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Este podcast tem o apoio do Banco Credibom. Há muito que as notas e moedas deixaram as nossas vidas. E com o avanço da tecnologia já é possível ir às compras sem cartões. Há hoje no mercado inúmeras soluções cashless. António Ferrão, diretor da Fintech Solutions, pergunto-lhe: o cashless é um sistema pacífico?

Boa tarde, João. Obrigado. O cashless já existe na nossa vida há muito tempo. Nós temos cartões, temos cheques. O tema de ser pacífico é mais a confiança que temos em cada uma dessas opções. E com o crescimento do digital, temos que criar um pouquinho esta confiança nesses novos meios, no Apple Pay, no MB Way. Não é um tema de ser pacífico, é mais de ser conhecido.

Portanto, ainda carece de divulgação, é isso?

É o tema de nos habituarmos a uma nova forma. Nós sabemos que é perigoso escrever o código atrás do nosso cartão, mas ainda não sabemos bem o que é perigoso ou não nestes meios digitais. Mas obviamente têm vantagens brutais e é por isso que estão a ter uma grande adoção em Portugal e lá fora.

Quais são as vantagens do cashless, António?

Isto depois é um tema também pessoal. Eu acho que tipicamente as vantagens são, por um lado, a segurança que tem, porque são sistemas que estão muito mais robustos, que não têm estas questões de nós podermos perder ou termos de decorar passes. E por outro lado, é a comodidade, que nos permite simplificar um pouquinho os instrumentos que utilizamos no dia a dia. Temos uma forma de pagar que quase que se dilui e nós podemos começar a olhar para as experiências de consumo muito mais simplificadas, em que não chega aquela parte de pagar. E devemos pensar nisso, por exemplo, no transporte ou no retalho, em que nós podemos, de repente, deixar de ter aquele momento típico de checkout e de fazer uma transação, e sermos mais fluídos, muito menos absorvidos pelo pagamento.

Estes sistemas de pagamento têm também desvantagens?

Mais uma vez, as desvantagens decorrem um pouquinho da forma como nós olhamos para essas tecnologias e o contexto digital. Eu acho que tipicamente os constrangimentos que o utilizador vê são dois. Por um lado, a segurança e o facto de nós se não soubermos bem utilizar, podemos ser um pouquinho mais facilmente burlados. Aquele tema de como é que utilizamos o MB Way, as questões de quem não sabe utilizar o MB Way. E por outro lado, há um tema também de segurança, o facto de estarmos sempre ligados de forma digital e estarmos muito mais a partilhar dados e a processar dados, que algumas vezes gera desconforto para quem não sabe muito bem como é que esses dados são tratados, como é que a nossa informação depois é utilizada, e depois tem um pouquinho mais de receio. Mas eu acho que as desvantagens são muito residuais e é a mesma questão de literacia, e de nós nos sentirmos empoderados para utilizar essas ferramentas, que vai tirar essas desvantagens do caminho.

Que sistemas é que existem hoje em dia no mercado, António?

Nós podemos partir dos tradicionais, tudo o que é o cheque e o cartão, que já estão quase um pouquinho em desuso. Agora temos o contactless, que cresceu brutalmente durante a pandemia, a questão de encostar um cartão. Mas depois temos soluções, nós conhecemos bem o MB Way, porque é uma solução nacional e com muita penetração, mas temos o Apple Pay ou o Google Pay, que são soluções que nos permitem agregar o nosso cartão e com NFC, com tecnologia de contacto, nós podemos fazer transações sem muitas validações. Depois temos também tudo o que o banco nos oferece. O mobile banking, tudo que são opções com gadgets tipo Apple Watch, em que já nem sequer está baseado no smartphone, está baseado num gadget adicional. E depois há micro use cases. Temos o QR code, ou seja, nós já podemos fazer a leitura de um código de barras e pagar diretamente. Tudo isso depois são soluções alternativas, mas se calhar diria que o core do cashless atualmente são tudo o que é as soluções agarradas aos nossos mobile bankings, de aplicações dos nossos bancos, e depois o MB Way, e Apple e a Google Pay.

É possível que no futuro o dinheiro físico desapareça de vez das nossas vidas?

Eu acho que ainda vai demorar, diria uma geração ou duas, mas eu acho que é o único caminho, porque tal como desmaterializámos outras coisas na nossa vida, a nossa relação com o dinheiro vai ser muito mais digital e muito mais fluida. Nós não procuramos tanto guardar reservas de valor como dantes guardávamos em bens e vamos confiar mais nesses sistemas. E a partir daí não vamos ver muito valor em termos uma carteira com notas e com moedas que nos pesam, quando tudo isso pode ser muito mais transacionado, até de forma mais barata e mais quase ecológica, se calhar, de forma digital. Portanto, eu diria que sim, o caminho acho que é desmaterializar a moeda.

Portanto, sair de casa sem dinheiro...

Eu já saio de casa sem dinheiro.

É?

Sim, ou seja, eu confio muito no meu smartphone para fazer os pagamentos que preciso fazer durante o dia. No limite, o nosso smartphone permite-nos levantar dinheiro, se isso for a questão a meio do dia.

Como assim?

Ou seja, nós podemos com o MB Way fazer um levantamento no Multibanco, e é uma solução local, mas existem várias formas de nós depois transformarmos o numerário para transações mais pequenas que queiramos fazer.

Portanto, concluindo a minha ideia, sair de casa sem dinheiro físico não é um problema.

No limite, é sair sem carteira, porque nós vamos começar a ter a nossa identidade no telefone, o nosso meio de pagamento no telefone, portanto, até a carteira perde se calhar sentido.

António Ferrão, obrigado pela sua ajuda. O nosso porta-moedas ficou mais leve, o que neste caso é um bom sinal. Obrigado.

Muito obrigado, João.

Este podcast tem o apoio do Banco Credibom