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Este podcast tem o apoio do Banco Credibom. Mês após mês, estica o orçamento, mas o dinheiro não lhe chega para pagar todos os créditos. É provável que tenha chegado a altura de fazer um crédito consolidado, ou seja, juntar todos os créditos num só. Mas será que pode? Sérgio Salino, autor do podcast "Finanças com Salino", bem-vindo. Em que circunstâncias é que se deve fazer um crédito consolidado, Sérgio?
Olá. Na prática, existem várias circunstâncias que podem fomentar esta criação de um crédito consolidado. Mas antes de falarmos sobre o crédito consolidado, se calhar, seria importante perceber o conceito do mesmo, assim de forma muito rápida. Estamos a falar da colocação de vários créditos num só e que, por isso, existe uma vantagem aqui que é a não dispersão de financiamento. Qual é a ideia? Quando nós temos vários créditos em várias instituições financeiras, torna-se um pouco difícil gerir os mesmos, seja pelo facto de termos um prazo de pagamento diferente, uma data de pagamento diferente, um valor diferente e por isso, a partir do momento em que queremos deixar de ter essa preocupação, fazer um crédito consolidado é fantástico nesse sentido. Noutra vertente, e essa é se calhar a mais importante, é porque o crédito consolidado permite, na grande maioria dos casos, baixar o valor a pagar mensalmente, que é o que toda a gente procura.
Esse ganho obtém-se como?
A partir do momento que eu consigo negociar com uma instituição financeira a redução do meu crédito a pagar, seja por aumento do prazo, seja por melhoria das condições contratuais, eu estou a poupar no meu montante. Na prática, isso está relacionado com o conceito de TAEG, que eu posso falar um pouquinho mais à frente, que é a Taxa Anual Efetiva Global, e que na prática é importante retermos para isso. Ou seja, fazer um crédito consolidado só porque sim, não aconselho. Aconselho que façam bem as contas, já que podem acabar por perder dinheiro tentando fazer um crédito consolidado.
Esse crédito consolidado, é possível fazê-lo em todos os bancos?
Em teoria, sim. Na prática, nem sempre. E isto tem a ver com alguns fatores. Todos os bancos têm essa possibilidade, no entanto, nem todos têm interesse. Isso tem a ver com essencialmente dois pontos, diria. Um, a situação dos clientes em si pode ser bastante débil e o banco não ter interesse em acabar por oferecer essa consolidação de crédito, que para todos os efeitos passa por comprar crédito de um outro banco para acumular todos eles num só banco, que é o próprio, ou em alguns casos, pelo posicionamento de mercado desses bancos. Eu não vou fazer aqui publicidade negativa nem positiva a nenhuma instituição. Na prática, não quero fazer, mas sei que em alguns casos acontece connosco, quando estamos a intermediar processos, alguns bancos recusam isso. A parte positiva é que existem instituições que fazem consolidação de créditos quase sempre, em 99% dos casos. Muitas vezes não se chama consolidação de créditos, chama-se reestruturação financeira, mas vai dar ao mesmo, só muda o conceito.
E Sérgio, é possível juntar créditos de vários bancos ou instituições financeiras?
Sem dúvida. É essa mesmo a base da consolidação de crédito, ou seja, não tem necessariamente que ser créditos de um só banco transformar-se num só crédito, pode ser crédito de várias instituições que depois acabam por fazer parte de um crédito consolidado. Respondendo à pergunta, sim, sem dúvida.
Juntar créditos de vários bancos e instituições financeiras. Quando se subscreve este crédito consolidado, é medida uma taxa de esforço, como se faz quando, por exemplo, se contrai um crédito à habitação? Se sim, qual é a taxa de esforço aplicada aos créditos consolidados?
Primeiro, podemos dizer que sim, existe o cálculo de uma taxa de esforço. Em boa verdade, e pegando já até no crédito à habitação, porque é um bom exemplo, quando nós pensamos no crédito à habitação, existem algumas taxas que estão definidas no mercado como sendo as taxas certas para oferecer ou, neste caso, fornecer o crédito bancário. No caso de consolidação de crédito, não existe um valor, pelo menos que eu tenha conhecimento, que seja fixo. Vai depender de algumas circunstâncias de quem procura esse financiamento. Em relação à questão da taxa de esforço, o que é importante é percebermos que a partir da consolidação de crédito, a partir das definições contratuais, quem está do outro lado, que neste caso é o que está a contrair o crédito, o contraente, consegue pagar o mesmo no prazo estipulado e para isso o banco ou a instituição financeira, não tem necessariamente que ser um banco, o que vai fazer é alguns cálculos, que têm a ver com os rendimentos da pessoa e rendimento do seu agregado familiar, para chegar a esse montante. Há pouco falou no crédito à habitação e agora se calhar era importante falar disso, que no caso do crédito à habitação, é mais uma chamada de atenção, mas está relacionado aqui com a taxa de esforço, é fundamental que as pessoas olhem para alguns indicadores. No caso do crédito à habitação é o METIC, para mim é o indicador mais importante, que é o Montante Total Imputado ao Consumidor, e no caso do crédito consolidado, é a TAE, que na prática é a Taxa Anual Efetiva. A diferença entre ambos é curta, porque ambos são o total de impostos e encargos Que alguém tem que pagar ao longo desse financiamento. Meti que é crédito habitação, que é para todos os outros. Portanto, olhem para isso sempre antes de saberem se devem avançar com esse crédito ou não. Fica aqui essa dica.
Muito bem, é uma boa dica. Sérgio Salino, é necessário justificar junto à instituição financeira a razão pela qual se vai juntar todos os créditos num só?
Depende da instituição, mas em mais de 90% dos casos há essa justificação. Também depende não só da instituição, já agora dizer, depende do gestor que nos estiver a acompanhar. E porque muitas vezes, talvez por desconhecimento, diria, estou a dizer isto se calhar de forma injusta para alguns, é um facto, mas muitas vezes o primeiro contacto é por alguém que não está ligado a conhecimento técnico, está mais ligado à parte comercial e por isso as questões podem ser mais vastas e daí haver diferenças de caso para caso. Mas sim, a maior parte dos casos há uma justificação. Algumas instituições não pedem, porque o que interessa é conseguirem verificar se vocês conseguem pagar ou não o financiamento através desta consolidação de crédito. Isso é o mais importante.
Por falar em capacidade para pagar ou não, quem já esteve numa situação de incumprimento e já esteve na chamada lista negra do Banco de Portugal, pode recorrer a esta figura do crédito consolidado?
Certo. Ou seja, quem já esteve pode aceder, até porque o histórico passado não invalida o futuro, digamos assim. Apesar de criar alguma má imagem, mas é natural, a verdade é que se nós conseguimos demonstrar que temos capacidade de pagamento, não há problema nenhum. Quem está atualmente na chamada lista negra do Banco de Portugal, é que é praticamente impossível. É óbvio que depende de algumas coisas, designadamente se existem garantias reais ou financeiras para esse mesmo crédito, mas em 99% dos casos é difícil. Portanto, respondendo à pergunta, quem já esteve pode se candidatar, pode tentar recorrer ao crédito consolidado sem problema nenhum.
Muito bem. Sérgio Salino, ótimas pistas e excelentes conselhos para resolver problemas financeiros. Muito obrigado. O meu porta-moedas agradece. Até para a semana.
Muito obrigado.
Este podcast tem o apoio do Banco Credibom