Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bem-vindos ao "Porque Sim Não é Resposta" com o psicólogo Eduardo Sá. Hoje falamos de um tema que preocupa muitos pais: o controle do xixi noturno. Uma mãe escreve-nos a dizer que o filho, de sete anos, ainda usa fralda à noite. O menino sente-se envergonhado, mas diz que não consegue evitar. Olá, Eduardo. Será apenas uma questão de tempo ou há algo que os pais possam fazer para ajudar esta criança?
Olá, Judite, boa tarde. Quando as crianças começam a engatinhar, movimentar-se a quatro membros, ainda por cima a uma velocidade estonteante, implica um controle muscular absolutamente fora do vulgar. E, portanto, quando elas têm este controle muscular, tem a ver com a musculatura voluntária, põem aquela maquinaria toda a andar e de uma forma muito sofisticada, e também com outro tipo de musculatura. O que é importante é que nós possamos perceber que, a partir do momento em que eles têm este tipo de controle, claro que entram num patamar em que é suposto que aprendam a controlar, de início, as fezes e depois a urina. Evidentemente que os pais fazem coisas que são ternurentas, como, por exemplo, às vezes sentá-los um bocadinho num bacio e eles estão ali tempos e tempos. E depois, às vezes, depois de estarem muito tempo sentados, levantam-se e vão ao cantinho da sala e fazem xixi. A mãe fica à beira do ataque de nervos, diz que nunca mais repete e no dia a seguir faz tudo igual, até ao dia em que uma criança, por acaso, por acidente, sem querer, faz xixi no bacio. E aí há uma festa absolutamente inacreditável. Toda a gente vai ver o xixi, o gato, o cão, toda a gente. E os nossos avós chamavam às fezes e à urina no bacio, o presente. "Olha, dá um presente à avó", que é como quem diz: "Tu fazes-nos a vontade e nós ficamos a gostar mais de ti". Este é um bocadinho o trajeto, Judite. E, portanto, esta aprendizagem, quando as crianças não têm quaisquer comprometimentos de natureza neurológica e não têm, circunstancialmente, infecções urinárias, este é o trajeto, digamos assim, normal. O que se passa é que, de facto, este tipo de aprendizagem, às vezes não é tão coincidente com algumas crianças que começam a fazer um movimento que eu gostava de chamar a atenção, porque todos nós já passamos por isso, Judite, que é quando nós começamos muito em cima deles. A não deixar beber água à noite, a falar de xixi a torto e direito, etc. Estarem permanentemente atentos ao músculo uretral é meio caminho andado para perderem algumas pinguinhas e atrás das pinguinhas vir o resto. E, portanto, depende um bocadinho de todo o contexto em que uma criança cresce, mas evidentemente que uma criança com sete anos já não devia fazer xixi na cama. É suposto que a mãe ou o pai se zanguem? É. É suposto que, de alguma forma, isso tenha um impacto na maneira como se controlam os esfíncteres? Também é verdade, por uma razão, Judite, porque a partir do momento em que as crianças aprendem as regras, nós pomos ali alguns sentidos proibidos ou alguns sentidos obrigatórios, e isso faz com que elas tenham que se conter um bocadinho. Quanto mais aprendem a contenção dentro de alguns limites, aprendem o controle. Às vezes, quando as crianças têm as regras fora do sítio, o xixi vai à boleia, porque evidentemente, a maneira como elas dormem não é estranha à maneira como elas vivem. Mas isto tudo para te dizer que sete anos não, por favor, e, portanto, tem que se olhar para esta criança, porque isto depois causa muitas dores de cabeça. Não dá para ficar em casa dos tios, não dá para ficar em casa dos amigos.
E justifica uma avaliação médica?
Justifica uma avaliação sensata e ponderada. Volto a dizer que ninguém quer pôr todas as crianças em acompanhamentos intermináveis. Não, o que é muito importante, num primeiro momento, é que quando os pais tenham dúvidas em relação ao porquê, se tire as medidas àquilo que se passa e se ponha um conjunto de agendas e daí venha uma série de propostas, de estratégias, se lhe quiserem chamar assim, que todas juntas, se a leitura for bem feita, evidentemente que resolvem o problema.
Então é uma boa dica para estes pais que têm esta preocupação. Nós ficamos por aqui hoje, Eduardo. Amanhã voltamos com mais um tema. Até lá, já sabem, continuem a escrever-nos para eduardosa@observador.pt. Eduardo, um grande abraço. Obrigada e até amanhã.
Um abraço grande e até amanhã, Judite.