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Vamos a mais um Por Pratos Nunca Dantes Navegados na Rádio Observador, em parceria com o TJornal e, claro, com o nosso Manuel Serrão. Bem-vindo de volta, Manuel.
Bem-vindo, Manuel. Olá, eu tinha para estar no Dubai, mas desta vez vim cá.
Muito melhor estar aqui, não é?
Fico muito orgulhoso pelo Manuel ter preferido a nossa companhia à do Dubai.
Claro que sim. Manuel, já sei que hoje temos aqui um restaurante muito especial, que tem um prato único no mundo. Isto é prometa, atenção. Mas podias começar por contar a história desta escolha de hoje.
Pois, eu vou dizer uma das razões.
Antes de irmos a este prato único.
Claro. Eu dizia que podíamos ter tido aqui outra coisa histórica, que é o Ronaldo faz anos, 39 anos, salvo erro.
É verdade, sim, senhor. Amanhã.
Amanhã. E portanto, se estivesse cá, se não estivesse no Dubai, eu não pedi ao Dubai. Se ele por acaso tivesse vindo cá, podia festejar aqui nos temperos da Zezinha, que ela ficava toda contente e ficava a ser uma coisa histórica.
De certeza que os temperos da Zezinha agradeciam.
Embora devemos dizer, ele não poderia convidar muita gente, porque este restaurante é um restaurante quase de bolso, em Matosinhos.
Era para os mais chegados.
Teria que ser mesmo chamado...
Só ele e os filhos, Manuel, já não dava.
Tinha que ser um jantar íntimo, mas no caso do Ronaldo, um íntimo são umas dezenas de pessoas.
Pois é isso.
Portanto, eu acho que realmente não seria boa ideia.
Isso é complicado.
De qualquer maneira, qual é a história deste Temperos da Zezinha? Num determinado dia, houve um rapaz de seu nome Delfim, que trabalhava em Angola, que decidiu regressar a Portugal e desafiar a mãe, que trabalhava num outro restaurante, a abrir um restaurante próprio com ele.
A mãe é Zezinha.
A mãe, lá iremos. Andamos todos a falar dos portugueses que querem e vão trabalhar lá para fora. Ainda bem que aqui estão vocês os dois, dois jovens que resistiram e ficaram cá e fazem muito bem. Mas aqui temos uma história contrária, alguém que trabalhava lá fora.
Pois, e veio para cá.
E voltou para Portugal e portanto eu acho que também devemos elogiar essas pessoas. Não só devemos elogiar aqueles que, com espírito de empreendedor e grande capacidade de aventura, vão para o estrangeiro, mas também aqueles portugueses que, depois de terem estado no estrangeiro, regressam e querem investir em Portugal e vêm para cá trabalhar.
Eu há pouco estava, desculpem, eu sei que a curiosidade matou o gato, mas eu nestas coisas, é o meu fardo de jornalista. Temperos da Zezinha, quem é que é a Zezinha, afinal? Zezinha existe? Quem é que é?
A curiosidade pode matar gatos, mas não mata pratos. E portanto estamos à vontade aqui com a curiosidade, não há problema nenhum. Mas como já deve ter dado para perceber aos nossos ouvintes, como é evidente, a Zezinha é a dita mãe do Delfim.
Anticipaste um bocadinho.
Podia ser filha, irmã e tal, dar o nome, neta até, mas não, é mãe, de facto. E era ela que trabalhava como cozinheira num restaurante perto, aliás, curiosamente, numa rua embora um bocado mais para a frente, em frente à doca, um restaurante Valentim, que aliás já aqui esteve nestes pratos também. Ela estava lá muito bem e era muito querida na casa e pelos clientes também, dos quais eu próprio, como já vão ver mais para a frente também, mas o apelo de um filho é o apelo de um filho. E a Zezinha não resistiu à tentação. Portanto, pondo a qualidade dos seus temperos ao serviço do espírito empresarial do seu Delfim. Neste caso, é mesmo Delfim duplamente, que é o Delfim dela e é Delfim do outro.
E olha, Manuel, parece que este Temperos da Zezinha é como a moda, não é? Tem uma temporada de outono inverno e também uma primavera verão.
Pois, aliás, é que se pode dizer que agora parece que as pessoas podem mudar de nome a todo momento. Eu espero que este Delfim não mude de nome, porque senão estraga-nos aqui a crônica. Delfim é um nome giríssimo e original.
Caso contrário.
De qualquer maneira, pode dizer-se isso em relação à parecença com a moda. E por quê? Porque o Temperos da Zezinha é um restaurante pequeno, que tem tantos lugares dentro, ou seja, abrigados, como numa pequena esplanada no passeio mesmo em frente. Claro que nesses dias em que não está propriamente calor, seja janeiro, fevereiro, dezembro, o restaurante fica mais ou menos reduzido a metade, mas só em espaço, porque a qualidade é a mesma. De qualquer maneira, há que dizer que a Zezinha, este restaurante, tem muita clientela de takeaway, portanto, para isso não interessa nada. Sobretudo ao fim de semana, eu acho que ela serve muito mais refeições para fora, pessoas que lá vão buscar, aos almoços de domingo e de sábado, jantares de sábado também, do que serve lá no próprio restaurante. E também tem mais pratos à escolha. De qualquer maneira, o cabritinho assado no forno, a costela à Mendinha ou a feijoada à Transmontana são sempre pratos muito requisitados, sobretudo para takeaway.
No início começamos o programa por dizer que este Temperos da Zezinha tinha um prato que é único no mundo, não me esqueci disso. Já podemos saber qual é?
Já podemos saber.
O momento revelação.
Na altura em que a Zezinha trabalhava na cozinha do Valentim, como eu já disse, eu era, e continuo a ser, apesar de tudo, um cliente regular. Uma das especialidades deste Valentim, aliás, que é comum à maior parte dos restaurantes daquela zona da doca de Matosinhos, é o peixe grelhado com o arroz malandro de legumes.
Ai, gosto tanto.
Pois, mas acontece que eu não gosto de malandros e muito menos em arroz. E um dia fui falar com a Zezinha e pedi-lhe para me fazer o arroz de legumes, sim, mas que não fosse malandro, nem malandrinho, como também gostam de chamar, eu fico furioso. "Ai, quero um arroz malandrinho." Eu disse: "Não, nem malandrinho, nem malandro, nada. Não quero cá malandros à mesa." E lembro-me que a Zezinha tentou, enfim, não acertou logo à primeira, mas com umas conversas mais e tal, acabou por ficar um arroz magnífico, para a terceira, quarta vez, que depois quando eu lá ia, pedia ao empregado para lembrar a cozinheira que o meu peixe grelhado era com esse arroz não malandro. Ainda hoje, arroz decente, enfim, compreendo.
Daí que deste o nome próprio.
Exatamente.
O arroz do Manuel.
Ora, então parece que se estão a adivinhar.
Já estou. Olha, nós hoje estamos com o sentido apurado.
É que ainda hoje vão lá vários amigos a quem contei esta história e que também partilham o gosto comigo por um arroz mais seco do que o malandrinho. E então vão lá e pedem, para explicarem como é, pedem o arroz à Manuel Serrão. Curiosamente, mas lá, é assim, diz os clientes e mais nada. Quando abriu o Temperos da Zezinha, e sem me dizer nada Mas não tem mal nenhum. Quando fui lá pela primeira vez, vi que a Zezinha tinha posto na ementa, como acompanhamento extra, um arroz à Manuel Serrão. Ao lado das migas de tomate da Senhora de Cuendas, na ementa, nos acompanhamentos extra, arroz à Manuel Serrão. Eu também não queria acreditar, mas é o único restaurante do mundo que tem um prato destes.
Tem um prato muito bom.
Manuel, isso é incrível. E para acompanhar este prato, o que é que sugeres?
Dizes bem para acompanhar, porque um prato desse não é um acompanhamento, tem é que ser acompanhado. Eu acho que bem acompanhado, que está elevado à categoria de prato, eu sugiro um bom robalo ou uma boa dourada grelhada, mas também pode ser, e também acompanha bem, com umas gambas ao alho, um bife de lombo de boi laminado, que é muito bom, ou umas costelinhas de borrego. Para os que gostam das sobremesas.
O nosso momento, André.
Ora bem, o vosso momento. Também há lá uma especialidade da casa, que não é para quem lá vá sozinho, tem que ser mesmo para quem queira partilhar, mas que é um fondue de gelado, que no mínimo é para duas pessoas, com chocolate quente, Baileys, biscoitos e nata.
Que graça, tão bom!
Eu acho que para quem gosta disto, é de comer e chorar por mais.
Filipa, alinhamos os dois?
Vamos lá, só para ir buscar as colheres.
Hoje nem queremos saber de garfo, hoje só queremos contas e duas colheres.
É isso mesmo, mas André, não dá para contornar, temos de ir aos garfos.
Vamos lá ao garfo. Primeira conta.
A conta está dentro da nossa bitola, portanto, a notinha verde chega para os três. Mesmo comendo arroz à Manuel Serrão, não tem grande preço, é um preço normal. É um extra, mas cabe perfeitamente no nosso orçamento.
Ótimo, então aqui a notinha verde dá para os três e, André, por muito que tu queiras fugir ao garfo e só agarrar as colheres, vamos ter de ir ao garfo.
Vamos, mas ainda te digo que até neste caso, eu diria que para os três, com a notinha verde, ainda podemos guardar alguma coisa para o fundo de Medina. Aquele fundo que se guarda.
Mas é que isto com as eleições, não sei se vai avançar.
Eu acho que sim. De qualquer maneira, o garfo, eu acho que vamos começar este mês de fevereiro também com o garfo dourado para a qualidade de restaurante de bolso que tem um prato que mais ninguém tem.
E com arroz à Manuel Serrão. Então só não nos podemos esquecer disto.
Eu devo dizer, eu ainda não consegui ir a nenhum dos restaurantes que aqui falámos, mas eu gostava muito de ir a este só para poder dizer isso.
Exato, que é de um arroz à Manuel Serrão. Temos de ir lá, André, temos de organizar aqui uma excursão.
Se eles gostam de arroz sobre o seco, vão adorar.
Muito bom, então vamos experimentar. É assim com este arroz à Manuel Serrão que fechamos este "Por Pratos Nunca Dantes Navegados" na Rádio Observador, com uma parceria com o "Tejornal". Manuel Serrão, temos encontro marcado na próxima semana. Obrigada.
Até para a semana. Obrigado!