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Por pratos nunca dantes navegados, na Rádio Observador, mais uma vez com o nosso Manuel Serrão em parceria com o "The Journal". Bem-vindo, Manuel.
Olá. Bom dia.
Bom dia, Manuel. Tudo bem?
Tudo bem. Ainda vou votar. Ainda vamos todos.
Vamos todos. Hoje é dia de eleições. Olha, Manuel, desde ontem que a Comissão Nacional de Eleições não deixa fazer campanha, mas uma reflexão sobre os pratos recomendados neste dia a cada um dos líderes não estraga o espírito da lei. É tudo legal.
Por mim, não estraga.
Cai-me muito bem.
Eu também acho que não. Não vamos aqui fazer nenhum apelo ao voto. Nós fazemos um apelo ao apetite, desejar bom apetite.
Bem bom.
Aliás, em boa verdade, este famoso dia da reflexão também está a dar as últimas. Cada vez há mais gente que não concorda. E agora com o aumento dos votos antecipados, foram mais de 200 mil no domingo passado, ainda faz menos sentido. Mas enquanto não está previsto que imponham um jejum obrigatório em dia de eleições, podemos sempre falar de comida de restaurantes sem medo de ser multados. Aliás, hoje até futebol vai haver.
É verdade. Hoje temos um bocadinho de tudo. Tendo em conta que a ordem de apresentação deste menu vai ser arbitrária, por onde queres começar? És livre de começar por onde quiseres.
Com essa deixa e nessa qualidade também de homem livre, é mesmo pelo LIVRE que vou começar. Claro, quem diz LIVRE, diz Rui Tavares, que são praticamente uma e a mesma coisa, como sabemos. Tendo em conta o seu perfil, as suas ideias, o seu, do Rui Tavares, as suas ideias, a sua preocupação com o ambiente e a comida saudável, e o sítio onde foi mais feliz na vida, acho que uma saladinha de couves de Bruxelas era a escolha mais adequada. Como não sou frequentador de restaurantes vegan, embora também haja couve de Bruxelas em restaurantes não vegan, não estou em condições de recomendar o melhor restaurante para ele ir comer essas couves de Bruxelas, mas certamente que arranja em Lisboa um bom vegetariano, sem precisar de ir outra vez para Bruxelas a correr.
É verdade. E Manuel, se depois do LIVRE vem o PAN, já sei que não vai haver nenhum bife com ovo à cavalo.
Pois.
Certamente que não.
Eu também julgo que não. Aliás, nem mesmo um bife sem ovo, muito menos a cavalo. Para a Inês Sousa Real ainda pensei na açorda real do magnífico Papa Açorda, do Cais do Sodré, que dantes estava no Bairro Alto. Mas optei finalmente por mais um prato vegan, que é uma coisa que ela gostará com certeza. E para isso proponho um risoto de cogumelos.
Gosto tanto.
E se a Inês tiver ao trabalho de ir até Vila Nova de Famalicão, tem lá duas opções excelentes em dois restaurantes que já aqui trouxemos. Um é o risoto de cogumelos do Porta Enxerto, mesmo no meio da cidade, ou então o do Meat. Ela que não se assuste com este segundo nome, porque é um meat separado, meat, e não um meat com carne.
Então, sim.
De qualquer forma, também era bom que ela lá fosse a Famalicão, para contrariar aquelas pessoas fora da capital que agora ouvimos nas reportagens da campanha todos os dias a dizerem: "Os políticos só andam aqui por Portugal, fora de Lisboa, em tempo de campanha." Assim até era bonito que a Inês Sousa Real fosse lá desmentir esta convicção popular.
Muito bem. E para a CDU, temos aqui um líder novo, Paulo Raimundo. Um líder novo, pede também um prato novo?
Sim, pelo menos nesta lista, o prato terá que ser novo, certeza. De qualquer maneira, sim, é verdade que a CDU, PCP, tem um líder novo, como aliás são todos, menos o Ventura e a Inês do PAN, penso eu. Portanto, foi mesmo uma campanha de novatos. Mas para o Paulo Raimundo, escolhi um prato de certa forma provocatório, que tem a ver com uma quadra que lembro-me da cara dele, a quadra natalícia. Mas aposto que vai do prato, vai gostar. É a roupa velha, que muitos fazem com os restos que sobram da consoada. Esta ideia, aliás, de aproveitamento e de combate ao desperdício, já lhe agrada mais, certeza, ao Paulo Raimundo. Até porque na campanha, até o ouvi dizer muitas vezes que a esquerda não quer e não podia desperdiçar nenhum voto. Portanto, estamos na mesma linha.
Manuel, vamos falar agora de um prato para a Iniciativa Liberal, que não será certamente um prato tradicional, conservador, nada disso.
Pois, eu também acho que não. Eles acabam-se muito de ser liberais nos costumes. O Rui Rocha e a sua Iniciativa Liberal, para além das ideias sempre muito liberais, faz sempre questão de se afirmar como partido dos jovens. E está sempre rodeado de jovens.
Nas redes sociais.
É, e na campanha andou também a fazer voleibol na praia e futebol. Acho que é o único líder que faz isso. E também porque ele, inovando, volta a ser candidato pelo círculo de Braga, enquanto a maior parte dos outros líderes são todos candidatos pelo círculo de Lisboa, mas o Rui Rocha volta a ser candidato pelo círculo de Braga, por onde foi eleito, acho que lhe ficaria bem uma ida a Guimarães, que é no distrito de Braga, a um novíssimo restaurante de gente nova, liberal e empreendedora, que é o Deal, que também já aqui falámos.
É verdade.
Lá eu propunha-lhe uma vieira gratinada ou uma vitela cachena. E com isso, ele fica prontinho para ficar à espera de saber se a sua IL sobe ou desce o resultado eleitoral mais logo à noite.
Estou a esperar.
E vamos ao Chega. Vem aí uma aventura culinária para André Ventura?
Apesar do que dizem dele, das coisas que ele também vai dizendo, embora nesta campanha tenha dito menos, acho que o André Ventura não desdenha a boa gastronomia indiana. Não faço a maldade de lhe recomendar uma ida a um dos restaurantes orientais da zona do Martim Moniz, por acaso até nem conheço nenhum, mas aposto que ele vai adorar um frango ou um borrego tikka masala.
Gosto tanto.
Do magnífico restaurante Mendy, no Porto, mesmo ao lado do Crown Plaza, antigo Meridia, na Avenida da Boa Vista. Será seguramente muito bem recebido, isso eu posso garantir, e vai sair de lá fã da comida indiana, se é que ainda não é, eu acho que ele até é capaz de ser.
É possível. Manuel, e com a sugestão para o Bloco de Esquerda, voltamos a Portugal ou continuamos na gastronomia do mundo?
Poderia ser, mas acho que voltamos a Portugal.
Voltamos? Pronto. Também é bom.
Mas sem perder a ideia de que a gastronomia portuguesa é uma das melhores do mundo.
Claro.
Portanto, quando a gente fala em gastronomia do mundo, fora da portuguesa. Aliás, nos dias de hoje está cada vez mais divulgada, mais conhecida e também cada vez mais apreciada a gastronomia portuguesa no mundo, também isso tem a ver com o boom turístico que temos cá tido. Para a Mariana Mortágua, sugeria uma ida aos Algarves, para provar um cherem Um xerém.
Eu estou a tentar saber.
É um xerém, é um prato feito à base de uma farinha, que é típico algarvio e por isso mesmo, na suposição de que ela ainda não provou nenhum, eu recomendo-lhe e a si também, já agora, o melhor xerém que conheço, que é o xerém de verbigão do restaurante A Casa do Avô.
Olha.
Que é na localidade de Parra, perto dos Salgados.
Mas devia ser mais na Casa da Avó.
Pronto, para não julgar e que me estou a meter com ela, repito que o restaurante se chama A Casa do Avô e não Casa da Avó.
Vou usar essa nota.
Para ficares esclarecida.
Então só faltam os últimos dois, não é? Os que as sondagens dizem que vão ser os dois primeiros, o Luís Montenegro e o Pedro Nuno Santos. O que é que tens para eles?
Antes de mais nada, as sondagens têm tido muitos enganos nos últimos tempos, mas uma coisa é falhar o primeiro, outra é falhar logo os dois primeiros. Mas nunca se sabe. Eu também, à cautela, disse qual é que achava que a sondagem ia ganhar primeiro. Eu disse que os dois primeiros, um ficará em primeiro, outro ficará em segundo, qual? A gente não sabe. E também não é aqui que vamos estar a revelar.
É isso mesmo.
Até porque a sondagem das urnas é a única que verdadeiramente nunca se engana e não tem dúvidas. Começando ao calhas pelo PS e por Pedro Nuno Santos, a sugestão que deixo é de uma pescada cozida com todos. Para ir de encontro a essa ideia que foi muito badalada na campanha de querer fazer um governo com todos. Claro, com todos o seu partido, mas também com todos os partidos à sua esquerda. E portanto, acho que uma pescada cozida com todos tem a ver com a grande campanha que ele tem feito nessa linha.
É isso mesmo. E finalmente, para uma coligação, imagino que venha aí um prato que junta muitos ingredientes.
Ora, Filipa imagina e imagina muito bem. Também a AD e o seu líder, Luís Montenegro, têm pedido muito o voto útil de todos que se queiram juntar às suas ideias e projetos de mudança. Para além de já lá ter três partidos, ainda estão a pedir os votos dos outros partidos. Portanto, digamos, é uma vitória que eles desejam com muitos ingredientes mesmo.
Sim.
E portanto, um prato que junta muitos ingredientes, como dizias, e que já agora é um dos meus pratos favoritos, é um bom cozido à portuguesa.
Nunca falha.
Nunca falha. Com muitos e bons enchidos, a ver se a AD pode sonhar com uma boa enchida de votos, que é o que eles desejam. Se mais logo não for o caso, logo se verá, ficam pelo menos com o estômago bem composto para aguentar a noite eleitoral.
Isso não falha mesmo. Manel, hoje não há continhas, não temos garfos, mas temos boas sugestões de restaurantes e pratos.
Hoje temos barriga cheia.
É isso mesmo.
Barriga cheia e não temos contas agora, mas logo à noite.
Logo à noite vamos fazer.
Contas é o que não vai faltar. A gente já sabe, vão ganhar todos, mas cada um fará as suas contas. Eu não vou meter em contas quando há tanta gente a fazer contas para logo à noite, é deixá-los fazer.
É isso mesmo. Foi mais um Por Pratos Nunca Dantes Navegados, como nosso reino, em parceria com o TJornal. Manel, até à próxima.
Até à próxima.
Até à próxima, já com novos resultados.
É isso mesmo.