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Este podcast tem o apoio do Banco Credibom. Diz-se que de pequenino é que se torce o pepino. É no início de vida que se deve aprender a poupar? Como? É o que pergunto já diretamente a Pedro Silva Santos, criador de conteúdos e autor de três livros sobre emprego e literacia financeira. Pedro, o valor do dinheiro deve ser apreendido desde tenra idade?

Não sei. Acho que é muito cedo para se começar logo em tenra idade a tentar impingir a questão do valor do dinheiro. Acho que é muito mais interessante ensinarem a respeitar o dinheiro e o que devemos estar dispostos a fazer ao longo da vida para ganhar, poupar e investir o nosso dinheiro. Eu costumo brincar com estas questões. Costumo dizer que o dinheiro é como qualquer beldade, se nós não lhe dermos atenção, um dia ela foge-nos das mãos. Aqui é a mesma coisa. Em tenra idade, acho que os pais têm que ir passando a informação aos filhos de aprender a tratar o dinheiro como uma beldade.

E ensinar é suficiente ou há mais a fazer, Pedro?

As tuas perguntas são complicadas, mas para ensinarmos qualquer coisa relacionada com o dinheiro, temos que saber como fazer. Ou seja, para ensinar os miúdos a ganhar dinheiro, nós próprios temos que saber ganhar dinheiro. Para ensinar a poupar, nós temos que saber poupar. Sem ser o poupadinho até ter uma vida miserável. Para ensinarmos a investir e a multiplicar o dinheiro, nós próprios temos que saber fazê-lo. O problema é que muitas vezes, seja na escola, seja em casa, só nos conseguem entregar aquelas frases: "O dinheiro não compra felicidade, os ricos são ladrões, o dinheiro é a raiz de todos os males". E acho que esses registos na infância podem ser terríveis e podem transformar a nossa relação com o dinheiro em algo pouco saudável.

Foi o que aconteceu contigo?

Mais ou menos. Não foi bem isso. Não. A situação financeira da minha família, temos que enquadrar primeiro. Os meus pais passaram bastantes dificuldades, os meus avós não sabiam ler nem escrever, nem do meu lado materno nem paterno. Do lado da minha mãe, viviam a partir do que produziam na agricultura. O meu avô paterno era mineiro e portanto, acabavam por ter vidas muito difíceis. O meu pai tem muitos irmãos e os meus pais acabaram por terminar a escola primária e começaram logo a trabalhar. E passaram por fases bastante difíceis, principalmente quando eu e a minha irmã fomos para a universidade.

Então e como é que os seus pais o ensinaram a dar valor ao dinheiro e à importância de se poupar?

Eles transmitiram a importância do esforço, da dedicação como os valores base para alcançarmos tudo o que pretendemos na vida. Isso acho que foi importante na minha vida. E eu aprendi tanto com os meus pais como com os meus avós, que o trabalho árduo faz-nos crescer muito, pessoalmente, profissionalmente. Só que aprendi da pior maneira que trocar horas de trabalho por dinheiro, a determinada altura, nós não somos de ferro e eu digo da pior maneira, por quê? Porque eu cheguei a desmaiar de cansaço três vezes no mesmo mês. Eu conto isso no meu livro "A Ferrar a Dois" e até há seis ou sete anos, tudo o que eu tinha aprendido sobre ganhar e poupar dinheiro tinha sido com os meus pais. E apesar de eu ter feito um nível de formação superior e ter um mestrado, eu não sabia não trocar horas de trabalho por dinheiro. Depois comecei a ler muitos livros para tentar perceber como é que empreendedores muito bem-sucedidos, alguns dos quais eu lia livros e, além disso, ouvia os podcasts. Eu queria perceber como é que eles conseguiam ter negócios, montes de empresas e aquilo funcionava sem eles lá meterem as mãos. Mas eu só conhecia aquele modelo de trabalhar mais horas como forma de ganhar mais dinheiro, que era assim que os meus pais faziam. Portanto, tudo aquilo que eu trouxe da infância, da escola, dos meus pais, dos meus avós, levou-me, aos 30 e poucos anos, a decidir: "Não, isto não funciona pra mim. Não funciona e eu tenho que mudar completamente". Então foi no podcast e nos livros do Tim Ferriss, por exemplo, autor de "4 Horas por Semana", no "Akimbo", que é um podcast do Seth Godin e, por exemplo, nos cursos online do Adam Kuo, que é o meu mentor nos investimentos na bolsa. Foi aí que eu comecei a aprender como é que desenvolvia projetos escaláveis, que a determinada altura funcionavam, geravam dinheiro sem eu sequer lá meter as mãos. E foi aí que eu comecei a lançar livros, cursos online, e-books.

Então vamos lá avançar, Pedro. Há alguma idade a partir da qual os pais e educadores podem ou devem ensinar as crianças a poupar?

Para poupar, temos que resolver primeiro uma questão, que é: temos que ganhar alguma coisa para poupar alguma coisa. E o que eu sugiro para os pais e educadores, primeiro, leiam três livros: "Pai Rico, Pai Pobre", "Segredos da Mente Milionária" e um livro em inglês chamado "Small Change", que fala muito sobre os erros que nós cometemos em relação ao dinheiro e todos aqueles gatilhos mentais que as grandes marcas usam para nos esvaziar os bolsos. Comecem por aí, porque se começamos a ensinar a poupar, sem sabermos como ganhar dinheiro, estamos a começar mal. Ou seja, estamos a pôr a carroça à frente do burro. As crianças aprendem com os exemplos que veem em casa. Eu aprendi com os meus pais que era necessário trabalhar mais horas para ganhar mais dinheiro, abdicar de uma série de coisas, roupas de marca, viagens regulares, para poupar, jogar no Totoloto ou Euromilhões na esperança de um dia ficar rico, não arriscar nada do nosso dinheiro. E aos 36, 37 anos, eu estava enterrado em dívidas. Eu já não conseguia trabalhar mais horas e eu já tinha desmaiado de cansaço. Eu sei que não respondi, isto é o meu estilo, não respondo à questão que me colocaram, qual era a idade a partir da qual devíamos ensinar a poupar. Mas para mim, mais importante do que haver uma idade mínima, é nós começarmos a absorver, entre aspas, tudo o que vemos em casa. Então os pais têm que começar a instruir-se mais.

Muito bem.

Os próprios pais têm que saber ganhar dinheiro, deixar de trocar horas de trabalho por dinheiro. Até podem ter o trabalho em que trocam horas de trabalho por dinheiro, mas começar a ter alguns complementos.

E há jogos, Pedro, que podem ser feitos em casa?

Para gastarmos mais dinheiro e tratarmos o dinheiro como uma beldade?

Isso.

Sim, os meus pais costumavam fazer uma brincadeira gira, que nunca mais me esqueci. O meu pai trabalhava numa oficina de automóveis e aquelas latas de um litro de óleo, ele rasgava por cima para fazer um mealheiro, deitava o óleo fora, lavava aquilo muito bem. E quando eu não queria comer a sopa, ele e a minha mãe propunham: "Pagamos-te cinco escudos por cada tigela de sopa que tu comeres". E eu comia duas ou três tigelas de sopa. Depois quando diziam: "Come fruta, come uma laranja". E eu dizia: "Não quero laranja porque tem muitos caroços". E eles: "Pagamos-te um escudo por cada caroço que encontrares na laranja". Eu gostava era das tangerinas, que eram aquelas que eram mais azedas, mas tinham montes de caroços e portanto eu ganhava mais escudos. Eu punha lá para dentro daquele mealheiro e aos nove, 10 anos estava cheio de moedas, eu abri e tinha na altura 20 e tal cêntimos, o equivalente a 100 euros. Portanto, foi um jogo engraçado que os meus pais fizeram comigo e que me levou a gostar do dinheiro.

Ir às compras é uma estratégia para eles aprenderem o valor do dinheiro e o que custa gastar, o que custa ganhar?

Eu acho que é mais importante, se calhar, mais à frente, eles terem, por exemplo, uma semanada.

Portanto, na tua opinião, deve dar-se semanada ou mesada, deixando às crianças a possibilidade de gastar o seu dinheiro com supervisão?

Eu gosto mais de semanada, por quê? Permite-nos ir ajustando semanalmente aquilo que a criança está a fazer, a criança ou o adolescente. Depois, em relação à supervisão, eu não sou grande fã da microgestão ou andar ali: "Ah, mas por que gastaste isto?" Não, eles têm que ter liberdade também para gastar. Gastaste, agora só para a semana. E portanto, com uma mesada não conseguimos ajustar isso tão facilmente. Gosto mais do conceito de semanada.

De semanada, muito bem. Pedro Silva Santos, há algum estudo que sublinhe os benefícios da literacia financeira nas crianças?

Para mim, estas questões não se resolvem com estudos científicos. Posso estar aqui a dizer a maior baboseira do mundo, mas estou perdoado, porque eu não sou especialista nesta área. Eu acho que os pais têm que despertar a atenção para estas questões e temos que estar atentos aos sinais. Os meus pais quando leram o meu livro e perceberam que eu desmaiei de cansaço três vezes no mesmo mês, o meu pai chorou, ele falou-me nisso. E ele na altura disse: "Como é que nós, como pais, não nos apercebemos daquilo que tu estavas a passar?" E é importante os pais também estarem um bocadinho atentos àquilo que os filhos estão a passar, mas os próprios pais é que têm que desenvolver a literacia financeira neles próprios, para depois irem discutindo estas questões com os filhos.

Portanto, vai lá pelo exemplo.

Exatamente.

Pedro Silva Santos, obrigado pelas dicas e pelas sugestões. Vou começar a aplicar algumas dessas sugestões com os meus filhos. O meu porta-moedas agradece. No próximo programa vamos falar sobre investimentos, opções existentes no mercado e quais se adequam a determinados perfis. Este podcast tem o apoio do Banco Credibom.