratos, mas eu usei-as até recentemente quando lá estive para acompanhar o cabrito. Eu costumo comer arroz com tudo e veja lá que dessa vez até dispensei o arroz. Achei que o cabrito ficava bem mesmo era só com as migas.
Já falámos do cabrito e das migas e antes de passarmos à parte que eu gosto sempre, que é do vinho. Vamos dizer a verdade. Eu, por exemplo, não como carne, Manuel. Qual seria uma opção para mim? Um peixinho, também tem pratos vegetarianos.
Viseu fica longe do mar.
Eu sei.
Tem sempre peixe, mas eu não recomendaria ir lá. Eu ia de bacalhau, pode ser? Então se calhar um bacalhau. Um bacalhau lá também no forno, seria a minha proposta para quem não quer carne.
Eu estou a tomar nota.
O cabrito deve ser uma carne especial, não é aquela carne vermelha. É uma carne já com outras coisas.
É o prato de eleição do meu marido, portanto já vi que é obrigatório.
Portanto, tens que ir lá.
O meu marido já viu isso, eu estou a tomar nota de todas as indicações do Manuel. O Manuel é que sabe. Vamos aos vinhos?
Vamos aos vinhos. Estes vinhos são quase todos da casa?
Os que eu recomendo, porque como é evidente, eles têm outros vinhos, mas o Forno da Mimi e o Rodízio Real pertencem a um grupo, que é o grupo Visabeira, que tem muitas outras realidades, nomeadamente na hotelaria, hotéis. E também tem vinhos, porque uma das unidades que tem, que é lá perto, em Penalva do Castelo, que é a Casa da Ínsua, tem vinho, e vinho muito bom, vinho branco e vinho tinto. E eu Casa da Ínsua é o que recomendo. E tem outros vinhos também do grupo. Normalmente, dantes, eu lembro-me de que se pedia o vinho da casa porque era o mais barato, mas apanhávamos com cada mixórdia que era um desastre.
Mas o rapa nessa zona acho que se usa muito essa expression.
E que havia por questões fiscais. Por questões fiscais acabaram com o vinho da casa, por causa disso, de rotulado, etc. E muito bem. E o que é que acontece agora? As pessoas ficaram com essa ideia de que o vinho da casa era o mais barato. Normalmente, o vinho da casa, ou que chamam vinho da casa, não é o melhor, é o pior. Mas nestes casos em que os vinhos da casa são Porque são da casa mesmo, vale a pena ir. Neste caso, eu nunca escolheria lá outro vinho que não fosse o Casa de Enseada.
Muito bem, e estamos quase na reta final, portanto, indo eu a caminho de Viseu ou neste caso, indo nós os três a este forno, que notas é que devemos levar na carteira, Manuel?
Eu acho que com uma nota de 100 resolvemos o problema.
Para os três?
Para os três, à vontade.
Maravilha.
Uma nota de 100 resolvemos o problema, ainda deixamos lá ficar um troco avantajado. Ainda fazemos feliz a menina que nos serve.
Manuel, mas não falámos nas sobremesas, eu tenho que te trazer sempre isto aqui.
O Manuel nunca vai trazer as sobremesas.
Eu sei. Pronto, tudo bem, eu vou ficar com aquele rótulo de a gulosa.
Exato. Hoje o cabrito é tão absorvente que nem há sobremesas.
Que nem chegamos às sobremesas. Acho muito bem.
E estamos aqui a falar de um restaurante grande, uma coisa ampla.
Sim, muito grande, tem várias salas e onde também, como é evidente, eu não falei do rodízio real, apesar da parte de rodízio, optei aqui pelo cabrito, mas também se pode lá comer um rodízio normal, chamado rodízio real, como é conhecido. Portanto, é igual, com boas carnes também, as carnes todas a que temos direito, mas eu acho que rodízio também se come noutros lados. Eu quando vou ao Forno da Mimi é mesmo para o cabrito.
Para o cabrito.
Portanto, é um espaço amplo com muito para escolher.
Sim, muito espaço. Bom estacionamento cá fora.
Importante.
Boa zona grande nos arredores de Viseu. É a caminho de Lamego, não é propriamente no centro de Viseu, portanto tudo o que pode correr bem lá, corre bem.
Corre bem, corre muito bem lá.
É a lei de Murphy ao contrário.
Vamos então às notas. Vamos dar aqui uma avaliação. Acho que ainda estamos na fase inicial. Vamos continuar a explicar aqui a nossa grelha de avaliação. Temos o garfo de plástico, que é o pior de todos, quer-me parecer que vai ficar de fora hoje. Temos o garfo de madeira, o garfo de inox, o garfo prateado primeiro e o garfo dourado depois. Que garfo merece aqui este restaurante?
Eu sei que já é o terceiro garfo dourado, o faqueiro não está a ficar muito diversificado, mas depois haveremos de tratar disso, mas eu acho que Forno da Mimi Rodízio Real, claramente garfo dourado.
Merece aqui um garfo dourado este Forno da Mimi e Rodízio Real em Viseu. Bonita cidade, volto a dizer.
Haja tempo para nós começarmos a fazer este roteiro sugerido pelo Manuel.
Isto é uma volta a Portugal em restaurantes.
Completamente. No Algarve, na Noélia, depois fomos a Matosinhos, na Marisqueira, e agora Viseu.
E agora estamos em Viseu.
Daqui a umas semanas vais precisar de um ano sabático.
Por pratos nunca dantes navegados, obrigada, Manuel, e até para a semana com mais uma sugestão.
Até para a semana, Manuel.
Por Pratos Nunca Dantes Navegados é uma parceria do Jornal T com a Rádio Observador.