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Este podcast tem o apoio do Banco Credibom. Uma despesa inesperada, um projeto adiado, uma compra há muito desejada, uma necessidade de última hora. Há muitas razões para recorrer ao crédito pessoal, mas há consciência das vantagens e dos cuidados a ter na hora de pedir dinheiro emprestado? Ana Venâncio é professora auxiliar de Finanças no ISEG. Professora, estou a pensar recorrer ao crédito pessoal. O que devo começar por fazer?
Boa tarde, João e a quem está a ouvir. Antes de pensar em recorrer ao crédito pessoal, sugiro que o João pense num passo anterior. Todos deveremos ter um fundo de emergência correspondendo a seis meses a um ano das nossas despesas mensais, para fazer face a qualquer imprevisto que possa vir a acontecer, ou uma despesa muito desejada, como por exemplo, uma viagem. Para conseguir constituir o fundo de emergência, deveremos poupar uma parte dos nossos rendimentos mensais. O montante a colocar de parte varia consoante a disponibilidade financeira de cada um. Se tivermos esse fundo de emergência, não teremos de recorrer ao crédito e não teremos de suportar juros, comissões e encargos que um crédito acarreta. No entanto, o fundo de emergência pode não ser suficiente ou não existir. Bem, nesses casos teremos de recorrer ao crédito. A primeira coisa que o João deve fazer é pedir simulações a diversos bancos, não esquecendo de identificar para o que é que pretende o dinheiro. Para além disso, deve também recolher junto do Banco de Portugal informação das taxas máximas aplicáveis aos contratos de crédito aos consumidores. Estas taxas máximas variam consoante a finalidade pretendida para o crédito. Se é, por exemplo, para educação, saúde ou para os cartões de crédito ou outros créditos pessoais. E estas são atualizadas de três em três meses. Por exemplo, imaginemos que precisa de pedir dinheiro emprestado para pagar o mestrado ou o curso do seu filho. A taxa máxima anual que o banco lhe pode exigir neste momento é de 6,5%. Se for para comprar um carro novo, a taxa máxima é de 3,3%. Toda esta informação está disponível no website do Banco de Portugal e facilmente acessível. Só para recapitular, passo zero: criar um fundo de emergência para minimizar o montante a pedir de crédito. Passo um: pedir simulações com o mesmo prazo e montante, não esquecendo de identificar a finalidade do crédito. Passo dois: negociar com o banco taxa de juro, reembolso antecipado, prazos de pagamento e a necessidade de um fiador.
Muito bem. Professora, eu estou no clube dos que precisam recorrer à ajuda do banco, ao crédito pessoal. Que cálculos e que contas é que eu tenho mesmo de fazer?
Há diversos cálculos ou diversos fatores que é necessário primeiro ter em atenção. O primeiro é a taxa anual de encargos efetiva global, ou também conhecida pela TAEG. Esta taxa mede o custo do empréstimo por ano em percentagem do montante emprestado e inclui todas as taxas que os bancos cobram, incluindo juros, comissões e seguros. Algumas instituições, por exemplo, cobram um valor ou uma comissão de abertura ou de formalização do pedido de crédito, cujos valores variam consoante o montante e o prazo de crédito pretendido. Outras, por exemplo, consideram o seguro de vida facultativo, mas quando não o é, este pode acrescentar um valor até 20% do valor do montante pedido. A TAEG, a taxa anual de encargos efetiva global, reflete todos estes encargos e é com esta taxa que deve comparar entre bancos para poder escolher o crédito mais barato. Os bancos também divulgam a taxa anual nominal, a TAN, mas esta taxa não reflete todos os juros e encargos a pagar, por isso não deve considerar essa taxa. O segundo fator que deve ter em consideração é o valor da prestação mensal e o peso dos encargos fixos mensais relativamente ao valor dos seus rendimentos mensais. Os encargos fixos mensais incluem, por exemplo, a renda de casa e todas as prestações que tenha até este momento, prestações de crédito atuais e futuras. O peso destes encargos sobre os rendimentos mensais deve ser menor de 30%. Ou seja, apenas um terço do seu rendimento deve ser alocado a pagamentos de empréstimos bancários ou outras despesas fixas. Se isso não acontecer, deverá alargar o prazo do empréstimo para que a prestação diminua. No entanto, é importante referir que, no global, o valor total de juros e encargos a pagar vai ser maior. O terceiro fator, que também deve ter em consideração, é a possível penalização por liquidação antecipada do crédito. É importante garantir ou negociar que não é penalizado se amortizar antes do fim do tempo do seu empréstimo. O quarto fator diz respeito à necessidade ou não de um fiador. São estes, essencialmente, os fatores que eu acho que é importante se ter em consideração.
Portanto, recapitulando, e se calhar é a regra mais importante, se eu ganhar, por exemplo, € 1 mil, não deixar que a soma dos meus créditos ultrapasse os € 300, os tais 30%, não é?
Para além dos créditos, também, por exemplo, a renda da casa. Todos os encargos fixos, para ter capacidade, depois, de fazer face às despesas correntes e mensais do dia a dia.
E em matéria de taxas, falou há pouco, devo optar pela taxa variável ou pela taxa fixa?
Bem, esta decisão vai depender um bocadinho da conjuntura económica. Neste momento, estamos a viver um ambiente de taxas de juro baixas, pelo que seria preferível pedir um empréstimo à taxa variável.
Porque a expectativa é que nos próximos tempos a taxa continue baixa e, portanto, isso beneficia-me em certa medida.
Exatamente. Mas atenção, isto continua a ser uma incógnita até quando estas taxas vão permanecer baixas, apesar de haver esta expectativa. No entanto, convém referir que a maioria dos créditos pessoais são essencialmente à taxa fixa.
Professora, fiz a simulação em vários sites. Há despesas extra que não constam das contas finais apresentadas?
Sim. Não inclui, por exemplo, os valores a pagar caso não cumpra as obrigações previstas no contrato, as comissões de reembolso antecipado do empréstimo e impostos que eventualmente possa ter que pagar.
Portanto, o que sugere é ler as letrinhas todas do contrato, incluindo as notas de rodapé, para não haver surpresas, claro.
Exatamente. Antes de assinar um contrato, deve pedir a ficha de informação normalizada, também designada por FIN, e deverá ler cuidadosamente todas essas informações, incluindo essas notas de rodapé que também falou.
O que é que podemos encontrar nessas letrinhas pequeninas que nos possa causar surpresa, professora?
Pode ser, por exemplo, impostos, pode ser, por exemplo, estas comissões que podem agravar o valor que terá pelo reembolso antecipado. Todos os bancos têm algumas coisas que sejam diferentes, por isso convém ler cuidadosamente toda a informação.
Portanto, depende de banco para banco e depende de crédito pessoal para crédito pessoal.
Exatamente.
Professora Ana Venâncio, o que acontece se eu não conseguir pagar o crédito pessoal?
Em caso de atraso no pagamento de qualquer das prestações, neste caso, o banco vai cobrar uma sobretaxa, tanto sobre os juros e também vai cobrar uma comissão de cobrança sobre as prestações que estão em atraso. Antes de entrar nesta espiral, sugiro que contacte o banco e que tente negociar as condições de pagamento dos seus créditos. Para além disso, também pode recorrer a diversos meios de resolução alternativa de litígios, que também estão referidas nestas fichas de informação normalizada, nestas FIN.
Muito bem, professora Ana Venâncio, obrigado pelos conselhos e pelos alertas.
Obrigada eu.
O meu porta-moedas agradece. No próximo programa vamos falar sobre criptomoedas. Será este o dinheiro do futuro? Até lá. Este podcast tem o apoio do Banco Credibom.