Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Vamos a mais um Por Pratos Nunca Dantes, navegados na Rádio Observador, em parceria com o "Tejornal" e sempre com o Nélson Ramos. Bem-vindo.
Bem-vinda.
Mais um episódio.
Cá estamos. Sim, senhora.
Vamos lá. Regressamos hoje àquela que é chamada uma das melhores salas de jantar do Porto, que é Matosinhos.
Expectativas altas.
Exato, isto promete. Dizem que isto é um clássico.
Eu gostava de começar por outro clássico. Vou começar por outro clássico.
Por favor.
Estamos em janeiro, já.
Certo.
Dia 21, mas a dúvida que me assalta é, embora me roube nada, até que data de janeiro é que vocês costumam desejar bom ano?
Eu acho que só válido ali na primeira semaninha.
Sim, para mim já passou.
Só com a exceção de ainda não ter visto as pessoas.
Vai até à segunda semana, se ainda não tiver visto.
Então com essa desculpa, porque realmente eu ainda não vi nenhum ouvinte hoje, pelo menos este ano.
Certo.
Podemos dizer que para nós vamos desejar bom ano aos nossos ouvintes ainda.
Muito bom ano para vocês.
Mas fica combinado que aqui a tradição é até ao dia 21 de janeiro desejarmos bom ano. Daqui para frente, acabou.
Por mim pode ser. Por mim está fechado.
Quem já teve um bom ano, muito bem, quem não teve, tivesse.
A ver se nos lembramos para o próximo ano.
Exato. Temos de anotar isto aqui num caderninho para não nos esquecermos. Mas Manel, vamos então falar aqui do clássico, da sala de jantar do Porto, que é em Matosinhos.
Exato. Estou a perceber o trocadilho que a Filipa está a fazer com o nome do nosso restaurante de hoje, que se chama Clássico.
Ele chama-se mesmo Clássico.
Surpresa.
Mas sim, também é um clássico dizer que Matosinhos é uma das salas de jantar do Porto. Não sei se eles gostam muito que se diga no Porto e Matosinhos, mas acho que é bom para uns e é bom para outros. É bom para Matosinhos, porque acho que é um elogio, e é bom para o Porto, porque além de ser verdade, é uma sala muito bem servida. De qualquer maneira, dada a excelência, a concentração, a quantidade e a variedade dos restaurantes em Matosinhos, e o Clássico é um clássico, que vamos visitar hoje, também contribui para esse clássico dito.
Certo. Então e este clássico já foi mais clássico noutra fase da vida, noutras instalações ou agora é que a cara diz melhor com a careta?
Pois, eu gostava de dizer, pelo menos a experiência que eu tenho, é muito raro um restaurante mudar de casa, mudar de espaço e não se perder na mudança.
Ou seja, mudou, portanto.
Mesmo quando a mudança é para muito perto, como foi o caso deste clássico. Bem, eu não vou citar nomes, mas havia um restaurante típico, muito pequeno, no Mundão, perto de Viseu, que eu adorava e que fruto do sucesso que tinha, sempre com fila à porta, resolveu mudar-se para umas instalações mais modernas e maiores, uma coisa assim mais moderna, maior, enfim, não muito perto do sítio, e acho que estragou tudo.
Perdeu a essência.
Perdeu o encanto, a comida perdeu a coisa, perdeu aquela patina que tinha. Lembro que faziam lá, por exemplo, abas de vitela numa lareira da sala, era uma coisa magnífica. Mas este clássico só não trouxe para as novas instalações os quadros com os carros clássicos que adornavam aquele restaurante. Não vieram os quadros, mas veio o nome, ficou o nome na mesma. De qualquer maneira, está muito melhor agora e no que interessa mesmo, que é a comidinha, não se estragou nada.
Isso é que importa. E este clássico, aliás, tem um casal à frente que não tem nada de clássico. Manel, explica aos nossos ouvintes porque é que este casal não tem nada de clássico.
É verdade.
É a idade da Filipa.
Mais uma.
Embora hoje em dia definir o que é um casal clássico é cada vez mais difícil.
É verdade.
Mas enfim, passando isso à frente, a Odete e o António, que é o casal que estamos a falar, são um casal de Ponta Barca, curiosamente, do Minho, mas tem uma história engraçada, porque se o António já vinha do mundo da restauração, a Odete veio da faculdade de Direito, com um canudo que não quis usar. Eu lembro-me de outra pessoa que também é assim. Sempre gostou da culinária e enquanto o António trata da sala, a Odete trata de nós, aliás, trata de nos pôr a comer bem, embora também faça umas investidas na sala para ver se não falhou nada.
Claro.
Aquelas ideias dos estudantes de Direito, de que têm que ver se está tudo bem, se não falhou nada, pôr ordem no sítio, acho que se mantém. Os dois protagonizam um serviço muito personalizado, estão sempre preocupados com os clientes, mesmo quando está a abarrotar, que acontece quase sempre. Mas é engraçado que mesmo quando está a abarrotar, há sempre uma palavra, uma pergunta, ela sai da cozinha bem perguntar se gostámos, sabe o que é que comemos, sabe o que gosta. Eles conhecem e fixam os gostos e as medidas dos clientes e nunca falham. Acontece muitas vezes de chegar lá, eu como lá muito um prato que já vamos ver daqui para a frente, e eles dizem: "Hoje é outra vez isso? É outra vez o que gosta."
Já conhecem.
É engraçado, mas faz isso com os clientes todos.
Isso é um atendimento muito personalizado, é bom.
Então, portanto quer dizer que há clientes que têm os seus pratos preferidos e nós sabemos que tu gostas de um mais do que a maioria. Qual é que é este prato? É verdade, Manuel?
É verdade, sim, senhora. Aliás, mas ainda vamos falar por um exemplo antes disso, que é eles sabem, por exemplo, que eu gosto muito de começar a refeição, peço-me água com gás, gelo e limão, e peço sempre picante. E eles, quando eu chego, não preciso dizer nada, lá vêm com água com gás, gelo e limão e eu às vezes me apetece, mas nem tenho coragem de dizer: "Olha, hoje não queria." Porque assim mantenho como quero a maior parte das vezes, assim fico sempre satisfeito.
Não tens a coragem de dizer não.
Sempre picante, a mesma coisa.
Sabes que isso é das coisas que eu mais gosto nos restaurantes e nos cafés é um sentimento de casa mesmo.
Claro, exato. E eu como muito em restaurantes e, de facto, estou privilegiado também estes restaurantes em que eu me sinto em casa, como é evidente, vou aí mais vezes. De qualquer maneira, respondendo à tua pergunta, 90% das vezes que lá vou escolho sempre o polvo assado no forno, que é um prato, curiosamente, que nem está na lista. Tem outro tipo de polvo, como já iremos ver.
Também te descobriu.
Vou-vos dar um exemplo. Eu fiz lá um jantar de Natal com uns amigos, mas não fui eu que organizei, fui convidado. Eles nem sabiam, a maior parte dos amigos, se eu ia lá ou não ia. Eu sei que começaram a falar e tal, e depois mandaram a lista das pessoas. Éramos 20 e tal. Às tantas os pratos que eles davam para a gente escolher antes, porque era muita gente Polvo grelhado, vitela assada e outro qualquer. E entretanto puseram lá o meu nome. A senhora ligou para a pessoa que estava a fazer e disse: "Olhe, é melhor para o Manuel Serrão, em vez de polvo grelhado, pôr polvo assado no forno, porque é o que ele come aqui." Foi uma confusão, até fiquei envergonhado. Mas a verdade é que mudou-se polvo grelhado para polvo assado no forno e além de mim, muitos outros escolheram e adoraram.
E saiu bem.
Ficou então o polvo assado. Muito bem. Já vendeste este polvo assado preferido, mas o cabritinho também tem um segredo para contar, não tem?
É que se o polvo assado no forno é para mim o melhor prato da casa, aquele onde eu aposto mais vezes, o cabritinho é um desvío de celas para as outras pessoas todas. Junta-se com a vitela assada, que se parte à colher, e é verdade mesmo, o bacalhau com broa e lá está o polvo grelhado. A história do cabritinho tem a ver com o António, porque este António trabalhou antes no Fernando Pedras Rubras, que também aqui havemos de trazer, e que é mundialmente famoso pelo cabrito, que serve lá no restaurante e servem toneladas para fora em Tiacabuçu, sobretudo ao fim de semana. Portanto, este António, não estou a dizer que roubou o segredo, mas já vinha de uma casa onde o cabritinho era muito famoso e este cabrito no clássico pé de mesas ao cabrito do Pedras Rubras, embora o Pedras Rubras é mais antigo, temos sempre de dizer que começou primeiro.
Eu sei que ainda é muito cedo, mas falar de cabritinho a estas horas.
O André não se aguenta.
Tu aqui fora do ar disseste-nos que este Clássico é um restaurante também parecido com os sports bar que conheces. O que é que têm em comum estes dois universos?
Eu conheço muitos restaurantes que têm uma televisão. As pessoas hoje em dia querem ver mais televisão, até por causa do futebol, etc. Portanto, conheço muitos restaurantes sem uma televisão. Sítios com mais que uma televisão na mesma sala, só conheço aqueles sports bars, há muitos cá, mas no Algarve há muitíssimos, dos ingleses, que um está a dar rugby, outro está a dar futebol, outro está a dar não sei o quê. Acontece que neste Clássico, eu não sei, nunca contei, mas há umas quatro ou cinco televisões.
Na mesma sala.
Numa sala e numa sala adjacente, umas quatro ou cinco. Só na esplanada, nas traseiras que eles têm, é que não. Agora, a verdade é que eu muitas vezes quando quero ir jantar, quero ver um jogo de televisão, que hoje em dia há futebol quase todos os dias, como a gente sabe, seja das competições europeias ou seja. E eu tenho sempre aquele cuidado se calhar, desculpe lá, tem televisão e arranjar uma mesa com vista para a TV. No Clássico não é preciso, porque esteja onde eu estiver, tenho certeza que tem uma televisão à vista.
Portanto, menos uma coisa para nos preocuparmos, para quem quer ver.
Exato, para quem gosta, já sabe que está à vontade, porque arranja-se sempre maneira de ver televisão e pode-se estar num canal numa televisão, noutro canal noutra. E são televisões excelentes.
Ou a ver a novela ou a ver futebol.
Claro, sem som, porque isso é a pior coisa que há. Eu não faço essa maldade a ninguém e também detesto quando estou nalgum lado e a televisão tem som, porque não tem som, quem quer ver, quem não quer não vê. Agora com som, claro, até acho que raia a má educação. Portanto, nunca está som ligado, mas eu nunca vi, lá está, achei graça porque nunca vi um restaurante com tantas televisões.
Sim, realmente.
Mas é porque também, como é evidente, eles conhecem a clientela. É porque têm muitos clientes como eu, que também lá vão muitas vezes e querem ver futebol. E depois às vezes há jogos ao mesmo tempo e portanto uns querem ver um ponto, outros querem ver o Benfica.
Dá para tudo. Muito bem, vamos então passar aqui às nossas continhas, Manel. Uma notinha verde.
A nota verde está claramente na nossa possibilidade, não há problema nenhum. E garfo. Eu poria aqui um garfo dourado. Na qualidade do restaurante.
Estamos a começar bem o ano.
Estamos. Na qualidade de restaurante que o melhor prato não está na lista e que tem tantas televisões que só isso merece um garfo dourado.
Estava a ver como ias incluir as televisões na categoria.
Como não dar um garfo dourado a esta categoria? Muito bem, está feito mais um Por Pratos Nunca Dantes Navegados na Rádio Observador, em parceria com o TJornal e sempre com o Manuel Serrão. Voltamos para a semana. Até lá, Manel.
Até para a semana, Manuel.
Até para a semana e muito obrigado.