Há, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, uma taxa de abandono precoce de educação e formação na ordem dos 6,1% (INE, 2025). Estes dados revelam-nos que, cerca 40.000 jovens decidem, por circunstâncias diversas, interromper a normal trajetória escolar.
Não obstante, este indicador é apenas um leito menor de um rio maior: Os nossos alunos demonstram um crescente défice nas ciências, na matemática, na compreensão da cidadania, bem como no cumprimento das normas da formação cívica. Dito de outro modo, ainda que o INE nos confirme igualmente a existência de uma taxa de escolarização no ensino superior próxima dos 45% (INE, 2025), a jornada desses estudantes até à entrada na universidade, expõe uma carência significativa na compreensão analítica, na literacia humana e nas capacidades de autoavaliação, regulação e consciencialização.
Consequentemente, a ausência dessas competências, dificulta o processo de aprendizagem e reduz a taxa de sucesso para mínimos possíveis de transição nas diferentes áreas do saber.
Não há, portanto, no relatório PISA divulgado, nenhum dado que não seja percetível numa sala de aula, nos corredores de uma instituição de ensino ou, em qualquer espaço público que permita a convivência com os nossos jovens cidadãos.
Distantes desta realidade social, os governos, ao invés de analisarem a génese destas evidências, preteriram medidas que potenciam o coletivo ao cumprimento das metas de avaliação que sustentam os parâmetros medidos positivamente, mas inversamente, descuram da importância do progresso individual e da implementação de medidas que reforçam a intelectualidade e o gosto em saber.
Com efeito, Portugal cumpre a média da OCDE, mas não consegue omitir a degradação de um sistema educativo com falhas estruturantes, nem as deficiências do estado social.
Para já, ainda é possível dissimular competências com excesso de qualificações.
E enquanto for possível fingir que está tudo bem, o nosso futuro enquanto nação está comprometido.
Não haverá amanhã sem futuro.